I. BÖLÜM
3.5. Müşteri Güçlendirme ve Yenilik
A PC foi implementada no ano de 2008 para apoiar o trabalho realizado nas escolas estaduais e contribuir para a qualidade da aprendizagem dos alunos, uma vez que exames nacionais e estaduais apontavam um desempenho insatisfatório em português e matemática tanto nas séries finais do Ensino Fundamental (4ª e 8ª séries) quanto no Ensino Médio (3ª série).
A SEESP, no intuito de cumprir seu dever de garantir a todos os alunos da rede uma base comum de conhecimentos e competências, tomou algumas iniciativas para a elaboração do currículo. Primeiramente, foi realizado um amplo levantamento do acervo documental e técnico pedagógico existente. Em um segundo plano, iniciou-se um processo de consulta a escolas e professores para identificar, sistematizar e divulgar boas práticas existentes nas escolas de São Paulo (SÃO PAULO, 2010).
Na PC são apresentados os princípios orientadores para as escolas da rede, sendo eles: a escola que aprende, o currículo como espaço de cultura, as competências
como eixo de aprendizagem, a prioridade da competência de leitura e de escrita, a articulação das competências para aprender e a contextualização no mundo do trabalho.
Um dos objetivos da PC é promover as competências indispensáveis que os alunos precisam desenvolver para enfrentar os desafios sociais, culturais e profissionais do mundo contemporâneo. A escola, portanto, passa a ser definida como espaço de cultura e de articulação de competências e de conteúdos disciplinares. Cultura é entendida como “uma trama tecida por um longo processo acumulativo que reflete conhecimentos originados da relação dos indivíduos com as diferentes coisas do mundo” (SÃO PAULO, 2010, p.26). Esse processo acumulativo é dinâmico, possibilita um refletir do conhecimento e das experiências adquiridos pelas gerações anteriores, resultando em inovações e invenções humanas.
Outros documentos foram elaborados a fim de orientar os profissionais da rede. Houve a elaboração do Caderno do Gestor, dirigido às unidades escolares e aos professores coordenadores, diretores, professores coordenadores das oficinas pedagógicas e supervisores, com a finalidade de apoiar o gestor para que ele seja um líder capaz de estimular e orientar a implementação da PC nas escolas públicas estaduais de São Paulo.
Para os professores e alunos foram elaborados os Cadernos do Professor e do
Aluno (CPs e CAs), organizados por disciplina/série (ano) / bimestre. Neles, há Situações de Aprendizagem para orientar o trabalho do professor no ensino dos conteúdos disciplinares
organizados por série/ano, com orientações para a gestão da aprendizagem em sala de aula e para a avaliação e a recuperação. Os cadernos oferecem também sugestões de métodos e estratégias de trabalho para as aulas, experimentações, projetos coletivos, atividades extraclasses e estudos interdisciplinares.
Para a SEESP, o currículo é definido como “a expressão do que existe na cultura científica, artística e humanista transposto para uma situação de aprendizagem e ensino” (SÃO PAULO, 2010, p. 11). Assim, nele, cultura e conhecimento são tratados de forma interdependente, com o professor que não se limita a suprir os alunos de saberes, mas como alguém que desperta o desejo de aprender, a partir de seu próprio entusiasmo pelas culturas acima citadas. Concordamos com essa visão, uma vez que ela contribui para a interdisciplinaridade na escola. Assim o conhecimento passa a ser compreendido sob diversas perspectivas, não se limitando apenas ao olhar de uma disciplina.
A iniciativa da SEESP em elaborar um currículo referenciado em competências deve-se, principalmente, à democratização da escola, com a incorporação da heterogeneidade nas salas de aula. Para que a educação fosse de fato democrática, foi necessária a elaboração de um currículo que promovesse uma escola igualmente acessível a todos, diversa no tratamento a cada um e unitária nos resultados. Assim, foi necessário deslocar a educação referenciada no ensino para a educação referenciada na aprendizagem, em que “todos têm direito de construir, ao longo de sua escolaridade, um conjunto básico de competências, definido pela lei” (SÃO PAULO, 2010, p.13).
Além do fato da democratização e heterogeneidade no ensino, a elaboração da PC está totalmente atrelada às profundas transformações causadas pelas novas tecnologias na estrutura, na organização e na distribuição do conhecimento, uma vez que vivemos um período sócio-histórico no qual a informação é disseminada em grande velocidade, sendo impossível alguém ser detentor absoluto do conhecimento. Consideramos que a escola deve preparar o aluno para viver nesse tipo de sociedade. Para isso, ênfase deveria ser dada ao processo de aprendizagem ao invés de maior quantidade de ensino, o que pode favorecer o aluno a aprender a aprender e continuar aprendendo.
De acordo com a SEESP, a PC atual, além de valorizar as competências, os aspectos curriculares e docentes, leva em consideração os recursos cognitivos, afetivos e sociais dos alunos. Desse modo, a tríade sobre a qual competências e habilidades são desenvolvidas no Ensino Fundamental II e no Ensino Médio pode ser assim caracterizada: a) o adolescente e as características de suas ações e pensamentos;
b) o professor, suas características pessoais e profissionais e a qualidade de suas mediações; c) os conteúdos das disciplinas e as metodologias para seu ensino e aprendizagem (SÃO
PAULO, 2010).
O desenvolvimento das competências e habilidades nessa etapa curricular se dá por meio dos atos de leitura e de produção de textos, pois acredita-se que, em uma cultura letrada como a nossa, a competência de ler e de escrever é parte integrante da vida das pessoas e está associada ao exercício da cidadania.
Na PC nos é afirmado que as práticas de leitura e escrita têm impacto sobre o desenvolvimento da consciência do mundo vivido, favorecendo a autonomia na aprendizagem e a contínua transformação das relações pessoais e sociais. Para tanto, espera-se que as competências de leitura e escrita sejam desenvolvidas a partir da abordagem por gêneros, uma vez que “todo texto articula-se para atingir um leitor socialmente situado, tendo em vista um objetivo definido, atualizando-se, em seu meio de circulação, sob a forma de um gênero discursivo específico” (SÃO PAULO, 2010, p. 16). Nesta pesquisa, analisaremos se esse aspecto é contemplado no planejamento.
O panorama aqui exposto nos permite tecer algumas considerações, como observamos no quadro a seguir:
Perspectivas teórico-
metodológicas subjacentes à
Proposta Curricular (PC)
•defende-se um planejamento baseadoem competências e habilidades;
•em relação ao conteúdo, prezam-se temas que retratam a cultura científica, artística e humanista;
•opta-se por um planejamento centrado no aluno, com temas que vão ao encontro de suas necessidades e interesses, enfatizando-se o desenvolvimento de sua autonomia enquanto aprendiz;
•visa-se a um planejamento centrado em gêneros textuais, com o conhecimento sistêmico da língua subordinado ao uso social.
Quadro 2 – Perspectivas teórico-metodológicas subjacentes à Proposta Curricular (PC)
Essas considerações nos auxiliarão na investigação desta pesquisa, pois buscamos verificar que relação pode ser estabelecida entre a PC, o CLEM e o planejamento subjacente aos CPs e CAs.