2. BÖLÜM MARKALAMA STRATEJİLERİ VE MARKA YAYMA
2.4. Marka Yayma Stratejisi
2.4.3. Dikey ve Yatay Marka Yayma Stratejileri
2.4.3.2. Dikey Marka Yayma Stratejisi
região R$ em bilhões Projeto de Infra-estrutura Investimento Público por setores R$ em bilhões Norte R$ 0,623 Rodovias R$ 0,623 Nordeste R$ 4,730 Rodovias Ferrovias Portos Irrigação R$ 1,972 R$ 1,230 R$ 0,160 R$ 1,368 Sudeste R$ 6,744 Rodovias Ferrovias Portos Irrigação R$ 4,620 R$ 0,200 R$ 0,600 R$ 1,324 Sul R$ 0,370 Ferrovias R$ 0,370 Centro-Oeste R$ 0,600 Ferrovias R$ 0,600 Total R$ 13,067 --- R$ 13,067 Fonte: Silveira (2004).
Os investimentos antevistos acabam por centrar-se em questões de infra-estrutura comercial, os quais beneficiam a própria reprodução e ampliação do capital, pois os investimentos infra-estruturais relacionam-se direto à melhoria de condições operacionais para a produção e seu escoamento no país e para fora dele. Não há, por exemplo, no quadro, o planejamento de melhoria do saneamento básico ou ampliação de moradias populares e outras ações governamentais que favoreceriam diretamente as camadas populares.
Segundo Ceci Jaruá (2005), o sistema de parcerias proposto pela lei 11.079 não é uma relação entre iguais, mas sim de uma nova modalidade de relacionamento Estado/setor privado, com direitos e obrigações distintos por parte dos contratantes. Nesta perspectiva, a nova lei pode ser considerada como uma concessão de direitos à realização de serviços, podendo ser considerada como um simples aditivo à antiga Lei de concessões e permissões de obras e de serviços públicos (Lei 8.987/95)26. Sendo assim, mais uma ação de proteção ao
grande capital e à garantia de que não haverá perdas de investimentos dos empresários nacionais e internacionais.
Para Leher (2004), no caso da Universidade, a entrada da PPP na administração pública impulsionará gradativamente as relações entre a prestação de serviço de caráter extensionista e a prestação de serviço de caráter mercadológico, em que ações produzidas na academia acabam por ser negociadas na mesma lógica da oferta de outros produtos disponíveis no mercado. Também afeta significativamente a autonomia universitária, já que no modelo de gestão proposto pela PPP encontramos a heterogestão27 que implica na
interferência direta de outros na gestão institucional e fere o princípio de autonomia presente no artigo 207, da Constituição Federal de 1988. Segundo esse autor:
desse modo, excetuando o poder de regular, legislar e policiar, todo o restante pode ser objeto de PPP. Assim, a educação, a pesquisa C&T, o meio ambiente e a saúde, por exemplo, poderão ser objeto dessas parcerias. Dessa forma, caberão ao setor privado as decisões sobre investimentos governamentais: as resoluções de investimentos ficarão por conta dos investidores privados que os selecionarão de acordo com os seus critérios de poder de mercado e de maximização de lucros.
26 A lei nº 8.987/95 define na fora da lei [...] “a concessão de serviço público precedida da execução de obra
pública: a construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse público, delegada pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado”[...] (Artigo 1º, parágrafo III).
27
Para o autor José Henrique de Farias (2003) a heterogestão é [...] “o poder como forma de apropriação que se dá por meio da burocracia e de sua forma de gestão, a heterogestão, a qual assume e conserva o monopólio da função de governo sobre os processos sociais essenciais [...]” sem a participação da massa de trabalhadores nas decisões em torno dos interesses comuns de classe (p.166).
Evidentemente, nesse escopo não cabem políticas públicas universalizantes. A focalização de nichos de mercado provavelmente será a regra. Se houver financiamento público, setores mais pobres podem ser alcançados com políticas assistenciais, nos termos das políticas de "aliviamento à pobreza" do Banco Mundial; se houver possibilidade de explorar tarifas e taxas, certamente os setores mais favorecidos serão alcançados por essas parcerias (LEHER, 2004, p. 5).
Com essa afirmação, Leher (op. cit.) levanta o seguinte problema: se aquilo que a universidade produz não interessa ao mercado, se o produto não for objeto da PPP, haverá ausência de financiamento para projetos e ações que não se coadunam com as exigências prementes do mercado? Assim, cursos como os de licenciatura não serão alvo das PPP’s, mas sim, os cursos de área tecnológica que terão em seu escopo condições de produzir qualitativamente para o mercado capitalista.
Talvez isso explique, parcialmente, o porquê do esvaziamento dos cursos de licenciatura e da crescente demanda de estudantes buscando os cursos tecnológicos. Isso também pode explicar, em certa medida, o interesse da Companhia Vale em firmar convênio com as universidades públicas para abertura de cursos tecnológicos.
O sistema universitário no Brasil, hoje composto por universidades neoprofissionais (ou essencialmente de ensino), heterônomas (dependentes cada vez mais de agenda externa), competitivas (no caso das públicas, que necessitam, a cada dia, buscar mais recursos da iniciativa privada para complemento das verbas do fundo público, além de implantarem gerenciamento empresarial e instituírem fundações privadas de apoio institucional). (SGUISSARDI, op. cit., p. 5).
Em consonância com o autor, podemos afirmar que o sistema brasileiro centra-se em modelos pragmáticos de formação profissional, que exigem a injeção de recursos financeiros e tecnológicos, os quais poderão ser captados com mais facilidade e agilidade através das PPP’s nas universidades. Justifica-se, assim, a retirada de montantes de recursos públicos da universidade pública, uma vez que, dada à autonomia universitária, cabe a ela buscar no mercado parceiros para a sua auto-sustentabilidade, tanto no campo da pesquisa quanto no do ensino. Esse movimento de busca de recursos no mercado tem seu preço.
No caso brasileiro, a universidade acaba atendendo as exigências produtivistas das agências de fomento e das empresas nacionais e multinacionais que propõem parcerias, sem reflexão acerca das perdas e danos dessa para a sua autonomia e funcionalidade institucional.
CAPÍTULO 2