Kongresi III. Ciltleri ayrı basım, Ankara, 1983, s 1572.
TÜRKİYE'Yİ ZİYARET EDEN ABD VE İNGİLİZ HARP GEMİLERİ
D. DENİZ KUVVETLERİNİN MİLLİ DENİZ FAALİYETLERİ VE DİPLOMATİK GÖREVLER
2. Deniz Kuvvetlerinin Milli Tatbikatları
O PMMR é uma organização não-governamental que nasceu em 1983, com dois objetivos. O primeiro era o atendimento aos meninos e meninas de rua24 em seus direitos em garantir a concreta participação destes nos organismos públicos locais, regionais e nacionais.
23 Algumas referências sobre a pedagogia de rua podem ser encontradas em FREIRE, P. Paulo Freire e os
educadores de rua. Brasília: Unicef: Funabem, 1986; GOMES DA COSTA, A. C. Por uma pedagogia da presença. Petrópolis: Vozes, 1994; GRACIANI, M. S. Pedagogia social de rua. São Paulo: Cortez, 1999.
24 A construção deste conceito remete-nos ao debate acadêmico iniciado na década de 1980 sobre quem são as
crianças e adolescentes considerados meninos e meninas de rua. Este debate, surgido num contexto de crescente desigualdade e impulsionado pelos movimentos sociais emergentes, visava compreender as condições sócio- econômicas que empurravam crianças e adolescentes pobres para as ruas e quais políticas sociais eram destinadas a essa população. A expressão “meninos de rua” surge neste contexto, em que pesquisadores e organizações não-governamentais iniciavam uma mudança significativa na forma de representar as crianças e adolescentes que se encontravam nas ruas ou sob a guarda do Estado (institucionalizados). Os até então chamados “menores abandonados” começam a ser encarados como crianças e adolescentes que, a despeito de viverem nas ruas e fazerem dela um espaço de sobrevivência, são sujeitos de direitos. Meninos e meninas de rua ou meninos e meninas trabalhadores de rua são crianças e adolescentes na faixa etária entre 08 e 18 anos que, em sua grande maioria, convivem com suas redes familiares, trabalham por necessidade econômica e possuem vínculos com a escola. O debate acadêmico iniciou-se com a denúncia das condições sociais nas quais se encontravam estes sujeitos, mas adentrou para as especificidades da condição infanto-juvenil pobre: violência, trabalho, prostituição infanto-juvenil e, principalmente, representações sociais da infância, adolescência e juventude pobres. Em fins dos anos 1980, na busca por melhor compreender esta categoria genérica (meninos e meninas de rua), passou-se a distinguir como crianças nas ruas aquelas que estavam ali por uma questão de sobrevivência, mas que mantinham os laços familiares. Crianças de rua eram consideradas aquelas que haviam perdido este elo e viviam nas ruas, sozinhas ou com seus pares. Entretanto, os meninos e meninas de rua ou na rua são comprovadamente apenas a ponta de um processo de destituição da infância e da adolescência a que são submetidos os pobres e miseráveis. Somente uma concepção abrangente de infância e adolescência e uma lei que lhe correspondesse poderia enfatizar a noção de direito da infância, até então desconhecida pela sociedade brasileira. A aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8069/91) marca a introdução da
básicos. O segundo objetivo era o que caracteriza sua atuação como movimento social, que seria articular-se politicamente com outros atores sociais na defesa dos direitos da criança e do adolescente. Uma das estratégias para que isto se efetivasse foi a luta pela elaboração e aprovação da Lei 8069/90, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O PMMR, ao lado de outras instituições de defesa e de atendimento, buscava uma alteração não somente legal, mas no campo da política, das práticas e ações governamentais e não-governamentais de atenção à infância e adolescência. Uma perspectiva centrada no direito que confrontasse as representações correntes.
A trajetória do PMMR combina a luta pela defesa dos direitos infanto-juvenis e a mobilização política. Uma característica que o diferenciou historicamente de outras redes de atendimento à infância e adolescência é a aposta cotidiana e efetiva no protagonismo infanto- juvenil, na participação ativa dos sujeitos em todos os espaços de decisão. Assim, o projeto político desta entidade tem a característica organizativa dos movimentos populares da região, pois busca atender a população infanto-juvenil – que vive e/ou trabalha nas ruas e na periferia da cidade de São Bernardo do Campo – em suas necessidades básicas e, ao mesmo tempo, fazer a intervenção política. A participação em Fóruns, Conselhos, Redes Nacionais25 e Internacionais sustenta esta forma de atuação.
O objetivo do PMMR é desenvolver formas de atendimento aos meninos e meninas em situação de risco social, em meio aberto, comunitário e participativo, centradas na defesa dos direitos das crianças e adolescentes, denunciando o assistencialismo e a repressão. Tanto na perspectiva do atendimento, quanto no trabalho de articulação política, o PMMR destaca a importância da escola como agência socializadora e formativa. No trabalho de intervenção busca-se, pela atuação dos educadores, garantir o retorno, o acesso e a permanência na escola.
No eixo Organização de Meninos, procura-se assegurar o protagonismo das crianças e jovens, sujeitos na relação com a sociedade, pela participação em atividades de formação igualdade (política) de direitos para os filhos de ricos, pobres e medianos. Na década de 1990, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) passa a utilizar o termo crianças em situação de risco para referir-se a um problema em escala mundial: os processos de exclusão social que provocam a negligência com e o abuso das crianças e adolescentes e que afetam seus direitos fundamentais. Os meninos e meninas de rua ou em situação de rua constituem parte desta categoria mais ampla e, ainda que sua complexidade exija maior aprofundamento teórico, ressaltamos que a apropriação deste termo manifesta a conotação política e o simbolismo que historicamente marcou este grupo social. Rizzini et al (2003) sustentam nossa escolha ao afirmar que o “menino de rua” tornou-se a imagem ou símbolo dos milhares de crianças e jovens que vivem em condições de pobreza e marginalidade. Ele é o exemplo mais direto e mais óbvio do descaso social para com as crianças e jovens de nosso país. É este o último para quem se dirigem as políticas sociais. É este o primeiro para quem se dirigem as práticas repressivas. Para uma leitura mais aprofundada, sugerimos Rizzini et al. (2003) e Espínola et al (1989).
25 Destaca-se a participação do PMMR na criação do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, cujo
objetivo principal é potencializar a atuação política das entidades filiadas no âmbito municipal, estadual e nacional e articular os grupos que se fundamentam nesta proposta política.
política, mobilizações e eventos sociais e atividades lúdicas voltadas para o conhecimento das leis de proteção à infância e adolescência. O fato de existir este eixo de ação leva o PMMR a ser uma instituição na qual os jovens têm uma presença e uma participação bastante efetivas26. Por intermédio da Organização de Meninos, garante-se a continuidade da ação pedagógica e política, com a formação de novas lideranças para atuar nos espaços comunitários e políticos.
Até março de 2001, o PMMR se organizava em três áreas: Atendimento, Organização/Formação e Intervenção em Políticas Públicas. Hoje, o PMMR estrutura-se em duas grandes áreas. A primeira, Atendimento, conjuga as seguintes ações: trabalho de rua, espaço de convivência e família. Na segunda, Intervenção Social e Política, estão: organização de núcleos, organização de eventos (Sábado de Lazer, Eureca27, acampamentos, atividades sociais) e acompanhamento de organismos de efetivação das políticas públicas (CMAS, CMDCA, ENES)28.
A relação já estabelecida com os educadores do Projeto Meninos e Meninas de Rua facilitou meu contato. Tenho uma carinhosa relação de amizade com os educadores e educadoras, somos parceiros em atividades sociais e políticas. E foi este contato que me aproximou dos jovens que se organizam em torno das atividades oferecidas pelo PMMR. De fato, conhecia a forma de atuação do PMMR e sua história. Antes mesmo que fosse pautada a questão do protagonismo juvenil, esta instituição gestava metodologias de trabalho e uma proposta pedagógica que considerava as crianças e jovens atores em seus processos
26 A questão da maioridade dos jovens constitui-se num problema tanto no que se refere às instituições de
atendimento à infância e adolescência, quanto às políticas públicas, já que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) preconiza a defesa dos direitos da criança, que vai de 0 a 12 anos, e do adolescente, que se inicia aos 12 e termina aos 18 anos. Há, portanto, uma descontinuidade política, porque as instituições de atendimento e as de cumprimento de medidas sócio-educativas devem, a rigor, deixar de atender estes sujeitos, após completarem 18 anos. Até o final dos anos 1980 não havia, efetivamente, políticas públicas que assegurassem a passagem da adolescência à idade adulta. Na maioria das vezes, os jovens eram, e ainda são, despejados das instituições de atendimento por não caberem no quadro legalmente constituído pelo ECA. Segundo Sposito e Carrano (2003a), é na década de 1990 que emerge, no plano das políticas federais, o tratamento do tema juventude, reconhecendo-se os problemas que afetam uma expressiva parcela da população jovem. Uma discussão sobre a concepção de juventude que sustenta estas políticas é apresentada no segundo capítulo.
27 O Bloco EURECA (Eu Reconheço o Estatuto da Criança e do Adolescente) é um bloco de carnaval fundado
pelo PMMR em 1992. Este bloco, composto por crianças atendidas no PMMR e de outras entidades da grande São Paulo, tem como objetivos discutir e divulgar de modo lúdico a Lei 8069/90 que garante os direitos das crianças e dos adolescentes. Todo o processo organizativo é feito coletivamente pelas crianças, adolescentes e jovens com o apoio técnico dos educadores sociais, desde a escolha do tema, a composição do enredo, o aprofundamento do tema, a confecção das fantasias e alegorias. É uma manifestação política que tem, a cada ano, ganhado as ruas de São Bernardo do Campo, abrindo o carnaval e mobilizando a comunidade local. Em torno do bloco Eureca, nasceram outras atividades lúdicas, culturais e educativas, como a oficina de percussão e de circo.
28 As siglas correspondem a Conselho Municipal de Assistência Social, Conselho Municipal dos Direitos da
Criança e do Adolescente, Encontro Nacional de Educação Social. As duas primeiras são atividades locais, com freqüência mensal, e a terceira é uma atividade de caráter nacional e internacional, com freqüência bienal. A participação nestas instâncias políticas têm alcance local, regional, estadual e nacional.
identitários. É evidente que os conflitos e as crises foram muitos, mas os resultados são visivelmente positivos.