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ASA 6. Organ alınmaya uygun, beyin ölümü geliĢmiĢ hastalar girmektedir.

2.3. Öğrenmede Kullanılan Materyallar 1 Simulasyon

2.3.2. Karar Verme

De uma maneira geral, concordamos com Ferreira (1995) no que se refere à pedagogia crítico-superadora representar um marco teórico importante para a Educação Física brasileira, “porque rompe radicalmente com entendimentos hegemônicos do currículo de EF, e busca explicitamente o desenvolvimento de uma teoria da EF, numa síntese das expectativas que a rodeiam.” (FERREIRA, 1995, p. 216). Por outro lado, também concordamos com a crítica que o autor apresenta às limitações da proposta em relação ao tratamento pedagógico do esporte e sua relação com os ciclos. Considera Ferreira (1995, p. 216-217) que:

No entanto, o estudo revela algumas lacunas ainda não preenchidas. Um exemplo é a historicização dos conteúdos da EF, pois não fica claro como isto se daria e, aliás, nem mesmo pesquisas em história da EF tem se ocupado disto. Quanto aos ciclos de escolarização propostos, não se evidencia como eles permitiriam que aulas de esporte no 1º grau se diferenciariam no segundo, ou a diferença seria apenas no ‘aspecto cognitivo’, já que no 2º grau é possível aprofundar informações teóricas críticas sobre o movimento, ampliando as referências do pensamento do aluno? Faltou, neste caso, uma maior aproximação entre a categoria atividade, e as proposições didáticas do estudo.

Nesse artigo de 1995, o referido autor já observava haver na Educação Física ausência de pesquisas históricas que identificassem elementos mediadores significativos para preencher a lacuna que identificou na proposta crítico-superadora em relação à “historicização dos conteúdos”.

Podemos afirmar que tal lacuna não só permanece como nos últimos anos muitos estudos sobre o ensino do esporte deram-se tendo por base Soares et al.

Nesse sentido, é importante destacar duas obras publicadas recentemente, cujas propostas de ensino para o esporte escolar apoiam-se na abordagem crítico-superadora, bem como nos estudos sociológicos sobre o fenômeno esportivo. São elas: o livro Reinventando o esporte: possibilidades da prática pedagógica, de Sávio Assis, publicado em 2001, e o livro Esporte Escolar: possibilidade superadora no plano da cultura corporal, de Maristela da Silva Souza, publicado em 2009.

171 Nas considerações finais de seu livro, Souza (2009, p. 150), após apresentar um confuso exemplo de “desenvolvimento de um plano de aula do esporte individual ginástica” utilizando os cinco passos didáticos propostos por Saviani (1997) para a pedagogia histórico- crítica – 1) Prática social; 2) Problematização; 3) Instrumentalização; 4) Catarse; 5) Prática Social –, apresenta o seguinte “comentário” sobre o tema “O esporte”:

Mesmo sendo o esporte o conteúdo dominante na área da EF, precisa ser mais discutido e teoricamente aprofundado. O conteúdo esporte recortado do âmbito da cultura corporal da EF é apropriado pela ciência moderna que faz deste e de seus princípios sinônimo de rendimento. A Educação Física internalizou de maneira determinante a referida perspectiva como única verdade, obscurecendo a possibilidade de perguntar pelos reais problemas ocasionados por esta apropriação da cultura esportiva. (SOUZA, 2009, p. 163).

Entendemos que o estudo de Souza (2009), ao propor para o esporte escolar uma “possibilidade superadora no plano da cultura corporal” sem analisar as limitações da proposta crítico-superadora, acabou apresentando as mesmas limitações em relação à necessidade de aprofundamento teórico sobre o complexo esporte, bem como sobre a Educação Física escolar.

Em uma outra vertente, Ortigara (2002), em sua tese de doutorado intitulada Ausência sentida nos estudos em Educação Física: a determinação ontológica do ser social, mostrou que mesmo as propostas pedagógicas de mais repercussão na área (a crítico-superadora e a crítico-emancipatória) apresentam lacunas importantes em relação ao tratamento pedagógico dos conteúdos no sentido da emancipação humana por falta de mediações ontológicas lukacsianas. Apesar do avanço teórico que sua obra apresenta ao mostrar o quanto as proposições pedagógicas da Educação Física brasileira encontram dificuldades “em expor as diferenças existentes entre o andar, o correr, o saltar, o pular de homens e mulheres e o de outros animais” (ORTIGARA, 2002, p. 11), entendemos que o autor, ao eleger o movimentar- se humano como objeto da Educação Física, atomizou o conceito de atividade e/ou de complexo lukacsiano e impossibilitou uma apreensão correta sobre a função do trabalho e/ou das atividades/complexos deslocados deste no processo humanizador. Conforme já apontamos brevemente em outra ocasião, a atividade orienta-se por um motivo/necessidade humano- genérico e constitui-se do conjunto de ações – orientada para os fins – e operações, meios para realização das ações. (LEONTIEV, 1981).

Em síntese, Ortigara (2002) avança ao mostrar que a formação humana se dá movida pela relação teleologia/causalidade iniciada no trabalho – elemento fundante do ser social. No

172 entanto, faltou ao referido autor compreender que o que dá sentido (para o indivíduo/ser- precisamente-assim existente) e significado (humano-genérico/ sociedade) não é o movimentar-se humano e sim as atividades/complexos que compõem o mundo dos homens. Portanto, no caso da Educação Física escolar, torna-se imprescindível compreender seus conteúdos – jogo, esporte, ginástica, dança e luta – em sua dimensão genético-causal em relação ao trabalho e/ou à reprodução social, bem como seu desenvolvimento objetivo e dialético pela categoria do reflexo na esfera da reprodução social.

No caso de nosso estudo, procuramos contribuir para a compreensão em bases ontológicas do papel do esporte e, por consequência, do jogo, que é sua essência, no processo histórico/evolutivo humanizador. Em outras palavras, compreender o papel do esporte na ontologia do ser social e suas (im)possibilidades emancipadoras para promoção de uma vida plena de sentido.

Por outro lado, entendemos também que tal compreensão não significa desprezar o conhecimento científico sobre a importância da Educação Física e dos esportes para a melhoria das condições orgânicas dos indivíduos. E sim, entendemos ser possível sua superação dialética (por incorporação), ou seja, valorizando os métodos já consolidados “de condicionamento orgânico” e avançando para intervenções em busca da melhoria das funções psicológicas superiores e/ou da “consciência corporal” que a vivência da situação imaginária e regras/objetivos intrínsecas ao complexo jogo possibilita. Entendemos, portanto, haver a necessidade de um tratamento pedagógico em bases ontológico-críticas do esporte, dirigindo seus motivos por valores efetivamente humanizadores/revolucionários. Entendemos também que, para além da consciência corporal em si (imaginação na ação) que se tem pela apropriação dos fundamentos técnico-táticos dos jogos esportivos, é imprescindível que essa educação desportiva se dê acompanhada de reflexões e mediações ontológicas para que os alunos compreendam “por que” e “para quem” jogam em determinada sociedade na direção de uma consciência corporal para si – de um esporte para si.

Na próxima seção, analisaremos a Atividade de Extensão do Departamento de Educação Física da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) intitulada “Projeto Comunitário de Educação Desportiva: do esporte em si ao esporte para si” coordenada pelo autor e que desde sua criação em 1994 manteve-se essencialmente como um laboratório de estudo-intervenção a partir do ensino do esporte para e com crianças e adolescentes de um bairro de periferia urbana.

173 7 PROGRAMA COMUNITÁRIO DE EDUCAÇÃO DESPORTIVA (PROCED): DO ESPORTE EM SI AO ESPORTE PARA SI

O Programa Comunitário de Educação Desportiva29 (Proced) iniciou suas atividades em julho de 1994 no Centro de Atenção Integral à Criança (Caic) no bairro Cidade Aracy, na cidade de São Carlos-SP, após acordo informal com a direção da Escola Estadual “Prof. Orlando Peres”, que ocupava provisoriamente aquelas instalações municipais. Em linhas gerais, o acordo restringia-se a que realizássemos as atividades esportivas aos fins de semana (sábados e domingos) vinculados à Associação de Pais e Mestres (APM) da escola. O Proced foi criado para ser objeto de nosso estudo de doutoramento que realizávamos junto ao Programa de Doutorado em Educação – Metodologia de Ensino – da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Mesmo enfrentando inúmeros problemas, o Proced funcionou no Caic no período de 1994 a 1998 desenvolvendo atividades esportivas diversificadas (festivais, torneios e, principalmente, cursos de educação esportiva). Em 1997, o Proced ampliou sua oferta educativa realizando um curso de alfabetização de adultos.

Em 1999, após análise das (im)possibilidades para manutenção do curso de voleibol consolidado nas condições cada vez mais precárias da quadra de esportes do Caic, optamos por deslocar o Proced para as instalações esportivas da UFSCar como Atividade de Extensão do Departamento de Educação Física e Motricidade Humana (DEFMH) vinculada à Pró- Reitoria de Extensão (PROEx), uma vez que nos encontrávamos atuando como professor colaborador no DEFMH da UFSCar enquanto aguardávamos a redistribuição da Universidade Federal do Espírito (Ufes).

Nossa redistribuição à UFSCar se efetivou em 2001, e o Proced, que em julho de 2012 completará 18 anos de existência, agora se consolida como objeto de estudo desta tese ao ser analisado mais detalhadamente. Vale ressaltar também que desde o início o Proced se caracterizou como um estudo-intervenção orientado por uma intransigente luta emancipadora. Por um lado, em relação à sua permanente busca de mediações mais objetivamente fundamentadas em relação ao papel da aprendizagem e da prática esportiva na vida dos indivíduos em uma sociedade cindida em classes; por outro, na sua preocupação em relação à

29 Apesar de sabermos existir uma discussão “filosófica” referente aos termos “esporte” e “desporto”,

defendendo esse último como expressão com significação mais “humanista”, a escolha do termo “desportiva” do Proced se deu motivada pela intenção de se criar uma sigla que facilitasse a identificação do projeto com sua ideologia, tal qual aconteceu com o Grupo de Treinamento Experimental (GTE), que foi nosso objeto de dissertação do Mestrado.

174 superação das condições de “curral eleitoral” que caracterizam a gênese e o desenvolvimento do referido bairro.

7.1 Breve contextualização das condições materiais e espirituais que envolveram a