D. TÜRKÇEDE KELİME GRUPLARI 1. TEKRAR GRUBU (İkilemeler)
12. KISALTMA GRUPLARI
Localizamos ainda nos artigos selecionados os materiais e recursos didáticos mais utilizados nas atividades direcionadas ao aprimoramento das habilidades de comunicação científica. Os principais recursos dessa natureza foram: (a) artigos científicos originais disponíveis na literatura; (b) livros ou manuais sobre comunicação científica; (c) materiais sobre comunicação científica elaborados para a disciplina ou atividade; (d) textos de divulgação científica; (e) bases de dados para pesquisa bibliográfica; e (f) softwares. Aqui, também é importante esclarecer que, apesar de discutirmos cada um desses recursos de forma isolada, em geral, vários recursos foram empregados dentro de uma mesma atividade didática. A Tabela 1.8 indica os artigos selecionados do JCE, do JCST e do CE que citam a utilização dos referidos recursos didáticos.
TABELA 1.8 – Principais materiais e recursos didáticos empregados nas atividades relacionadas à comunicação científica relatadas nos artigos selecionados do Journal of Chemical Education (JCE), do Journal of College Science Teaching (JCST) e do The Chemical Educator (CE).
Materiais e recursos
didáticos usados Nº dos artigos do JCE Nº dos artigos do JCST
Nº de artigos do CE a) Artigos científicos originais disponíveis na literatura 2, 7, 8, 9, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 21, 22, 29, 30, 32, 33, 34, 35, 38, 39, 40, 42, 44, 45, 47, 50, 51, 52, 53, 56, 57, 58, 62, 65 1, 2, 3, 4, 8, 12, 15, 16, 17, 21, 23, 24, 25, 28, 29, 31, 32, 35, 41 2, 4, 5
b) Livros ou manuais sobre comunicação científica 4, 7, 9, 16, 17, 20, 21, 29, 32, 34, 39, 40, 42, 44, 45, 61, 63 2, 11, 15, 16, 20, 21, 24, 26, 27, 33, 34, 38, 40 - c) Materiais sobre comunicação científica elaborados para a disciplina ou atividade 1, 2, 3, 4, 5, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 14, 16, 17, 24, 27, 28, 30, 31, 32, 34, 37, 39, 42, 45, 46, 48, 49, 50, 58, 60, 63, 65 1, 4, 5, 6, 7, 8, 10, 14, 15, 16, 17, 18, 21, 23, 24, 25, 26, 30, 31, 35, 36, 43 1, 3, 5 d) Textos de divulgação científica 12, 16, 55, 62 21, 24, 32, 39 -
e) Bases de dados para pesquisa bibliográfica 2, 3, 7, 8, 10, 13, 16, 17, 18, 21, 22, 23, 28, 30, 32, 33, 34, 35, 36, 39, 40, 44, 45, 47, 49, 50, 52, 54, 58, 59, 63, 64 2, 3, 8, 17, 24, 31, 36, 38, 41, 44 1, 5 f) Softwares 1, 6, 7, 13, 17, 24, 32, 34, 35, 36, 39, 53 5, 9, 13, 16, 17, 24, 26 -
Na Figura 1.5 apresentamos a distribuição percentual dos artigos de acordo com os recursos e com a revista pesquisada. Dentre todos os materiais empregados nas
atividades, os artigos científicos originais foram os mais citados (51,8%), uma vez que servem de suporte, direta ou indiretamente, às diversas estratégias didáticas (pesquisa na literatura, leitura e interpretação de textos científicos, produção de textos científicos etc.) e aos mais variados objetivos relacionados à comunicação científica (desenvolvimento da escrita científica, pensamento crítico, familiarização com as práticas da ciência etc.).
Os seguintes critérios são usualmente adotados pelos autores na seleção dos artigos científicos e se relacionam aos próprios objetivos da atividade didática: artigos razoavelmente curtos, bem redigidos, com linguagem simples e contendo tópicos ou assuntos que sejam interessantes para os estudantes, sobretudo quando estes ainda não têm familiaridade com a leitura de tais textos; contêm informações estatísticas que possibilitem aos estudantes analisar os dados obtidos; apresentam tópicos que façam parte do currículo do curso (ROECKER, 2007). Forest e Raine (2009) também destacam a importância de se escolher artigos científicos que não sejam muito complexos e que, além de apresentarem assuntos relevantes para os estudantes e para os objetivos da atividade a ser desenvolvida, reportem resultados de trabalhos experimentais no formato típico da literatura primária.
FIGURA 1.5 – Distribuição percentual total (n=114) dos artigos selecionados do Journal of Chemical Education (JCE), do Journal of College Science Teaching (JCST) e do The Chemical Educator (CE) de acordo com os materiais e recursos didáticos empregados nas atividades relacionadas à comunicação científica.
0 10 20 30 40 50 60 [a] Artigos científicos originais disponíveis na
literatura
[b] Livros ou manuais sobre comunicação científica
[c] Materiais sobre comunicação científica elaborados para a disciplina ou atividade
[d] Textos de divulgação científica [e] Bases de dados para pesquisa bibliográfica [f] Softwares % R e cu rso s u ti li za d o s JCE JCST CE
Embora os artigos selecionados para as atividades sejam geralmente trabalhos publicados recentemente, identificamos atividades que utilizaram tanto artigos atuais quanto artigos clássicos (trabalhos que foram emblemáticos na divulgação de um novo método ou teoria), com o intuito de levar os estudantes a explorar as diferenças entre esses dois tipos de textos e a compreender aspectos da construção do conhecimento científico (LEVINE, 2001). Com o intuito de discutir aspectos da construção do conhecimento científico, foram também selecionados artigos científicos com posicionamentos distintos frente a um mesmo assunto (CHOE; DRENANN, 2001).
Os materiais didáticos elaborados especificamente para a disciplina ou atividade foram o segundo recurso mais utilizado nas atividades direcionadas ao aprimoramento da comunicação científica (50,0%). Alguns desses materiais são recortes de artigos científicos que são fornecidos aos alunos no intuito de destacar algum aspecto da escrita científica. No trabalho de McClure (2009), por exemplo, foi produzido e entregue aos estudantes um manual contendo uma descrição detalhada de cada seção de um trabalho de natureza científica. Em cada parte desse material são incluídos exemplos de textos científicos, seguidos de atividades nas quais os estudantes são estimulados a analisá-los e a responder questões sobre a parte do texto em foco. Para auxiliar os alunos a formularem questões que precisam ser respondidas no processo da escrita científica, Carlson (2007) elaborou para os alunos uma ferramenta apresentando diversas questões – “o que você fez?”, “onde?”, “como?”, “quando?”, “por quê?”, “o que você encontrou?” – seguidas de exemplos extraídos de textos científicos que as respondem.
Localizamos também nesta categoria uma grande variedade de materiais didáticos que são produzidos e implementados para as mais distintas finalidades, tais como: manuais para a redação de relatórios de laboratórios e para produção de painéis científicos (HOLLENBECK et al., 2006); exercícios para a realização de buscas de informações em diversas fontes de pesquisa na literatura (MANGURIAN et al., 2001); exercícios relacionados aos uso correto de citações bibliográficas e ao plágio na escrita científica e outros envolvendo a adequação da linguagem ao tipo de audiência (FELDMAN; ANDERSON; MANGURIAN, 2001); material contendo recortes de artigos e questões direcionadas à análise da estrutura e linguagem de diversas seções do texto científicos (ROBINSON et al., 2009); guia para orientar os alunos na leitura e análise crítica de artigos científicos e
produção de resumo sobre o mesmo (JANICK-BUCKNER, 1997); questionários para avaliação intragrupal (HENDERSON; BUISING, 2000); materiais abordando aspectos sobre a dinâmica das publicações científica e o processo de peer review (FOREST; RAINE, 2009). É também bastante frequente o uso de guias ou checklist detalhando todos os aspectos a serem usados na avaliação dos trabalhos, os quais são entregues aos alunos no sentido de orientar a realização das tarefas propostas (EVERETT; LUERA; OTTO, 2008; FELZIEN; COOPER, 2005; FOOTE; FITZPATRICK, 2004; OLIVER-HOYO, 2003; SHANE, 2008).
Outro recurso didático também bastante empregado nas atividades didáticas foram as bases de dados para pesquisa de informações na literatura científica (38,7%). Na área de química, por exemplo, foram utilizadas tanto fontes de pesquisa impressas, como os tradicionais Chemical Abstracts (CURRANO, 2005; GALLAGHER; ADAMS, 2002), quanto sua versão online, o Scifinder Scholar (CARPENTER; PAPPENFUS, 2009; SOMERVILLE; CARDINAL, 2003). Várias bases de dados para pesquisa de artigos em periódicos científicos também foram utilizadas nas atividades didáticas, como PubMed, MathSciNet, Medline, ISI Web of
Science, dentre outras. Materiais disponíveis na biblioteca da faculdade e/ou departamento
foram ainda empregados como fonte de pesquisa de informação para as diversas tarefas solicitadas aos estudantes (CURRANO, 2005).
Alguns livros e/ou manuais publicados na literatura que abordam diversos aspectos relacionados à comunicação científica foram adotados pelos autores nas atividades didáticas (26,3%). Nas atividades descritas por Schepman e Hughes (2006) são utilizados livros como A Short Guide to Writing About Chemistry1, o qual descreve de forma simples e concisa como realizar pesquisa bibliográfica, ler e resumir artigos científicos, escrever propostas de pesquisas ou revisão da literatura e preparar apresentações orais. O livro
Dazzle ‘em with Style: the art of oral scientific presentation2 foi usado por Meyer (2003) para
discutir com os alunos aspectos sobre a fala e a estrutura de apresentações orais. Foram também empregados manuais publicados por universidades, como o Review of Literature3 produzido pela University of Wisconsin-Madison, o qual descreve várias bases de dados para pesquisa de informações na literatura, bem como estratégias para buscas de textos (WIDANSKI; COURTRIGHT-NASH, 2006).
1 BEAL, H.; TRIMBUR, J. A Short Guide to Writing About Chemistry. New York: 2001. 2
ANHOLT, R.R.H. Dazzle ‘em with Style: the art of oral scientific presentation. New York: W. H. Freeman and Company, 1994.
3 UNIVERSITY OF WISCONSIN. Madison’s Writing Center Home Page. Disponível em:
Outro livro adotado pelos autores é o The ACS Style Guide4, geralmente empregado nas atividades para orientar os estudantes em diversos aspectos da produção e apresentação de trabalhos científicos. Este material, publicado pela American Chemical
Society, é utilizado com bastante frequência nas atividades didáticas analisadas nesta revisão
(CARDINAL, 2003; CARPENTER; PAPPENFUS, 2009; ROBINSON et al., 2009; SCHILDCROUT, 2002; SOMERVILLE). As discussões sobre ética na ciência são geralmente implementadas em sala de aula a partir da leitura e discussão de alguns estudos de casos envolvendo dilemas éticos descritos no livro On Being a Scientist: responsible conduct in research5 (MANGURIAN et al., 2001). Além desses dois materiais, Mabrouk (2001) utiliza também em suas atividades didáticas o Scientific Papers and Presentations6 para orientar os estudantes na produção de textos e apresentações orais de natureza científica, bem como outros materiais voltados à formação profissional dos estudantes, tais como Targeting the Job Market, Tips on Resume
Preparation e The Interview Handbook7.
Para auxiliar os estudantes na compreensão de vários aspectos inerentes à pesquisa científica, Fielzen e Cooper (2005) adotaram o livro The Transformed Cell: unlocking
the mysteries of cancer8, dividido em cinco partes que exemplificam as etapas de uma investigação científica: a primeira parte (The Puzzle) demonstra que algumas questões surgem de observações; a segunda parte (Five Ifs and Thens) apresenta a elaboração e verificação de hipóteses; a terceira (Pursuit) trata de testes adicionais a partir de hipóteses surgidas frente aos sucessos e falhas da pesquisa; a quarta (The End of the Begining) comenta como os resultados de pesquisa são divulgados tanto ao público quanto à comunidade científica; e a parte cinco (A New Direction) demonstra reavaliações dos trabalhos experimentais e como as tecnologias têm afetado essas tarefas. Questões sobre a escrita científica e seu processo de avaliação são discutidas com os estudantes a partir de tópicos abordados no livro Writing with Consequence: what writing does in the disciplines9 (WIDANSKI; COURTRIGHT-NASH, 2006).
4 DODD, J.S. (Ed.). The ACS Style Guide. American Chemical Society: Washington, 1997. 5
NATIONAL SCIENCE FOUNDATION. On Being a Scientist: responsible conduct in research. Washington: National Academy Press, 1995.
6 DAVIS, M. Scientific Papers and Presentations. San Diego: Academic, 1997. 7
Material não está indicado na lista de referências do artigo.
8 ROSENBERG, S.A.; BARRY, J.M. The Transformed Cell: unlocking the mysteries of cancer. New York: G.P.
Putnam and sons, 1992.
9
Alguns softwares também foram utilizados nas atividades voltadas ao aprimoramento da comunicação científica (16,6%). Nesta categoria, os mais frequentes foram aqueles empregados para auxiliar os alunos na elaboração de painéis e/ou slides para apresentações orais, tais como o Power Point ou ISIS/Draw (HENDERSON, 2010; MEYER, 2003). Foram também utilizados softwares para elaboração de gráficos, como o
KaleidaGraph (FOOTE; FITZPATRICK, 2004), bem como para a construção de estruturas
químicas, como o ChemDraw (CARPENTER; PAPPENFUS, 2009; HOLLENBECK et al., 2006). Tais softwares servem, em geral, apenas como suporte às atividades didáticas. Outros, no entanto, representam o ponto central das tarefas relacionadas à comunicação científica. Um exemplo desta natureza são as wikis – softwares colaborativos que permitem aos usuários editar livremente documentos (MOY et al., 2010). No trabalho de Elliot III e Fraiman (2010) os estudantes elaboraram relatórios de laboratório de forma colaborativa em um espaço virtual denominado Chem-Wiki. O uso deste tipo de recurso na elaboração de textos, segundo os autores, traz uma série de vantagens em relação produção de relatório de laboratório no modo tradicional: enquanto os relatórios tradicionais produzidos no padrão de artigos científicos são unidirecionais, os relatórios apresentados nas wikis possibilitam ao estudante ler, escrever e aprofundar as informações de forma não linear, criando e/ou acessando os hiperlinks de seu interesse; ao contrário dos relatórios tradicionais que geralmente não são revisados continuamente pelos estudantes, nas wikis os
hiperlinks podem ser criados e/ou editados ao longo do semestre, em um processo que
permite aos estudantes aprimorarem gradualmente seus conhecimentos científicos e sua escrita científica; as wikis, ao mesmo tempo que favorecem o trabalho colaborativo entre os estudantes, não requerem a necessidade do grupo se reunir em um mesmo tempo e espaço e, dessa forma, o trabalho em grupo ultrapassa o ambiente do laboratório; por meio da wiki, o professor pode acompanhar o processo de produção do texto, observar os erros dos estudantes e redirecionar o trabalho em grupo; o professor pode também observar quais componentes do grupo efetivamente participaram da elaboração do relatório.
Outro software utilizado para o aprimoramento da comunicação científica é o
Calibrated Peer Review, o qual fornece ferramentas que auxiliam o estudante tanto no
desenvolvimento da escrita científica quanto do pensamento crítico. Este é um software
online no qual os estudantes produzem e inserem seu texto (fase de submissão), realizam
sua nota com aquela fornecida pelo professor (fase de calibração). Na etapa seguinte os estudantes avaliam os trabalhos uns dos outros com base nas orientações presentes no
software (fase de peer review) e, por fim, revisam seu trabalho a partir do resultado da
avaliação realizada pelos colegas (fase de autoavaliação) (REYNOLDS; MOSKOVITZ, 2008; WALVOORD et al., 2008).
Por fim, embora em menor frequência, os textos de divulgação científica também foram empregados nas atividades didáticas (7,0%). Nas atividades descritas por Sivey e Lee (2008), citadas anteriormente, foram utilizados tanto artigos publicados em revistas de divulgação científica quanto artigos científicos originais. Além dos textos publicados em revistas de divulgação científica, algumas atividades empregaram também jornais voltados para o grande público (McMILLAN; HUERTA, 2002; WALCZAK, 2007).
Com relação aos materiais e recursos didáticos adotados nas atividades, verificamos que a maioria é empregada como subsídio às tarefas de escrita científica. Assim, muitos dos artigos científicos da área, livros ou materiais didáticos elaborados e/ou adotados na aplicação das atividades são adotados no sentido de fornecer aos estudantes orientações sobre a organização geral de trabalhos de natureza científica.
Cabe destacar que a dinâmica de produção do conhecimento, as questões éticas da pesquisa e o processo de peer review são alguns assuntos que também foram levados em conta na seleção de alguns materiais didáticos adotados nas atividades. Dessa forma, percebemos que estes autores reconhecem a importância do estudante vir a compreender outros aspectos da comunicação científica que não somente sua organização textual. Conforme Zucco, Pessine e Andrade (1999) “ter uma visão crítica com relação ao papel social da Ciência, a sua natureza epistemológica, compreendendo o seu processo histórico-social de construção” (p.548) é uma das habilidades essenciais na formação dos graduandos em química. Dessa forma, acreditamos que os materiais didáticos nos quais são abordadas diversas questões relacionadas à comunicação científica, ressaltando seu papel no processo de construção da ciência, podem contribuir no aprimoramento de tal habilidade.