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3.2. AİLE ŞİRKETLERİNDE KURUMSALLAŞMA

3.2.3. K URUMSALLAŞMA S EVİYELERİ Y ÜKSEK A İLE Ş İRKETLERİNİN T EMEL

4.3.2.7. Kurumsallaşma

Em 1991, o Ministério da Saúde lançou o Programa de Agentes Comunitários da Saúde

(PACS), com o objetivo de contribuir para o enfrentamento dos alarmantes indicadores de

morbimortalidade infantil e materna na região Nordeste do Brasil (PSF, 2000).

“Este programa já estava pautado em princípios indutores da mudança de modelo, ou seja, provocava a vinculação dos indivíduos e famílias com as unidades básicas de saúde” (PSF, 2000, 07).

Entre 1991 a 1994, o PACS percorreu um caminho marginal no próprio espaço institucional,

isso por que as UBS continuavam atuando no sistema tradicional (pouco vínculo, baixa resolutividade,

enfoque curativo), ou seja na contramão do que preconizava o trabalho dos agentes.

O agente comunitário representa o elo entre a comunidade e o serviço de saúde. Este agente, sendo

costumes, passou a contribuir significativamente no resgate e na valorização do saber popular, bem

como no estabelecimento de vínculos, laços de compromisso e co-responsabilidade entre os serviços, as

equipes e a população.

“A grande especificidade do ACS (...) é que ele vive e intervém no processo saúde-doença da comunidade num nível de interação próprio de quem participa de um mesmo universo simbólico, de uma mesma cultura. Assim, embora todos estejam preocupados com as questões de promoção à saúde, o ACS é o elemento central para fomentar movimentos sociais por melhores condições de vida (moradia, transporte, educação, lazer, acesso a serviços de saúde), pelo sentimento único de pertencer àquela comunidade. Nesta perspectiva ele atende aos princípios da promoção à saúde definidos nas conferências internacionais (...)” (PSF, 2000,13).

Retomando o percurso histórico, neste período de 1991 a 1994, expandiu-se a idéia de que o

Ministério da Saúde precisava ampliar os investimentos no sentido de oferecer retaguarda ao trabalho

desenvolvido pelos ACS, uma vez que a idéia ‘elo de ligação’ não se mostrava tão verdadeira pelos

fatores mencionados anteriormente.

É assim que em início 1994, o Ministério da Saúde lança o Programa de Saúde da Família

(PSF), que valoriza, dentre outros:

- os princípios da territorialização;

- vinculação com a população;

- garantia de integralidade na atenção;

- trabalho em equipe com enfoque multidisciplinar;

- ênfase na promoção de saúde com o fortalecimento de ações intersetoriais;

- estímulo à participação da comunidade.

Heloíza M. Souza, então diretora do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde

pondera que no momento de sua criação, não havia uma postura forte o suficiente para definir o PSF

como estratégia de reordenamento do modelo assistencial. Ela afirma que o PSF nasce como algo

marginal, tanto que se origina dentro de um Departamento de Operação da Fundação Nacional de

que não garantia sua expansão e contrária aos seus princípios - remuneração por procedimentos

executados (PSF, 2000).

A partir de 1995 o PSF passou a ser incorporado pela Secretaria de Assistência à Saúde, depois

gerou a organização do Departamento de Atenção Básica, vinculado à Secretaria de Políticas de Saúde e

hoje tem como missão o fortalecimento da atenção básica.

Em relação à lógica de seu financiamento esta foi alterada a partir da operacionalização da

NOB-SUS/96 com a implantação do PAB (piso da atenção básica) que introduz a modalidade per

capita. No final de 1999 ocorreu uma nova alteração nos valores e na forma de repasse dos incentivos

para as equipes. “Esta foi uma decisão para induzir o aumento da cobertura, de forma que o PSF se

constitua de fato como substitutivo das práticas tradicionais, tornando-se a porta de entrada nos sistemas locais de saúde” (PSF, 2000, p. 09).

MENDES (2002) afirma que a implantação do PSF significou uma expansão da atenção

primária no país, que pela primeira vez, agregava à dimensão quantitativa da expansão uma dimensão

qualitativa11.

Heloíza, citada anteriormente, afirma que existe uma elevação nos níveis de satisfação das

pessoas com o PSF (não só dos usuários, mas também dos profissionais em questão), que enfatizam o

resgate da humanização da assistência e do reconhecimento profissional; apesar das condições

rudimentares dos postos de saúde e da situação contratual dos profissionais (PSF, 2000).

Como exemplo das dificultadas encontradas na implantação do PSF, a unidade básica Nova

Viçosa (Viçosa/MG) funciona em uma casa e o PSF na casa ao lado (ver foto abaixo). As duas casas são

alugadas e adaptadas ao fim a que se

destinam, as ações são compartimentadas e

acontecem sem ou com a mínima

integração.

Foto 01_ Vista das casas onde funcionam a

UBS e o PSF (CARDOSO, 2001, p. 54).

11

“Não se tratava, simplesmente de fazer mais do mesmo, mas de fazer mais com algo qualitativamente diferente do modelo tradicional até então vigente na atenção básica à saúde” (MENDES, 2002, p. 28)

O Plano Nacional de Saúde 2004-2007 assegura que o fortalecimento da atenção básica vem

ocorrendo por intermédio da expansão da estratégia do saúde da família.

MENDES (1996) afirma que o PSF, como estratégia de organização da atenção primária, deseja

criar, no primeiro nível do sistema, verdadeiros centros da saúde, em que uma equipe de saúde da

família, em território de abrangência definido, desenvolva ações focalizadas na saúde; dirigidas às

famílias e a seu habitat.

Por fim, diante da limitação de recursos foi feita a opção por iniciar a implantação do programa

nas áreas mais carentes, de grande exclusão social, enquanto um compromisso com a equidade12 (MENDES, 1996 / PSF, 2000).

- Vigilância da saúde

Encerrando o capítulo que trata da Atenção Primária à Saúde, é colocado este último conceito

que permeia todo contexto tratado e, de maneira especial, o PSF e o PACS.

A vigilância da saúde é definida como uma nova forma de resposta social organizada aos

problemas de saúde, referenciada pelo conceito positivo de saúde e pelo paradigma da produção social

em saúde (MENDES, 1996).

A vigilância da saúde constitui-se em um ‘modo tecnológico em saúde’ que tende a incorporar

modelos assistenciais vigentes a articular-se com as propostas atuais de promoção de saúde (PAIN.

apud: CZERESNIA, 2003).

“Nessa perspectiva, a vigilância da saúde aponta na direção da superação da dicotomia entre as chamadas práticas coletivas, vigilância epidemiológica e sanitária; e as práticas individuais, assistência ambulatorial e hospitalar, por meio da incorporação das contribuições da geografia crítica, do planejamento urbano, da epidemiologia, da administração estratégica e das ciências sociais em saúde, tendo como suporte político-institucional o processo de descentralização e de reorganização dos serviços e das práticas de saúde em nível local” (PAIN. apud: CZERESNIA, 2003, p. 171).

Enfim, a prática da vigilância da saúde parte do reconhecimento de um território para, nele,

identificar, descrever e explicar os problemas aí contidos, definindo seus nós críticos e atuando, sobre

Benzer Belgeler