I. BÖLÜM
2.2. İlköğretim Türkiye Cumhuriyeti İnkılâp Tarihi ve Atatürkçülük Dersinin Tarih
A professora Denise tem idade entre 40 e 50 anos, é casada e situa-se no grupo de professores que têm de 16 a 19 anos de experiência no magistério. Ela fez sua licenciatura em Química em uma faculdade particular. Ela tem um cargo efetivo no ensino fundamental em uma escola e atua como professora contratada em outra escola, ambas da rede estadual. Sua carga horária situa-se entre 18 e 36 aulas semanais e sua renda familiar é de cerca de dois salários mínimos por pessoa.
O discurso de Denise, semelhantemente ao da professora Elisa, mostra um posicionamento superficial em relação ao Programa. Como em Elisa, a apropriação do discurso do programa dá-se de um modo passivo e direto, ligado à possibilidade de reprodução ou de adaptação com seus alunos das atividades desenvolvidas no programa. Não há uma elaboração conceitual (pedagógica) sobre os princípios e/ou as concepções de ensino de Química que estiveram em jogo. O material impresso distribuído durante o programa e as lembranças das atividades desenvolvidas representam, com grande exterioridade, a voz da inovação no discurso de Denise.
4. Den: O material que foi usado até / na época que a gente fez o curso não foi utilizado todo o material não. Lá dentro da / do curso mesmo muitas apostilas ficaram sem ser vistas. Então eu trouxe muito material pra casa que (+) até sozinha está sendo difícil de compreender certas apostilas. Mas o que foi usado no curso foi bem aproveitado. Teve uma parte de ácidos, bases que não foi bem explicada, não teve uma aula pra isso.
Denise apresenta um tom de inferioridade em diferentes pontos da entrevista. Em oposição à sua voz de aluna fraca, apresenta-se a voz dos bons em Química. Se para ela o programa foi relevante, para eles “aquele ensino (+) era o que eles já sabiam, (+) entendeu?, então não teve nada de diferente.”
14. Do meu grupo, pra te falar a verdade, o meu grupo era / eram pessoas assim muito capacitadas, sabe, eu fiquei num grupo até como eu estava acabando de comentar ele era / assim pessoas muito capazes. Tinha engenheiro químico, entendeu?, pessoas que dão aula em faculdade, fora aula / particular, né?, ensino estadual, ainda davam aula em faculdade. Então eu me senti muito pequena perto deles, né? Porque eu só dou aula / essas aulas estaduais aqui nessas escolas, substituições, pego cinco, seis aulas por ano, então eu me senti muito pequena perto deles. Então, para eles, o meu grupo, para eles aquele ensino (+) era o que eles já sabiam, (+) entendeu?, então não teve nada de diferente. Mas pra mim eu consegui muita coisa diferente, eu gostei muito do curso.
No turno acima, Denise parece acreditar que a formação em Engenharia Química ou a docência em faculdade são condições suficientes para caracterizar um bom professor. Com essa percepção, Denise corrobora a opinião dos colegas que consideram pouco relevantes as questões tratadas no programa. Os conteúdos químicos – ou sua ausência - parecem qualificar/desqualificar o Programa e o que é um bom/mau ensino e um bom/mau professor de Química.
Prática versus teoria
A relação entre teoria e prática é tratada na forma de uma oposição em que Denise tem clara predileção pela “prática”. O componente “teórico” é desqualificado.
5. Mur: E do que / do quê que você gostou mais e do que você gostou menos lá no programa? 6. Den: Gostei mais da parte prática e (isso) sempre com a prática (+) mostra muito mais do que as teorias, né? Então a gente / o que a gente pôde sair de dentro da sala lá de aula (+), praticamente de explicação, foi ótimo. As partes práticas, visitas que fizemos, foi muito bom.
Algo bem semelhante aparece nas falas das professoras Elisa e Flávia. A ênfase no empírico aparece como um princípio que fundamenta as percepções e apreciações dessas professoras, expressas em seus discursos. Como fica bem evidenciado no turno 6, na compreensão de Denise, as atividades práticas têm o poder de ‘mostrar’ a Química e, pelo que parece, teoria é sinônimo de aula expositiva.
9. Mu: E assim, dessa / desse aspecto assim do que ficou do Programa pra você, do seu modo de pensar, do seu modo de trabalhar?
10. Den: O que ficou, o que eu gostei muito foi da visita ao supermercado, achei interessantíssimo, até tenho levado meus meninos, à medida do possível eu tenho adotado esse
sistema com meus alunos, /.../ E outra coisa que eu gostei muito foi de / assim, de ter estudado a importância do estanho, da gente ter ido lá naquela fábrica e olhado aquilo tudo e estudado essa importância. Então a gente tenta falar com os meninos mas longe da visualização que seria a fábrica, eles trabalhando com estanho, fica a desejar. Mas já é alguma coisa da gente mostrar um elemento químico e mostrar sua importância industrial, isso aí foi muito bom, sabe. Pena que a gente aqui não tenha essas condições, né?
O discurso de Denise organiza-se a partir de descrições de eventos tais como a visita ao supermercado e à fábrica de estanho. Sua concepção de prática, como a de outros professores entrevistados, inclui experimentos em laboratório e atividades extra-classe, envolvendo observação de materiais e de processos químicos, como nas visitas citadas. É ausente uma consideração conceitual mais elaborada acerca das abordagens desenvolvidas ao longo do Programa.
4.1.1.10. Professora Alessandra: a idéia é boa, mas os alunos são fracos e as escolas