I. BÖLÜM
2.3. İlköğretim Türkiye Cumhuriyeti İnkılâp Tarihi Ve Atatürkçülük Konularının
2.3.2. İlköğretim Türkiye Cumhuriyeti İnkılâp Tarihi ve Atatürkçülük Konularının
2.4.1.1. Kitaplar
A professora Sara é casada, tem idade entre 40 e 50 anos. Situa-se no grupo de professores que têm de 16 a 19 anos de experiência no magistério. Ela fez sua licenciatura em Química em uma faculdade particular. Além da licenciatura, Sara possui também o bacharelado em Química. Ela atua em duas escolas estaduais: numa, ela tem um cargo efetivo e na outra atua como professora contratada. Sua carga horária é de 36 aulas semanais. Sua renda familiar é de mais de quatro salários mínimos por pessoa.
Então, Murilo, eu achei basicamente (+) eu não gostei do curso, entendeu? /.../ o que eu achei mais foi fraco, muito fraco, achei muito fraco, principalmente a parte de de (+) aula mesmo, do professor, né? A gente ia fazer um questionamento pro professor ele não sabia explicar nada. /.../ (turno 6)
A voz do alto nível, que fala com freqüência e intensidade ao longo da entrevista, concentra seus ataques nos professores responsáveis pelo programa, aos quais faltaria conhecimento e preparo, e nos materiais trabalhados no curso, também “fracos”. Nesse sentido, no turno 28, ela considera que o material do programa é inadequado para o uso com alunos que irão fazer vestibular. No final do turno 6, Sara critica também o Estado, por conta da situação atual das escolas e da falta de apoio para o trabalho dos professores: “E hoje o estudo tá caminhando prum lado que tá tá / principalmente no Estado, que tá muito complicado pra gente trabalhar, né?, e não tem, assim, muito (+) apoio.”
No entanto, Sara reconhece no programa um espaço importante para a reflexão coletiva:
/.../ eu gostei demais do Programa principalmente pra gente encontrar os profissionais da área da gente. Então que a gente começa a conversar com as pessoas que trabalham dentro de sala de aula do Estado então você vê as mesmas dificuldades que a gente enfrenta, a outra professora está enfrentando. /.../ (turno 6)
Quando interrogada sobre o que ela leva do programa para a sua prática, Sara conta que tem utilizado os módulos em suas aulas. Sara afirma produzir seu próprio material didático, reestruturando-o continuamente. Nesse processo de produção, ela tem incorporado o material do programa.
6. /.../ Eu não passei a a trabalhar só dentro do Programa não porque eu achei muito fraco. Então, assim, eu achei que se eu fosse trabalhar só dentro do do do Programa eu ia estar perdendo em qualidade (+) então aí eu adaptei as coisas mas não fiquei só em cima disso não. E:: (+) fiz bastante mudança mas utilizei muito /.../ (turno 6)
36. /.../ eu fiz minha apostila caminhando junto com o Programa, peguei alguma coisa mas acrescentei mais ainda do que / do que eu achava que ficou de fora. Que eu te falei, que eu acho que ficou um material bom (+) pra gente mas ele ainda tem mais coisa que a gente precisa. Não é só / a gente não pode ficar só naquilo ali, né?
48. /.../ Tem aquela questão / tem até uma questão de densidade, aquela do navio, que afundou, tererê, aquela tranqüilo, aquela eu dou mesmo, gosto dela. Dá pros meninos quebrar bem a cabeça, né?, pensar bem./.../
Esses fragmentos representam bem a natureza da interação dialógica que Sara estabelece com a nova proposta. É interessante salientar que Sara é a única dentre os professores entrevistados que possui, além da licenciatura, também o bacharelado em Química. Assumindo o princípio do alto nível no ensino da Química (uma faceta da voz da cultura escolar, incluindo-se aí a formação inicial), Sara critica o programa, mas admite que, fazendo adaptações e colagens, tem utilizado muito o seu material. Dá-se, assim, a apropriação; é como ela diz: “Fiz bastante mudança mas utilizei muito”. No turno 48, o alto nível aparece justificando a inclusão de atividades do programa em suas aulas. Mais ao final da entrevista, ela considera o material do programa muito restrito: sua percepção varia entre considerar que o Programa estaria fornecendo o material pronto para todo o Ensino Médio (assumindo uma posição passiva, receptora de material pronto) e considerar que o material do programa é só o indicativo de um modo de trabalhar, de modificar o ensino de Química (assumindo uma posição ativa que reelabora, avalia, adapta).
70. Sar: /.../ eu achei pouco assim é é você pegar uma turma com três aulas por semana, né?, cê vai trabalhar aquilo ali, aquelas apostilas, então você vai ficar com pouco material pra você trabalhar durante o ano todo, (+) não é? Então, assim, eu acho que que (+) vai passar (+) a quantidade de dias letivos, o seu material acaba e você não / o o / os dias letivos ainda estão lá. A gente não vai conseguir / só aquilo ali não, entendeu? Então, quer dizer, é / eu não sei se vem mais apostilas, eles falaram que iam mandar mais o restante das apostilas, não mandaram até hoje /.../
Identificar as críticas da professora Sara com a voz do alto nível não significa considerar pertinentes ou impertinentes todas as suas posições. Se há despreparo na condução do Programa é importante que isso seja mesmo denunciado pelos professores cursistas. Entretanto, em nossa percepção, essa voz (do alto nível) se coloca em uma posição refratária às possibilidades de articulação dos conteúdos químicos com outras temáticas da realidade.
Na percepção de Sara, o programa teria sido realizado com o objetivo de estruturar um currículo uniforme para todas as escolas: “A idéia eu acho que era essa, (+) todas as escolas do Estado elas partiriam prum currículo igual, não é” (turno 10). Sara tem uma percepção positiva dessa idéia e faz considerações sobre diferenças entre as turmas de uma mesma escola.
9. /.../ isso que você está identificando como ‘a idéia boa’, o quê que é isso? Que idéia é essa? 10. A idéia é o curso em si, entendeu? Você juntar pessoas da área e discutir o quê que vai ser dado, como (+) o currículo, para uniformizar o negócio, né? A idéia eu acho que era essa, (+) todas as escolas do Estado elas partiriam pra um currículo igual, não é. (+) Então que dali você ia / se o meu aluno vai sair daqui e vai estudar lá em São João, o primeiro semestre eu vejo uma uma determinada matéria, lá na / em São João ele também está tendo / o aluno de lá também está vendo aquilo, não é? É lógico que é com um enfoque diferente mas está dentro do do do que está sendo proposto. Então, essa idéia eu achei muito interessante, de de você pegar / UNIFORMIZAR, seria assim, tipo uniformizar, né? É lógico que a gente não consegue uniformizar bem porque até dentro de uma própria escola já tem turmas muito diferentes, mas pelo menos caminhar parecido, não é. Então essa idéia eu achei boa e de juntar as pessoas pra estudar isso.
É bastante curiosa essa percepção de Sara. O programa vem com uma multiplicidade de temas e abordagens, falando em regionalização e em flexibilidade para o professor, e Sara “ouve” uniformização curricular. Parece-nos que a voz da grade curricular, pré- determinada e rígida, foi a mediadora da compreensão que Sara construiu das proposições do programa.