6. NESEFÎ’NİN TEFSİR METODU
6.1. Kur’an’ı Kur’an ile Tefsir
A tipologia do minério de ferro adotada pelas diversas mineradoras de todo o mundo é consideravelmente variável dependendo da complexidade e particularidades de cada jazida, do processo produtivo de cada indústria, do nível de conhecimento que cada empresa possui de seus depósitos e da maturidade em um sistema de geometalurgia. O histórico do desenvolvimento da tipologia do minério de ferro da Samarco Mineração retrata este cenário.
19 O modelo geológico-tipológico atualmente concebido na Samarco é o alicerce para um modelo geometalúrgico, constituindo em uma ferramenta básica para a estimativa de reserva e um instrumento de previsibilidade desde o planejamento de lavra até o controle integrado de qualidade dos concentrados e pelotas produzidas (Rodrigues et al., 2014).
O modelo geológico-tipológico é fundamentado pela composição mineralógica dos itabiritos para diferenciação e definição dos tipos, pois oferecem características intrínsecas, químicas e físicas, a cada um deles, e remetem a natureza e intensidade dos processos geológicos atuantes na gênese do minério. Esses modelos foram estabelecidos utilizando a filosofia de diferenciação dos minérios segundo o seu desempenho nas principais etapas dos processos de concentração e pelotização (Costa et al., 1998).
Os tipos de minério são definidos e diferenciados em função de sua assembleia mineralógica, que pode se constituir por um, dois, três ou até quatro espécies mineralógicas. A nomenclatura adotada reflete a composição mineralógica considerando a participação percentual dos minerais de ferro em ordem decrescente, sendo a hematita especular, martita, goethita e magnetita (Costa et al., 1998).
Assim, de forma geral, os principais tipos modelados na reserva da Samarco, descritos em Rocha (2008), são:
• Itabirito martítico (IM)
Macroscopicamente, esse tipo normalmente apresenta coloração cinza escuro fosca, podendo apresentar intercalações de lâminas avermelhadas (hematita alterada). Caracteriza-se pela presença de martita como mineral-minério predominante, proveniente da alteração da magnetita. A goethita, especularita e a magnetita estão presentes em porcentagens inferiores a 15%. O mineral de ganga é principalmente o quartzo. Usualmente é friável, podendo localmente estar pulverulento. Encontra-se presente em todas as áreas de Alegria.
20 • Itabirito martítico-especularítico (IME)
Apresenta coloração variando de cinza a cinza azulada brilhante. Caracteriza-se pela presença de martita e especularita sendo a primeira mais abundante que a segunda. Normalmente a goethita está presente em porcentagens inferiores a 10% e a magnetita está sob a forma de traços. O mineral da ganga é principalmente o quartzo, podendo conter quantidades pequenas de caulinita. É um tipo muito expressivo na mina de Alegria Sul estando normalmente friável mas também em corpos semicompactos.
• Itabirito especularítico-martítico (IEM)
Tipo de itabirito de coloração cinza azulada brilhante. Macroscopicamente diferencia- se do IME, descrito anteriormente, pelo brilho um pouco mais intenso indicando a maior abundância da especularita relativamente à martita. É o inverso do itabirito martítico-especularítico. Neste caso, caracteriza-se pela presença de especularita e martita, sendo a primeira mais abundante que a segunda. Normalmente a goethita está presente em porcentagens inferiores a 10% e a magnetita está sob a forma de traços. O mineral da ganga é principalmente o quartzo e, como os itabiritos IME, pode apresentar quantidades pequenas de caulinita. Está presente em praticamente todas as áreas de Alegria. Apresenta-se friável ou em corpos semicompactos.
• Itabirito especularítico-goethítico (IEG)
Apresenta coloração cinza amarronzada um pouco brilhante. É constituído de especularita e goethita. A martita apresenta-se em quantidade inferior a 15%. Em algumas amostras foi constatada a presença significativa de magnetita (entre 15% e 40%). Apresenta quartzo como principal mineral da ganga.
• Itabirito martítico-especularítico-goethítico (IMEG)
Sua coloração é cinza um pouco amarronzada. Diferentemente dos outros tipos, este itabirito é constituído pelos três minerais: especularita, martita e goethita. Os três constituintes mineralógicos apresentam-se em quantidades semelhantes. O quartzo é o principal mineral da ganga. É um tipo presente em Alegria Norte.
21 • Itabirito especularítico (IE)
Trata-se de um tipo predominantemente especularítico de coloração azul brilhante. A especularita está presente em quantidades superiores a 75%. Os outros 25% restantes são constituídos por martita e goethita. O mineral da ganga é principalmente o quartzo, podendo conter quantidades variáveis de caulinita.
• Itabirito anfibolítico (IA)
É um tipo abundante em todas as minas e é reconhecido pela presença de anfibólios alterados a goethita e, menos frequentemente, a quartzo, além da sua coloração típica castanha (ocre) acinzentada. Além dos pseudomorfos de anfibólio, podem estar presentes ainda martita, goethita botrioidal, goethita terrosa, especularita e magnetita. O principal mineral da ganga é o quartzo.
A goethita (pseudomorfa + botrioidal + terrosa) e a martita são os minerais essenciais desta rocha. Ora é a goethita o mineral predominante, ora é a martita. Tanto a especularita quanto a magnetita, estão presentes em menor proporção.
Normalmente, os itabiritos anfibolíticos apresentam altos teores de P e Al (reportado como Al2O3). Por terem a goethita como um dos principais minerais, apresentam também um alto grau de PPC (perda por calcinação). Uma vez que até o presente momento não foram identificados minerais portadores de fósforo, como é o caso dos fosfatos, a presença do P está associada principalmente aos minerais hidratados de ferro (goethita). Isso foi determinado por Rabelo (1994) que estudou a localização desse elemento nos minérios de ferro da Mina de Alegria Norte e posteriormente, comprovado por Souza Junior (1994) em seus estudos nos itabiritos anfibolíticos de Alegria. Ambos utilizaram, principalmente, a microscopia ótica e a microscopia eletrônica de varredura com microanalisador EDS para auxiliar na localização desse fósforo. O mesmo pode ser dito do alumínio, quando não são observados minerais portadores deste elemento (i.e. caulinita e mica) (Rocha, 1997).
Os silicatos de ferro da série cummingtonita-grunerita, pseudomorfizados para goethita, representam o mineral dominante dos itabiritos anfibolíticos. O hábito fibroso e acicular bem desenvolvido, assim como o alto conteúdo em ferro e baixo em alumínio, sugerem tratar-se do membro final rico em ferro (teores da ordem de 70 a 90%) – a grunerita.
22 Até recentemente, não havia sido registrada a presença de anfibólio inalterado (relictos) nos itabiritos anfibolíticos da Mina de Alegria. Somente a partir de 2005, quando as campanhas de sondagem atingiram regiões mais profundas das rochas pesquisadas, é que se começou a encontrar itabiritos esverdeados, que após serem analisados, foram caracterizados como itabiritos anfibolíticos frescos.
Souza Junior (1994) realizou uma pesquisa de mestrado nos minérios de ferro itabiríticos anfibolíticos de Alegria e determinou que esses são compostos basicamente de goethita e martita porosa. Os anfibólios estão alterados e apresentam- se como goethita pseudomórfica de anfibólio, que está acicular, geralmente presente como agregados radiais e mostram-se associados formando partículas em forma de “farpas”.
Rocha (2008) caracterizou os itabiritos anfibolíticos da Mina de Alegria a partir de estudos mineralógicos e microestruturais. De acordo com a autora, a composição mineralógica principal dos itabiritos anfibolíticos tem a goethita e a hematita martítica como principais minerais de ferro. A magnetita está presente em baixas proporções e a hematita lamelar é praticamente ausente. O quartzo é o principal mineral de ganga. A goethita ocorre em suas formas botrioidal, maciça, pseudomorfos de anfibólio, produto de alteração das magnetitas e terrosa. As martitas estão normalmente subédricas e usualmente exibem a típica textura de treliça apresentando variados graus de porosidade (Rocha, 2008).
A suposição de que a presença dos elementos traços Ca, Na e Mg na estrutura das goethitas era um forte indicativo da existência anterior de anfibólios e carbonatos que contivessem esses elementos em sua estrutura, fica fortificada pela presença dos itabiritos anfibolíticos frescos em Alegria. Esses itabiritos têm coloração esverdeada, contém os anfibólios riebeckita (sódico-férrica) e/ou grunerita (férrica) com habitus fibroso, que também estão associados com a ankerita (carbonato de Fe-Ca-Mg), com a magnetita, hematita e com o quartzo (Rocha, 2008).
A associação mineralógica encontrada nos itabiritos anfibolíticos frescos, anfibólios, óxido de ferro, quartzo e carbonato, vem a corroborar a origem atribuída a eles, formações ferríferas da fácies silicato ou óxido-silicato, contendo intercalações e impurezas carbonáticas (Rocha, 2008).
23 • Itabirito martítico-goethítico (IMG)
Apresenta coloração castanha a castanha avermelhada. Caracteriza-se pela presença de goethita e martita como minerais predominantes. Os outros minerais (especularita e magnetita) estão presentes em proporções inferiores a 15%.
• Itabirito goethítico (IG)
Esta rocha é menos expressiva nas jazidas e apresenta coloração marrom. Seu mineral mais abundante é a goethita (botrioidal e terrosa). Está invariavelmente muito alterada, friável e muito argilosa (goethita).
• Itabirito magnetítico (IMAG)
Esta rocha está presente localmente e é pouco expressiva. Sua coloração é cinza e o mineral mais abundante é a magnetita.
Para classificação dos minérios quanto à compacidade, o planejamento de mina e a equipe de Geologia da Samarco utilizam de um critério baseado no retido mássico acumulado na malha de 3/8” (9,4mm), de forma a orientar os planos de desmonte por detonação. Desta forma, os minérios são classificados como Compactos quando o retido em 3/8” é maior do que 80%, como semicompactos quando o retido em 3/8”é menor do que 80% e maior do que 60%, e como Friáveis quando o retido em 3/8” for menor do que 60% (Rodrigues et al., 2014). Nas fotos dos furos de sonda apresentadas na figura 3.4 é possível notar a diferença entre os minérios quanto à compacidade.
24 Figura 3.4 – Fotos de furos de sonda de diferentes compacidades, baseado no retido em 3/8” (Rodrigues et al., 2014).