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KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.3. Koruma Alanları Yönetimi ve Yönetim Etkinliğ

2.3.2. Koruma Alanı Yönetim Etkinliği ve Değerlendirme

A recém-inaugurada Praça Rui Barbosa completa o complexo paisagístico do Boulevard Arrudas. Anteriormente frequentada por trombadinhas e prostitutas, agora a praça tornou-se parte de um cenário dito de cartão postal. Apesar do tráfego de veículos na Rua da Bahia e na Andradas ser intenso e barulhento, o trânsito de pedestres na praça é bastante pequeno e o clima é de tranquilidade. No carro de um fotógrafo lambe- lambe, lê-se a inscrição “fotos digitais na hora”, o que parece anunciar as mudanças na área, apesar de que, no momento de nossa pesquisa, a reforma da praça ainda não se

$,, encontrava totalmente finalizada, restando ainda bebedouros de granito e aço sendo instalados e caramanchões metálicos sendo pintados em vermelho.

Percebe-se na praça que há uma diferença evidente em relação à intensidade e movimentação dos usuários. A antiga avenida que dividia a praça ao meio, de certa forma parece subsistir até mesmo após sua transformação em calçadão. O lado situado em frente ao edifício Itatiaia tem movimento mais intenso de pessoas que a outra porção situada em frente ao edifício tombado do Centro Cultural da UFMG. Certamente pela localização do ponto de ônibus onde aglomera um bom número de pessoas em horário de pico, além do fato desta parte funcionar como passagem em direção ao terminal de metrô localizado no outro lado do Boulevard Arrudas.

Esses fatos ditam muito bem o caráter da praça, local de passagem e transbordo. Além do ponto de ônibus, a permanência é reforçada pelos inúmeros bancos espalhados pela praça. Confeccionados em madeira e ferro, compõem, com o desenho das fontes e jardins, o paisagismo típico das praças do século XIX. A reforma na Praça Rui Barbosa significa a implementação do projeto original de 1920.

Tal qual a ordem arquitetônica do espaço cênico presente nas fachadas art-deco dos edifícios do entorno, bem como da topiaria do paisagismo de inspiração francesa, os usos do espaço na praça Rui Barbosa também seguem uma ordenação racional. A produção de um espaço-cenário requer a supressão dos usos e signos que não condizem com tal finalidade. Sem mendigos, ambulantes ou pedintes, a praça é um local onde o controle é explicitamente efetuado pelos guardas municipais. Aqui, estes agentes policiam a área durante todo o dia e noite. Sua presença constante dispensa a instalação de câmeras de vigilância, como as instaladas na vizinha Praça da Estação. Os poucos usuários, namorados, idosos, ou garis, são trabalhadores locais ou pessoas residentes nas imediações, sendo difícil encontrar mendigos ou pedintes; no máximo, catadores de papel que a utiliza como lugar de descanso entre uma hora e outra de trabalho.

Aqui a tranqüilidade e o marasmo da praça, frequentada por casais que namoram nos bancos, idosos lendo jornais ou um livro qualquer, além do circular vagaroso e constante dos guardas, contrastam com o tráfego intenso e barulhento de ônibus e automóveis pelas ruas adjacentes.

Por volta de dez horas da manhã, a presença de usuários na praça é pouco intensa, de forma que somente alguns bancos estão ocupados, ficando a maioria ainda vagos. Esse ritmo parece dominar a praça durante todo o dia, de forma que somente após os horários de pico, por volta de meio dia e de dezoito horas, há um aumento no

$,- fluxo de passantes, principalmente em direção à Praça da Estação, em direção à Estação Central de Metrô.

A tranquilidade da Praça é substituída esporadicamente, de acordo com um ou outro evento cultural programado pela Secretaria Municipal de Cultura. Nessas ocasiões, quando a Praça Rui Barbosa se transforma em um grande palco de apresentações, principalmente circenses e teatrais, forma-se um considerável público composto por crianças, adultos, artistas e simpatizantes, que se sentam ao redor do local das apresentações, geralmente improvisado no meio da praça. Durante nossa observação, houve uma ocasião em que se apresentou o grupo Trampolim, num espetáculo que fazia parte da programação oficial da PBH, que por meio de recursos captados por leis de incentivo cultural, apoiam uma série de eventos pela cidade. Raramente esses eventos acontecem sem estar vinculados à programação cultural “oficial”.

Interessante notar, nesse evento particular, que a platéia foi estimulada a participar do espetáculo, interagindo com os atores. No entanto, apesar de suas manifestações, foram ignoradas quaisquer tentativas de interação por parte do público que não se enquadrava no padrão exigido pelos próprios atores, como os mendigos e ambulantes que observavam a peça. Para o palhaço “Lamparina”, um dos atores que comandavam a apresentação, trata-se de “selecionar o tipo de interação” entre artista e público, não sendo permitida a participação de qualquer um.

Figura 16: Praça Ruy Barbosa. Apresentação teatral. Fonte: Acervo pessoal do autor

Até mesmo nos finais de semana, quando teoricamente a praça poderia ser usada por parte da população que trabalha durante a semana, o marasmo e a calmaria imperam, principalmente nas tardes de sábado e domingo, sob o sol forte do verão, quando a praça parece ficar ainda mais vazia e o movimento do transporte coletivo

$,. diminui. Ao contrário da Praça Sete, onde uma multiplicidade de pessoas afins se agrupa, cada qual tomando como sua uma parcela do espaço, aqui, boa parte dos bancos permanece vazia, tornando-se compreensível não existirem ambulantes, artesãos, tampouco mendigos, pois não há a quem pedir, não há quem comprar.

Um detalhe que chama atenção na praça é que, mesmo após as dezoito horas, ela não é frequentada por grupos ou “tribos” em especial. Após o horário de pico, com a diminuição do movimento de passantes e do trânsito intenso nas ruas ao redor, tornando- a mais convidativa à permanência prolongada, ela é ocupada por casais de jovens namorados, crianças em companhia dos pais e os poucos idosos que ocupam quase todos os bancos que durante o dia ficavam vazios.