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5. MANEVĠ DANIġMA UYGULAMALARINDA ĠHTĠYAÇ DUYULAN ÖZEL

5.5. Krize Müdahale Yöntemleri

O conceito de Indústria Criativa aparece na década de 1990, na Austrália, e foi ampliado na Inglaterra. Sua importância crescente na Inglaterra pode ser observada por meio da existência de um Ministério das Indústrias Criativas. (WOOD JR. et al, 2009). O Quadro 1 apresenta algumas definições de Indústrias Criativas.

Ao analisar as diferentes definições apresentadas no Quadro 1 em seu original, Wood Jr. et al (2009) localizam quatro componentes das Indústrias Criativas, a saber:

i. A criatividade é o elemento central, sendo necessária para a geração da propriedade intelectual;

ii. A cultura é tratada na forma de objetos culturais;

iii. As indústrias criativas transformam significados em propriedade intelectual e, desta forma, em valor econômico;

iv. Existe o pressuposto de convergência entre artes, negócios e tecnologia.

Nota-se, no entanto, que a geração de propriedade intelectual nem sempre se dá formalmente por meio do registro destas em órgãos/institutos legalmente criados para esse fim.

Quadro 1 – Definições de indústria criativa

Autores Definições

DCMS (1998); JONES et al (2004)

“Indústrias criativas são organizações que têm origem na criatividade, habilidade e talento individuais, tendo ainda potencial para geração de prosperidade e criação de empregos por meio da exploração de propriedade intelectual.”

CAVES (2000, p. 1)

“A indústria criativa oferta produtos e serviços que são largamente associados com valores culturais, artísticos ou simplesmente de entretenimento. Inclui a publicação de livros e revistas, artes plásticas (pinturas, esculturas), artes performáticas (teatro, ópera, concertos, dança), música, cinema e filmes de TV, até moda, brinquedos e games.”

JEFFCUTT (2000, p. 123- 124)

“As indústrias criativas são formadas a partir de convergência entre as indústrias de mídia e informação e o setor cultural e das artes, tornando-se uma importante (e contestada) arena de desenvolvimento nas sociedades baseadas em conhecimento [...] operando em importantes dimensões contemporâneas da produção e do consumo cultural [...] o setor das indústrias criativas apresenta uma grande variedade de atividades que, no entanto, possuem seu núcleo na criatividade.”

CORNFORD; CHARLES (2001, p. 17)

“As atividades das indústrias criativas podem ser localizadas em um continuum que vai desde aquelas atividades totalmente dependentes do ato de levar o conteúdo à audiência (a maior parte das apresentações ao vivo e exibições, incluindo festivais) que tendem a ser trabalho-intensivas e, em geral, subsidiadas, até aquelas atividades informacionais orientadas mais comercialmente, baseadas na reprodução de conteúdo original e sua transmissão a audiências (em geral distantes) (publicação, música gravada, filme, broadcating e nova mídia).”

HOWKINS (2005, p. 119)

“Em minha perspectiva, é mais coerente restringir o termo ‘indústria criativa’ a uma indústria onde o trabalho intelectual é preponderante e onde o resultado alcançado é a propriedade intelectual.”

HARTLEY (2005 p. 5)

“A ideia das indústrias criativas busca descrever a convergência conceitual e prática das artes criativas (talento individual) com as indústrias culturais (escala de massa), no contexto das novas tecnologias midiáticas (TICs) dentro de uma nova economia do conhecimento, para o uso de novos cidadãos-consumidores interativos.”

JAGUARIBE (2006)

“[Indústrias criativas] produzem bens e serviços que utilizam imagens, textos e símbolos como meio. São indústrias guiadas por um regime de propriedade intelectual e [...] empurram a fronteira tecnológica das novas tecnologias da informação. Em geral, existe uma espécie de acordo que as indústrias criativas têm coregroup, um coração, que seria composto por música, audiovisual, multimídia, software, broadcasting e todos os processos de editoria em geral. No entanto, a coisa curiosa é que a fronteira das indústrias criativas não é nítida. As pessoas utilizam o termo como sinônimo de indústria de conteúdo, mas o que se vê cada vez mais é que uma grande gama de processos, produtos e serviços que são baseados na criatividade, mas que têm as suas origens em coisas muito tradicionais, como o craft, folclore ou artesanato, estão cada vez mais utilizando tecnologias de management, de informática para se transformarem em bens, produtos e serviços de grande distribuição.”

SEC (2011, p. 23)

“os setores criativos são todos aqueles cujas atividades produtivas têm como processo principal um ato criativo gerador de valor simbólico, elemento central da formação de riqueza cultural e econômica.”

FONTE: Adaptado e ampliado de WOOD JR. et al (2009).

As indústrias criativas são moldadas por forças e dinâmicas que podem ser mais bem entendidas quando se consideram diferentes processos de conectividade operacional, ou seja, pode-se afirmar que as indústrias criativas são transetoriais, transprofissionais e

transgovernamentais. (JEFFCUT, 2004). Além destas características, existem fatores próprios das atividades criativas. Caves (2000) mostra que:

1. A demanda pelos produtos é incerta;

2. Os trabalhadores criativos se importam com seus produtos;

3. Alguns produtos criativos requerem diversidade de habilidades;

4. Produtos são diferenciados;

5. Habilidades são diferenciadas verticalmente;

6. O tempo “É” a essência, e;

7. Alguns produtos e receitas são duráveis.

Não apenas a definição de indústrias criativas está em desenvolvimento e padece ainda de mais estudos, mas também a própria delimitação de quais indústrias devem ser consideradas como Indústria Criativas. O Quadro 2, apresentado adiante, descreve quatro diferentes modelos com diferentes lógicas para a delimitação das indústrias criativas.

O modelo DCMS (UK) deriva de um trabalho feito no Reino Unido no final dos anos 1990 como forma de reposicionar sua economia como uma economia que tem na criatividade e inovação suas principais características. Todas as indústrias deste modelo poderiam também ser vistas como indústrias culturais, mas o termo criativo foi escolhido para não dar uma conotação de alta-cultural ao termo cultura. Neste modelo todas as indústrias são vistas como sendo do mesmo nível. (UNCTAD, 2010).

O modelo de textos simbólicos advém da forma de se estudar as indústrias criativas que surge da tradição de estudos-crítico-cultural existentes na Europa, em especial no Reino Unido. (HESMONDHALGH, 2002; UNCTAD, 2010). Neste modelo, aquelas consideradas como

“alta-arte” ou artes sérias são tidas como domínio da sociedade e política estabelecida e,

portanto, estas devem ser levadas em conta em vez da cultura popular. O modelo ainda se baseia na ideia de que a cultura da sociedade é formada e transmitida via produção industrial, disseminação e consumo de textos e mensagens simbólicas, que podem ser feitas por meio de diferentes mídias como filmes, transmissões de TV e rádio e da imprensa, o que dá nome ao modelo. (UNCTAD, 2010).

Quadro 2 - Sistemas de classificação para indústrias criativas Modelo DCMS (UK) Modelo de textos simbólicos Modelo de círculos concêntricos Modelo de copyright (WIPO) HOWKINS (2000) Propaganda Arquitetura Arte e mercado de antiguidades Artesanato Design Moda Cinema e vídeo Música Artes cênicas Publicação Software TV e rádio Jogos de vídeo e computador Indústrias culturais centrais Propaganda Filme Internet Música Publicação TV e rádio Jogos de vídeo e computador Indústrias culturais periféricas Artes criativas Indústrias culturais limítrofes Eletrônicos de consumo Moda Software Esporte Artes criativas centrais Literatura Música Artes cênicas Artes visuais Outras indústrias culturais centrais Filme Museus e bibliotecas Indústrias culturais mais amplas Serviços de património cultural Publishing Gravação de som TV e rádio Jogos de vídeo e computador Indústrias relacionadas Propaganda Arquitetura Design Moda Indústrias de copyright centrais Publicidade Sociedades de colecionadores Cinema e vídeo Música Artes cênicas Publicação Software TV e rádio A arte visual e gráfica Indústrias de copyright interdependentes Material de gravação em branco Eletrônicos de consumo Instrumentos musicais Papel Fotocopiadoras, material fotográfico Indústria de copyright parcial Arquitetura Vestuário, calçado Design Moda Artigos domésticos Brinquedos Propaganda Arquitetura Artes Artesanato Design Moda Filme Música Artes cênicas Publicação P&D Software Brinquedos e Jogos TV e Rádio Videogames

FONTE: Adaptado e ampliado de UNCTAD (2010).

Por sua vez, o modelo de círculos concêntricos tem como pressuposto que as ideias criativas são originárias nas artes criativas centrais na forma de sons, textos e imagens e que estas ideias e influências se difundem para o exterior por meio de círculos concêntricos. À medida que se move para fora, longe do centro, o conteúdo comercial irá crescendo à proporção que diminui o conteúdo cultural. (UNCTAD, 2010). Este modelo tem sido a base para a classificação de indústrias criativas na Europa em estudos preparados pela Comissão Europeia. (KEA European Affairs, 2006).

O modelo de copyright da WIPO baseia-se nas indústrias que se envolvem de uma forma direta ou indireta na criação, manufatura, produção, transmissão e distribuição de trabalhos com direitos autorais. (WIPO, 2003). O modelo faz distinção entre as indústrias que realmente

produzem as propriedades intelectuais e aquelas que são necessárias para entregar a propriedade intelectual ao consumidor. (UNCTAD, 2010).

As indústrias criativas sugeridas por Howkins (2001) estão muito em linha com o modelo da WIPO, uma vez que na definição do autor, já apresentada no Quadro 1, os produtos e serviços criativos se materializam como propriedades intelectuais. Outra observação é que o Modelo DCMS e as indústrias criativas propostas por Howkins (2001) não apresentam distinções

entre as indústrias, enquanto os outros três modelos têm um grupo central ou um “core” de

indústrias que são centrais, pois explicam a base teórica nos quais os modelos se baseiam. Assim, uma indústria que é central para um modelo pode ser periférica em outro. (UNCTAD, 2010).

Existem outros modelos, como o “UIS trade-related model” da UNESCO e o “Americans for

the Arts model” (FUNDAÇÃO SERRALVES, 2010), não descritos aqui. Não existe um modelo correto ou um modelo errado, pois todos têm sua lógica de estruturação. O problema é que para que se tenham estatísticas que possam ser levantadas, analisadas e utilizadas para tomada de decisão é necessária uma padronização dos modelos de forma que a utilização destes possa ser disseminada internacionalmente.

A Figura 3 apresenta o modelo proposto pela UNCTAD (2010), onde se observam as diversas indústrias criativas distribuídas em diferentes patamares sem que haja uma centralização ou uma diferença em importância das diversas indústrias. Este modelo permite que se elabore um ambiente para a coleta de dados sobre renda e empregos, utilizando-se de códigos específicos, como hoje é feito para as indústrias tradicionais.

Figura 3 – Classificação das indústrias criativas segundo a UNCTAD

FONTE: Adaptado de UNCTAD (2010, p. 8).

O modelo ou escopo dos setores criativos criados pela SEC do Ministério da Cultura brasileiro é apresentado na Figura 4. O modelo deixa claro quais são as indústrias criativas prioritárias para a SEC. Como se observa, as indústrias apresentadas são indústrias culturais, o que é esperado, dada à posição desta secretaria dentro do Ministério da Cultura. Esta posição reforça a discussão trazida pela UNCTAD (2010) sobre a falta de coordenação interministerial e a centralização recorrente dos esforços governamentais em um só ministério, geralmente o da Cultura. O resultado é a ineficácia na implementação de políticas que dependem de outros ministérios, ou uma tendência natural a priorizar indústrias já tradicionais dentro do escopo do ministério que envida esforços em torno das indústrias criativas.

Figura 4 – Escopo dos setores criativos - Ministério da Cultura (2011)

FONTE: Ministério da Cultura (2011, p. 29).

Uma forma de entender o funcionamento das Indústrias criativas é estudando sua cadeia produtiva e de valor. A cadeia de valor das Indústrias Criativas apresentada pela UNCTAD (2010) pode ser observada na Figura 5. Uma característica que aparece em praticamente todas as indústrias criativas é o perfil do tamanho das empresas em cada fase da cadeia de valor. As fases um e dois são constituídas por empresas pequenas e médias e, em muitos casos, por participantes informais dos mercados. É nesta fase que a criatividade é gerada com mais intensidade, sem que esta fase seja incentivada, e sem que haja investimentos no seu crescimento, determinada indústria criativa pode nunca atingir seu potencial máximo.

Os dois últimos elos da cadeia de valor são normalmente dominados por grandes empresas. Muitas vezes, empresas multinacionais fazem tanto a distribuição local quanto internacional de determinados produtos e serviços criativos locais, bem como trazem para um país produtos

criativos de seus países de origem. Esta concentração, que por um lado é essencial para que a empresa atue internacionalmente, torna-se também uma base para a crítica sobre o domínio que algumas empresas acabam exercendo sobre a cultura, ou os meios de distribuição cultural em determinados países.

Figura 5 – Cadeia de valor das indústrias criativas

FONTE: UNCTAD (2010, p. 78).

Essa cadeia de valor foi primeiramente proposta por Pratt (2004), que sugere que no primeiro estágio de criação/concepção é quando as ideias ou o conceito aparecem. Esse estágio é seguido pela produção/reprodução, momento em que o conceito (ou a ideia) é desenvolvido e empacotado. Os demais estágios são o marketing/distribuição e o consumo.

Outra forma de entender a lógica de funcionamento das Indústrias Criativas pode ser ilustrada pela Figura 6. A dinâmica de funcionamento dos elos dos setores criativos, como proposto pelo Ministério da Cultura (2001), segue a mesma lógica, mas acrescenta a difusão, junto com a distribuição, dando maior ênfase aos produtos e serviços culturais, como novelas e música, que são distribuídos por rádios ou televisão.

Figura 6 – A Economia Criativa e a dinâmica de funcionamento dos seus elos

FONTE: Ministério da Cultura (2011, p. 24).

Estas diferenças em definições e em formas de discutir o tema indústrias criativas levam à necessidade de definir um recorte de análise, uma vez que a diversidade de áreas da indústria criativa pode gerar distorções quando agregadas.