1. BÖLÜM MARKALAMAYA GİRİŞ
1.5. Marka Unsurları
1.5.2. Logo
Aproxima-se o período das eleições municipais de 1992, José Irineu, não podendo se candidatar, pois não existia a Lei da Reeleição para o Executivo72, convida e lança o jovem advogado Antônio Nei de Sousa73 candidato a prefeito e Raimundo Estevam Neto a vice. Na época o prefeito e quase todo o seu grupo político havia migrado para o Partido da Social Democracia (PSDB), motivados pela saída do governador Tasso Jereissati para o PSDB. Enquanto a oposição já enfraquecida, sem o apoio do governo estadual, não tendo mais apoio do deputado estadual influente no estado e região do Vale do Jaguaribe, Francisco Diógenes Nogueira, que estava sem mandato, pois não foi reeleito em 1986. Além disto, o grupo oposicionista estava fragmentado no município. Mesmo sem a sua base de apoio governamental, Mardônio Diógenes (PFL) consegue apoio local de seus correligionários e concorre à Prefeitura com o vice Antônio Pinheiro Saldanha, filho de influente chefe político local, o Raimundo Pinheiro do Rêgo (Mundóca Pinheiro), que fora seu vice-prefeito na gestão (1983-1988).
72A reeleição para cargos do Poder Executivo entrou em vigência no Brasil em 1998, após a aprovação da
emenda constitucional nº 16, de 4 de julho de 1997. Com a mudança, promovida durante o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, o político disputou e venceu o pleito de outubro de 1998, se tornando o primeiro presidente reeleito no chamado modelo americano. Nas eleições governamentais de 1998, 14 dos 21 governadores que tentaram novo mandato foram reeleitos (66,6%). Em 2002, 14 governadores se lançaram à reeleição e 71,4% deles prolongaram seus mandatos. Assim como nos estados, a porcentagem de candidatos reeleitos para o cargo executivo municipal também aumentou. Nas eleições de 2000, por exemplo, 16 dos 23 prefeitos de capitais brasileiras que buscaram um segundo mandato seguiram no poder (69,5%). Já em 2004, dos 11 prefeitos de capitais concorrentes a mais quatro anos de mandato, oito obtiveram êxito (72,7%). Há muitas criticas contra a lei da reeleição do Executivo, inclusive por parte dos possíveis candidatos à Presidência da República do Brasil em 2014, Aécio Neves e José Serra o PSDB e Marina Silva do PSB, enquanto Dilma Rousseff que é Presidenta e candidata a reeleição pelo PT é a favor da manutenção da lei, pois o estatuto da reeleição a favorece politicamente.
(VEJA.Com. Online.) Disponível em:
<veja.abril.com.br/idade/exclusivo/reeleicao/03.html>. Acesso em: 22 de julho de 2014.
73 “Ganhamos a eleição, na época eu tinha 27 anos de idade, muito jovem, posso até dizer inexperiente em
vários assuntos, mas imbuído de muito boa vontade e pelo amor que tinha e que tenho pela minha terra. Na minha cabeça, no meu pensamento, no meu coração eu tinha um desejo infinito de dar tudo de mim para que eu conseguisse realizar um bom trabalho. E naquela oportunidade eu me cerquei de várias pessoas, pessoas já com experiência de vida, com experiência administrativa e que me deram muito apoio”. (E nº 19, 2013, p. 01-02).
Antônio Nei (PSDB), mesmo sem dinheiro para investir na campanha, consegue ampla aceitação da população e faz sua campanha com o apoio do prefeito José Irineu, maioria de vereadores do município, com apoio do governo do estado e do deputado estadual Mauro Filho (PMDB) e do deputado federal Sérgio Machado do PSDB. Além disso, conseguiu adesão da influente família Estevam74 que, na época, já detinha significativo poder político e econômico no município. As eleições foram tranquilas e o Antônio Nei foi eleito com grande margem de votos. O trecho seguinte demonstra aspectos dessa disputa eleitoral.
Na eleição do Antônio Nei, o Mardônio foi candidato de oposição contra o Antônio Neiy. A vitória do Antônio Ney foi fácil, fácil, fácil. Pois vinha de uma administração boa do José Irineu, com uma administração conturbada do Mardônio e o sentimento de mudança da população, então a eleição de Antônio Nei foi uma eleição tranquila, sem problema nenhum; não houve grandes fatos não, que eu me lembre, não houve. Até por que tinha aquela coisa do Mardônio ter tido um momento assim de grandes problemas na época, de violência. As eleições transcorreram dentro do normal e o Antônio Nei foi eleito fácil, fácil. (Entrevista nº 13, 2011, p. 03).
A campanha eleitoral, segundo entrevistados, ocorreu de forma pacífica e, no final do processo eleitoral, Antônio Nei (PSDB) foi eleito com 3.975, elegendo uma bancada de oito vereadores, com 2.079 votos de maioria em relação a Mardônio Diógenes (PFL), que recebeu apenas 1.896 votos, elegendo apenas três vereadores. O terceiro candidato, Flávio Roberto Pessoa Pinheiro, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), conquistou apenas 116 votos. Esse resultado demonstra que a eleição municipal para prefeito perderá a competitividade, passando ao domínio de uma elite dirigente liderada por profissionais liberais e empresários. Essa disputa, segundo o ex-prefeito Antônio Nei, ocorreu da seguinte maneira:
Naquela época [...] disputamos a eleição com todo aquele clima e apreensão, mas foi uma eleição muito tranquila. O Mardônio foi o
74Família que tendo seu chefe familiar e político, José Estevam da Silva, vereador com 06 mandatos no
município. O mesmo apoiou o Prefeito Humberto Nogueira de Queiroz, mas a partir de 1945, aderiu ao Interventor municipal Francisco Nogueira de Queiroz, fortalecendo o poder político do prefeito mencionado. Os filhos de José Estevam ascenderam economicamente, os quais comerciantes, empresários, proprietários de terras, etc. O que nos leva a analisar que, a partir de 1945, o apoio político do vereador José Estevam e família são imprescindíveis ao fortalecimento político de Chico Nogueira, que a partir de 1966, com o apoio da mesma, se torna político hegemônico no município. No final da década de 1980, a família Estevam se fortalece ainda mais político e economicamente. Dentre o período 1982 a 2012, se destaca por registrar quatro vice-prefeitos e um prefeito com mandatos. Além disso, elege em média de dois a três vereadores integrantes da família em cada eleição municipal.
adversário e tivemos, talvez, nesses últimos anos de Pereiro, uma das campanhas mais tranquila, por incrível que pareça, foi uma das campanhas mais tranquila, mais saudável, e que hoje eu sinto falta dessa (tranquilidade política) no município de Pereiro [...] nós tivemos 71% dos votos, então foi uma votação muito importante onde participaram de forma muito democrática, as famílias de Pereiro, desde as famílias com maior destaque econômico, assim como aquelas mais simples e mais humildes. E fizemos uma corrente muito grande e que essa corrente, essa unidade me ajudou muito na questão administrativa.[...] A família Estevam para mim foi fundamental, por que houve um envolvimento geral da família. O Neto Estevam foi meu vice, e houve apoio total. [...] não posso deixar de agradecer a minha eleição, o resultado da minha eleição à família Estevam, sem sombra de dúvidas. Eu tenho hoje as minhas divergências, mas não posso deixar de agradecer. [...] E tive da sociedade de Pereiro esse apoio, inclusive do ex-prefeito Antônio Mardônio Diógenes, seis a sete meses depois de eu ter vencido as eleições. (Entrevista nº 19, 2013, p. 01-02, 04 e 09).
A partir de então, Mardônio Diógenes se recolhe e abandona a política, passando a cuidar das suas fazendas e atividades agropecuárias, encerrando o ciclo de hegemonia política das famílias Nogueira de Queiroz e Diógenes no município de Pereiro. Essas famílias em determinados momentos são aliadas e noutros são concorrentes, mas dominaram o poder local por cinco décadas consecutivas no período 1936 a 1988.
A disputa eleitoral para compor a Câmara de Vereadores em 199275deu ampla maioria para Antônio Nei (PSDB), que elegeu oito vereadores do seu partido, enquanto Mardônio Diógenes (PFL) elegeu apenas três vereadores, demonstrando a legitimidade e domínio do PSDB e seu grupo político no município. Alguns vereadores que ingressaram na política na década 1960 e início dos anos 1970, com vários mandatos consecutivos, que davam sustentação ao sistema político tradicional, foram derrotados em 1992 e substituídos por vereadores que participaram do movimento por renovação política. Isso significa o declínio da política tradicional e também da família Diógenes no município, que desde então, não elegeu nenhum representante de sua família ao Executivo Municipal. Essa ruptura eliminou o domínio político tradicional no município.
75 Nesta eleição há renovação no quadro de vereadores do município. Leônidas Alves de Morais que
somava sete mandatos não foi reeleito. Luiz Marques de Lima, Francisco Arivaldo Holanda Pinheiro e Ademar Alves de Lima, que faziam parte do quadro de vereadores, encerram a carreira política. Novos vereadores que ingressaram na política em 1988 foram reeleitos: Raimundo Estevam Neto, João Francismar Dias, Antônio Bezerra Falcão, Paulo Estevam da Silva. Fonte: Dados coletados no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará – TRE-CE.
4.3. Gestão de Antônio Nei de Sousa* (1993-1996): desafios, pragmatismo e