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4. Gazneli Devleti’nin Kuruluşu

2.3. Gazneli Mahmud Döneminde İlmî Faaliyetler

2.3.2. Müderrisler

Para a coleta de dados históricos e culturais sobre a formação da comunidade, realizaram-se 07 (sete) visitas à Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em especial ao Museu Casa do Sertão. Nele há um Acervo do Monsenhor Renato de Andrade Galvão, líder religioso católico, nascido em 11 de maio de 1918 e falecido em 09 de abril de 1995, que muito contribui para o desenvolvimento da cidade de Feira de Santana.

Sobre esse sacerdote, o professor Josué da Silva Mello, ex-Reitor da UEFS e Pastor da Igreja Presbiteriana em Feira de Santana, declarou:

[…] Um acervo que reúne 4.916 exemplares de livros especializados em história de Feira de Santana e região, cultura popular e literatura de cordel. Constituiu-se ainda de amplo documentário formado de periódicos e documentos construídos ao longo de sua dedicação à pesquisa regional, incluindo jornais de Feira de Santana dos séculos XIX e XX, manuscritos, cartas de alforria, livros regionais, monografias e dissertações [...] (Texto [mimeo]).

Assim, seguindo os vestígios da história no referido acervo, encontra-se uma vasta documentação sobre a origem da cidade de Feira de Santana. Observa-se que o atual minicípio originou-se de uma antiga fazenda, cujo nome era Sant’Ana dos Olhos d’Água de propriedade do casal português: Domingos Barbosa Araújo e Ana Brandoa. Essa configuraçao histórica data do início do século XVIII.

A despeito dos registros encontrados, a vila mais próxima das terras da Fazenda chamava-se Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira, conhecida por Cachoeira, e elevou-se à categoria de Vila no final do século XVII. Naquele tempo, os municípios se dividiam em freguesias e não em distritos, como ocorre atualmente. Nesse sentido, “a freguesia de São José das Itapororocas foi criada poucos anos depois de cachoeira ter passado à condição de vila ou, mais precisamente, em 1696” (PINTO, 1971, p. 175).

Ressalta-se que a freguesia de São José das Itapororocas é o primeiro nome do Distrito de Feira de Santana, atual Maria Quitéria, que se vincula à Comunidade pesquisada de Lagoa Grande. Entender a formação da cidade e do Distrito é o início da compreensão sobre a

formação da Comunidade estudada. Nesse contexto, os dados históricos revelam que São José das Itapororocas apareceu primeiro do que Feira, de modo que:

a feira livre de Feira, pouco tempo depois de ter surgido, ficou sendo mais procurada do que a de São José. Demorou, contudo, quase um século para que o povoado de Feira ultrapassasse em importância a freguesia de São José das Itapororocas. E isto se deu em pleno século passado. Em 1835, três anos após a elevação de Feira à condição de Vila, fêz-se um censo que acusou o seguinte resultado:

Feira – 2.872 habitantes

S. José – 2.682 habitante [...] Daí em diante, contudo, Feira não parou de progredir e São José estacionou.

O azar de São José foi não passar uma boa estrada por lá (PINTO, 1971, p. 179).

Assim, conforme dados do IBGE (2010), a Freguesia de Feira de Santana foi criada em 1696, subordinada ao município de Cachoeirinha. A seguir, foi elevada à categoria de Vila, através do decreto de 13/11/1832, com o seu desmembramento de Cachoeirinha. Posteriormente, constituiu-se como Distrito sede, instalada em 18/09/1833. Dessa maneira, o Distrito de São José das Itapororocas é anexado ao município de Feira de Santana, através da resolução provincial nº 657, de 16/12/1857.

Os dados do IBGE apontam que pelo decreto estadual nº 11089, de 30/11/1938, além do município de Feira voltar a denominar-se Feira de Santana, o distrito de São José das Itapororocas passa a denominar-se Maria Quitéria, pois, no ano de 1832, Feira de Santana participou do movimento federalista. Colocando-se no contexto de lutas da Sabinada,38 teve em Maria Quitéria uma de suas grandes heroínas, nascida na freguesia de São José das Itapororocas, quando pertencente ao Município de Cachoeira.

A história atesta que o comércio de gado desenvolveu o povoado de Feira, seguido das demais atividades que se agregavam ao comércio, intensificado em dias de feira livre. Nesse processo, destaca-se que não há registro de quilombos dentro dos limites territoriais estudado. O que se encontra atualmente nessa região são os remanescentes de uma Comunidade que, não se sabe ao certo, de qual quilombo dos arredores baianos se originou. Infere-se que os sujeitos que integram a Comunidade em estudo são oriundos de uma dispersão, quer pela fuga durante o processo escravocrata, quer pela escolha de lugares distantes dos centros daquele período.

No desenvolvimento da pesquisa no acervo já referenciado, realizaram-se estudos em busca do maior número de documentos ali presentes que fizessem menção ao Distrito de Maria Quitéria, a fim de que, de certa forma, informassem algo sobre a Comunidade de Lagoa 38 A Sabinada foi uma das revoltas ocorridas na Bahia em meados de 1837 em prol de independência no contexto

Grande. Descobriu-se que essa empreitada só seria possível a partir do nome anterior do Distrito, que era Freguesia de São José das Itapororocas.

Nessa investigação, encontraram-se referências versando sobre o Distrito em livros datados entre do período de 1760 e outros que, por serem muito antigos, não dispunham de datas para referenciá-los. De modo geral, recolheram-se dados históricos, conforme especificados no quadro 12, apêndice 12, e que se referem às informações escritas que fazem alusão direta e/ou indireta à Comunidade pesquisada.

Destaca-se que, ao desenvolver a coleta de dados no Museu Casa do Sertão, Acervo do Monsenhor Renato de Andrade Galvão, esta pesquisadora se submeteu aos treinamentos que se deve ter para o manuseio de documentos antigos, pois se vetava a saída das obras sob quaisquer pretextos. Por isso, usavam-se luvas e, a partir da supervisão direta do bibliotecário, recebeu-se orientação para se folhear os corpora com extremo cuidado.

Após realização de requerimento e justificativa para a consulta, foi possível a coleta de 56 (cinquenta e seis) imagens, com o uso de máquina sem a utilização de flash e seguindo os padrões de segurança prescritos pelo museu. O conjunto das imagens obtidas refere-se aos seguintes documentos: Dicionário Personativo, Histórico e Geográfico de Feira de Santana (Cf. anexo 14); Livro de Casamentos e Batismos, extraídos de documento datado de 1695 (Cf. anexo 15); Jornal com circulação extinta noticiando sobre as terras do Distrito (Cf. anexo 16); Jornal com circulação extinta noticiando sobre a degradação da Lagoa (Cf. anexo 17); Jornal com circulação extinta noticiando sobre a seca na região (Cf. anexo 18); Livro de Números de Fogos e Moradores do Distrito (Cf. anexo 19); Livro Nº 04 de Batismos (Cf. anexo 20); Livro Nº 08 de Batismos (Cf. anexo 21); Livro Nº II de Batismos (Cf. anexo 2); Livro Nº I de Batismos (Cf. anexo 23); Documentação da Secretaria do estado de segurança Pública (Cf. anexo 24); Carta de alforria (Cf. anexo 25)39.

Na composição da pesquisa, desenvolvida através de dados históricos levantados no Museu Casa do Sertão – UEFS, coletaram-se informações que o acervo dispunha sobre a Freguesia de São José das Itapororocas e foram encontrados jornais antigos com 132 notícias já editadas em quatro livros e transcritos para uma versão on line, cujo acesso só é autorizado ao bibliotecário. Dessa maneira, repassaram uma cópia impressa de 44 (quarenta e quatro) das 132 notícias que o sistema oferece. Para fins de consulta são apresentadas no quadro 12, apêndice 12, uma disposição do livro, página, ano de referência da notícia, data de veiculação do jornal e o número que a Universidade atribuiu ao impresso.40

39

Dados discriminados no quadro XII apêndice 12.

40 Disposição de dados em jornais sobre S. J. Itapororocas presentes nos anexos 25 ao 50 e respectivamente

Destaca-se que a relevância do conjunto da pesquisa documental que aqui se apresenta assegura a coleta de informações para a contextualização da pesquisa, já que a Comunidade não dispõe de um acervo específico para estudo sobre ela. Foi necessária, muitas vezes, a exploração de informações sobre o Distrito de Maria Quitéria (antiga São José das Itapororocas) para, a partir dele, empreender-se na busca por informações que conduzem a indícios sobre a Comunidade em estudo. Dessa maneira, esta tese procura, de certo modo, fazer uma reunião singular de informações específicas sobre a Comunidade de Lagoa Grande.

É importante mencionar que os dados históricos coletados não revelam quaisquer indícios que se aproximem do assunto das Comunidades formadas aos arredores de São José das Itapororocas, atual distrito de Maria Quitéria, pertencente ao município de Feira de Santana-BA. Entretanto, várias Comunidades existem e, face a isto, é possível encontrar a Comunidade de Lagoa Grande, remanescente de quilombos aqui estudada.

Diante do exposto, é importante destacar que o primeiro documento relevante que menciona a Comunidade de Lagoa Grande não advém dos livros de história. Assim, seguindo-se a ordem adotada para a coleta de dados no campo, o primeiro dado oficial e histórico encontrado são os registros da Fundação Cultural Palmares- FCP. Nele observa-se que Lagoa Grande é uma Comunidade registrada e certificada como remanescente dos quilombos, conforme Livro de Cadastro Geral nº 10, Registro nº 980, fl. 45, nos termos do Decreto nº 4.887 de 20 de novembro de 2003, art. 1º da Lei nº 7.668 de 22 de Agosto de 1988, art. 2º, §§ 1° e 2º, art. 3º, § 4º e da Portaria Interna da Fundação Cultural Palmares- FCP nº 06, de 01 de março de 2004, publicada no Diário Oficial da União nº 43, de 04 de março de 2004, Seção 1, f. 07.

Assim, no desenvolvimento da contextualização de pesquisas documentais sobre a Comunidade junto ao Ministério da Saúde - Fundação Nacional de Saúde (FNS) e perante o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é possível apresentar registros sobre a localização da Comunidade estudada e mostrar índices estatísticos sobre cor e alfabetização dos sujeitos.

Parte-se do pressuposto de que quanto mais a escrita se aproxima do uso cotidiano de seus sujeitos, mais se apresenta uma maneira ativa de compreensão da sua realidade histórica e cultural. Os dados apresentados se relacionam com o objetivo desta tese, pois servem para embasar uma perspectiva da pesquisa que é histórica e cultural.

No que tange ao Ministério da Saúde: Fundação Nacional de Saúde – FNS, podem-se, encontrar nesse órgão, registros elaborados entre os anos de 1995 até 2010. São os únicos registros que o município de Feira de Santana-BA dispõe, especificamente, sobre a Comunidade de Lagoa Grande. Nesses documentos, observa-se a discriminação da sua

localização, a saber: ao Norte do Distrito de Maria Quitéria com 3 km distantes deste e no total de 251 casas de alvenaria construídas (Cf. Anexos 10 e 11). Os demais dados considerados oficiais foram recolhidos no IBGE, os quais informam sobre a zona rural do Distrito de Maria Quitéria e não especificamente sobre a Comunidade pesquisada.

Sobre a população residente, por situação de domicílio e sexo, (Cf. tabela 01 no anexo 04), os dados do IBGE revelam que no Distrito de Maria Quitéria há um total de 13.903 habitantes, sendo 6.854 homens e 7.049 mulheres. Na sua zona urbana há 1.826 moradores, sendo 854 homens e 972 mulheres. Já na zona rural, há 12.077 moradores, sendo 6.000 homens e 6.077 mulheres. Dos dados levantados, observa-se que o Distrito de Maria Quitéria é, predominantemente, rural e nessa zona está situada a Comunidade de Lagoa Grande.

Segundo o IBGE (2010), dos sujeitos residentes na zona rural do Distrito de Maria Quitéria, por cor ou raça, conforme a situação do domicílio, o sexo e a idade, (Cf. tabela 02 no anexo 05), do total de 12.077 moradores, 1.014 são brancos, 3.586 são negros, 140 são amarelos, 7.333 são pardos e 4 são indígenas. Dessa maneira, a segunda maior parte da população rural se reconhece como negra.

No que se refere ao critério alfabetização dos sujeitos com idade entre 10 e 14 anos, residentes na zona rural do Distrito de Maria Quitéria, os dados estatísticos mostraram que 336 negros até 2010 foram alfabetizados (Cf. tabela 03 no anexo 06), contrapondo-se a 70 brancos (Cf. tabela 04 no anexo 07). Já com relação aos sujeitos negros, acima de 05 anos no Distrito de Maria Quitéria, os dados revelaram que 69 deles não são alfabetizados (Cf. tabela 05 no anexo 08) e, em contrapartida, apenas 10 sujeitos brancos, com a mesma idade, não possuem o domínio oficial da leitura e da escrita (Cf. tabela 06 no anexo 09). Embora o número de negros alfabetizados apresente certo crescimento, os dados estatísticos reafirmam a realidade perversa da história refletida no contexto atual, referente à privação do acesso à escolaridade dos sujeitos negros, o que se acentua, quando o cenário é a zona rural.

Logo, os dados específicos que se referem aos sujeitos da pesquisa e sobre os usos de escrita de seus estudantes, enquanto fenômenos sócio-históricos, que fazem parte do contexto escolar e contextos extraescolares que compõem a sua vida cotidiana, são descritos na seção seguinte.

2.2 Apresentação, descrição, critérios de seleção e procedimentos de análise do material41 ou dados concretos

Esta subseção está organizada em duas sub-subseções: na primeira apresentam-se os dados selecionados, seguidos das suas descrições. Com isso, procura-se conferir um tratamento refinado ao material coletado no contexto da pesquisa. Na segunda, destacam-se os critérios de seleção e procedimentos de análise do material ou dados concretos.

Belgede Gazneli Mahmud'un dinî siyaseti (sayfa 111-152)