• Sonuç bulunamadı

3.4. Konya Algısına Yönelik Bulgular

3.4.2. Konya‟ da Sosyal Hayatın Özellikleri

A Tipografia Episcopal de Mariana parecia ter como um de seus principais personagens o Pe. João Antônio dos Santos que, sem nenhuma dúvida, foi um dos mais próximos colaboradores e amigos de D. Viçoso no início de seu bispado.

Esse religioso era natural de Diamantina, filho de uma das famílias tradicionais que se destacavam no meio político da cidade. De 1835 a 1842 estudou no Colégio do Caraça. Transferiu-se para Congonhas do Campo em 1842, época em que o Pe. Antônio Viçoso dirigia o Seminário da cidade, e lá estudou filosofia e teologia. Assim que foi ordenado padre por D. Antônio Viçoso, foi indicado para ser reitor do Seminário de Mariana. Em 1846, época em que era o principal responsável pela edição da Selecta Catholica, João Antônio foi membro do Cabido de Mariana. Em 1848, viajou para Roma para completar seus estudos. Em seu retorno, instalou-se em Diamantina onde organiza, junto com seu irmão, o Ateneu São Vicente de Paulo, um colégio de instrução secundária. Em 1864, tornou-se bispo de Diamantina, fundando na cidade o Seminário Episcopal de Diamantina e o Colégio Nossa Senhora das Dores, para instrução feminina à cargo das Irmãs de Caridade. Durante o seu bispado, houve a publicação do jornal O Jequitinhonha com a sua

colaboração. No período do seu bispado, D. João Antônio foi também professor de filosofia do Seminário Episcopal (RODRIGUES, 1986).

Enquanto encontrava-se em Mariana, João Antônio escreveu a obra Esqueleto das

faculdades e origem das idéias do espírito humano (1845), primeiro opúsculo de

filosofia impresso em Minas Gerais (RODRIGUES, 1986). Essa obra é particularmente importante para a Psicologia, porque trabalha com conceitos de inteligência, sensibilidade, vontade (CAMPOS, 1992). Rodrigues (1986) afirma que o Esqueleto das faculdades tentava ser uma superação do empirismo de Genovesi que era a orientação filosófica ensinada em Minas:

Cremos que o autor, ao introduzir a temática da consciência e da liberdade e fundamentando a idéia de moralidade num Absoluto transcendente, contribui para que o pensamento filosófico em Minas Gerais acompanhe a evolução nacional, ao abandonar Genovesi sem renegar os problemas modernos. (RODRIGUES, 1986, p. 115)

Os professores ligados a D. Viçoso foram responsáveis por um “empreendimento renovador do ensino filosófico no Seminário de Mariana” (RODRIGUES, 1986, p. 115), conseguindo uma nova maneira de abordar o ensino filosófico que fugia de possíveis conseqüências do empirismo, mas que enfrentava os problemas próprios do seu tempo, como por exemplo, o interesse pelos temas da inteligência e da relação entre consciência e

sentidos que se tornavam comuns no campo da História das Idéias Psicológicas nessa

época. De fato, no século XIX, contrariando as idéias de Kant sobre a impossibilidade da medição dos processos psicológicos, Fechner tentou encontrar fórmulas capazes de traçar as relações entre mente e corpo, publicando a obra Elementos de Psicofísica em 1860 (LEAHEY, 1980; SCHULTZ e SCHULTZ, 1998).

O compêndio escrito por João Antônio dos Santos faz uma apresentação ao público:

Havendo observado que todos os Compendios de Philosophia tractão as materias desta sciencia concordemente menos na parte psycologica, e que o Estudante do rançoso Genuense ou do velho Storchneau para ser matriculado nas nossas Academias deve dar seos 500 rs por hum Compendio do Geruzes ou de Ponelle só para apprender a theoria das Faculdades da alma, resolvi-me a publicar este “pequenino” trabalho, aonde alguma cousa he minha. (SANTOS, 1847, p.1)

Nessa introdução ao Esqueleto existem dois interessantes comentários do autor. O primeiro deles é o uso da palavra psycologica, pois se pensarmos que esa obra foi escrita em 1847, poderíamos dizer que João Antônio é um dos pioneiros da psicologia em Minas Gerais. Ele explicita que sua preocupação é escrever uma obra que trate de psicologia, da

parte psicológica do homem, ou seja, das faculdades da alma e da origem das idéias. As primeiras obras que vão ser definitivamente classificadas como psicologia científica só aparecem no final do século XIX, após a decada de 70, mas obras de psicologia filosófica já existiam muito antes desse período. Assim, João Antônio se insere em uma das fases denominadas por Pessotti (1988) como período institucional, época em que ainda não há a disciplina Psicologia no Brasil, mas começam a surgir as primeiras discussões de cunho psicológico, tendo como objetos a inteligência e as doenças nervosas, em cursos e teses de Faculdades de Medicina e em obras pedagógicas.

Outro aspecto interessante do trecho citado anteriormente é o conhecimento que o autor tem da situação dos alunos que pagam muito caro pelos Compêndios e a sua preocupação em oferecer aos alunos uma alternativa mais barata e portanto, mais acessível. É interessante como em diversos pontos fica explicito o desejo desse grupo ligado a D. Viçoso de franquear os estudos para quem quisesse estudar ou as leituras para quem pudesse ler.

Parece que o jornal religioso Selecta Catholica era um dos instrumentos que tinha o objetivo de ampliar a leitura dos autores católicos em Minas Gerais. Além disso, esse jornal religioso continha inúmeras concepções filosóficas e informações sobre ciências, biologia e fisiologia que naturalmente tinham o objetivo de instruir as pessoas.

Nessa perspectiva, a colaboração entre o jovem padre João Antônio e seu bispo parece ter sido bastante significativa para o primeiro impulso do projeto de reforma dos costumes do clero e da população de Minas Gerais. Além disso, vê-se claramente que as iniciativas de João Antônio, quando se tornou bispo de Diamantina, estão muito próximas daquelas realizadas por D. Viçoso. Para Camello (1986), entre os discípulos do bispo lazarista, o bispo de Diamantina foi o que teve maior sensibilidade para os problemas sociais, realizando empreendimentos de assistência à pobreza e procurando contribuir para o movimento abolicionista.

Além do Ateneu, D. João Antônio dos Santos fundou em 1870, a Associação

Patrocínio de Nossa Senhora das Mercês, cujo objetivo era o auxílio ao movimento de

emancipação dos escravos. Em 1876, o bispo de Diamantina abriu uma fábrica de tecidos em Biribiri sob a direção da firma Santos e Cia, com a finalidade de dar trabalho a jovens e crianças que não encontravam emprego (CAMELLO, 1986).

De acordo com Camello (1986), os jovens que foram educados pelo bispo de Mariana, sendo seus amigos, colaboradores e fiéis aos seus pensamentos, se constituem nas melhores provas dos resultados da reforma levada a cabo por D. Viçoso. De fato, veremos que alguns desses jovens tornaram-se figuras eminentes na estrutura eclesiástica e deram continuidade ao seu projeto de reforma dos costumes e educação da mocidade. De fato, D. Viçoso educou uma geração de jovens que, mais tarde, tornaram-se os bispos reformadores do clero no Brasil, como é o caso de Pedro Maria de Lacerda e Luis Antônio dos Santos, que se tornaram respectivamente bispos do Rio de Janeiro e do Ceará.