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5. ARAġTIRMA DÂHĠLĠNDE KAYDI ALINAN CEM EVLERĠNDEKĠ RĠTÜEL SIRALAMAS

5.8 Hacı BektaĢ Veli Anadolu Kültür Vakfı Okmeydanı Ceme

No período de 1975 até 1983 o jornal Expositor Cristão teve três redatores-chefes: o pastor Tércio Machado Siqueira (de março de 1975 a abril de 1976), o pastor Omir Andrade (de maio de 1976 a março de 1977) e o pastor Jorge Cândido Pereira Mesquita, de abril de 1977 a maio de 1983. Vamos nos ater a uma breve análise dos editoriais de Jorge Cândido Mesquita, o redator que permaneceu mais tempo na função durante este período.

Mesquita se posiciona de forma clara a favor do ecumenismo. No jornal da 2ª quinzena de agosto de 1979, no qual a chamada de capa era a visita ao Brasil de Philip Potter, secretário geral do CMI, Mesquita escreve editorial intitulado Ecumenismo: opção de serviço. O autor pondera que a década de 60 foi “pródiga para o movimento ecumênico no Brasil”, especialmente com o desenvolvimento da Semana de Unidade Cristã, por ocasião do Pentecostes. A década de 70, entretanto, entrou em compasso mais lento, “por força de várias circunstâncias históricas, sociais e até mesmo do posicionamento teológico de várias autoridades da Igreja”.

Mesquita afirma que, “sem entrar no mérito da questão em si do movimento ecumênico”, já que a participação da Igreja Metodista no Conselho Mundial de Igrejas é uma

“decisão historicamente tomada” (seria uma questão fora de discussão, portanto), o momento para o ecumenismo ofereceria uma “opção de servir”. Ele defende que os vários projetos através de entidades ecumênicas de serviço, como a CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço), devem levar os metodistas a enfatizar mais sua atuação em conjunto com outras forças cristãs na ajuda ao povo brasileiro:

A posição antiecumênica de alguns, que só vêem no movimento o estar junto com os católicos (como se eles fossem os únicos cristãos com os quais não nos relacionamos) o perigo de ser “engolido’ por Roma, não justifica nossa ausência a projetos especiais de ajuda comunitária”. (...) “Este é o momento em que o movimento ecumênico, especialmente entre nós os metodistas, deve, finalmente, optar por uma ação de serviço. (EC: 2ª quinz. 08.1979, p.2)

Na edição da primeira quinzena de outubro de 1982, depois da decisão do Concílio Geral em integrar o CONIC e o CLAI, Mesquita volta a tocar no tema em editorial intitulado A Reforma e a Unidade Cristã. Mais uma vez, ele defende a união cristã para o serviço:

Não estamos em luta contra grupo religioso nenhum, embora alguns assim o imaginem ainda. Nossa luta, na verdade, está diretamente relacionada com a busca de uma unidade perdida. Uma unidade que, por incrível que pareça, Lutero buscava – a unidade em Cristo.(...) O Concílio Geral, recentemente realizada, acertadamente aprovou a inclusão da Igreja Metodista, em duas organizações que, cada uma a seu ver, traduzem o espírito de unidade. Referimo-nos à entrada no CLAI – Conselho Latino-americano de Igrejas e no CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs.

(...)

A entrada também, de nossa Igreja no CONIC, mesmo com o temor de alguns, representa um grande passo para a nossa Igreja no Brasil. Uma forma de se envolver com projetos comuns que todos aqueles que se dizem cristãos, devem participar. Não deve haver uma preocupação de quem é mais forte e dará as normas mas, certamente, a oportunidade de todos servirem, no mesmo espírito da paz. (EC: 1ª quinz. 10.1982, p.2)

A opinião direta do redator a respeito do tema Ecumenismo é uma exceção. Mesquita não se pronuncia com freqüência sobre o tema, bem como não tem o hábito de emitir comentários de cartas publicadas na Página do Leitor.

4.4.1. Voz autorizada?

É possível que o redator Jorge Cândido Mesquita tenha adotado uma postura de cautela quanto à expressão de suas opiniões no jornal, sobretudo nos temas mais polêmicos. Afinal, no Expositor Cristão, o posicionamento do redator sempre foi uma questão bastante delicada. Como já vimos, os pastores que escrevem no Expositor Cristão portam “linguagem

autorizada”, ou seja, falam revestidos da autoridade outorgada pelo cargo que ocupam na instituição. Mas essa “autorização” não é absoluta. Um episódio envolvendo o próprio Mesquita ilustra isso. No início de 1980, Mesquita escreveu dois editoriais seguidos, aos quais ele deu o significativo título de “Caça às Bruxas?”. No primeiro editorial, na edição da 2ª quinzena de janeiro de 1980, ele afirma que “o mundo está passando por uma onda de conservadorismo em todas as áreas de atuação da vida humana” e tece críticas a respeito das atitudes do Papa João Paulo II que havia condenado dois teólogos europeus (Schillebeecks e Hans Küng) e aberto processo contra o teólogo brasileiro Leornardo Boff. Ao final deste editorial, ele informa que abordará o conservadorismo protestante na edição seguinte. De fato, na edição da 1ª quinzena de fevereiro, ele aborda o conservadorismo na Igreja Metodista no editorial, do qual destacamos alguns trechos:

A Igreja Metodista, no final da década de 60, mergulhou um pouco nessas trevas do conservadorismo, com a histórica e triste decisão de fechar a Faculdade de Teologia, como reflexo muito mais de pressões externas que achavam as idéias ali desenvolvidas contrárias ao regime. Fecharam mais por isso que pelo problema de alguns alunos que bebiam ou fumavam (sempre houve e há isso) porque a onda de conservadorismo não consentiu na linha político-teológica em que se envolviam alunos e professores. (...)

Os movimentos chamados carismáticos, também chegaram até nós e criaram alguns problemas. Para uns, pode ser que tenha sido bom mas, para muitos outros, não. O certo nisso tudo é que são movimentos conservadores mais que renovadores, pois nada trazem de novo ou de revolucionário e de aberto para a vida das comunidades, mas que se fecham a novas maneiras de ver e encarar o mundo que aí está cansado e esperando algo de novo que nós temos, mas cujos invólucros velhos não conseguem conter o que é novo e algumas vezes se rasgam.

(...)

Nunca, desde o seu início, por exemplo, o material para a Escola Dominical foi levado tão a sério e pesquisado, trabalhado e apresentado como atualmente. Entretanto, algumas pessoas e até autoridades da Igreja acham algumas vezes esse material muito avançado e vão na linha conservadora, embora seja um material o mais cristão e metodista que já tivemos até hoje. Até onde vai nossa Igreja? Embarcando e navegando também nessa onda conservadora?... (EC: 1ª quinz.02.1980, p.2)

Este editorial repercutiu na seção de leitores. A edição da 2ª quinzena de março de 1980 traz duas cartas sobre o tema. Uma de aprovação: o leitor João Maria dos Santos, de Santo André, SP, se “congratula com essa direção por tão bom trabalho’ e diz que “após o fechamento da Faculdade de Teologia, a Igreja não mudou em nada para melhor”. Outra carta reprova a atitude do redator e traz a assinatura de Wilbur K. Smith, de Boca Raton, Flórida (EUA). Smith havia sido bispo da Igreja Metodista entre janeiro de 1965 e dezembro de 1978. Ele diz que “o editor apresenta seu “protesto’ de mente aberta ou, segundo outros, de ser pra

frentex” (uma gíria da época, com o significado de “moderno” ou “avançado”). Contudo, as críticas de Mesquita também o colocariam na posição de “caçador de bruxas”. Smith discorda da crítica feita a João Paulo II, pessoa que atua “consciente e cristamente assumindo a responsabilidade de seus atos”. E conclui:

É perfeitamente admissível que o irmão Editor tenha sua opinião divergente dos outros e que as exponha e lute por elas. Porém que se valha de sua posição altamente hierárquica quanto ao poder de influenciar pela imprensa, para tachar os de opinião diferente de “caçadores de bruxas”, creio que seja no mínimo coisa deselegante. (EC: 2ª quinz. 03.1980, p.3)

A carta do bispo aposentado toca num ponto sensível do jornalismo praticado pelo Expositor Cristão: o espaço do editorial, ainda que assinado, é posição do editor ou do “órgão oficial” da Igreja? De maneira geral, os manuais de redação jornalística definem que o editorial é espaço de opinião da empresa. Tanto que, nos órgãos de comunicação empresarial, os chamados house organs, é o presidente da empresa quem costuma assiná-los. Seguindo essa linha de raciocínio, o bispo presidente da Igreja deveria ser o autor do editorial do Expositor Cristão. Veremos que a questão não é assim tão simples... José Marques de Melo, numa obra sobre jornalismo opinativo, reconhece que, normalmente, o editorial é a voz do dono da empresa jornalística. Mas isso ocorreria somente nas “organizações de porte médio ou nas pequenas empresas, onde o controle financeiro fica nas mãos de um proprietário ou de sua família”. (Melo, 2003, p. 103). Nas empresas maiores, o editorial seria o resultado de um consenso:

Nas sociedades capitalistas, o editorial reflete não exatamente a opinião dos seus proprietários nominais, mas o consenso das opiniões que emanam dos diferentes núcleos que participam da propriedade da organização. (Ibidem, p. 104).

Reconheço o risco de se estabelecer qualquer tipo de comparação entre o jornalismo eclesial e o empresarial, concernentes a distintos campos. Mas se alguma comparação pode ser feita, ela o será relacionando a Igreja não a uma organização monolítica, pertencente a uma única pessoa e portadora de uma única voz; mas a organizações mais complexas e plurais, com diversidade de interesses e opiniões. No caso do jornal Expositor Cristão, parece que o consenso – a “opinião da Igreja” – sempre foi mais uma ilusão do que uma meta concreta a ser atingida. Em nome dessa “voz oficial” sempre se buscou evitar que o redator emitisse opiniões próprias no órgão oficial da Igreja. Manter distância de temas polêmicos (um paradoxal reconhecimento da ausência do consenso) é outra das orientações que acompanha o Expositor. Vale a pena voltar um pouco no tempo e observar outros episódios

que demonstram a dificuldade da liderança da Igreja tem em conduzir o seu órgão informativo em meio ao dissenso.

No Concílio realizado em 6 de fevereiro de 1939, Guaracy Silveira apresentou um “programa de trabalho” como uma espécie de “plataforma” à sua eleição ao cargo de redator. Ele mesmo a expõe aos leitores:

O programa, mediante o qual o Redator foi eleito, será publicado em linhas gerais. Em resumo ele consiste em prestigiar as autoridades, orientar a Igreja, evitar que se traga a público o que deve ser levado aos Concílios,

fugir de todas as expressões que possam melindrar os irmãos, defender

as doutrinas básicas da Igreja, intensificar a vida espiritual, informar o povo de Deus sobre o que se passa no mundo, de interesse para os crentes, e evitar que o órgão da Igreja seja veículo de questões e melindres pessoais, quer do redator, quer dos colaboradores. (EC: 08.03.1938, p.2, grifo nosso).

Um detalhe importante: participam dos Concílios apenas os clérigos e delegados leigos escolhidos pelas regiões, a maioria da Igreja saberá apenas do resultado final das discussões e votações realizadas nestes conclaves. Guaracy Silveira “elege-se” redator do órgão de comunicação eclesial com uma plataforma que contraria o princípio básico do jornalismo, que é de informar e não de ocultar informações.

Em 1951, a Junta Geral de Ação Social, JUGAS, (então o órgão da Igreja responsável pela publicação do Expositor Cristão) elabora um “Plano Normativo” para “orientação do Redator do Órgão Oficial da Igreja”. Neste documento, constam orientações como: o EC jamais publicará qualquer palavra que esteja em desacordo com as Regras Gerais, doutrinas históricas e costumes tradicionais da Igreja; não fará nenhuma referência direta ou indiretamente desairosa a qualquer pessoa; promoverá o espírito de fraternidade entre ministros e leigos; deverá evitar tudo aquilo que possa dar motivos a ressentimentos ou reivindicações; publicará todos os avisos informações e convocações oficiais enviadas por qualquer concílio ou congresso, não publicará qualquer propaganda política, paga ou não (EC: 05.04.1951, p.2).

O redator à época, José de Azevedo Guerra, apresenta o documento em tom de queixa: não havia sido consultado para a elaboração das normativas: “A nossa opinião é que norma como essa que cerceia a liberdade de externar o pensamento e criticar atos de autoridades com os quais qualquer um pode não estar de acordo, deveria ser preparado de antemão, apresentado ao plenário do Concílio Geral, livremente discutido e, depois, imposto ao Redator, quando ele poderia aceitar ou não a incumbência”. No número subseqüente, ele publica um protesto contra o Plano Normativo formalizado pelo Concílio Distrital Nordeste de São Paulo. O protesto emitido pelos conciliares fundamenta-se na consideração de que “a

Iigreja Metodista no Brasil, fiel às doutrinas do metodismo universal, pugna pelo exercício da liberdade individual” (EC: 14.06.1951, p.5). Mais uma semana se passa e o jornal volta ao asunto. Desta vez, com a palavra do presidente de honra da Junta Geral de Ação Social, bispo Isaías Fernandes Sucasas. Guerra, “atendendo a um convite do presidente da Junta Geral”, entrevistou-o visando trazer esclarecimentos sobre o Plano Normativo. Escreve o redator:

O presidente pediu ao bispo Isaías Fernandes Sucasas, presidente de honra da dita Junta que expusesse o pensamento de seus componentes a respeito do Plano Normativo, que gerou crítica do editorial e protesto de um concilio distrital. (...)

A Junta lamentava que o Redator, antes de publicar o Plano e em nota da Redação a sua opinião contrária ao item que cerceia a liberdade de crítica, não a fizesse conhecida da Junta para o seu estudo. (...)

... o redator argumentou demonstrando a possilidade do cometimento de erros por organizações humanas e que seu papel diante de erros doutrinários seria dar o brado de alarme, pondo o povo de sobreviso.

A entrevista, muito cordial, terminou com o pedido do Redator para que a Junta, pelo seu Secretário Geral, respondesse aos que não concordaram com o item 2 em sua declaração final e ao Protesto do Concilio Distrital do Nordeste de São Paulo, mas a Junta achou por bem não responder pelo órgão Oficial, pedindo ao Redator que publicasse a entrevista, frisando não ser a sua intenção cercear a liberdade individual e,tão pouco, a liberdade de imprensa. Ainda bem. (EC: 19.07.1951, p.2)

Em 1958, a Junta Geral de Ação Social publica um Regimento Interno para o Expositor Cristão. Cria-se um corpo de co-redatores regionais (todos pastores): da 1ª região Messias Amaral dos Santos ; 2ª - Erasmo Vurlod Ungaretti, 3ª - Isnard Rocha; 4ª - Omar Daibert; 5ª- José Sucasas Jr. No editorial denominado Novos Rumos, o então redator, pastor Almir dos Santos, diz que sua opinião pessoal não coincide em muitos pontos com o que vem no Regimento, mas ele aprendeu a “obedecer às autoridades em tudo quanto não afete sua consciência”. O regimento, após lembrar a finalidade do Expositor segundo constava nos Cânones (a publicação de matéria evangelizante, teológica, filosófica, sociológica, literária, bem como dos atos oficiais da Igreja Metodista) dá “sugestões gerais” para a atuação do jornal, das quais trazemos aqui uma síntese (EC: 22.05.1958, p.16). De acordo com as lideranças da Igreja, o Expositor Cristão deve:

1 - Eliminar nas notícias das Igrejas “referências e coisas sem importância, ou que destoem do espírito e da piedade cristã”

2 - Ser um jornal construtivo, promotor de fraternidade.

3 – “Ser um jornal que possa entrar em qualquer lar sem ofender a suscetibilidade religiosa de ninguém, e que sirva de inspiração e consolo para qualquer pessoa que o leia. Será, assim, um evangelista, delicado, silencioso e diplomata”.

5 - Interessar-se por todos os problemas do homem, quer sejam espirituais, sociais, culturais, nacionais ou internacionais.

6 - Promover educação cívica sem caráter partidário

7 - “Evitar referências impróprias a autoridades eclesiásticas, civis e militares, e aoutras religiões”.

8 – “Apresentar nos editoriais a opinião da Igreja e não a do seu redator ou redatores”.

9 – “Evitar qualquer questão pessoal ou polêmica.”

10 - A redação não é obrigada a publicar toda colaboração recebida

O que pensaria um jornalista diante do pedido para ele elaborasse um jornal “delicado e diplomata”, que evitasse ferir suscetibilidades, evitasse os temas polêmicos e eliminasse das notícias que lhe fossem enviadas os detalhes “sem importância” (para quem?). Ocorre que os redatores do jornal, durante todo o período estudado, não eram jornalistas, eram pastores atuando em um “púlpito” especial, um veículo de evangelização. Não por acaso, o jornal recebeu o epíteto de “O Pregador Silencioso” (EC: 02.11.1927, p.9) que o item três desta lista relembra. Em 1891, o missionário norte-americano J.W. Wolling já deixava bem claro qual era o seu papel como redator do jornal da Igreja: “Estamos persuadidos que é mesmo um meio de evangelisar (sic), approvado por Deus; de outro modo não ficaríamos por um momento em nosso escriptorio para redigir este ou outro jornal qualquer” (EC: 03.10.1891, p.2). Seria de se esperar, portanto, que não houvesse conflitos entre esses pastores-redatores e a liderança da Igreja diante das normas estabelecidas. Mas o claro descontentamento dos redatores José Guerra e Almir dos Santos (ainda que expresso de maneira contida) aponta em outra direção.

Fiegenbaum (2006), que estudou a midiatização do campo religioso54 nos ajuda a compreender essa relação de campos pela qual a Igreja (campo religioso) institui para si um dispositivo de comunicação – um campo midiático atuando no interior do campo religioso, sendo afetado por ele e o afetando. Segundo o pesquisador, o campo religioso trabalha o campo das mídias como um “instrumento para a consecução de seus objetivos”; os meios de comunicação são tomados como auxiliares das igrejas. “Mas, na realidade, eles não se configuram como meros instrumentos, antes se impõem àquilo que é substantivo a cada campo” (p.240). É claro que os conflitos serão mais intensos nos casos em que a redação for ocupada por “especialistas do campo midiático”. Contudo, mesmo quando o lugar é ocupado por “pastores-redatores”, o campo midiático mantém as suas lógicas próprias de produção, circulação e recepção de mensagens, nas quais estão implícitos valores e regras que

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Dissertação de mestrado Midiatização do campo religioso e processos de produção de sentido – Análise de um conflito anunciado - o caso do Jornal Evangélico da IECLB, de 2006.

eventualmente divergem dos valores e regras do campo religioso. Segundo o pesquisador, é nesse momento que as igrejas tornam-se restritivas aos meios de comunicação.

Conclusão:

Na grande maioria das edições desse período, um posicionamento favorável ao ecumenismo pode ser notado claramente, seja pelo tratamento dado às matérias, seja pela presença – discreta – de opiniões declaradas do redator-chefe. Mas, de maneira geral, o ecumenismo que vemos nas páginas do Expositor é um ecumenismo institucional, traduzido na forma de encontros de lideranças: arcebispos, bispos, pastores, padres. Relatam-se, normalmente, encontros festivos: como namorados que se vêem apenas nos finais de semana, não se fala muito nas agruras do cotidiano. As matérias passam ao largo das questões mais polêmicas, como, por exemplo, a desconfiança protestante de que o ecumenismo católico quer trazer de volta ao aprisco as ovelhas desgarradas ou as dificuldades de se compartilhar a mesa da comunhão.

As polêmicas ficam reservadas às páginas dos leitores. Os leitores criticam, apóiam, sugerem, perguntam, discutem – mas apenas entre si. O redator-chefe raramente responde ao leitor. Além da resposta direta, outra forma possível de retorno seria o próprio conteúdo editorial do jornal. A seção de cartas poderia ter sido melhor explorada como geradora de pautas, verdadeiro termômetro do estado geral da Igreja. Fica a sensação de que a página do leitor, embora seja um espaço privilegiado de expressão do membro da Igreja – recuperado após a censura posterior à crise da Faculdade de Teologia, em 1968 – ainda não se estabelece como um meio de diálogo do leitor com o veículo e com a instituição que ele representa.

Permanecem, em alguns artigos e cartas de leitores certo sentimento de “superioridade” do protestante histórico (herdeiro das missões norte-americanas), que se julga detentor da pureza da fé evangélica – seja na comparação com o católico, seja na comparação com as igrejas pentecostais nascidas em solo pátrio. Essa postura elitista não é combatida pelo jornal, mas chega a ser confirmada, o que pode reforçar o sentimento antiecumênico. A redatora- assistente Cláudia Romano de Sant´Anna, em crônica publicada na seção “Janela” conta que no centro de São Paulo, nas cercanias da Praça João Mendes, em meia hora ela contou 25 placas de “casas de bênçãos” e de “igrejas” com pastores e missionários “escolhidos por Deus” (as aspas são dela). Diz ela:

Há uma “casa da bença” (é assim mesmo que estava escrito na placa: “bença”) aonde pode-se ver o que acontece no seu interior, pois fica numa garagem subterrânea e os transeuntes caminhando no passeio mais acima, mesmo que não queiram, são induzidos a olhar o que se passa por lá, uma vez que ‘ os crentes’ cantam, batem palmas e gritam. Alguns dão uivos bem audíveis e demorados.(...) As pessoas que aderem a esses cultos são, em geral, inseguras e infelizes diante do seu ambiente social, e também com suas perspectivas de vida, não sabendo para onde vão’ (citando o psiquiatra Marc