1. BÖLÜM MARKALAMAYA GİRİŞ
1.4. Marka ve Markalamanın Önemi
1.4.4 Ülkeler Açısından Önemi
Tasso assume a direção do estado em 1987, cria medidas inovadoras de regularização fiscal, organiza a folha de pagamento do setor público, cria programas na área da saúde, investe na segurança pública com políticas de repressão à violência e a pistolagem, focando especialmente a região do Jaguaribe, com atenção significativa no município de Pereiro. Ao desbancar do poder executivo estadual o grupo político dos coronéis, o governador Tasso isola seus adversários na capital e no interior, denomina- os coronéis retrógados, representantes da força do atraso e responsáveis pela estagnação econômica do estado e disseminação da pobreza. Desde então, aqueles prefeito que pertenciam à base de apoio de Adauto Bezerra enfrentaram dificuldades para realizar as demandas do seu município. No caso de Mardônio Diógenes, em Pereiro, além da derrota do seu candidato ao governo do estado, seus candidatos ao legislativo estadual e federal não foram eleitos, desse modo, sua base de apoio político se desfez no âmbito externo, implicando em dificuldades para seu governo.
Ao mesmo tempo em que o grupo político de oposição se fortalecia, conseguindo adesão de outras lideranças que passaram a se sentir contempladas com a política de repressão à violência no município, diante das dificuldades administrativas do Executivo Municipal, o grupo de oposição, que intitulava suas ações de “Movimento Pró-Mudanças”, assume atividades e funções fundamentais à organização da sociedade civil local. Ganha adesão da maior Escola Cenecista de 2º grau do município que, sem apoio da prefeitura, adere ao movimento. O grupo consegue bolsas de estudo para estudantes carentes dadas pelo Senador Mauro Benevides (PMBD), etc. O movimento funda a União Comunitária de Pereiro (UNICOPE) e, por meio desta, seus componentes efetivaram significativos serviços básicos para a população do município. Dentre eles, fortalecimento das associações comunitárias, programa de financiamento do Banco do Brasil, financiamentos para abertura de poços profundos e compra de máquinas agrícolas praticamente a fundo perdido. Também contribuíram com a reestruturação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais que na época estava completamente desativado. Desse modo, conquistando adesão de cidadãos de vários setores do município. Fizeram a articulações com os conterrâneos que residiam em São Paulo que passaram a contribuir com doações para o movimento. Por intermédio dessas ações, exclusivamente voltadas ao interesse da população, são reconhecidos por parte dos munícipes. Portanto, conforme relato de um dos líderes do movimento,
Então as pessoas foram vendo que nós, de certo modo estávamos operando mais do que o próprio Executivo Municipal, que estávamos mais envolvidos com as lideranças através da UNICOPE, então acharam que a gente tinha que ir para a prefeitura (Entrevista nº 01, 2011, p. 10).
O papel desempenhado pela UNICOPE foi imprescindível à organização da sociedade, inclusive, fortaleceu a adesão de outros munícipes ao grupo de oposição ao prefeito Mardônio. Em seguida, o governo Tasso e sua política de repressão à pistolagem, medidas de segurança pública direcionada ao município de Pereiro e região do Jaguaribe, “Fazem com a população de Pereiro, que antes se sentia desprotegida [...] muito calada, amedrontada, mas insatisfeita, começa a encorajar-se e aderir ao nosso movimento por mudanças políticas em Pereiro” (Entrevista nº 01, 2011, p.09). Neste momento, o PMDB já estruturado, avalia que deveria se organizar para concorrer à prefeitura municipal nas eleições de 1988.
José Irineu de Carvalho, economista, formado na Universidade de São Paulo (USP), retorna a Pereiro e lidera o grupo de oposição à candidatura de Adauto Bezerra. Aproxima-se de Tasso Jereissati, em seguida, coordena sua campanha eleitoral em Pereiro. Demonstrando, assim, competência e coragem a opor-se aos candidatos do prefeito Mardônio Diógenes no seu reduto eleitoral. Desde então, ganha credibilidade do governador Tasso e de vários setores da sociedade local, tornado-se o principal líder da oposição, futuro candidato a prefeito do município pelo PMDB.
O município, no entanto, ainda estava sob o poder de Mardônio Diógenes e seus correligionários (agropecuaristas e comerciantes) que ainda detinha forte influência política no município. A situação do município é ainda, segundo Rodrigues, Menezes, Moura, (2010, p.21) “marcada por nepotismo, apadrinhamento e favores clientelistas que eram práticas constantes na região”. Essa configuração apresenta fortes obstáculos às mudanças políticas no âmbito municipal que contrastam com a política modernizadora do governo Tasso Jereissati. A política administrativa ainda vigente em Pereiro, sob o comando político de Mardônio Diógenes, era uma política tradicional. Referindo-se ao município de Pereiro, para Rodrigues, Menezes, Moura, (2010, p. 30),
A política até então implantada reforçava os desequilíbrios e as desigualdades sociais. Assim como ainda acontece na atualidade em
âmbito federal, estadual e municipal o abuso de poder, mandos e desmandos, favorecimento pessoal, constitui as “pragas” que contaminam o processo político e democrático.
A região do Vale do Jaguaribe na época é considera a mais violenta do estado. Dominada econômica e politicamente por agropecuarista, fazendeiros e comerciantes que, mesmo em decadência econômica, ainda mantêm o controle político em suas localidades. O poder local ainda permanecia sob o controle dessa elite dirigente. Desde a segunda metade de 1970, crimes de pistolagem e assassinatos de políticos chamaram a atenção dos meios de comunicação. Em 1977, o prefeito do município de Iracema foi assassinado por pistoleiros, vitimado por envolvimento em questões políticas e rixa entre famílias locais. Na década de 1980, os incidentes de violência na região aumentaram quando integrantes das famílias Diógenes e Nunes entraram em rivalidade por questões de terra, honra e vingança, que resultou em mortes dos dois lados. No ano de 1983, assassinaram João Terceiro, ex-prefeito de Pereiro, sua esposa Nilda, o motorista e um soldado de polícia que fazia a segurança dos mesmos. O fato chamou atenção dos veículos de comunicação de massa da época pela atrocidade dos crimes. Na época, foi caso de manchete nacional do Jornal O Globo, que denominou de “A Chacina do Alto Santo”, colocando em evidência a violência e pistolagem na região do Jaguaribe. Em seguida, uma cadeia de crimes ocorre na região, vitimando integrantes das famílias rivais, Diógenes e Nunes. A edição do jornal O POVO destaca esses crimes em manchete de página inteira, ilustrada por seis fotos de membros do chamado esquadrão da morte. (Cf.; O POVO, 11 de agosto de 1988). Esses conflitos chamaram a atenção da Revista Isto é Senhor, que publicou matéria enfocando o domínio coronelista, a violência e o uso da pistolagem no estado do Ceará. Ainda na década de 1980, a Rede Globo de Televisão veio à região, fez várias reportagens na região do Jaguaribe que resultaram em matéria do Globo Repórter em cadeia nacional, colocando em evidência o domínio político coronelista, concentração do latifúndio, crimes e pistolagem que acontecem no Ceará, principalmente, no Vale do Jaguaribe. O município de Pereiro foi foco da matéria pela Chacina65 do Alto Santo, crimes de pistolagem que
65Em depoimento a Secretaria de Segurança Pública do Ceará, Mainha em seu depoimento de setembro
de 1988, assumiu a autoria dos crimes cometidos na chacina, pois segundo ele o seu ex-patrão teria sido morto pelos Nunes, componentes da família rival dos Diógenes e que o João Terceiro estaria de forma de direta ou indireta envolvido. Portanto cometerá os crimes por vingança. O mesmo assumiua autoria individual, assim isentando o prefeito Antônio Mardônio Diógenes de participação no caso. Noticiado no
foram atribuídos pela Justiça do Estado, a Mardôno Diógenes, prefeito de Pereiro. Fatos esses que repercutiram no país, replicando negativamente sobre a região do Jaguaribe, controlada na época por agropecuaristas, fazendeiros e grandes comerciantes.
A questão da pistolagem associada à luta de famílias, a honra e interesses econômicos foi estudada e elucidada extensivamente por Barreira, 199866. Segundo Barreira, nas décadas de 1970 e 1980, contexto da dominação tradicional na região Nordeste do Brasil,
A violência destacou-se como uma das características marcantes da Região (Nordeste), dando contorno às relações sociais, imprimindo uma marca nas relações entre dominantes e dominados. O arbítrio dos grandes proprietários de terra fornecia as `regras do jogo´, nas quais o camponês se adequava com uma atitude de submissão/medo e, ao mesmo tempo, percepção de que a violência poderia ser acionada. Os famosos `coronéis´ da Região eram a ponta mais visível dessa violência, tendo como atributo de sua figura o uso da força como uma capacidade inerente (BARREIRA,1992; BARREIRA,1998, p.12).
As primeiras incursões ao material de jornais, segundo Barreira, as levaram, portanto, “a concluir que os crimes de pistolagem estão geralmente ligados a duas grandes vertentes: o voto – que materializa a reprodução do mando político; e a terra – que preserva a dominação político-econômica” (1998, p.13). Sua tese é que, “Se a utilização de pistoleiros nos assassinatos de adversários políticos demonstra a importância do voto, como sustentáculo do poder, o assassinato de camponeses mostra a importância que assume a propriedade territorial, deixando transparecer a voracidade da estratégia usada para a sua manutenção”. (IDEM).
programa televisivo “Barra Pesada”, ALBUQUERQUE, 1988. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=bKE-XHw7ibI>. Acess em: 20 de agosto de 2014.
66 Nesse contexto, conforme Barreira, tendo a violência como elemento de continuidade dos traços de
uma cultura dominante, a figura do pistoleiro era, sistematicamente, acionada para resolver os conflitos agrários. “O pistoleiro ´... não é personagem fictício, mas `braço armado´ e `autor material´ dos crimes de mando, de encomenda e de pistolagem. São crimes nos quais existe a figura do mandante ou autor intelectual, que subvenciona as ações. O mandante e o pistoleiro são faces de uma mesma moeda, que ocupam posições diferentes na escala social e no desfecho do crime. O pistoleiro é peça de uma complexa engrenagem, denominada de `sistema de pistolagem´, caracterizada por apontar uma rede de relações prenhe de normas e valores sociais. (BARREIRA, 1998, p. 12). Em nota nº 1 de seu estudo, destaca que “Somente no Estado do Ceará, de 1984 a 1986, foram assassinados 13 trabalhadores rurais a mando de grandes proprietários rurais, com o uso de pistoleiros”.
A conclusão de Barreira 1998 é que entre os diferentes aspectos ou diversos elementos presentes no sistema de pistolagem, relações entre poder e violência, ou política e violência estão relacionadas com a pistolagem, que em determinados contextos é acionada para resolver conflitos não solucionados por falta de regras democráticas. O dado recorrente é o uso da violência na reprodução do poder.
Como vínhamos discutindo, anteriormente, a gestão municipal de Mardônio Diógenes ocorreu no período 1983 a 1988, quando a região do Vale do Jaguaribe ganhou destaque nacional por casos de assassinatos de prefeitos e líderes camponeses, inclusive, Pereiro aparece como foco de crimes de pistolagem. Esses fatos prejudicaram a imagem e legitimidade política do prefeito Mardônio Diógenes no estado e município. Além dessa problemática, o governo Tasso Jereissati67 começa a combater a violência no estado, criando uma campanha para “acabar com a pistolagem no Ceará”. Inclusive, muito focada na região do Vale do Jaguaribe, focando os municípios de Jaguaribe, Pereiro e outros. Assim, “Esta campanha foi organizada pela Secretaria de Segurança do Estado, tendo como mote a versão da pistolagem como uma prática atrasada que não deveria ter espaço em um Estado moderno”. (BARREIRA, 1998, p. 13).
A partir de julho de 1988, desencadeia o processo de candidaturas para prefeito do município de Pereiro. No período imperava a repressão e o medo. Quem ousaria fazer oposição explícita ao coronelismo político reinante no município? O relato seguinte é bastante emblemático.
O próprio assassinato do João Terceiro da forma bárbara como aconteceu é uma mostra da realidade como era vivenciada aqui no município. Uma coisa daquela deixava todo mundo temeroso. Se o próprio João Terceiro foi assassinado da forma bárbara como foi, imagine um cidadão comum aqui da cidade. (Entrevista nº 08, 2011, p. 07).
Diante desse cenário político, conforme estudo de caso do município,
67“Em 1986, é eleito governador do Ceará Tasso Jereissati, grande empresário, que teve como principal
propaganda política modernizar o Estado, eliminando os traços arcaicos e tradicionais que tinha como esteio os famosos ´coronéis-políticos`”. (BARREIRA, 1992; BARREIRA, 1998, p. 12).
Ser candidato a qualquer cargo eletivo de oposição às forças que dominava o município de Pereiro significava está munido de coragem e determinação. Partindo dessa premissa, o movimento que contava com o apoio do governador e sua comitiva iniciaram-se de forma um tanto tímida, o medo que reinava entre a população era cartão postal da cidade. Porém, era chegado à hora de acompanhar as mudanças políticas que estava acontecendo no país. A participação da sociedade na política foi bastante complicada, até a chegada de doutor Irineu, pois tudo que vinha de encontro aos direitos do cidadão estava relacionado aos que detinha o poder na região. Mesmo com a garantia estabelecida por leis e a garantia de segurança pelo governo do estado, o povo sentia o medo e a opressão. (RODRIGUES, MENEZES, MOURA, 2010, p. 30).
A Igreja Católica local, a partir de 1986, conduzida pelo padre Gino (Domenico Zoochi), tem papel fundamental para a mudança política no município. O padre, observando as práticas conservadoras dos prefeitos João Terceiro e Mardônio Diógenes, os crime e violência, a falta de liberdade política no município, percebendo as possibilidades de mudança do coronelismo para a democracia no contexto da candidatura de Tasso Jereissati em 1986, passa a orientar seus fiéis sobre a escolha dos seus governantes. Em seus sermões, chama a atenção para a igualdade entre os homens, sobre o valor da liberdade e da paz. Não falando diretamente de voto, indiretamente dava a entender que é a favor da democracia, da substituição dos coronéis. Mas em determinando momento, o padre Gino “[...] falando publicamente, disse: lugar de criminoso é na cadeia. Não é na Assembleia dos Deputados e nem na Prefeitura. Aí o povo todo inchou muito sobre essa coisa. Diziam: o padre vai morrer, vão matar o padre também”. (Entrevista nº 02, 2011, p. 05). Em seguida, por conta do seu posicionamento político e do seu apoio à candidatura de José Irineu a prefeito do município, recebe ameaça de morte.
Com essa minha ameaça de morte então eu vi, aqui é perigoso, então eu falei para o Bispo: o que é que eu faço agora? [...] Ele Disse: ‘Pelo menos na Matriz você vá devagar.’ Então eu comecei a sete léguas daqui, quando vinham as eleições nem o Mardônio e nem o doutor Nogueira ganhava mais nada. Eu comecei (a fazer política – orientar os fiéis) das comunidades [risos]. E comecei a reunir os eleitores e dizer: a dizer a verdade, a verdade é essa: vocês querendo deixar resolver a política à bala, com o voto é outra coisa. [risos]. (Entrevista nº 02, 2011, p. 06).
Diante das eleições para prefeito, em 1988, José Irineu do PMDB lança sua candidatura a prefeito, com seu vice, o comerciante e líder político da família Estevam,
Moacir José Nogueira, popularmente conhecido por Zé de Moacir Estevam. O PMDB, já fortalecido, recebe apoio do governo do estado, Igreja Católica, Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Município e de outros setores da sociedade. Não podendo se candidatar à reeleição, Mardônio Diógenes (PFL) lançou seu sucessor, o respeitado advogado José Bezerra Falcão68 (Zé Falcão) e seu primo agropecuarista e vereador José Denis Diógenes, os quais ainda contavam com significativo apoio de agropecuaristas, fazendeiros, comerciantes e demais setores com interesses ou ideologia semelhantes no município.
A campanha de José Irineu girou em torno da proposta de mudança, modernização, democratização do poder público, combate à violência, liberdade de expressão, etc, enquanto o grupo do Mardônio sofre oposição do governador do estado. Além disso,
Segundo a polícia do estado, Dr. Mardônio teve envolvimento em vários crimes na região por disputa de terras e brigas políticas. Na sua lista de empregado estava o nome de Idelfonso Maia da Cunha, o “Mainha”, considerado o maior pistoleiro do Ceará (RODRIGUES, MENEZES, MOURA, 2010, p. 29).
Fatos deste tipo passavam ao conhecimento da sociedade local, causando medo e indignação, portanto, repercutiram negativamente sobre a campanha eleitoral para prefeito apoiado por Mardônio. Entretanto, seu candidato Zé Falcão instrumentaliza em seus discursos a conquista de obras estruturais da gestão Mardônio Diógenes, e por sua vez, seus correligionários e apoiadores de campana exploram as qualidades intelectuais do Zé Falcão.
Como o desenvolver da campanha, José Irineu consegue significativa aceitação popular, principalmente por causa do apoio que receberá do estado, que segundo testemunos da época, “... por que para o governo Tasso, ganhar em Pereiro era uma das mais importantes vitórias, [objetivos de Tasso] porque era o município que mais precisava de uma mudança” (Entrevista nº 01, 2011, p. 13), por conta do contexto de
68Seu pai fora correligionário dos prefeitos Chico Nogueira e João Terceiro, Secretário Municipal de João
Terceiro. Advogado respeitado na Região do Vale do Jaguaribe, ligado ao grupo político que comandava o poder político em Pereiro, inclusive ao prefeito Mardônio Diógenes.
violência que manchara a imagem do município nacionalmente. Ademais, o sentimento de perda do líder João Terceiro por parte de setores da população local, favorecia a ascensão e aceitação política dos candidatos de oposição, que estariam realizando atividades inovadoras para o município. Por essa via, José Irineu ganhou credibilidade, porque conforme nos foi relatado, “As pessoas pensavam o seguinte: estão fazendo o que João Terceiro faria se ainda estivesse vivo, estivesse no poder”. (Entrevista nº 01, 2011, p. 13). Todos esses fatores conjuntamente contribuíram e credenciaram ao grupo pró-mudanças ancorado no PMDB, reforçar a candidatura de José Irineu. Outros aderiam por interesses particulares, pois viam que apoiando Irineu estariam abrindo acesso ao governo do estado.
A questão da pistolagem foi ao palanque, acirrou os ânimos políticos, portanto “aí daí pra frente você percebeu que a coisa fedeu, fedeu, mas graças a Deus a coisa correu em paz e a vitória do Irineu logo veio e foi aceita e teve os perdedores e foi tudo voltando à normalidade”. (Entrevista nº 01, 2011, p. 13). A vitória eleitoral de José Irineu se viabilizou pela conjunção de fatores local e conjuntura de mudanças existente no estado, inclusive pela atuação direta e indireta do governador Tasso Jereissati à sua candidatura. Conforme relato do ex-prefeito, José Irineu, o governador contribuiu com a sua campanha política nos seguintes aspectos:
A contribuição mais direta é que ele tinha que passar para o povo a segurança e o que o Tasso podia fazer era mostrar para o povo que ia dar todo um suporte; então nós recebemos um suporte muito forte na época com a presença da Polícia Civil e semanalmente em Pereiro a presença do Secretário de Segurança, o Comando da Polícia Militar de Jaguaribe e todo um suporte para que a população sentisse confiança, porque se a população não sentisse que tinha uma retaguarda, que tivesse algo que ela acreditasse que depois ela não ia sofrer retaliação, então dificilmente a gente teria contado com o apoio de lideranças que se juntaram a gente no processo político. (Entrevista nº 18, 2013, p. 02-03).
Com a presença do estado atuando em defesa da sociedade, com o apoio da Igreja Católica, ou melhor, do pároco local, a população do município se sentiu mais encorajada. A importância da atuação da Igreja, por via da atuação e orientação do padre Gino nas comunidades locais, foi fundamental para vitória de Tasso Jereissati e, respectivamente, para a candidatura de José Irineu, que resultaria em desbancar os coronéis do comando do poder executivo municipal. Conforme José Irineu,
O papel básico da Igreja foi super importante, primeiro porque, naquele momento de maior sufoco da população, de maior pressão política, ela era a única entidade que podia se colocar ao lado do povo e ter respaldo com o povo. Nas minhas primeiras reuniões, antes de eu ser candidato em Pereiro, as minhas primeiras reuniões quando eu ainda não tinha nem intenções de ser candidato em Pereiro, na verdade, foram nas comunidades de base, então aonde tinha grupos da Igreja foi onde eu consegui levar as minhas mensagens. A Igreja que tem a sua frente o padre Gino foi superimportante para o município de Pereiro, porque depois do episódio de 86, o papel da Igreja foi muito importante, porque era a única voz que o povo tinha era a Igreja, e o padre Gino, com o respaldo da Igreja, levava a mensagem para o público. Isso foi fundamental para o povo, porque sem a Igreja não