A. BORÇLANMA POLİTİKASINI ŞEKİLLENDİREN AMAÇLAR VE
2. Mahalli İdarelerin Borçlanma Araçları
No campo econômico assim como em outros, novas tendências surgiram no século XIX. A mudança mais radical, como se sabe, foi a abolição e o desa- parecimento do tráfico de escravos que foi substituído pelas exportações agrí- colas, qualificadas abusivamente, mas de maneira tipicamente eurocêntrica, como comércio “legítimo”. Por mais radicais que tenham sido seus efeitos, essa mudança foi bastante lenta. De fato, será visto que, na África Ocidental e Central, este tráfico desumano estendeu -se e intensificou -se durante as seis primeiras décadas do século XIX61. Foi preciso esperar até os derradeiros anos
do século para que as exportações agrícolas substituíssem totalmente o tráfico de escravos.
Por mais conhecida que seja esta mudança, seu verdadeiro significado esca- pou a inúmeros historiadores. Não se trata da passagem de um comércio “ilegí- timo” para um comércio “legítimo”, mas sim de uma transferência fundamental de renda de uma elite aristocrática reinante para o povo. O tráfico de escravos, a principal fonte de renda dos reis, dos chefes militares e de seus conselheiros, só a eles enriquecia. Mas, assim que foi substituído por um comércio baseado em produtos naturais como o óleo de palma, o amendoim, o algodão, a borracha, o mel, a cera de abelha, a noz -de -cola etc., que o povo e, principalmente, os habi- tantes das zonas rurais desta vez puderam cultivar e colher em estado natural, uma redistribuição progressiva da renda se seguiu, conduzindo à criação de uma nova classe de ricos, não somente nos centros urbanos e mercados, como nas áreas rurais. É desta época que data o aparecimento do capitalismo rural que se pode observar nos dias atuais.
O desenvolvimento desta agricultura de exportação teve como outra conse- quência a integração progressiva na economia capitalista mundial não somente do comércio exterior da África, mas também de sua economia interna e de sua economia rural. Infelizmente, esta mudança fundamental no modo de produção não foi acompanhada em nenhuma parte da África pela evolução correspondente dos meios de produção. Em outras palavras, a passagem para a agricultura de exportação não se traduziu por uma mutação tecnológica dos meios de produção
ou do tratamento industrial dos produtos antes da sua exportação. Deste modo, a África encontrou -se incapaz de desenvolver, durante este período, uma econo- mia que pudesse fazer frente à economia capitalista e industrializada da Europa; daí a tragédia que deveria se abater sobre ela durante as décadas seguintes.
A realização da unificação comercial da África é uma outra mudança econô- mica notável que sobreveio no século XIX, mas com frequência negligenciada pelos historiadores.
Apesar da existência de longa data de rotas comerciais atravessando o Saara e o Dārfūr para chegar ao vale do Nilo, não havia até o início do século XIX nenhuma rota comercial transcontinental ligando a África Central à África Oriental ou à do Norte. É somente no século XIX, e somente após a terceira década, que a África Central, a Oriental e a do Norte foram ligadas por toda uma rede de grandes rotas comerciais, graças aos esforços dos árabes, dos suaílis, dos yao, dos nyamwesi e dos kamba na África Oriental, dos árabes do Egito e do Sudão, dos tio, dos ovimbundu e dos chokwe na África Central. Além de permitirem a unificação comercial do continente, a multiplicação dos contatos entre as regiões africanas e um crescimento considerável de empresários, de intermediários e de comerciantes africanos, estas infraestruturas tiveram como efeito a abertura progressiva do interior africano às influências e aos produtos manufaturados europeus árabes/suaílis, abertura esta que acarretou as consequ- ências trágicas que acabamos de invocar e que serão analisadas em detalhe no próximo volume.
Conclusão
Resta -nos perguntar sucintamente o que teria ocorrido se não houvesse acontecido o episódio colonial. Não é necessário ser profeta ou adivinho para compreender que, sem a intervenção colonial, a maioria das novas orientações teriam se fixado. No plano político, teríamos assistido uma centralização cres- cente do poder, desembocando, a longo prazo, no desenvolvimento natural de um número maior de Estados -nações e de entidades políticas do que aquele criado pela ocupação europeia e o retalhamento correlato da África. As tentati- vas constitucionais, tais como a Confederação fanti e o Egba United Board teriam sido, sem dúvida, coroadas de sucesso, e a cooperação entre as elites instruídas e as aristocracias tradicionais reinantes, a qual permanece problemática, prova- velmente teria se tornado uma realidade bem estabelecida. No campo social, a propagação do cristianismo e aquela do islamismo seriam perseguidas, como foi
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Tendências e processos novos na África do século XIX
efetivamente o caso durante o período colonial. Todavia, longe de se desacelerar, a difusão do ensinamento ocidental e a criação de escolas técnicas e politécnicas teriam se desenvolvido num ritmo acelerado, como assim o sugerem o programa da Confederação fanti e as reformas na educação, adotadas pelo Egito no século XIX. Mais ainda, a abertura dos grandes eixos comerciais através do continente teria permitido o desenvolvimento de contatos e da comunicação entre regiões da África, que teriam, deste modo, evoluído rumo a uma maior autonomia. Enfim, o sentimento de identidade racial, o pan -africanismo e as palavras de ordem do etiopianismo e aquela da “África para africanos” teriam ganhado força, realizando a unidade espiritual e ideológica do continente, se não sua unidade política. Infelizmente, o episódio colonial veio aniquilar todas estas esperanças tão construtivas como fascinantes.
Tudo que foi dito atesta que o século XIX foi, como evidenciado, um perí- odo notavelmente dinâmico e revolucionário que viu se desenvolver inúmeras tendências e processos novos, cujos efeitos marcam o fim da África antiga e o advento da África moderna. Outrossim, durante este período, os africanos deram incontestáveis provas de sua capacidade de enfrentar desafios novos, de tomar iniciativas, de adotar e adaptar técnicas e ideias novas e de responder às transformações do seu ambiente. Não é menos claro que as realizações notáveis dos africanos nos campos político e social e, mais particularmente no campo intelectual, superam em muito o sucesso registrado em questões econômicas. No final do século, a maioria dos Estados africanos gozava de sua autonomia e de sua soberania, enquanto, no campo das realizações intelectuais e de trabalhos universitários, os africanos mostraram -se muito acima das expectativas de seus detratores europeus. Infelizmente, estes incontestáveis sucessos sociais, intelec- tuais e políticos ficaram longe de serem acompanhados de sucessos tecnológicos e econômicos equivalentes. Os africanos não puderam, também, lançar as bases econômicas e tecnológicas que lhes teriam permitido resistir à violenta tempes- tade imperialista que, desde o final do século, devastaria o continente. Tal foi a causa fundamental da tragédia que viveu, então, a África, dividida, conquistada e entregue ao domínio colonial.
C A P Í T U L O 4
Este capítulo não procura medir a profundidade de cada uma das inovações que o século XIX levou à África. Não pretende mostrar o tráfico de escravos em toda a extensão do fenômeno. Por exemplo, não faz senão rápidas alusões aos tráficos transaariano e árabe, que merecem análises particulares de seus eminentes especialistas. Mostra em grandes linhas as dificuldades encontradas pelas nações do mundo ocidental para abolir o tráfico de escravos negros, prin- cipalmente para as explorações escravagistas do lado americano do Atlântico. Esquematiza ainda as condições do fim virtual do tráfico e indica algumas con- sequências resultantes. Numerosas pesquisas devem ainda ser empreendidas para chegar a um conhecimento melhor do fenômeno em seu conjunto. A tradição oral deveria, nesse caso, ser preponderante.
Nunca a participação africana nesse tráfico foi geral. Certos povos do inte- rior o ignoravam. Sociedades costeiras destruíam os navios e saqueavam os equipamentos dos navios negreiros. Para outras, o tráfico agitava as estruturas socioeconômicas e políticas. Outras ainda se fortaleciam com uma gestão auto- ritária e exclusiva do sistema. Então, os interesses negros e brancos coincidiam num tráfico florescente. Produtores e distribuidores africanos de mão de obra exportável prosperavam graças a este ramo da economia e ao comércio exterior da costa. Durante o século XVIII, foram comercializados cerca de 7 milhões de indivíduos contra aproximadamente 300 milhões de piastras (libras) em