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LİDER VE LİDERLİK TEMEL KAVRAMLAR

2.1. LİDER VE LİDERLİK

2.1.2.1. Liderlik Oluşumu

A dinâmica da produção de políticas e práticas em saúde é dialética e permeada pelos contextos sociais e pelas diferenças de cada pessoa envolvida no processo. Então, não se pode falar nessa dinâmica sem entender que essa situação é produto e produtor de pessoas e práticas que devem ser contextualizadas na cotidianidade. Com isso, conhecer o espaço não é somente saber onde e como este se encontra, quer seja nos seus aspectos físicos, quer seja nos seus aspectos humanos. Ao contrário, é adentrar nas teias de interdependência que definem a forma de trabalhar e de se relacionar com o outro, favorecendo a compreensão das relações nos espaços institucionais da saúde.

Então, conhecendo a maternidade deste estudo, sabe-se que a instituição está localizada em um bairro da zona oeste de Natal-RN, com uma população de 45.907 habitantes, sendo um dos que apresenta o maior contingente populacional por espaço da cidade. Na atenção à saúde da localidade, o bairro conta com três unidades e quatorze equipes do Programa Saúde da Família (PSF), sendo quatro na Unidade Básica, seis na Unidade Mista e outras quatro na Unidade Nova. Em geral, as pessoas residentes nessa área são de baixa renda e, pelas condições de pobreza, acabam sendo estigmatizadas pela marginalidade e violência lá existentes (Fernandes, Rocha, Nascimento & Maia, 2004; Traverso-Yépez & Pinheiro, 2005).

A maternidade que serve como campo para este estudo localiza-se na Unidade Mista, no bairro de Felipe Camarão, e é destinada a atender apenas partos vaginais, pois

128 não existe centro cirúrgico na sua estruturação. As emergências obstétricas que acaso cheguem e/ou aconteçam, durante o atendimento, são direcionadas para a Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A Maternidade de Felipe Camarão foi inaugurada em 1991, apresentando em seu corpo de trabalhadores médicos (obstetras e pediatras/neonatologistas), enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem, assistentes sociais, nutricionista e recepcionistas. Essa equipe multiprofissional desenvolve as ações de saúde possíveis e necessárias para a atenção ao processo de parturição e nascimento.

Em 2002, a instituição foi agraciada com o prêmio Galba de Araújo, que reconhece as unidades de saúde que se destacam na atenção humanizada à mulher e ao neonato. Essa premiação foi instituída em 1998, pelo Ministério da Saúde, através da Portaria n. 2.883 do Gabinete Ministerial e destinava-se à melhoria da estruturação física dos serviços maternos, estimulando a qualificação do atendimento obstétrico e neonatal (Brasil, 1998).

De modo geral, esse período é lembrado com saudade, pois todos os envolvidos no processo para a recepção do prêmio relataram que a instituição e os seus gestores haviam se dedicado para um parecer favorável dos examinadores. Muitas mudanças aconteceram nas condições estruturais e materiais.

Na época do prêmio tudo funcionava bem... A cozinha era toda equipada... Tudo era novo... Aquela mesa de parto foi comprada depois... Era tudo arrumadinho. Agora a questão da limpeza é ruim, no dia a dia joga ali de qualquer jeito a solução... Mas, logo no início, quando receberam o prêmio, era tudo organizado.

129 Cada uma paciente ficava no seu canto, era tudo dividido. E a questão assim de material era tudo à vontade. Mas a falha daqui era a limpeza. (Técnica de enfermagem 1, grupo focal).

O compromisso do gestor à época foi elogiado pelos trabalhadores por reforçar as transformações do espaço e da prática, bem como a premiação, possíveis apenas devido ao seu interesse. Esse profissional se empenhou em mudar, em envolver as pessoas na sua crença quanto ao tipo de práticas assistenciais e ainda em trazer recursos físicos e materiais para garantir a avaliação positiva.

O gestor da época era uma pessoa muito batalhadora, que trabalhou tudo, arranjou recursos físicos e materiais. Ele fez muito e teve uma equipe grande pra trabalhar humanização, fez as pessoas se envolverem. Ele fez um bom trabalho... (Enfermeira 1, entrevista individual).

Já após a premiação, o maior ganho, além do bônus em dinheiro, foi a contrapartida do município que, ao entender os benefícios advindos com o prêmio para essa maternidade, resolveu complementar a escala de distribuição mensal dos plantonistas médicos e enfermeiros. Até então, não havia essas duas categorias de profissionais em todos os turnos, o que acabava dificultando a continuidade da assistência. Esse retorno do município, na visão de alguns trabalhadores, gerou a crença na população quanto à resolutividade do serviço e, em consequência, um aumento na sua demanda.

130 Com o prêmio Galba de Araújo melhorou a equipe, com médico e enfermeiro todos os horários. Como a comunidade acreditou mais, pois quando vinha tinha médico, começou a preencher vaga... O serviço social divulgou que a comunidade poderia procurar a Unidade Mista de Felipe Camarão que tinha médico. Aí a comunidade foi acreditando e melhorou assim, acho que uns cem por cento, em relação ao que era... (Técnica de enfermagem 1, entrevista individual).

A partir da observação, e das falas dos participantes, é possível refletir que a dinâmica para a premiação foi um momento circunstancial, delineado por interesses particulares da gestão. Houve, nesse contexto, o interesse precípuo do gestor da maternidade, que se empenhou em melhorar a qualidade do serviço pelo qual era o responsável administrativo. A partir dessa dinâmica, houve um entusiasmo coletivo e, no geral, os demais trabalhadores acabaram se envolvendo nessa causa. Nesse caso, parece ter sido o interesse desses atores sociais que se empenharam para gerar as mudanças associados às prescrições das práticas para a humanização, norte que delineou a nova dinâmica assistencial, definindo a qualidade no atendimento. Com essa interação em favor de um bem comum, fortaleceram-se as equipes de saúde, buscando-se melhorias mínimas, e possíveis, perante a estruturação física e funcional existente.

Merece ainda destaque a integralidade da escala, com médicos em todos os turnos, recebida com satisfação pelos demais trabalhadores. A mudança na escala parece ter sido uma das situações que incrementou a dinâmica assistencial, com um aumento na demanda de nascimentos na maternidade. Até 2002, a média de partos

131 anuais era inferior a mil e após essas alterações funcionais esses números sofreram uma crescente elevação (CONASS, 2003). Parece que a ausência desse profissional, até pela forma de organização das políticas e das práticas em saúde, tende a diminuir a resolutividade do cuidado, fazendo com que muitas vezes as mulheres procurem outros locais para terem seus filhos.

O quadro a seguir apresenta um levantamento da demanda mensal de partos ocorridos na unidade entre os anos de 2000 e 2006. A definição desse espaço temporal ocorreu para que fosse possível apreender diferenças na quantidade de atendimentos antes e depois da premiação e da manutenção de uma escala com plantonistas obstetras e pediatras em todos os turnos.

TOTAL DE PARTOS REALIZADOS MATERNIDADE DE NATAL-RN – 2000 A