ÖRGÜTSEL BAĞLILIK VE PERFORMANS
3.1. ÖRGÜTSEL BAĞLILIK
3.1.3. Örgütsel Bağlılığı Etkileyen Faktörler
3.1.3.1. Kişisel Faktörler
Como parte do processo de pesquisa, considerou-se importante estudar a experiência e os processos de significação acerca da atenção ao processo gestacional, desde o pré-natal até os cuidados no pós-parto, a partir do relato das mulheres a fim de delinear suas percepções a respeito das práticas nos serviços públicos de saúde. Na investigação, foi solicitado que as participantes lembrassem-se de detalhes do acompanhamento pré-natal e do parto, resgatando as situações corriqueiras que tinham acontecido na dinâmica assistencial. Nos relatos, buscou-se conhecer as convergências, divergências e similaridades entre os discursos e os contextos discursivos que melhor expressavam a vivência cotidiana.
Essa forma de investigação encontra respaldo no fato de que, muitas vezes, os discursos divergem das práticas, sendo as expressões corriqueiras e as formas como os textos são externados as delineadoras de uma perspectiva diferenciada de ação. Foram esses aspectos que tentaram ser percebidos e relatados a partir dos discursos e das vivências das mulheres que tiveram filhos na maternidade investigada neste estudo.
Nesse sentido, empreendeu-se a construção de categorias discursivas que melhor expressavam todo o acompanhamento ao processo gestacional, sendo finalizada com uma avaliação das práticas e do espaço assistencial a partir das mulheres envolvidas nessa dinâmica.
197 5.5.1 Construções discursivas acerca da atenção ao pré-natal
Em um primeiro momento, é importante ressaltar que, apesar de a unidade estudada contar com a assistência pré-natal a partir da ESF (Estratégia Saúde da Família), nem todas as mulheres fizeram o acompanhamento nesse local. Isso ocorre, como já descrito em outro momento, porque uma parcela considerável das puérperas era proveniente de regiões circunvizinhas, tendo sido acompanhadas em diferentes bairros ou em outras cidades. Assim, a reflexão acerca desse processo de trabalho acontece mais articulada com os conhecimentos adquiridos e necessidades explicitadas pelas usuárias do que mesmo com uma avaliação do que acontece, especialmente por desconhecerem esses diferentes contextos de práticas em saúde.
Na primeira categoria de discurso, as mulheres relataram o acompanhamento pré-natal, enfocando sua dinâmica e os cuidados delineados no seu intercurso. Diante disso, essa etapa da análise encontra-se assim dividida em: o acompanhamento gestacional; ações e orientações em saúde no pré-natal e avaliando o processo assistencial.
5.5.1.1 O acompanhamento gestacional
Os discursos presentes nessa categoria enfocavam os atores que se envolveram durante o acompanhamento pré-natal das puérperas deste estudo. Em alguns casos, as mulheres reforçavam que essa assistência era desenvolvida tanto pelo médico quanto pela enfermeira.
198 Fiz o pré-natal com o doutor fulano e com a enfermeira sicrana. A enfermeira é ótima. Ela examina a pessoa bem direitinho (Puérpera Madalena, entrevista individual).
A médica e a enfermeira faziam meu pré-natal (Puérpera Marta, entrevista individual).
Essa dinâmica do cuidar da gestação por esses dois membros da equipe de saúde potencializa as orientações contidas no manual técnico de assistência ao pré-natal e ao puerpério (Brasil, 2006). Nesse material, sugere-se que a assistência deve ser multiprofissional, valorizando os diferentes aspectos do cuidado à saúde e não apenas as questões clínicas e técnicas. Nessa valorização, as práticas seriam reforçadas mutuamente e, por consequência, melhores cuidados seriam ofertados à gestante nesse momento.
De modo geral, as mulheres entrevistadas foram acompanhadas pelos dois profissionais da equipe de saúde e essa forma de atendimento era bem-vista e desejada pelas usuárias. Algumas gostavam tanto dos cuidados pré-natais que vivenciavam essa assistência a partir de duas equipes distintas em diferentes áreas geográficas da cidade.
Meu pré-natal eu fiz com duas enfermeiras e dois médicos... Porque eu fiz no posto do bairro, no posto Satélite e no posto Planalto. Um mês eu fazia em um, e no outro eu fazia no outro bairro. Eu fiz assim porque eu quis, para adiantar
199 mais, pois tinha mês que não tinha enfermagem no posto Satélite. Então eu ia para o outro (Puérpera Maria, entrevista individual).
Enquanto havia mulheres que entendiam a importância do pré-natal para a saúde materna e fetal, fazendo o acompanhamento desde cedo, para realizar os exames e receber as orientações, outras retardavam a procura ao serviço de saúde. No caso de uma mulher em particular, a demora em procurar o acompanhamento gestacional foi decorrente do desejo de praticar o abortamento por não se sentir em condições de ter outro filho naquele momento.
Assim, eu comecei um pouco tarde o pré-natal, porque eu não queria. Eu tenho um filho de seis anos e já vir outro agora? Eu tentei e tentei tirar, mas não deu certo. Eu não consegui... Então eu comecei o pré-natal tarde, já estava com seis meses e entrando para o sétimo (Puérpera Madalena, entrevista individual).
Questões como não desejar ter um filho e mesmo assim engravidar, entre outras, promovem a reflexão acerca da qualidade da assistência à saúde da mulher. Em consequência, reforça a discussão acerca da integralidade na atenção ao processo saúde/doença desse grupo, pensando que ela seria uma das diretrizes básicas para o funcionamento do SUS.
Para Mattos (2006), a integralidade pode ser concebida de três formas. A primeira remete ao cuidado médico integral e à não compartimentalização do paciente em órgãos e/ou patologias. A segunda enseja a reflexão das práticas de saúde,
200 reforçando a necessidade de integração entre os aspectos clínicos e as questões da saúde pública. E, por fim, a terceira volta-se para a discussão das práticas não dissociadas em grupos específicos, inclusive o das mulheres.
Para Gomes e Pinheiro (2005, p. 290), a integralidade é “reconhecida nas práticas que valorizam o cuidado e que têm em suas concepções a ideia força de considerar o usuário como sujeito a ser atendido e respeitado em suas demandas e necessidades”. Assim, ao se pensar em integralidade em saúde, tem-se a noção de um atendimento que dê conta das diferentes dimensões de vida e saúde dos distintos grupos. Desse modo, acredita-se que, caso existisse essa equidade nos cuidados destinados à vida e à saúde, não existiriam com tanta frequência problemas relacionados a gestações indesejadas, pois as mulheres teriam para si um cuidado que envolveria desde a dimensão pessoal até os aspectos estruturais e as necessidades sociais. Nesse sentido, haveria um estímulo à reflexão dos questionamentos a respeito dos mitos e tabus que envolvem esses cuidados e seria favorecida a apropriação, por parte desse grupo, das suas necessidades, potencializando a capacidade de decidir. Assim, quando engravidassem, ao tomarem suas decisões conscientemente, as mulheres não deixariam para tão tarde os cuidados com a gestação.
Essa capacidade de decisão e a tomada de consciência de seus direitos favoreceriam o processo da gestação ao nascimento. As mulheres, cientes dos direitos e capazes de criticar os serviços, talvez se tornassem menos passivas e mais exigentes de acesso e qualidade na dinâmica de atenção à saúde. Com isso, haveria cobranças e, possivelmente, mudanças nas formas de cuidar em saúde (Reis & Patrício, 2005).
Ainda em relação à assistência ao pré-natal, outro aspecto relatado diz respeito à falta de compromisso de alguns médicos em prestar cuidados, deixando, quase que