1.1. KENTSEL PEYZAJ YAŞAM KALİTESİ İLİŞKİSİ
1.1.3. Kentsel Yaşam Kalitesi
1.1.3.1. Kentsel Yaşam Kalitesinin Ölçümü
Diferentemente dos periódicos científicos, os meios de comunicação de massa – jornal, revista, televisão, rádio, etc. – são idealisticamente destinados a uma plateia ampla e diversificada, formada por cientistas, outros jornalistas, médicos, advogados, professores e até mesmo pessoas com pouca ou nenhuma formação acadêmica. Por isso, a mídia, aos transmitir informações sobre ciência, tecnologia e saúde desempenha uma missão estratégica e fundamental, que é deixar a sociedade – seu público –minimamente informada sobre essas temáticas, podendo compreendê-las ou, ao menos, saber que elas existem e podem influenciar suas vidas.
Dorothy Nelkin (1995) reforça a missão estratégica do Jornalismo Científico ao afirmar que, para muitas pessoas a ciência é aquilo que leem nos jornais. “Eles compreendem menos a ciência por meio da experiência direta ou de sua bagagem educacional do que através do filtro da linguagem e das imagens jornalísticas” (p.2, tradução livre)2. Desse modo, à mídia cabe informá-los sobre as rápidas transformações ocorridas no campo da ciência e tecnologia, assim como esclarecê-los sobre como essas mudanças afetarão suas vidas.
“Informação e conhecimento são necessários se a pessoa pensa criticamente sobre as decisões que deve tomar em sua vida cotidiana” (NELKIN, 1995, p.2, tradução livre)3. Segundo a autora, uma boa reportagem contribui para que o público tome decisões racionais em sua vida e possa opinar sobre políticas científicas. Por outro lado, uma matéria ruim pode induzi-lo ao erro, o que o impede de opinar e participar, deixando-o a mercê de decisões tomadas por expertises – cientistas especialistas na área abordada.
Portanto, o “jornalismo científico pode entrar em cena como agente facilitador na construção da cidadania” (OLIVEIRA, 2002, p.15), aproximando “o cidadão comum dos
2 “They understand science less through direct experience or past education than through the filter of journalist language and imagery” (p.2).
3 “Information and understanding are necessary if people are to think critically about the decisions they must make in their everyday lives” (NELKIN, 1995, p.2).
benefícios que ele tem direito de reivindicar para a melhoria do bem-estar social” (p.14). Por isso, cabe a ele tornar a ciência inteligível ao público, fazendo-a parte de sua vida.
Missão que tem a linguagem como aliada, o discurso do jornalismo científico, que não é uma simples tradução ou degradação do discurso científico como acusam muitos cientistas, mas a constituição de um gênero textual novo e original, essencialmente diferenciado do texto que lhe originou (BERTOLLI FILHO, 2006, p.4). Sendo o jornalista, o mediador entre o discurso da ciência e o do jornalismo, que é por ele produzido ao selecionar aspectos do texto original, interpretá-lo e contextualizá-lo a partir de enquadramentos culturais pré-existentes, que assim como a linguagem a ser utilizada, deve ser inteligível ao público. O enquadramento se dá a partir das “dimensões socioculturais, políticas, econômicas, morais e intelectuais, expondo ao leitor as possíveis consequências imediatas e para o tempo futuro de uma determinada ação” (AMARAL apud BERTOLLI FILHO, 2006, p.20).
No processo de transformação do discurso científico em narrativa noticiosa surgem conflitos entre cientistas e jornalistas, pois suas produções apresentam diferenças de linguagem e finalidade.
Enquanto o cientista produz trabalhos dirigidos para um grupo de leitores, específico, restrito e especializado, o jornalista almeja atingir o grande público. A redação do texto científico segue normas rígidas de padronização e normatização universais, além de ser mais árida, desprovida de atrativos. A escrita jornalística deve ser coloquial, amena, atraente, objetiva e simples. A produção de um trabalho científico é resultado não raro de anos de investigação. A jornalística, rápida e efêmera. O trabalho científico normalmente encontra amplos espaços para publicação nas revistas especializadas, permitindo linguagem prolixa, enquanto o texto jornalístico esbarra em espaços cada vez mais restritos, e portanto deve ser enxuto, sintético. (OLIVEIRA, 2002, p.43)
O conflito também surge em função da diferença existente entre a forma do cientista e do jornalista verem a ciência e valorá-la. Para o pesquisador, a ciência é um processo lento e gradual, que após os resultados serem obtidos precisa passar por uma publicação em revista especializada e avaliação pelos pares. O jornalista, por outro lado, quer a novidade, o último acontecimento e não pode esperar por todo esse processo que tornaria a notícia velha. Ele busca entreter mais do que informar, portanto, é atraído pela falta de rotina, o não convencional e eventos aberrantes. (NELKIN, 1995, p.164-165).
Outro ponto de discussão dá-se pelo fato de, na tentativa de tornar uma informação científica inteligível, o jornalista fazer uso de metáforas, analogias e sinonímias, o que é visto
pelos cientistas como uma forma de distorcer o que eles falam, vulgarizando e super- simplificando a ciência.
O emprego de tais recursos são, via de regra, execrados pelos cientistas que, com frequência, afirmam que ‘não declararam’ aquilo que aparece na imprensa como sendo fruto de seu depoimento e, mais ainda, que o uso de metáforas e analogias pode levar a erros e simplificações interpretativas de suas ideias e, em resultado, deporem contra o próprio entrevistado e a equipe de pesquisadores da qual faz parte. (BERTOLLI FILHO, 2006, p.5)
Nelkin (1995) não crítica o uso das metáforas, pelo contrário, afirma que são importantes para a comunicação científica, pois torna mais simples e familiar a explicação de temas inéditos. Sendo que seu uso é capaz de evocar experiências e significados e compartilhá-los. Porém, a socióloga norte-americana ressalta que, a construção da narrativa noticiosa também é responsável por valorar a ciência e através da escolha do vocabulário e do enquadramento noticioso, o jornalista leva o público a avaliar positiva ou negativamente um evento ou acontecimento científico. Fato que não ocorre exclusivamente no jornalismo científico, mas em todo em qualquer gênero jornalístico, uma vez que as notícias são valores simbólicos e carregam sentidos subjetivos carregados de tensões e emoções (MOTTA, 2002).
A tensão existente entre pesquisadores e jornalistas é vista como obstáculo à popularização da ciência e da informação médica (EPSTEIN, 2001). O choque entre a “cultura dos pesquisadores” e a “cultura dos jornalistas” dificulta a chegada das informações ao público e, quando chegam, atrapalham sua compreensão.
Muitos médicos desconfiam dos jornalistas e criticam suas reportagens acerca de suas especialidades por infidelidade, simplificação e sensacionalismo (SCIENCE, 1998, p. 996). Os jornalistas, por sua vez, tendem a culpar as fontes científicas por prover informação intricada ou pouco compreensível ao público leigo. O público frequentemente reclama porque a informação é incompleta ou confusa (SÁ, 1995). (EPSTEIN, 2001, p.179)
Segundo Bertolli Filho (2009), a relação entre eles é comparável ao casal que se odeia, mas não se separa por conveniência (p.118). Pois os cientistas precisam dos comunicadores para propagar informações sobre seu trabalho e conquistar o apoio popular (LUIZ, 2006) e os jornalistas necessitam dos pesquisadores como fonte de informação para seus textos.