D. TÜRKÇEDE KELİME GRUPLARI 1. TEKRAR GRUBU (İkilemeler)
15. ZARF-FİİL (GERUNDİUM) GRUBU
15.1. Araştırmacıların Zarf-Fiil Grubu İle İlgili Görüşleri:
Para analisarmos com mais detalhes o cenário nacional no que diz respeito às ações que têm sido implementadas em sala de aula com o propósito de aprimorar as
habilidades de comunicação científica dos estudantes de graduação em cursos de ciências, fizemos uma busca por trabalhos dessa natureza nos periódicos classificados nos estratos A1, A2, B1 e B2 pelo programa Qualis da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) para a área de Ensino de Ciências e Matemática no ano de 2008 (CAPES, 2011). Estes periódicos estão listados no Anexo A. A revista Química Nova, embora classificada no estrato B3 para a referida área, foi incluída em nossa pesquisa pelo fato de conter a seção Educação na qual são publicados “trabalhos de pesquisas relacionadas ao ensino de química e divulgação de experiências inovadoras no ensino de graduação e pós- graduação” (SBQ, 2011). Em cada periódico, a busca foi realizada em todos os volumes disponíveis na Internet.
Analisamos também os trabalhos completos apresentados em todas as edições do Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC), no período de 1997 a 2009. Ademais, realizamos um levantamento bibliográfico dos trabalhos apresentados nos Encontros Nacionais de Ensino de Química (ENEQs), realizados nos anos de 2006 a 2010. Cabe destacar que analisamos somente os trabalhos completos, os quais passaram a ser passíveis de submissão neste evento apenas a partir de 2006.
Nessa pesquisa, foram localizados apenas onze trabalhos, os quais estão listados na Tabela 1.10. Percebe-se, portanto, que são escassas as informações disponíveis na literatura nacional da área de ensino de ciências no que diz respeito às pesquisas e relatos de experiências direcionadas ao aprimoramento da linguagem científica de estudantes de graduação. Com isso, pouco sabemos sobre as ações que têm sido, de fato, empregadas nas instituições de ensino superior brasileiras no sentido de aprimorar tais habilidades.
Esse fato nos remete ao seguinte questionamento: qual espaço tem sido concedido à linguagem científica no currículo de química do ensino superior? A resposta a essa questão certamente carece de pesquisas mais detalhadas sobre os currículos e ementas de disciplinas dos cursos de ciências no ensino superior. No entanto, um estudo realizado por Queiroz e Sá (2009) em uma universidade pública brasileira, embora não diretamente ligado à comunicação científica, nos permite fazer algumas inferências sobre tais aspectos. Os autores investigaram o espaço oferecido para o desenvolvimento de habilidades de argumentação em salas de aula e laboratórios didáticos em um curso universitário de química. Os resultados da pesquisa revelaram que, em geral, sobretudo nas disciplinas
teóricas e experimentais da área de química, os estudantes não costumam realizar atividades abertas com papel e lápis, nas quais estejam envolvidos em trabalho criativo ou reflexivo. Também são raras nessas disciplinas as discussões formais entre grupos de alunos como meio de aprimorar suas habilidades argumentativas e de expressão oral. Esses dados sugerem, portanto, que a comunicação científica parece não ser objeto de atenção por parte dos professores de química do ensino superior.
TABELA 1.10 – Trabalhos localizados no âmbito nacional que reportam atividades didáticas aplicadas em cursos de ciências do ensino superior no sentido de aprimorar as habilidades de comunicação científica dos graduandos, em ordem cronológica.
Nº REFERÊNCIA DO TRABALHO
1 LUZ JR., G.E.; SOUSA, S.A.; MOITA, G.C. e MOITA NETO, J.M. Química Geral Experimental: uma nova abordagem didática. Química Nova, v. 27, p.164-168, 2004.
2
SANTOS, G. R. e QUEIROZ, S. L.O papel da leitura e discussão de artigos científicos no
favorecimento da compreensão dos alunos sobre a natureza da ciência: um estudo Preliminar.
Atas do V ENPEC, 2005.
3 OLIVEIRA, J.R.S. e QUEIROZ, S.L. O desenvolvimento de habilidades de comunicação científica em disciplinas de cursos de graduação em química. Atas do V ENPEC, 2005.
4 SANTOS, G. R.; SÁ, L. P. e QUEIROZ, S. L. Uso de artigos científicos em uma disciplina de Fisico- Química. Química Nova, v. 29, p.1121-1128, 2006.
5 SANTOS, G. R. e QUEIROZ, S. L. Leitura e interpretação de artigos científicos por alunos de graduação em química. Ciência & Educação, v.13, p.193-209, 2007.
6 MASSI, L.; SANTOS, G.R.; FERREIRA, J.Q. e QUEIROZ, S.L. Artigo científico como recurso didático no ensino superior de química. Química Nova, v. 32, p.503-510, 2009.
7
BRITTO, R.M.GM.; BASTOS, H.F.B.N. e FERREIRA, H.F. A análise de uma sequência de ensino- aprendizagem estruturada para auxilar o desenvolvimento de habilidades de comunicação científica. Atas do VI ENPEC, 2009.
8
OLIVEIRA, J.R.S.; BATISTA, A.A. e QUEIROZ, S.L. Modelo de argumentação como ferramenta para análise da qualidade da escrita científica de alunos de graduação em química. Atas do VI ENPEC, 2009.
9 OLIVEIRA, J.R.S.; BATISTA, A.A. e QUEIROZ, S.L. Escrita científica de alunos de graduação em química: análise de relatórios de laboratório. Química Nova, v.33, p.1980-1986, 2010. 10
OLIVEIRA, J.R.S.; PORTO, A.L.M. e QUEIROZ, S.L. Peer review no ensino superior de química: investigando aspectos estruturais e retóricos da linguagem científica valorizados pelos estudantes. Anais do XV ENEQ, 2010.
11 OLIVEIRA, J.R.S. e QUEIROZ, S.L. A retórica da linguagem científica em atividades didáticas no ensino superior de química. Alexandria, v. 4, p.89-115, 2011.
Ao analisarmos o contexto no qual foram aplicadas as atividades didáticas descritas nas publicações nacionais, observamos que quatro delas (trabalhos 2, 3, 5 e 6) foram implementadas em disciplinas especificamente direcionadas ao aprimoramento da comunicação científica. São elas as disciplinas de Comunicação e Expressão em Linguagem Científica I e Comunicação e Expressão em Linguagem Científica II, oferecidas desde 2004 no Curso de Bacharelado em Química do Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da
Universidade de São Paulo (USP). Na primeira, as atividades propostas visam desenvolver nos alunos a capacidade de realização de pesquisas bibliográficas, o reconhecimento das principais tipos de textos científicos e suas seções típicas, bem como o aprimoramento da escrita em linguagem científica. A disciplina Comunicação e Expressão em Linguagem Científica II tem entre os seus objetivos principais familiarizar os estudantes com as práticas de leitura e interpretação de artigos científicos e com a apresentação oral de trabalhos científicos, bem como aprofundar os assuntos abordados na disciplina que a antecede (OLIVEIRA; QUEIROZ, 2005). Até então, não temos disponíveis na literatura nacional relatos de outras disciplinas dessa natureza no ensino superior de cursos de química, física ou biologia.
Os demais trabalhos localizados descrevem atividades didáticas aplicadas em disciplinas tradicionais dos cursos de ciências. Luz Jr. et al. (2004) relatam as atividades desenvolvidas na disciplina Química Geral Experimental, oferecida pela Universidade Federal do Piauí aos cursos de Bacharelado e Licenciatura em Química, cujas diretrizes também apontam para aspectos relacionados à escrita científica. No trabalho de Santos, Sá e Queiroz (2006) são descritas atividades pautadas no uso da literatura primária em uma disciplina de Físico-Química do Curso de Bacharelado em Química do IQSC/USP. Também foram aplicadas propostas envolvendo a apropriação da linguagem científica em disciplinas da área de química orgânica (OLIVEIRA; PORTO; QUEIROZ, 2010; OLIVEIRA; QUEIROZ, 2011) e da área de química de coordenação (OLIVEIRA; BATISTA; QUEIROZ, 2009, 2010), ambas oferecidas a estudantes de cursos de Bacharelado em Química. Britto, Bastos e Ferreira (2009) relatam a aplicação de várias atividades dessa natureza estruturadas ao longo da disciplina de Estágio Supervisionado oferecida a estudantes do curso de Licenciatura em Biologia.
Esses dados revelam que a maioria das experiências relacionadas ao aprimoramento das habilidades de comunicação científica, promovidas no ensino superior de cursos de ciências, é implementada juntamente com outras atividades de disciplinas tradicionais do curso, e não em disciplinas ou projetos unicamente criados para desenvolver tais habilidades. Como ressaltamos anteriormente, há vantagens e desvantagens em ambos os contextos de aplicação de atividades dessa natureza. É necessário, porém, sobretudo no contexto nacional, oferecer aos estudantes mais espaços nos quais possam aprimorar as referidas habilidades.
Os objetivos citados nos trabalhos nacionais também não diferem muito daqueles observados no contexto internacional. Nas propostas didáticas aplicadas em disciplina específica sobre comunicação científica, os autores intencionam desenvolver nos estudantes, por exemplo, habilidades de localização de artigos científicos e reconhecimento de suas características peculiares (MASSI et al., 2009), bem como a produção e apresentação de trabalhos de natureza científica, como painéis e seminários (OLIVEIRA; QUEIROZ, 2005). Outros trabalhos abarcam objetivos como aprimorar a capacidade de leitura crítica e compreender papel da literatura científica no processo de construção da ciência (SANTOS; QUEIROZ, 2005, 2007).
As propostas desenvolvidas em disciplinas não específicas para a comunicação científica contemplam também alguns dos objetivos mencionados anteriormente e outros como: saber redigir corretamente os projetos e resultados de pesquisa em textos científicos; saber interpretar e utilizar as diferentes formas de representação (tabelas, gráficos) (LUZ JR. et al., 2004); desenvolver habilidade específica de pesquisa e análise da confiabilidade de informações presentes em sites de busca (BRITTO; BASTOS; FERREIRA, 2009); desenvolver nos estudantes de graduação habilidades de compreensão e identificação de estratégias retóricas em textos científicos (OLIVEIRA; QUEIROZ, 2011).
Ao identificarmos os conteúdos que têm sido abordados nos trabalhos relatados na literatura nacional, verificamos que diversos assuntos são discutidos em sala de aula com os alunos, tais como: as várias formas de comunicação do conhecimento científico; os principais tipos de artigos científicos e suas características peculiares; as fontes de informação em ciência; elaboração de painéis e apresentações orais (MASSI et al., 2009; OLIVEIRA; QUEIROZ, 2005); a estrutura dos relatórios de laboratório (LUZ JR. et al., 2004; OLIVEIRA; BATISTA; QUEIROZ, 2010); e os aspectos retóricos e subjetivos do texto científico (OLIVEIRA; QUEIROZ, 2011). Esses trabalhos reforçam a importância materiais didáticos que possam fornecer subsídios aos alunos e professores na execução de tarefas dessa natureza. Cabe lembrar que a abordagem de conteúdos como os mencionados acima parece não ser comum nos cursos de graduação em química (OLIVEIRA; QUEIROZ, 2008).
Ao compararmos tais abordagens com aquelas presentes nos artigos internacionais, observamos que, em geral, são bem semelhantes. As questões éticas relacionadas à comunicação científica, no entanto, não foram abordadas de forma mais enfática com os estudantes nos trabalhos nacionais, o que representa um importante campo
a ser explorado dentro dos currículos dos cursos de graduação, bem como nas pesquisas na área de ensino de ciências.
Com relação às estratégias didáticas, muitas daquelas citadas nos trabalhos internacionais também foram empregadas pelos autores nas atividades relatadas na literatura nacional. A pesquisa de textos científicos na literatura, bem como sua leitura e interpretação, foram estratégias usadas, direta ou indiretamente, em quase todos os trabalhos. Em alguns casos, foram elaboradas tarefas específicas para a aplicação de estratégias dessa natureza (BRITTO; BASTOS; FERREIRA, 2009; OLIVEIRA; QUEIROZ, 2005; SANTOS; QUEIROZ, 2005). Em outros relatos observamos a aplicação de atividades – como a redação de textos científicos, por exemplo – cuja execução requeria do aluno a realização de pesquisas de textos científicos na literatura e sua posterior leitura e interpretação (LUZ JR. et al., 2004; OLIVEIRA; BATISTA; QUEIROZ, 2009).
Também foi observada a aplicação de estratégias envolvendo a redação de textos de natureza científica, como relatórios em formato de artigo científico (LUZ JR. et al., 2004; OLIVEIRA; BATISTA; QUEIROZ, 2009). Nos trabalhos de Santos e Queiroz (2007) e Massi et al. (2009) foram empregadas estratégias de elaboração e apresentação de painéis e a produção de um texto a partir dos conteúdos presentes em um artigo científico da área de química. A estratégia de realização de apresentações orais foi adotada tanto em disciplinas específicas sobre comunicação científica (OLIVEIRA; QUEIROZ, 2005) quanto em disciplinas tradicionais dos cursos de ciências (BRITTO; BASTOS; FERREIRA, 2009). Apenas um trabalho reportou a aplicação de estratégia e peer review (OLIVEIRA; PORTO; QUEIROZ, 2010) e em quase todos eles foram realizados trabalhos em grupo.
Quando analisamos os materiais e recursos didáticos empregados nos trabalhos reportados na literatura nacional, observamos que os mais frequentes são os artigos científicos da área e as bases de dados para pesquisa de trabalhos científicos (LUZ JR. et al., 2004; MASSI et al., 2009; OLIVEIRA; QUEIROZ, 2005; SANTOS; QUEIROZ, 2005). São também empregados materiais didáticos elaborados para as atividades relacionadas à comunicação científica, como aqueles que fornecem orientações sobre a estrutura de relatórios de laboratório (LUZ JR. et al., 2004; OLIVEIRA; BATISTA; QUEIROZ, 2010) ou que discutem aspectos retóricos do texto científico (OLIVEIRA; QUEIROZ, 2011). Softwares ou textos de divulgação científica, ainda que timidamente, também têm sido empregados em algumas atividades didáticas (OLIVEIRA; QUEIROZ, 2005).
Quanto à utilização de livros ou manuais sobre comunicação científica, uma única publicação tem sido citada em alguns dos trabalhos selecionados: o livro Comunicação
e linguagem científica: guia para estudantes de química (OLIVEIRA; QUEIROZ, 2007b). Cabe
destacar que este, assim como outros livros ou manuais de redação científica direcionados a estudantes de graduação das áreas de ciências (CYRANKA; SOUZA, 2004; SPECTOR, 2001), priorizam tópicos que tratam de características estruturais, tais como a organização do texto em seções típicas, padronização de citações e referências, apresentação de tabelas e gráficos etc. Em alguns casos, esses materiais procuram também auxiliá-los na compreensão de algumas das características da linguagem científica que são mais aceitas e recomendadas pela comunidade científica, como a impessoalidade, clareza, continuidade e uso dos tempos verbais nos textos científicos (ABRAHAMSOHN, 2004; OLIVEIRA; QUEIROZ, 2007b).
Quando comparamos esses dados com aqueles descritos na pesquisa realizada em âmbito internacional, verificamos que neste último os autores empregam uma variedade bem maior de materiais, especialmente no que diz respeito a livros sobre comunicação científica direcionados a estudantes de graduação. No Brasil, a pouca utilização dos referidos materiais pode ser decorrente da escassez de livros publicados dentro dessa temática ou do pouco conhecimento que os professores têm sobre os mesmos e sobre a importância de utilizá-los como suporte às atividades didáticas.
De forma semelhante ao observado nos artigos internacionais, nem todos os trabalhos nacionais trazem relatos dos estudantes sobre as atividades aplicadas. Dentre os artigos que as apresentaram, verificamos que os estudantes também compreendem a importância de tais atividades como suporte para a sua vida profissional (na função de químico/biólogo ou em uma carreira acadêmica) e para as atividades realizadas durante o curso de graduação (pesquisas bibliográficas, trabalhos no formato escrito e oral etc.) (MASSI et al., 2009; BRITTO; BASTOS; FERREIRA, 2009). Os estudantes destacam ainda que as atividades com os textos científicos podem auxiliá-los na aprendizagem de conceitos científicos (SANTOS; SÁ; QUEIROZ, 2006).
A análise geral dos trabalhos que reportam atividades direcionadas ao aprimoramento das habilidades de comunicação evidencia, portanto, a marcante diferença no número publicações sobre o tema localizadas nos contextos nacionais e internacionais: no Brasil, ainda são raras as iniciativas dessa natureza, o que revela um amplo espaço para
pesquisas que venham a contribuir com a melhoria da formação dos estudantes de cursos de ciências no que tange à apropriação da linguagem científica.
Além disso, quando contrapomos as características observadas nos trabalhos localizados na literatura nacional com aqueles analisados no âmbito internacional, verificamos que os objetivos, conteúdos e estratégias adotados em ambos são em geral semelhantes. Os recursos didáticos utilizados nos trabalhos internacionais, no entanto, são mais diversificados. Conforme discutimos anteriormente, a ênfase dada à pesquisa bibliográfica, leitura interpretação e produção de trabalhos de natureza científica nos artigos analisados indica que aspectos da comunicação científica são valorizados dentro da comunidade científica e, possivelmente por esse motivo, são transpostos para os ambientes de ensino. Tomando como base a ideia de que apropriar-se da linguagem científica implica saber usar adequadamente a mesma linguagem empregada pelos demais membros dessa comunidade (LEMKE, 2007), consideramos importante propiciar aos estudantes recursos e estratégias nos quais possam aprimorar essas habilidades.
Ressaltamos, no entanto, que ainda são poucos os trabalhos que se preocupam em discutir com os estudantes o papel da comunicação científica no desenvolvimento da ciência, bem como as questões éticas envolvendo as atividades de pesquisa e sua divulgação entre os pares. Além disso, poucos são os trabalhos, tanto no âmbito nacional quanto internacional, nos quais as características retóricas da linguagem científica tenham sido objeto de discussão no contexto de disciplinas do ensino superior de ciências, tampouco a produção e aplicação de materiais didáticos que auxiliem os alunos de química na compreensão de tais aspectos, o que evidencia, portanto, um campo a ser explorado dentro das investigações na área de ensino de ciências.
Este cenário revelou, portanto, algumas lacunas, sobretudo no contexto nacional, nas quais a presente tese se insere. Assim, a necessidade de trabalhos que possam auxiliar os estudantes e professores de química do ensino superior no que tange, respectivamente, à elaboração e avaliação de textos científicos, bem como a importância de introduzir no contexto da sala de aula de cursos universitários de ciêncais discussões sobre aspectos retóricos da linguagem científica, direcionaram alguns de nossos objetivos de pesquisa, os quais descrevemos no capítulo a seguir.
2.
OBJETIVOS
Este trabalho teve como objetivos principais elaborar e aplicar uma ferramenta – o Mapa de Caracterização do Texto Científico – que possa auxiliar os estudantes no reconhecimento das características estruturais e retóricas da linguagem científica, bem como investigar o seu funcionamento como facilitador no aprimoramento da escrita científica de estudantes de graduação em química e como ferramenta de análise de textos científicos.
Para tanto, buscamos identificar em referenciais teóricos aspectos estruturais e retóricos que caracterizam a linguagem científica. A partir dessa caracterização, produzimos materiais didáticos que podem auxiliar os estudantes de graduação em química na compreensão e produção de textos de natureza científica, bem como elaboramos um Mapa de Caracterização do Texto Científico Preliminar e as categorias de análise dos textos de estudantes produzidos em turmas nas quais foram aplicados os referidos materiais. Dessa forma, investigamos como os alunos compreendem as características estruturais e retóricas do discurso científico e em que medida as atividades aplicadas contribuíram para o aprimoramento da escrita científica.
Para que pudéssemos aperfeiçoar o Mapa de Caracterização do Texto Científico Preliminar objetivamos nesta pesquisa:
Analisar os trabalhos produzidos pelos estudantes de graduação em química nas atividades didáticas com a finalidade de identificarmos dentre os elementos estruturais e retóricos que constituem o referido Mapa aqueles que utilizam na elaboração de textos científicos. Nosso objetivo foi, assim, investigar quais recursos de linguagem presentes na literatura científica foram mais facilmente empregados pelos alunos na produção de textos.
Investigar em artigos científicos da área de química quais e com que frequência os elementos que constituem o Mapa de Caracterização do Texto Científico Preliminar são, de fato, empregados pelos pesquisadores dessa área. Assim, buscamos analisar quais as principais estratégias de linguagem presentes na literatura científica da área de química e verificar em que medida as características estruturais e retóricas da linguagem científica
descritas no Mapa de Caracterização do Texto Científico Preliminar corresponderam à escrita científica efetivamente usada pela comunidade científica na área de química.
Investigar os critérios adotados pelos professores de química do ensino superior para avaliar a escrita científica dos estudantes de graduação em química e identificar, dentre esses critérios, quais se relacionam aos elementos estruturais e retóricos da linguagem científica. Dessa forma, nossa intenção foi analisar quais características da linguagem científica os professores consideram mais impotantes para avaliar a qualidade da escrita científica dos estudantes. Essa investigação nos possibilitou também verificar a ocorrência de outros elementos da escrita científica citados pelos professores que não foram contemplados no Mapa de Caracterização do Texto Científico Preliminar.
Por fim, com base nas considerações resultantes de tais investigações, elaboramos um Mapa de Caracterização do Texto Científico Final que foi aplicado em uma disciplina do ensino superior de química de caráter experimental e avaliamos sua contribuição no aprimoramento da escrita científica de textos produzidos pelos alunos.
Na medida em que as etapas deste trabalho foram sendo cumpridas,