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2. MATERYAL VE YÖNTEM

2.1. MATERYAL

2.1.4. Düzce Kent Merkezinin Ekonomik Yapısı

2.1.4.1. Çalışma Hayatı

O fato de estar ligado a um estabelecimento psiquiátrico é realmente determinante, na medida em que implica um status de prisioneiro e a supressão de certos direitos. Na verdade, é o estado de internamento e não o estado de doente que está na origem de toda uma série de atribuições desvalorizadas ou negativas. Sem dúvida, o estado de hospitalizado e seu cortejo de infelicidades (perda da autonomia, obrigação de residir no local, regime de assistência alienante) evoca todas as situações de coação e de afastamento do mundo livre; (JODELET, 2005, p.133)

6 A terapia é uma prática bastante difundida na sociedade contemporânea, ela não é utilizada apenas entre os portadores de transtornos mentais, mas também por pessoas cujos comportamentos não são considerados sintomáticos, embora a consideram indispensável para sobreviver em uma sociedade marcada pela velocidade, competição e busca incessante pelo ter.

O estigma, a perda da autonomia e do direito civil do interno, assim como o sistema de punição e repressão utilizados no tratamento fizeram com que o modelo asilar - nascido com o internamento no século XVI e aprimorado por Pinel no final do século XVIII - começasse a ser questionado e visto como uma “conduta primitiva da sociedade diante do doente mental” (DAUMÉZON; BONNAFÉ apud JODELET, 2005, p.118).

A partir da década de 1940, novos pensadores partindo de correntes teóricas distintas (em especial, Comportamentalismo e Existencialismo) reconheceram que “o hospital psiquiátrico, por si só, não é capaz de promover um tratamento adequado. Ele é considerado um lugar de alto custo e ineficaz porque o seu maior efeito é a retirada, em grande escala, dos indivíduos do convívio social” (CERQUEIRA, 2010, p.16). Além dos tratamentos cruéis, de servir como meio de segregação social, da ineficácia e do alto custo, os asilos sofriam críticas por estarem superlotados. O que fez com que “a credibilidade do hospital psiquiátrico e, em última instância, da própria psiquiatria, logo chegasse aos mais baixos níveis” (AMARANTE, 2007, p.38). Na década de 1960, iniciou-se o movimento pelo fim da centralidade do manicômio no tratamento das doenças, que originou a Reforma Psiquiátrica7. O movimento ocorreu concomitantemente em todo o mundo, entretanto de maneiras distintas.

No Brasil, o tratamento dos portadores de transtornos mentais e de comportamento dividia-se entre os hospitais psiquiátricos privados e as colônias de alienados construídas em grandes áreas agrícolas que submetiam o paciente ao trabalho terapêutico – meio precioso “que estimulava a vontade e a energia e consolidava a resistência cerebral tendendo fazer desaparecer os ‘vestígios do delírio’” (AMARANTE, 2007, p.39). As primeiras colônias brasileiras, criadas logo após a Proclamação da República – foram a Colônia de São Bento e a Colônia Conde de Mesquita, ambas localizadas na Ilha do Governador (Rio de Janeiro).

Com a gestão de Juliano Moreira, psiquiatra baiano que dirigiu a Assistência Médico-Legal de Alienados por quase três décadas, foram criadas dezenas de colônias por todo o país, tendência radicalizada ainda mais na gestão de Adauto Botelho nas décadas de 40 e 50. Para se ter uma dimensão da imensidão e alcance do projeto, a Colônia de Juquery, em São Paulo, chegou a ter 16 mil internos! Mas a alegria durou pouco: logo as colônias mostraram-se iguais aos asilos tradicionais. De uma aldeia de pessoas livres, com sua própria história e cultura, nasceram instituições asilares de recuperação pelo trabalho. (AMARANTE, 2007, p.40)

7 Comunidade Terapêutica e Psiquiatria Institucional, Psiquiatria de Setor e Psiquiatria Preventiva, além da Antipsiquiatria e Psiquiatria Democrática foram os modelos adotados em diferentes partes do mundo na tentativa de promover a Reforma Psiquiátrica.

Após as duas grandes Guerras Mundiais, a sociedade brasileira passou a refletir mais “sobre a natureza humana, tanto sobre a crueldade quanto sobre a solidariedade existente entre os homens e foram criando assim condições de possibilidade histórica para outro período das transformações psiquiátricas” (AMARANTE, 2007, p.40). Portanto, essa visão mais humanizada e solidária fez com que a sociedade dirigisse seus olhares para os hospícios e descobrisse que “as condições de vida oferecidas aos pacientes psiquiátricos ali internados em nada se diferenciavam daquelas dos campos de concentração: o que se pode constatar era a absoluta ausência de dignidade humana!” (p.40). Assim nasceram as primeiras experiências de reformas psiquiátricas no país, entretanto, o movimento só se firmou nas décadas de 1970 e 1980, durante a luta pela redemocratização do país.

A reforma psiquiátrica brasileira foi fortemente influenciada pela experiência italiana de Psiquiatria Democrática8 – que defendia o fim dos manicômios e o tratamento do sujeito – e pela Psiquiatria de Setor francesa9 – que visava a reorganização e humanização da assistência psiquiátrica.

Especialmente a partir de 1980, tem início um intenso debate acerca das ideias de autores que tratam das questões da doença mental: Michel Foucault, Gilles Deluze e Félix Guattari, também foi criado, na mesma época, o movimento dos trabalhadores em Saúde Mental, cujo lema é ‘Por uma sociedade sem manicômio’. Esse foi o primeiro grande marco da Reforma Psiquiátrica brasileira. (CERQUEIRA, 2010, p.17)

O debate culminou na I Conferência Nacional de Saúde Mental, em 1987. “Um ano antes foi realizada a VIII Conferência Nacional de Saúde, que criou a principal base teórica do que hoje é o Sistema Único de Saúde” (CERQUEIRA, 2010, p.17) e teve participação ativa do movimento de Saúde Mental. Ele defendia ser “inadiável a reestruturação da assistência psiquiátrica, denunciava que a oferta do dispositivo de internação tinha alto custo e era absolutamente ineficaz” (p.17). Ademais era necessário “montar um conjunto de estratégias para compor uma rede de atenção psicossocial de base comunitária.” E a partir de 1989, começaram a ser criados programas municipais de Saúde Mental, resultando em “uma

8 A Psiquiatria Democrática originou-se na Itália com Franco Basaglia e Franco Rotteli, seu sucessor. Ele tinha como princípio pensar o campo da saúde mental e atenção psicossocial não como sistema fechado, mas como um processo social e complexo, em que a doença era colocada em segundo plano, em detrimento do protagonismo assumidos pelo sujeito.

9 Também conhecida como Saúde Mental Comunitária, a Psiquiatria de Setor foi desenvolvida na França e defendia que era preciso adotar medidas de continuidade terapêutica após a alta hospitalar a fim evitar a reinternação do sujeito. Para isso deveriam ser criados Centros de Saúde Mental regionalizados, em que se destacasse o trabalho de uma equipe multidisciplinar.

curva ascendente do aumento da cobertura assistencial da rede e de redução dos leitos psiquiátricos.”

Em 1989 o deputado Paulo Delgado propôs o projeto de lei de Reforma Psiquiátrica, que sofreu inúmeras resistências. O debate em torno dele é tão intenso que a lei somente será aprovada em 2001, com alterações importantes. O projeto não chegou a ser desfigurado, embora tenha sido excluída a ideia clara de extinção dos hospitais psiquiátricos. Mas está lá toda a sustentação de que é necessário criar uma rede alternativa e complementar de cuidados e que o doente mental somente deve ser internado em hospitais psiquiátricos como última medida. (CERQUEIRA, 2010, p.17) A aprovação da Lei 10.216/2001 mudou o tratamento dispensado aos portadores de distúrbios mentais no Brasil, ao propor que “as políticas de saúde mental e atenção psicossocial devem organizar-se em ‘rede’, isto é, formando uma série de pontos de encontro, de trajetórias de cooperação, de simultaneidade e atores sociais envolvidos” (AMARANTE, 2007, p.86).

Segundo o texto legal, o atendimento para os portadores de transtorno mental deve contemplar todas as suas necessidades, o que só pode acontecer em uma rede completa de serviços que funcione de forma integrada e hierarquizada, contemplando todos os níveis de atenção, com estabelecimentos e equipes capazes de atuar na promoção, prevenção, atenção e reabilitação dos pacientes. (ABP, 2009, p.89)

Com isso, os manicômios estão sendo progressivamente fechados e Centros de Atendimento Psicossocial (CAPs) criados em todo o país a fim de prestar atendimento aos portadores de transtornos mentais. Nesses centros é preciso oferecer serviços diversos por meio de equipes multiprofissionais atuando “interativa e integralmente” (ABP, 2009, p.90). “Os pacientes deixaram de ser exclusivos ‘do médico’ para se tornarem ‘da equipe’” (AMARANTE, 2007, p.101), o que gerou um atendimento mais humanizado e possibilitaria “o questionamento prático das legislações e normas excludentes, construindo estratégias efetivas de cidadania e participação” (p.72), colaborando para a “construção de um novo imaginário social em relação à loucura e aos sujeitos em sofrimento, que não seja de rejeição ou tolerância, mas de reciprocidade e solidariedade” (p.73).

Ao “derrubar os muros” dos manicômios, a Reforma Psiquiátrica reinseriu no tecido social pacientes que por décadas ficaram internados, fazendo com que a loucura voltasse ao centro da sociedade. Diante desse novo fato social, o portador de transtorno mental e de comportamento precisava redescobrir seu espaço e para isso, devia ser familiarizado ao meio

social e descobrir se seria aceito ou novamente excluído. Condição que pode ser respondida junto aos seguintes questionamentos: “o que aconteceu com os preconceitos que justificavam o seu confinamento?” (JODELET, 2005, p.33). Se antes o louco deveria ser confinado por sua periculosidade social, e agora, por que a sociedade devia aceitá-lo livre?

Segundo Jodelet (2005, p.35), a solução para o fim da exclusão não consiste apenas em abrir as portas dos manicômios e mudar a prática psiquiátrica. Ela se apresenta em função da representação da doença e do seu estado, pois é a partir deles que se constrói a imagem do outro e o seu status social. Por isso, para entender o novo espaço social do louco é preciso conhecer as imagens que a sociedade nutre e compartilha sobre ele.