• Sonuç bulunamadı

3.5. Ġslam Algısına Yönelik Bulgular

3.5.4. Ġslami Ġnancın En Önemli Özelliği

O primeiro periódico editado por João Antônio dos Santos foi a Selecta Catholica, em 1846. Logo no princípio de seu episcopado, D. Viçoso mandou publicar um novo periódico formado por seletas que correspondesse a uma nova edição da Selecta Catholica de 1836. Essa nova edição deveria ter o mesmo título e mesma forma de pensamento do periódico antigo, sendo que o Cônego João Antônio se encarregaria da inserção de notícias e artigos da época (PIMENTA, 1920):

Nós, adoptando o mesmo título, não damos ao publico uma segunda edição dos números publicados, nem prosseguimos em sua continuação; propomo-nos huma nova empreza, cujos materiaes serão em parte tirados daquella, e em parte escolhidos de livros e jornaes catholicos do maior conceito, acrescentando algumas noticias religiosas que poderiam dar aos leitores conhecimento dos combates da Igreja, assim como de suas victorias e progressos nas diversas partes do mundo. (VIÇOSO, Notícia sobre a Selecta Catholica, 1846)

Na Notícia sobre a Selecta Catholica, uma introdução feita à compilação do periódico marianense, D. Viçoso afirma que o novo jornal seria formado de textos da

Selecta Catholica24 de 1836 e de novos textos retirados de jornais e livros católicos. Uma das preocupações do periódico mineiro era a sua atualidade, pois ele servia como um veículo de informação sobre os combates que a Igreja realizava naquela época. Por isso,

24 Os fragmentos da Selecta Catholica de1836, 1837 são retirados de Jamin, Bimbenet de la

Roche, que narra seus horrores de prisioneiro da Revolução Francesa, de uma encíclica de Gregório Papa XVI aos bispos e padres, Filósofo Desenganado, Nicole, Berault-Bercastel, Frayssenous, Luiz de Granada, Manoel Bernardes, Despreaux, Memórias Religiosas, Caldas, Fr. Agostinho da Cruz, Diogo Bernardes, entre outros, além de inúmeros fragmentos não assinados.

muitos fragmentos foram retirados de jornais mais modernos que pudessem ser capazes de informar a posição em que se encontravam a Igreja e os católicos no mundo daquela época.

Antônio Viçoso havia redigido o antigo jornal religioso Selecta Catholica quando era diretor do Seminário de Jacuecanga, no estado do Rio de Janeiro. Esse periódico era primeiro redigido pelo lazarista em páginas manuscritas, que acabaram por formar um livro de 452 páginas. Em seguida, o manuscrito era enviado à Tipografia e organizado em forma de periódico, saindo publicado quinzenalmente durante os anos de 1836 e 1837. Os impressos eram feitos na Tipografia Imparcial de F. P. Brito, localizada na Praça da Constituição, no Rio de Janeiro.

A Selecta Catholica marianense, por sua vez, foi publicada de 1° de julho de 1846 a setembro de 1847, editada na Tipografia Episcopal, situada na rua da Olaria, número 54. Os jornais eram quinzenais, saindo sempre nos dias primeiro e quinze de cada mês.

A Selecta Catholica foi o quarto jornal a ser publicado na cidade de Mariana e, ao que parece, o primeiro jornal católico de Minas Gerais elaborado pela própria Diocese.

Tanto o manuscrito original da Selecta Catholica de 1836 - 1837 como a Selecta

Catholica de 1846 estão organizados em forma de livro25, de modo que à primeira vista, não se tem a impressão de que seja um periódico. A Selecta Catholica marianense está dividida em 3 tomos: o primeiro de 1 de julho de 1846 a 15 de dezembro de 1846; o segundo tomo, de 1 de janeiro de 1847 a 15 de julho de 1847 e o terceiro tomo não foi encontrado completo. Na realidade, apenas o primeiro tomo foi encontrado compilado em forma de livro, mas sabemos que o jornal deve ter sido organizado em forma de livro contendo os números do semestre seguinte porque os redatores escrevem no final de uma das Selectas:

Ajuntaremos ao ultimo número de cada semestre hum Frontíspicio com hum indice das materias do Tomo desse semestre (Selecta Catholica, 15 de julho de 1847, s.p)

Pallares-Burke (1996) afirma ser comum que os periódicos fossem compilados e editados em forma de livro. Para a autora, no início da intensa atividade jornalística que se deu no século XVIII europeu, não havia grande diferenciação entre esses dois gêneros:

O mundo atual, como bem lembra o historiador da imprensa, Jean Sgard, herdou do século XIX o hábito de considerar o periódico, com suas páginas soltas

devotadas a questões atuais, produtos descartáveis de importância relativamente efêmera. Em contraste, o livro, com sua “solidez arquitetural”, é visto como o “guardião do saber”. Essa diferenciação não se aplica, no entanto, ao século XVIII quando, “publicados pelos mesmos editores de livros e compostos da mesma forma”, os periódicos eram, na verdade, “fragmentos de livros”. (PALLARES-BURKE, 1996, p. 14)

A descrição de Pallares-Burke (1996) sobre o jornal no século XVIII cabe perfeitamente para a Selecta Catholica do Rio de Janeiro e de Mariana, já que elas foram organizadas como livros e foram compostas de fragmentos de obras, impressos e jornais da época. Pallares-Burke (1996), em seu livro Nísia Floresta, afirma que, quando os periódicos começaram a surgir, todos os jornais eram mais ou menos seletas, isto é, eram caracterizados não por uma escrita própria, mas pela resenha, compilação, divulgação e crítica (PALLARES-BURKE, 1996). Corroborando a sua idéia, a autora demonstra que o jornal O Carapuceiro, publicado em Recife de 1832 a 1847, era formado por textos retirados do Spectator.

Assim, embora o formato da Selecta Catholica não fosse parecido com os jornais brasileiros do século XIX, já que a Selecta era, na realidade, um misto de livro e jornal, um periódico formado por textos escolhidos assemelhando-se mais a uma revista ou magazine, a Selecta Catholica pode ser tratada como jornal, porque os seus redatores assim a denominavam.

Pimenta (1920) define o que era o periódico marianense:

Como o próprio nome indica, é uma coleção de trechos de bons autores no tocante à religião e várias outras matérias, a fim de fazê-la a mais variada e convidar melhor a sua leitura. (PIMENTA, 1920, p. 160)

A Selecta Catholica tinha uma forma comum de organização. Todos os jornais possuíam um ou dois textos mais longos e densos que os outros, geralmente o primeiro ou o segundo de cada número do jornal, cuja característica era o esclarecimento do papel e função da Igreja, bem como seu caráter divino, a demonstração das verdades reveladas e da ordem divina expressa na realidade, no homem, na natureza e na sociedade, o esclarecimento sobre o que é a sociedade, a religião e a natureza humana e o combate às teorias filosóficas que contrariavam dogmas e verdades caras à doutrina católica. Geralmente esses fragmentos tinham a intenção de esclarecer as razões pelas quais as pessoas deviam se precaver contra tais teorias e ao mesmo tempo descrever a razoabilidade das idéias de homem e sociedade próprias da Igreja. São exemplos desses escritos títulos

como a Necessidade do Culto, A Igreja, Os Santos Livros, Racionalidade do Cristianismo,

A Verdadeira Religião é Revelada, Religião dos Patriarcas, Existe uma religião absolutamente verdadeira e necessária, entre outros.

O jornal trazia também textos sobre o ano litúrgico da Igreja, por exemplo, sobre o Natal, o Advento, Assunção de Nossa Senhora, as festas da Igreja e escritos sobre virtudes, costumes, comportamentos e educação. Os artigos cujo conteúdo são meditações e virtudes são particularmente ricos para a História das Idéias Psicológicas, porque têm como tema a regulação da conduta e a educação de costumes e hábitos. Os temas tratados por estes escritos são a Educação, Verdade, Oração, Paciência, Esperança, Prudência, Trabalho e

Alegria, entre outros.

Havia, além desses, textos dedicados a contar a História da Igreja, principalmente narrações dos combates às heresias, tratando dos progressos que os católicos vinham fazendo ao longo do século XIX. Estes eram uma espécie de textos de informação, destinados a descrever novos avanços, lugares de ação e culturas distantes que foram alcançadas pelo catolicismo, experiências de martírio, demonstrando que nessa época a Igreja se espalhava em atitude missionária para muitos lugares como Ásia, África e América Latina, também ganhando espaço em países de tradição protestante. Um aspecto interessante dos textos sobre a história e os combates da Igreja, bem como o seu avanço na geografia mundial, é o caráter antropológico que esses textos conferem ao jornal.

Ao descrever o avanço da Igreja, esses fragmentos trazem diversas informações sobre os costumes de culturas mais distantes como a chinesa, a japonesa e a muçulmana, a cultura de diversos lugares da Europa, informações sobre cidades do Canadá e dos Estados Unidos. Na maioria das vezes, os relatos sobre esses diversos espaços geográficos estão relacionados aos avanços que a Igreja vinha fazendo na catequese de diferentes culturas, o que, conseqüentemente, resultaria numa mudança dos costumes dessas populações. São exemplos desses escritos: Collegio de Pignang, Taquenda: história japoneza, A Sociedade

da Oceania em favor dos missionários católicos, O Convento de Moustiers, Maronitas, Os armenios, Poder Eclesiástico na Rússia, Requerimento de Ki-ing, plenipotenciario chinez ao Imperador Tao-Kouang, em favor da religião christã, etc.

Existem também, nos jornais, muitos fragmentos cujo tema é a natureza. Esses fragmentos, juntamente com os textos sobre a história do cristianismo, têm uma importância singular que iremos discutir posteriormente. Além dos textos já mencionados, há também na Selecta, escritos como anedotas, salmos, odes e cantos. Essas variedades não são comuns a todos os jornais, mas costumam aparecer. Geralmente, o autor dos hinos e salmos é Caldas26.

Como o periódico é uma seleta de textos, vamos encontrar em cada exemplar fragmentos de diversos autores que, juntos, vão compor uma certa unidade de pensamento da Selecta Catholica. Os autores dos quais se retiram os textos que formam o periódico são Despréaux, Butler, Mr. J. F. Combes, Fleur de Ciel, Nicole, Silvio Pellico, Fleury e Berault-Bercatel, Frayssinous, Caldas, Francisco Joaquim Bingre e Lamennais. As revistas, livros, jornais e coleções de Universidades utilizados eram: Les Debats, Le Memorial

Catholique, Do Panorama, L′′′′Université Catholique, Magasin Religieux, Jornal do Comércio, Mercantil e Jesus Cristo perante o Século. O Mercantil e o Jornal do Comércio são as únicas referências brasileiras que aparecem na Selecta. Ambos eram

folhas brasileiras, cujos editores eram franceses. O primeiro foi publicado no Rio de Janeiro em 1824 e o Jornal do Comércio foi publicado em 1827 em substituição ao Mercantil.

Além dos já citados, é importante ressaltar que muitos fragmentos que compõem o periódico não trazem a referência de onde foram retirados e alguns têm impresso no final apenas a palavra Extr., significando que o texto foi retirado de alguma obra ou impresso não especificada no jornal.

Pallares – Burke (1996), em seu trabalho sobre o Carapuceiro afirma que era comum nessa época, a extração de textos de jornais que começaram a chegar abundantemente da Europa depois que a Família Real se instalou no Brasil e franqueou os portos ao comércio exterior. A autora conta que livros e textos eram recebidos junto com outros produtos que desembarcavam nos portos e para atrair compradores os comerciantes começaram a utilizar a frase “chegado pelo último vapor” (PALLARES-BURKE, 1996, p.149), demonstrando assim a novidade de seus produtos. Do mesmo modo, os periódicos e jornais do “último

26 Na Biblioteca do antigo seminário de Mariana encontramos os seguintes livros de Caldas:

vapor” eram disputados pelo jornais locais que queriam publicar em primeira mão os “requisitados “extraídos” e a “noticia do exterior” (PALLARES-BURKE, 1996, p. 149).

Nesse sentido, a Selecta Catholica parecia acompanhar os métodos dos jornais brasileiros de sua época. Talvez o fato de Antônio Viçoso ter residido tanto tempo no estado do Rio de Janeiro tenha facilitado o seu contato com os diversos periódicos do “último vapor”, incentivando seu interesse pela atividade jornalística.

Sobre os “extraídos” da Selecta Catholica de 1846, em termos quantitativos, o maior número de textos são retirados de Jesus Christo perante o Século27 escrito por Roselly

Lorgues, da obra Essai sur l’Indifference en matière de religion de Felicité-Robert de Lamennais28 e de Louis Cousin - Despreaux.

Despréaux é sempre o autor dos fragmentos que trazem concepções científicas da época e dos textos sobre a natureza. Já Lamennais, Christo perante o Século (1856) e aí também l’Université Catholique (1836 – 1837) são geralmente de onde se extraem os textos em que se demonstra o que é a Igreja, sua doutrina e suas lutas contra idéias liberais. Na antiga biblioteca do Seminário de Mariana encontramos as obras de Felicité de Lamennais: Essai sur l’Indiference en matière de religion (1817), Oeuvres Completes

de F. de Lamennais (1836), Paroles d’un Croyant (1834) e Pensées.

Lamennais é uma das referências constantes do periódico mineiro, aparecendo fragmentos de sua obra em diversos números. São de Lamennais por exemplo, os textos intitulados Existe huma religião absolutamente verdadeira e necessária do jornal de 1 de setembro de 1846, Necessidade do culto do jornal de 15 de setembro de1846, O

Christianismo he a única religião verdadeira do jornal de 15 de outubro de 1846. Esses

textos compõem os primeiros textos do jornal, os mais densos e longos. No primeiro número da Selecta Catholica, de 1 de julho de 1846, o primeiro artigo chama-se

Revelação, assinado por Jamin, mas que na verdade, são idéias de Lamennais. Lamennais é

também o autor de alguns outros fragmentos escolhidos para o jornal: A Oração, do jornal

27 A edição utilizada para esta pesquisa foi a de 1856 que foi traduzida por Camilo Castelo Branco

e possui uma introdução do mesmo autor.

28 Encontramos sete fragmentos de Christo perante o Século, principalmente nos jornais de 1847,

seis fragmentos retirados de Despreaux e cinco de Lamennais, mais um texto de Jamin que também se inspira em Lamennais. Depois temos, quatro fragmentos do memorial Catholique, três de Butler, três de L’Université Catholique e três de Magasin Religieux. Nos jornais de 1847, encontramos também algumas encíclicas e cartas do Papa Pio IX e de bispos.

de 1 de agosto de 1846, Socialismo, carta de Lamennais extraída do Memorial Catholique,