2.1. KONYA İLİ TARİHİ, COĞRAFİ VE KÜLTÜREL YAPISI
2.1.1. Konya’nın Tarihi
A família de uma criança ou jovem portador de DM tem um papel preponderante face à sua educação em geral, e à educação sexual em particular, pela sua proximidade, pela inerência natural e pelo seu papel socialmente expectável. Todavia, as dificuldades neste âmbito são mais do que evidentes, pois, para os pais, aprender a lidar com a sexualidade de um filho normal é difícil, envolto em tabus e preconceitos, mas lidar com a sexualidade de um filho com DM é muito mais complicado e constrangedor.
Como qualquer criança, o primeiro contacto afetivo e íntimo que um DM estabelece neste estágio da vida é com a família mais próxima, nomeadamente com os seus progenitores, que lhe transmitem segurança, confiança e proteção que servirá de base para, mais tarde, estabelecer relacionamentos sociais, como a amizade, o namoro, o casamento (em alguns casos) e as relações sexuais.
A evolução saudável da sexualidade do DM depende de vários fatores, tais como: as respostas facultadas pelos pais/adultos às suas dúvidas e curiosidades sexuais, a reação dos pais face aos seus comportamentos sexuais e, finalmente, os modelos de identificação e imitação referenciais com os quais mantém contato.
A maioria dos pais prefere encarar o filho como um ser assexuado, ignorando deliberadamente a sua sexualidade, umas vezes por medo, vergonha e constrangimento de se exporem, outras vezes por manifestarem receio em expor o próprio filho a situações perigosas, tanto ao nível físico como ao nível emocional. Neste sentido, a sociedade em geral, na qual se incluem os pais, revela muita tolerância face ao conceito de normalização, aceitam e respeitam os direitos fundamentais das pessoas portadoras de DM mas manifestam muita relutância em aceitar as exigências do próprio filho na componente afetivo-sexual. De facto, são os próprios pais a não cumprir com estes princípios capitais, manifestando atitudes demasiado protetoras, pois receiam a ocorrência de abusos sexuais e/ou de uma gravidez indesejada.
A superproteção, sentimento muito comum em famílias com filhos portadores de DM, advém da consciente possibilidade do filho permanecer eternamente dependente. Estas crianças são vistas, segundo estereótipos tipificados por Wolfensberger (s/data, in Ballone, s/data, site da Psiqweb), como “eternas crianças”, “presentes de Deus” ou “santos inocentes”, sendo que os pais acreditam que o jovem não manifesta qualquer interesse sexual, preterindo essa dimensão do ser humano, não facultando qualquer tipo de orientação a esse respeito.
O certo é que muitos pais vivem obcecados com as “possíveis consequências negativas que o exercício da sexualidade possa provocar” solicitando aos professores e técnicos especializados que acompanham a criança ou jovem que reprimam comportamentos sexuais, que atentem às condutas de masturbação e que se evite o assédio ou abuso sexual (cf. Pan, 2003:95). Do mesmo modo, tendem a isolar os filhos, privando-os de contactos sociais e, consequentemente, a interação com jovens da mesma idade, promovendo um fraco investimento na autoestima, autoconceito e imagem corporal.
Há igualmente a ideia incorreta e estereotipada de que o filho deficiente mental não percebe aquilo que se lhe diz, sendo, então, desnecessário envidar esforços para informá-lo sobre assuntos de cariz sexual. De igual modo, para os pais as aspirações de caráter afetivo e sexual, assim como os desejos, são desprezadas e ignoradas.
Por outro lado, existem os pais que aceitam a sexualidade do filho como parte integrante do seu processo de desenvolvimento holístico e que, por vezes, de uma forma inconsciente, idealizam e fantasiam um percurso de vida de um jovem “normal” seguindo as etapas: do namoro, do casamento, relações sexuais e filhos. Em especial nos casos de DM grave e profunda cabe aos técnicos consciencializar os pais de que, muito provavelmente, o percurso de vida do seu educando será diferente.
Estes são pais que ainda não interiorizaram e não aceitaram o facto de o seu filho ser “diferente” dos outros, continuam na fase de negação, ou seja, não conseguem fazer o “luto” do nascimento de um bebé portador de uma deficiência.
Pan (2003), referindo-se a um curso de orientação sexual para pais de filhos com DM, nos vários graus, realizado em Madrid, constata que, na eventualidade dos pais manifestarem interesse em transmitir informações pertinentes sobre o tema da sexualidade, deparam-se com muitas dúvidas e angústias formulando questões esclarecedoras do seu estado de espírito, das quais destacamos as seguintes:
“Se falar a ele de sexualidade, tenho medo de que possa `fazer algo` a alguém”. “Não só tenho medo de que fique grávida, mas também `do que iria acontecer`.” “Se eu o levar a fazer vasectomia, ele deixará de masturbar-se?”
“Para que meu filho quer a sexualidade?” “Não quero que seja despertada nele.”
“Pensei às vezes levar meu filho a uma prostituta.” (p.95)
Na globalidade, cerca de noventa por cento das famílias manifestam as seguintes atitudes face à sexualidade do filho com DM (Crespo, 1993, in Pan, 2003):
Consideram o tema tabu, sobre o qual mantêm silêncio.
Têm uma atitude passiva, não abordando o tema, deixando o tempo passar. Apenas dez por cento das famílias revelam uma atitude aberta e interessada face ao tema.
Hoje, fruto do movimento da inclusão social, os deficientes mentais encontram-se mais vulneráveis, expostos a perigos, a liberdades e a responsabilidades, motivo pelo qual devem tomar conhecimento das transformações físicas e sociais que ocorrem nas diferentes etapas do crescimento, através de uma educação sexual devidamente planeada e partilhada entre os pais, os professores e todos os técnicos especializados que acompanham a criança, jovem ou adulto.
2.2.2. Atitudes dos professores e técnicos especializados
Os técnicos, contrariamente aos pais, costumam revelar atitudes mais abertas e positivas face à sexualidade do portador de DM, percecionando o assunto de forma diferente, possivelmente por estarem mais bem informados e preparados, e como agentes educativos, portadores de formação académica e pedagógica adequada, o que lhes permite uma abordagem mais objetiva, sem tabus nem preconceitos, da temática em questão.
Os profissionais da educação dos jovens com DM, têm uma dupla função e responsabilidade no concernente à sua sexualidade, na medida em que têm que saber gerir os sentimentos e os interesses do jovem e, concomitantemente, os dos seus progenitores. Por vezes, cabe-lhes a tarefa ingrata de ter de gerir as expetativas dos pais e, simultaneamente, as necessidades e sentimentos do jovem, de modo a evitar sofrimento e possíveis conflitos.
Conquanto, e apesar dos técnicos e professores serem detentores de mais conhecimentos e terem o privilégio de um melhor acesso à educação sexual, alguns continuam a manter atitudes conservadoras ou a promover a “inibição de algumas condutas mais flexíveis em decorrência da solicitação e expectativa dos pais em relação à sexualidade de seus filhos portadores de DM” (Aizpurua, 1985, in Ballone, s/data, site da Psiqweb).
No que concerne às crianças e jovens com DM institucionalizadas, os profissionais que os acompanham deparam-se com uma lacuna nos Regulamentos Internos das instituições, pela ausência de normas claras e precisas sobre o tipo de atividades de cariz sexual que podem e devem ser permitidas naquele espaço “fazendo com que a orientação sexual, quando existe, seja fruto das disposições e iniciativas pessoais, mais do que das necessidades reais dos pacientes” (ibidem).
Todos, pais, professores e técnicos especializados que acompanham diretamente indivíduos portadores de DM, devem perceber que uma vivência da sexualidade, bem orientada, fomenta o equilíbrio afetivo e emocional, promove a autoestima, contribui para a inclusão social e incrementa os contatos interpessoais.
É da responsabilidade do estabelecimento escolar ou instituição, facultar informações, apoio e acompanhamento aos pais de filhos com DM no âmbito da educação sexual, por dois motivos, na opinião de Gomes (1995):
1. Para que a reação dos pais ou encarregados de educação não seja negativa, relativamente às ações desenvolvidas pela escola, ou instituições, sobre o tema mencionado;
2. Para que não haja incongruências ou ambiguidades na transmissão de informações entre os pais e os profissionais que acompanham o jovem.
A incoerência, obscuridade e imprecisão de informação geram conflitos interiores, angústia, dor e frustração nos indivíduos portadores de DM.
Pelo exposto se conclui que é benéfico existir uma interação positiva entre os profissionais da educação e a família, pois será essa comunicação que poderá facilitar o entendimento sobre a sexualidade por parte dos deficientes mentais.
Kempton (1978), citado por Ballone (s/data) no site da Psiqweb, refere que “ainda estamos em uma fase de apenas maior tolerância” face à problemática da sexualidade na DM, apesar de, aparentemente, se denotar uma atitude “mais liberal por parte dos profissionais”.