B. BORÇLANMANIN KONTROLÜNÜ VE KOŞULLARININ
1. Hukuki Altyapının Oluşturulmasına Yönelik Düzenlemeler
Um cliometrista acha que a repressão salvou 657.000 pessoas da escravidão americana33. Outro especialista estima que este número é por demais elevado, e o
reduz a 40.000 indivíduos para o período que vai de 1821 a 184334. As opiniões
não são muito mais precisas quanto ao total de navios negreiros apreendidos pelas forças repressivas. Entre 1.000 e 1.200 embarcações, cerca de um quarto das expedições prováveis para o tráfico ilegal constituiriam uma avaliação razo- ável35. As cortes de vice -almirantado britânicas, os tribunais franceses, os cruzei-
ros americanos e, sobretudo, as comissões mistas (tornadas sem objetivo, seriam dissolvidas entre 1867 e 1870) liberaram por volta de 160.000 africanos.
Considerados “escravos”, isto é, bens móveis, sua libertação não era auto- mática: exigia um julgamento das autoridades marítimas ou coloniais, ou das comissões, para livrá -los da condição de escravos. Arrancados de suas raízes, alguns milhares de libertos viviam uma vida precária e ameaçada no cerne das
32 Ibidem, B. O. Oloruntimehin (1972b, p. 40) diz: “uma verdadeira crise de adaptação”. 33 P. E. Leveen, 1971, p. 75.
34 D. Eltis, 1978.
explorações escravagistas do Brasil e de Cuba, o que colocou o problema de sua integração socioeconômica36. Algumas centenas encontraram uma condição
ambígua nos estabelecimentos franceses da Guiana, do Senegal e do Gabão. Outras adquiriram uma real existência política, como na Libéria ou em Serra Leoa. Em Freetown, os 94.329 homens, mulheres e crianças recenseados nos registros do Departamento dos Africanos Libertados37 deram as primeiras res-
postas positivas e originais às questões da supressão do tráfico.
Em 1808, a Coroa britânica se encarregava de Serra Leoa, para encobrir o fracasso do estabelecimento filantrópico fundamentado vinte anos antes sobre os critérios do abolicionismo: cristianização, civilização e comércio. Em três fluxos de povoamento voluntário, proveniente da Inglaterra, da Nova Escócia e da Jamaica, 2.089 ex -escravos e fugitivos colonizaram o Nordeste da península. Estes estrangeiros não mantinham boas relações com seus vizinhos africanos. Os franceses devastaram suas plantações. Alguns ambicionaram o poder pessoal. As condições climáticas e sanitárias dizimaram os colonos. De modo especial, a companhia comercial de tutela revelou -se impotente de manter suas promessas sobre o direito e a extensão da propriedade do solo. Em 1802, a descendência dos pioneiros estava reduzida a 1.406 pessoas. A função repressiva e humanitária que lhe foi atribuída em 1808 salvou a colônia. Em 1811, a população era de 4.000 indivíduos. Após vinte anos de colonização oficial, 21.000 africanos viviam nos vilarejos das montanhas ou em Freetown. Em 1850, a cidade contava com 16.950 habitantes, o interior cerca de 40.000. Havia 89 brancos. Nesta época, recém -chegados inseriram -se na terceira geração de homens livres, praticamente autônomos.
A primeira geração passou pelos obstáculos de uma criação total. Entre 1816 e 1823, o impulso veio do governador Charles MacCharthy, administrador- -construtor de alma missionária. O crescimento contínuo da população e sua sede de criar raízes levaram a melhor organizar a instalação. Sede do governo colonial e de um vice -almirantado, centro de abastecimento da frota naval e terra de libertação oficial pelas comissões mistas, Freetown e o interior gozaram da injeção mais ou menos regular de subsídios. MacCharthy reorganizou os primeiros vilarejos e criou novos, onde, adotados, os que chegavam se adap- tavam entre irmãos. Às concepções europeias de comunidades -modelo mal definidas os africanos opuseram seus valores, seu modo de vida e suas atividades tradicionais. Na cidade, terras e construções adquiriram preço e o artesanato e
36 A. F. Corwin, 1967, p. 166; F. W. Knight, 1970, p. 29; L. Bethell, 1970, p. 380 -383. 37 R. Meyer -Heiselberg, 1967; J. U. J. Asiegbu, 1969, apêndice VII.
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o comércio permitiram êxitos individuais. Por volta de 1828, personalidades empreendedoras adquiriram os meios de entrar no novo tipo de economia da costa. A colônia abriu -se ao comércio externo em 1831. Governantes e crédi- tos ingleses tornaram -se medíocres: os próprios serra -leoneses assumiram seu destino, mesmo mantendo -se no quadro de uma situação colonial. Nestes bal- bucios, a contribuição ocidental, em que se inscrevia a dos missionários, tinha sido essencial.
As elites sociais e políticas inglesas financiavam as igrejas e as associações de culto. Estas não estavam nada preparadas na experiência abolicionista e mis- sionária. Serra Leoa tornou -se terra de treinamento. Além da propagação do cristianismo e da civilização, as missões tinham que combater o tráfico, especial- mente no rio Pongo. Mas os negreiros locais, suspeitando que estes personagens espionavam a serviço do governo colonial, queimaram a Church Missionary
Society, que abandonou o território. Na colônia propriamente dita, onde a auto-
ridade política era sensível a sua missão humanitária, os missionários não eram insensíveis à política. McCarthy confiou -lhes a superintendência das aldeias de escravos libertos. No seio do poder administrativo, apesar das fortes rivalidades de pessoas ou de doutrinas, a cooperação de personalidades poderosas com a autoridade governamental produziu resultados sólidos a longo prazo. Escolas foram abertas, nas quais por intermédio do inglês que evoluía para um crioulo nacional, um sem -número de grupos étnicos diferentes interpenetraram -se. Se o sincretismo religioso não se realizou, pelo menos o cristianismo, a religião tradicional africana e o Islã coexistiam estreitamente.
A segunda geração resolveu as dificuldades de crescimento. Os africanos libertos ascenderam ao poder interno, em concorrência, e depois junto aos fun- dadores e seus descendentes. Nos primeiros tempos, nem o entendimento nem a fusão eram perfeitos. Os velhos tentavam impor uma clivagem social e cultu- ral. Durante as duas primeiras décadas de forte repressão do tráfico, a situação complicou -se com a chegada anual de 2.000 pessoas. Por mais que pesassem as perdas devidas à mortalidade, todas estas pessoas não foram integradas. Algumas delas foram recrutadas pelo exército britânico. Um décimo emigrou à força para a Gâmbia. Um programa oficial de emigração para as Antilhas permitia, em teo- ria, a liberdade de decisão e garantia a repatriação. Mas, pelo dirigismo, evocava os antigos horrores. Os africanos libertos preferiam as dificuldades da mata ou a segurança da aldeia tradicional. Em sentido inverso, ajudados pelos missionários, alguns milhares retornaram a suas regiões de origem, principalmente nos países iorubás, onde manifestaram experiência e competência adquiridas.
Do ponto de vista econômico, não se podia esperar um “boom” espetacular. Entretanto, desde 1827, um processo de desenvolvimento encetou -se. Ligou -se primeiramente à produção de gêneros alimentícios, sobretudo arroz; mas visava igualmente à produção de culturas de exportação e a exploração das riquezas locais existentes: entre as primeiras, açúcar, gengibre e índigo; entre as segundas, café e madeiras exóticas. Uma variedade local de café tinha sido reconhecida desde o começo do povoamento e transformada em cultura. Em 1835, tornou- -se um argumento econômico para reforçar os meios de pôr fim ao tráfico em volta do rio Nuñez ou do rio Gallinnas: em Londres, em apenas dezoito meses, uma casa de comércio tinha recebido cerca de 65 toneladas; o que provava que era preciso proteger a cultura e a exploração. Estabelecimentos serra -leoneses para a exportação de madeiras exóticas, em particular uma variedade de intule, começavam a enriquecer. Lá ainda, o principal interesse residia na criação de um substituto econômico válido para o tráfico de escravos: em 1824, cinquenta navios ocidentais carregaram, no estuário de Serra Leoa, 200.000 dólares em madeira38. Condições favoráveis conjugavam -se para criar uma riqueza (ainda
não se podia falar de um capital) no interior da colônia. Suas embarcações começavam a cortar as águas da costa do Oeste africano até o golfo de Biafra. Os navios estrangeiros encontravam, a partir de agora, no estuário, uma escala segura para este comércio legítimo tão desejado pelos abolicionistas. Todavia, convém não exagerar o alcance de tal “encetamento”: demonstrava simplesmente que a experiência era viável, com um mínimo de suporte administrativo da metrópole europeia.
Em uma palavra, em 1853, quando o governo britânico fez dos serra -leoneses súditos da Coroa, reconheceu implicitamente que uma formidável mistura de culturas fundiu -se em uma sociedade crioula viável. Uma nação “civilizada” construiu -se, não segundo um modelo utópico europeu, mas pelo dinamismo de seu próprio gênio39. A evidente contribuição dos abolicionistas ingleses não
ocultou a qualidade das soluções africanas.
A experiência liberiana foi pouco diferente. No que tange ao direito, o esta- belecimento da American Colonization Society no cabo Mesurade, em 1821, era empreendimento privado. O governo federal dos Estados Unidos não se envolveu, mas estabeleceu um escritório, não colonial e temporário, cujos agentes
38 Public records do Fourah Bay College, Freetown, e British parliamentary papers, Correspondence returns, África Ocidental, 1812 -1874, p. 135 -146; C. Fife, 1962, ver “timber”.
39 C. Fyfe, 1962; J.Peterson, 1969; J. U. J. Asiegbu, 1969; J. F. A. Ajayi, 1969, cap. 2; S. Jakobsson, 1972, primeira parte.
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recebiam a investidura da sociedade. Confiava ao estabelecimento os africanos libertos pelo cruzeiro, contribuindo assim para o povoamento. A criação da Libéria resultou de aspirações filantrópicas e civilizadoras, mas também da preocupação de diminuir, mesmo nos Estados Unidos, a expansão da população negra, considerada perigosa.
Um punhado de colonos defendeu sua implantação contra a resistência dos poderes autóctones. Estes discutiram tanto o contrato de cessão das terras e a soberania, quanto à pretensão dos estrangeiros negros em reduzir a atividade dominante do comércio exterior local, o tráfico negreiro. A esta resistência, o reverendo Jehudi Ashmun opôs a de 450 colonos, dos quais 200 eram africanos libertos. A ação defensiva fez durar o estabelecimento. Em 1824, recebeu o nome de Libéria, tendo por centro Monróvia. Elaborado na América, um estatuto político foi administrado pelo governador local, segundo seu entendimento. Aos navios que se apresentavam, americanos ou não, Ashmun impunha o comércio “legítimo” do marfim, da madeira, das peles e do óleo, trocados por mercadorias ocidentais clássicas. Em 1826, o comércio tornar -se -ia oficialmente benefici- ário, mas pode -se duvidar disso. Em 1830, além de 260 africanos libertos, o estabelecimento compreendia 1.160 colonos, provenientes em sua maior parte das plantações sulistas, escravos emancipados por seus proprietários para fins propagandísticos e pioneiros. Os negros americanos nascidos livres não eram tão numerosos: chegariam mais tarde. A política americana da sociedade mãe era ambígua: para os americanos do Norte, valorizava a vantagem evangélica alcançada com a repatriação; para os sulistas, fazia vislumbrar uma purificação de sua sociedade, desembaraçando -se dos negros.
Os fatores do êxito eram de três ordens. Outras sociedades de colonização procederam da sociedade -mãe e fundaram três estabelecimentos, em Bassa Cove, em Sinoé e no cabo das Palmas – este chamado Maryland na Libéria, sendo incorporado ao território nacional somente em 1856. A gestão continuou autônoma, subordinando as sociedades americanas aos estabelecimentos, e não no sentido inverso. A população mostrou -se corajosa em um meio hostil tanto ecologicamente quanto politicamente. As terras não eram excelentes e, além disso, eram trabalhadas com métodos arcaicos. Faltavam negócios e capital, e o trabalho livre era caro. Mas havia engenheiros que sabiam edificar construções duradouras. As instalações na zona costeira caçaram os negreiros e fizeram cessar o tráfico. Alcançou -se o objetivo filantrópico e colonizador. O segundo fator é o do valor individual dos dirigentes. Educados na religião e na cultura anglo -saxônicas, bem adaptados ao meio escolhido, mas realistas, acabaram formando um embrião de consciência nacional. A Constituição trazida dos
Estados Unidos por Thomas Buchanan em 1839 foi reformada para adaptar -se ao caso particular da Libéria. John B. Russwurm, governador do Maryland de 1836 a 1851, fez nascer esta terra onde o racismo não podia existir. J. J. Roberts, governador da Libéria, em 1841, e em seguida presidente de 1847 a 1856, agiu como homem de Estado. As superestruturas estavam em condições de uma independência de fato.
Uma contestação inglesa da existência jurídica do país acaba levando à independência de direito. Comerciantes e marinheiros britânicos recusaram os atributos da soberania manifestada por Monróvia: controle da atividade eco- nômica, taxação e bandeira nacional. O litígio de origem econômica recebeu uma resposta da diplomacia internacional, quando os Estados Unidos deixaram clara para a Grã -Bretanha a natureza de suas relações com os estabelecimentos. A Libéria não foi uma colônia americana, mesmo tendo o apoio dos Estados Unidos. O desafio do governador Roberts foi de levar os colonos a superarem sua pusilanimidade e a provarem sua maturidade política. Uma simples, mas peremptória declaração de independência inscreveu a Libéria entre os poderes soberanos, no dia 26 de julho de 1847. Tinha nascido a primeira república afri- cana, cuja Constituição, ao estabelecer os três poderes, legislativo, executivo e judiciário, outorgou nacionalidade unicamente aos cidadãos de raça negra. Em 1860, 6.000 deles eram escravos emancipados, 5.700 escravos libertados pela marinha americana, 4.500 eram nascidos livres nos Estados Unidos e 1.000 tinham comprado sua liberdade. A República tinha ainda que se firmar em seu próprio solo, combater o sistema francês de recrutamento de “engajados livres”, defender suas fronteiras, e estender -se40. Isso, porém, já era o futuro.
No que se refere a este período, parece que não se pode falar de um relativo desenvolvimento econômico da Libéria comparável ao da Serra Leoa. O francês Édouard Bouët -Willaumez, comandante da esquadra de repressão do tráfico, pas- sou várias vezes ao longo da costa liberiana e ficou impressionado com a pobreza de seus habitantes41. Este juízo de ordem econômica contrasta com o julgamento
qualitativo pronunciado na mesma época pelo americano Horatio Bridge, segundo o qual a Libéria podia ser considerada como “o paraíso do homem negro”42. Cada
uma dessas opiniões vinha marcada pela personalidade do homem que a proferia: juízos de brancos cada vez mais marcados pela mentalidade colonizadora. Con- tudo, em termos de significado histórico, seria provavelmente irracional, e certa-
40 P. J. Staudenraus, 1961; J. -C. Nardin, 1965, p. 96 -144. 41 E. Bouët -Willaumez, 1846, cap. 4, p. 90 -92. 42 H. Bridge, 1845, cap. 20.
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mente anacrônico, apresentar as experiências da Serra Leoa e da Libéria no século XIX como elementos precursores dos movimentos de libertação do século XX. A própria ideia de se poderem criar novas nações africanas numa costa assolada por duzentos e cinquenta anos de um tráfico negreiro sem freios, bem como a realização desta ideia, constituíram acontecimentos que merecem ser destacados.
Ponto de partida de condições diferentes, as experiências da Serra Leoa e da Libéria não foram suficientes para as novas gerações abolicionistas. Opunham- -se quanto aos métodos e quanto às prioridades a serem adotados para desman- telar a escravidão americana ou o tráfico africano. O fracasso de uma colonização filantrópica no Níger, patrocinada por T. F. Buxton em 1841, provocou críticas ao insucesso abolicionista e uma denúncia da falência global da repressão. Com- bates de retaguarda, na contracorrente, pois, apesar das repugnâncias oficiais, a ideia de sociedades de colonização avançava nos meios privados. A costa do Norte do equador, particularmente, estava francamente aberta às inovações.