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Karacaahmet Sultan Kültürünü Tanıtma ve YaĢatma Derneği Ceme

5. ARAġTIRMA DÂHĠLĠNDE KAYDI ALINAN CEM EVLERĠNDEKĠ RĠTÜEL SIRALAMAS

5.7 Karacaahmet Sultan Kültürünü Tanıtma ve YaĢatma Derneği Ceme

Uma breve análise do conteúdo do jornal Expositor Cristão demonstra que, entre os textos elaborados pela equipe de redação e por colaboradores, predominam os informativos de caráter factual (descrição de eventos), sobre os opinativos e de orientação doutrinária. Não que a opinião esteja ausente desses textos, de forma implícita ou explícita. Um bom exemplo é a maneira pela qual o Conselho Mundial de Igrejas é retratado, salientando-se a preocupação da entidade com evangelização – o que é uma clara defesa contra as vozes que se levantavam acusando o CMI de se preocupar mais com aspectos políticos que religiosos. De maneira geral, porém, os textos evitam tocar diretamente em questões polêmicas e, no tocante ao ecumenismo, poucos editoriais falam abertamente do tema. Quando se trata de ecumenismo, as tensões, conflitos e rejeições explodem mesmo é na seção “Peço a Palavra”, a seção de cartas do jornal, geralmente na página 2 ou 3.

É nessas páginas que se pode perceber que interpretação os leitores do jornal dão às notícias publicadas. Matérias puramente informativas, aparentemente despretensiosas, são capazes de gerar polêmica repercussão. Foi o que aconteceu com a nota publicada na Seção Tempo Jovem, em abril de 1976:

Jovens metodistas ocupam templo católico

Sob a liderança do Rev. Edeir Lobo e esposa, realizou-se em Lins, São Paulo, um retiro espiritual no templo católico da cidade. Jovens metodistas e católicos se confraternizaram durante três dias, por ocasião do Carnaval, cantando, lendo a Bíblia, orando e ouvindo mensagens.... (EC: 1ª quinz. 04.1976, p.4).

Três meses depois, na edição da 1ª quinzena de julho de 1976, o jornal publica matéria com o título “O protesto de Maria J. Boitar”, ocupando um terço da página. A autora é Maria Justina Boitar, de Uberaba, Minas Gerais. Ela se mostra indignada com o retiro ecumênico dos jovens e, fazendo uso de citações bíblicas, dispara severas críticas endereçadas às lideranças da Igreja:

Ao ler a notícia do EC da 2ª quinzena de abril, com o título “Jovens metodistas ocupam templo católico”, fiquei surpreendida e porque não dizer arrasada, e aqui vai o meu protesto. Primeiro gostaria de salientar que tenho 22 anos, portanto, sou jovem, e, também, decepcionada com o comportamento dos que se dizem “cristãos”.

A surpresa começa no início do noticiário, que diz “Sob a liderança do pastor...”. “Porque os pastores se tornaram estúpidos e não buscam o Senhor, por isso não prosperam e todos os seus rebanhos se acham dispersos”. Jeremias 10.21

O que significou, ou melhor, o que significa para os “cristãos” atuais as vidas esmagadas na Inquisição?

“Não terás outros deuses diante de mim”, diz a Bíblia. “Não vos associeis com os impuros”. (...) Vamos aplaudir os “santos” (ídolos) e levantarmo-nos para a direção da Igreja Católica? “Não toqueis em coisas impuras”. (...) Nós

temos é que ser diferentes. Não sou eu quem digo, mas a própria Palavra de

Deus.

Não estamos em época de publicarmos nos jornais que nos associamos com os impuros, mas estamos na época de levar a palavra da verdade, aos hospitais, orfanatos, vilas e cadeias.

Agora a opinião mais particular para quem quiser responder. Tudo isso não será para alcançar “status”? Onde fica Jesus nesta história?

(...)

Ao invés de “dar as mãos” deveríamos olhar para o Calvário. Hoje em dia a moda é falar em amor de Deus, ao próximo... mas esquecem-se do sacrifício de Jesus para a nossa salvação. Pregam o amor e não a salvação.

Deus ama os que são seus.

O meu alerta para os líderes: “Não vos enganeis, de Deus não se zomba”. Gálatas 6.7 (EC: 1ª quinz. 07. 1976, p.3, grifos nossos)

É curioso que esse texto, enviado ao jornal como reação a uma notícia divulgada na edição de abril de 1976 (1ª quinzena), tenha sido publicado como artigo na página 3 da edição de julho e não na seção “Peço a Palavra”, reservada aos comentários de leitores. Esta edição, especificamente, não traz a seção Peço a Palavra. Ao publicar como artigo o texto ocupando um terço da página, o redator Omir Andrade49 confere a ele um peso maior do que uma carta de leitor. Talvez por isso tenha suscitado acalorada reação de outros leitores. Até o final deste ano haverá manifestações pró e contra ao artigo de Maria, que serão publicadas na seção de cartas.

Por exemplo, na 2ª quinzena de setembro de 1976, a seção “Peço a Palavra”, p. 2, publica a carta “Um protesto ao protesto de Maria Boitar”. É um longo texto, que ocupa metade da página destinada às cartas. O autor é David Lopes, Taubaté, SP. Ele rebate os argumentos teológicos e aconselha: “Perdoe-me Maria, mas você necessita urgentemente ser revestida do

49

O pastor Omir Andrade foi o redator escolhido para substituir o pastor Phytagoras Daronch da Silva no jornal Expositor Cristão em 1968, no auge do movimento de reação conservadora da Igreja Metodista. Durante o período em que esteve à frente do Expositor (de 1968 a 1971) houve uma drástica mudança editorial, com o quase completo desaparecimento do tema Ecumenismo. Omir volta à redação no período de maio de 1976 a março de 1977. É de se supor que concordava com as opiniões da leitora Maria Boitar, o que justificaria o destaque dado à sua carta.

amor e da humildade cristãs”. Sugere também que ela leia com atenção a Carta a um Católico Romano50, de John Wesley, documento clássico da tradição metodista publicado na mesma edição em que saiu a matéria causadora de seu protesto.

Outra carta de “protesto ao protesto” surge na edição seguinte (1ª quinzena de outubro de 1976, p.4). Além de combater a postura antiecumênica de Maria Boitar, o leitor Osmar Machado, de Uberlândia, MG, traz uma informação interessante: ela é sua “estimada irmã em Cristo, a Maria Justina Boitar, filha do meu querido pastor Francisco Boitar”. Carta da própria Maria, publicada ao final do ano, confirmará essa informação.

Em cada uma das duas edições do mês de novembro (1ª e 2ª quinzenas) é publicada na seção “Peço a Palavra” mais uma carta contrária à opinião da moça, com argumentos diferentes. O pastor Vernon Hutson, de Caxias do Sul, RS, alegra-se pelo fato dos jovens metodistas terem “ocupado um templo católico”, como diz a matéria: “... eu gritei aleluia por mais uma vitória de Jesus! Acho que nós precisamos ocupar não só as Igrejas Católicas mas o mundo inteiro!(...) Nós estamos vivendo um tempo de oportunidade quando o Espírito de Jesus está quebrando todas as barreiras que os homens durante os séculos construíram entre Deus e o seu povo” (EC: 1ª quinz.11.1976, p.2). Ecumenismo, para esse pastor é, provavelmente, um meio de evangelização. Já o leitor Vicemeli Romano de Paula, Juiz de Fora, MG, traz um testemunho pessoal em favor dos católicos: “Eu moro perto da Igreja Católica do Rosário. Da minha casa eu ouço os hinos que eles cantam. São iguais a muitos de nossos hinos. Eles lêem a Bíblia. Há igrejas católicas que não possuem mais santos no seu interior....” (EC: 2ª quinz.11.1976, p.2). Talvez para esse leitor o ecumenismo seja possível porque, finalmente, os católicos estão iguais aos protestantes....

Em contrapartida, também surgem cartas em defesa da jovem Maria. O leitor José Célio de Freitas, pastor em Goianá, MG, dirige-se ao leitor Davi Lopes, de Taubaté: “Caro Davi, se a Maria Boitar precisa ser revestida de amor e de humildade cristã, creio que ao irmão falta uma boa dose de polimento e zelo social e espiritual. Se aos 22 anos Maria vê o perigo que estamos enfrentando com o comodismo que está nos envolvendo, creio que o senhor, com sua idade e maturidade, está passando para a displicência e adesão àqueles que apegam-se a um ecumenismo que não existe.(...) Hoje, sr. Davi, fala-se muito que – precisamos ser tolerantes. Mas, tolerar o quê? O próprio Cristo foi excessivamente intolerante quando expulsou os mercadores do templo com suas chicotadas” (EC: 2ª quinz.11.1976, p.2).

50

No primeiro capítulo deste trabalho, item 1.5.1, falamos sobre esta carta, texto de Wesley que se tornou referência para os metodistas ecumênicos.

O capítulo final dessa história chega apenas na última edição do ano de 1976, 2ª quinzena de dezembro. Dessa vez, é a própria Maria Boitar que volta à cena, na seção “Peço a Palavra”. Ela diz que recebeu os dois últimos números do EC (2ª quinzena de setembro e 1ª de outubro) e leu as cartas assinadas pelos srs Davi Lopes, de Taubaté e Osmar Machado, de Uberlândia, ambos “protestando o seu protesto”. E afirma que tem recebido pessoalmente outras cartas, a maioria de apoio ao seu ponto de vista. Dentre as mensagens recebidas, Maria destaca carta do reverendo Edeir Lobo, pastor da igreja promotora do evento que motivou o seu protesto. Ela transcreve trechos da carta:

“Lemos no Expositor Cristão, nº 13 seu protesto e lamentamos que uma jovem cristã tenha uma posição tão triste de julgamento. No entanto, você não teve culpa da irresponsabilidade dos redatores do “Expositor

Cristão” que deturparam completamente nossa reportagem, fazendo com isto sensacionalismo barato”.

(...)

“Não estou tentando defender o que foi dito naquela reportagem porque ela não foi verdadeira, embora não veja absurdo nenhum se tivesse acontecido como foi dito” (EC: 2ª quinz. 12.1976, p.2, os grifos são dela)

Não fica claro em que consiste a “irresponsabilidade” dos redatores do jornal, argumento usado pelo pastor Edeir Lobo para se defender das acusações da jovem leitora...

Depois, numa carta longa, que ocupa uma coluna inteira do jornal, Maria reafirma suas posições:

Diz o sr. David Lopes que preciso alcançar a estatura de Cristo. Concordo e outro não tem sido o meu objetivo; no entanto gostaria de perguntar: O senhor já a alcançou? Quanto a minha “imaturidade ou má orientação cristã” devo dizer-lhe que pertenço à 4ª geração de família EVANGÉLICA, filha de Pastor (9 filhos, todos na Igreja (coisa rara) e que não sou tão idiota quando pensa o articulista (ainda me refiro ao Sr. David) muito pelo contrário, estou atualizada, não só com o mundo, pois sou universitária cursando o 4º ano de Engenharia civil (...) mas principalmente na Igreja, onde exerço vários cargos, dentre eles o de professora na Escola Dominical ... (classe de Jovens). (Idem)

Na mesma página, o jornal decide por um ponto final na polêmica publicando a seguinte “Nota da Redação”, assinada por Claudia Romano de Sant´Anna, redatora assistente. Ela diz que, a partir daquela edição, as opiniões deveriam se dirigir diretamente à Maria (o jornal publica a caixa postal da leitora) e informa ter guardado os originais da matéria publicada, os quais contrariam a acusação do pastor Edeir Lobo de que a notícia do evento ecumênico em sua igreja teria sido “deturpada”:

O protesto chega ao fim

Quando publicamos uma notícia é impossível prever as reações que ela provocará. (...) Às vezes uma nota simples é motivo de protestos os mais variados.(...)

Numa pesquisa sobre qual foi a carta que gerou mais reações na seção Peço a Palavra, chegamos à conclusão de que o “Protesto de Maria J. Boitar” foi a que mais recebeu adesões ou críticas. Originalmente o texto da jovem de Uberaba foi publicado na seção Tempo Jovem, no EC da 1ª quinzena de abril/76. Mas, devido às cartas sobre o assunto, ele foi transferido para PEÇO A PALAVRA.

Como a seção é livre para os prós e contras, nela saíram opiniões a respeito do que escrevera a jovem Maria J. Boitar. Ela leu tudo o que opinaram. E agora, a moça vem à público para alicerçar mais uma vez sua opinião e achamos que é um direito que ela tem. Por isto, a fim de que tudo fique esclarecido e o assunto encerrado, pelo menos nas páginas do EXPOSITOR CRISTÃO, estamos incluindo a carta da jovem e avisamos àqueles que quiserem continuar a discutir o assunto: devem dirigir suas opiniões a ela. (...) não concordamos quando o Rev.Edeir Lobo taxou a redação do EC de “irresponsável” e “deturpadora do texto original” Temos a prova em nosso poder para que os interessados verifiquem a respeito do que foi publicado. Isto nos tranqüiliza sobremaneira. Claudia Romano de Sant´Anna , redatora assistente (Idem).

É natural que a redação se pronuncie. Mas, por que é a redatora-assistente que responde pelo jornal à acusação do pastor Edeir Lobo e não o redator-chefe Omir Andrade? O próprio fato da resposta da redação vir identificada com o nome do redator é uma exceção: normalmente “notas da redação” e “respostas da redação” não vêm assinadas; e são atribuídas naturalmente ao redator-chefe. Presumo que o redator-chefe em exercício, Omir Andrade, não queira ter se comprometido em defesa da reportagem que suscitou o protesto de Maria pois ainda não havia assumido o posto quando tal matéria foi publicada. Não se sentia responsável pela publicação da notícia veiculada por seu antecessor ou ele mesmo reprovava a reportagem (e, por isso, deu destaque ao “protesto de Maria”)? Qualquer tentativa de resposta a essas perguntas (e talvez o próprio enunciado delas...) seria uma especulação da minha parte...

4.3.1 Não vos associeis com os impuros

A polêmica envolvendo a carta de Maria Boitar, jovem de 22 anos de idade, filha de pastor metodista e professora de Escola Dominical, é relevante para a nossa pesquisa não apenas pela repercussão que teve na página do leitor, mas pela possível representatividade de seus argumentos no meio metodista. Estamos, aqui, no ano de 1976. Menos de 10 anos antes, quando Maria ainda era uma criança, jovens da Igreja Metodista foram “ponta de lança” do movimento ecumênico brasileiro, fortemente engajado nas questões sociais. Muitos pagaram

preço alto por isso, a Igreja retrocedeu, o jornal silenciou. E, a bem da verdade, esse grupo de jovens ecumênicos nunca foi maioria nas igrejas protestantes, como nos lembra Edin Abumanssur na dissertação que traz o sugestivo título A tribo ecumênica.

Em 1976, aos 22 anos de idade, Maria se apresenta como uma jovem culta, bem informada e formadora de opinião – é professora da classe de jovens na Escola Dominical de sua igreja, provavelmente pastoreada pelo próprio pai, pastor metodista. É razoável supor que seu posicionamento antiecumênico – e as respectivas justificativas bíblicas – tenha sido aprendido ou, ao menos, compartilhado com o pai, ambos exercendo alguma influência sobre a comunidade. E como se verá em outras participações de leitores, é recorrente o receio da “contaminação” com o “impuro”, provavelmente despertado pelas notícias da participação da Igreja Metodista em eventos e organizações ecumênicas. “Não estamos em época de publicarmos nos jornais que nos associamos com os impuros”, foi um dos argumentos de Maria. Preocupação também presente no leitor Antônio Mendes:

Resta-nos, porém, a esperança de que a situação seja modificada o mais rapidamente possível, e que possamos preservar a pureza da fé, porque, deixar os arraiais católicos onde o nome de Cristo é secundário, e depois de alguns anos ver a Igreja Metodista retroceder e aceitar o ecumenismo espúrio que anda por aí, a convidar todos para a mesa de comunhão, é por demais decepcionante e arrasador. Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós. Antônio Mendes – Petrópolis, RJ. (EC: 1ª quinz.07. 1979, p. 2, grifo nosso)

Associado ao receio da contaminação, existe um mal disfarçado sentimento de superioridade nesse leitor que se afirma “diferente”. “Nosso Deus é único e muito diferente dos deuses católicos romanos”, diz Hélio Navarro dos Santos (EC: 2ª quinz.03.1979, p.2). “Nós crentes metodistas devemos ter a convicção de que somos (como povo evangélico) os únicos a possuir as respostas de que “Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo”, diz o pastor Carlos Roberto Barbosa (EC: 1ª quinz.07. 1978, p. 2).

Embora a maioria das manifestações antiecumênicas seja, também, anticatólica, o sentimento de superioridade do metodista na qualidade de “protestante histórico” expressa-se, eventualmente, na comparação com outros grupos evangélicos. Na edição da 2ª quinzena de setembro de 1977, o leitor Manoel Alves Werneck (de Belo Horizonte, MG) comenta, na seção Palavra do Leitor, p.2, um artigo sobre “dom de línguas” (a capacidade de falar em idiomas desconhecidos, fenômeno religioso típico do pentecostalismo). Ele afirma: “Seria bom que os pastores metodistas lessem com muita atenção a matéria citada, pois a Igreja Metodista, com seu espírito ecumenista, é a que mais tem sido procurada pelos grupos que não possuem vidas religiosas disciplinadas.” O mesmo leitor já reclamara que a Igreja Metodista gastava

“grandes somas monetárias” para mandar missionários ao exterior, mas não investia nos meios de comunicação internos, em comparação a outras igrejas evangélicas. “Basta ligar os rádios para ouvir programas Luteranos, Batistas, Batistas da Renovação, Pentecostais, Adventistas, Wesleianos e muitos outros, e só não temos o prazer de ouvir um programa metodista”, queixava-se ele. E concluía: “Nós vemos as outras seitas com muito menos recursos do que nós, crescendo e muitas vezes, roubando os nossos elementos e ainda zombando do nosso paradeiro. Mais uma vez eu repito: Seria bom que a cúpula da Igreja procurasse descobrir onde está o erro e como corrigi-lo o mais rápido possível” (EC: 2ª quinz. 11.1975, p.2, grifo nosso).

4.3.2 Ecumenismo, não. Evangelismo, sim.

A leitura do jornal, sobretudo da página do leitor (mas não exclusivamente) sugere que a relação do metodista com o crescente fenômeno do pentecostalismo oscila entre a resistência (o pentecostalismo rouba membros da Igreja Metodista e também a contamina, tornando-se uma ameaça aos valores tradicionais) e a declarada admiração pela capacidade que as novas igrejas têm de conseguir novos adeptos e crescer rapidamente.

Num momento em que a Igreja desenvolvia uma intensa campanha para a conquista de um rol de membros na faixa dos 100 mil, para muitos o ecumenismo era compreendido como um antagonista da evangelização. Afinal, se todos somos irmãos, inclusive os católico- romanos, quem iremos evangelizar? Essa era a pergunta que lançava o leitor Daniel Rocha, na carta publicada com o título “Repúdio ao Ecumenismo”:

Manifesto o meu repúdio e profunda consternação pelo movimento ecumênico que está ocorrendo ultimamente dentro da Igreja Metodista, sobre o qual não posso calar-me. Refiro-me a um culto ecumênico ocorrido na Igreja Metodista em Artur Alvim, SP. Chegamos ao absurdo de entregar nossos púlpitos aos padres para ali, sob uma aparente santidade “pregarem” a Palavra de Deus, como se realmente a tomassem por base para as suas vidas e doutrinas romanistas.

(...)

Que situação paradoxal encontramos: no Encontro de Evangelização em Brodósqui fomos exortados a evangelizar a fim de alcançar os propalados

100 mil. E o que está acontecendo?! Em primeiro lugar, nós é que estamos

sendo “evangelizados” pelos padres que ocupam nossos púlpitos. Em segundo lugar, descobri que não é mais necessário anunciar a salvação aos católicos, pois “somos todos irmãos”, “somos todos salvos”. Em terceiro lugar, descobri que aquele Encontro de Evangelização foi em vão, pois num país onde todo mundo é católico, não resta mais ninguém para se evangelizar... Daniel Rocha – São Paulo – SP (EC: 2ª quinz. 07.1980, p.2).

Na edição da 1ª quinzena de julho de 78, carta do pastor Carlos Roberto Barbosa, citado anteriormente, também tocava no assunto. Ele afirma: “Temos perdido muitos membros para esses movimentos carismáticos, para outras denominações mais arrojadas no trabalho do evangelismo, e que não abraçaram essa idéia de união com a Igreja de Roma”. Note-se que a culpa pela perda de membros não é atribuída ao proselitismo dos movimentos carismáticos, mas à falta de arrojo metodista no trabalho de evangelismo, decorrente dessa idéia de “união” com a Igreja Católica. Para o pastor, o que está tornando a Igreja Metodista pouco arrojada na evangelização é, justamente, o ecumenismo, que ele avalia como um ardil do catolicismo para neutralizar a ação evangélica:

E temos a certeza que os legítimos metodistas estão preocupados em ganhar o Brasil para Cristo, mas essa ação ecumenista tem arrefecido o fervor evangelístico de nossas igrejas.

E vemos que ação ecumenista é tão disfarçada, tão diabólica, tão manhosa, tão encapuçada, tão insidiosa, tão prejudicial, que pessoas dotadas do desejo sincero de cumprir a grande comissão, mas ingênuas, descuidadas e irrefletidas caem nessa arapuca.

O mais grave, porém, é que, presa na arapuca, se tornam cegas e envenenadas. Quem aceita os acenos ecumenistas perde o interesse por evangelizar.

(...) ao deixar de ser evangelística a igreja deixa de ser evangélica. Deixando de ser evangélica poderá ser tudo, clube social, sociedade filantrópica, grupo religioso, menos Igreja de Cristo. Pois a igreja que não evangeliza fossiliza, seculariza e morre. E é isto que a Igreja de Roma quer.

É mister que o Concílio Geral encare o problema ecumênico nas suas verdadeiras e terríveis dimensões a fim de se tomarem medidas objetivas, concretas e suficientes que nos livrem e imunizem desse vírus satânico, chamado ecumenismo. Isto se quisermos cumprir o nosso dever e chegarmos aos 100 mil em 1982, e continuarmos a nossa história e tradição metodista assinalada pela presença do espírito evangelístico de Wesley. Evangelismo sim! Ecumenismo não! – Rev. Carlos Roberto Barbosa – Campestre – MG (EC:1ª quinz.07.1978, p.2)

4.3.3 Resquícios da guerra

Curiosa a maneira como o pastor Carlos Roberto Barbosa refere-se à Igreja Católica