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1. BÖLÜM TOPLUMSAL CĠNSĠYET VE KADININ TANIMI

1.1. Toplumsal Cinsiyet ve Kadının Tanımı

1.1.7. Toplumsal Cinsiyet Kalıpyargıları (Stereotipler)

1.1.7.3. Kalıpyargılar ve Cinsiyet Ayrımcılığı

O distrito, atualmente, possui uma área de, aproximadamente, 50,0 km², onde estão compreendidas: 12 ruas, 4 praças, 380 casas que abrigam, 3000 pessoas (IBGE, 2013). Os espaços mais frequentados pelos moradores dessa localidade são as praças (Figuras 19 e 20).

Figuras 19 e 20 – Praça da Igreja e Praça Nova

A existência de uma política urbanizadora portuguesa para a Colônia, de acordo com Reis Filho (2001), é notada nas similaridades dos núcleos dessa região: ocupação pretérita, sítio, inserção produtiva na lógica colonizadora, acessibilidade. Onde cada núcleo produziu uma dinâmica própria de evolução, influenciadas pelas suas especificidades, não sendo diferente nesta região.

Este distrito possui tipologia simples, um traço urbanístico específico e comum às pequenas aglomerações coloniais: um sítio histórico ocupado e uma periferia que se expandiu (ANDRADE, 2013). Não obstante, a evasão demográfica de determinado período, mostra um contexto diferente da sua ocupação inicial, de pequeno aglomerado em torno da igreja (Figuras 21 a 23).

Figuras 21 e 22 – Rua da Igreja e Rua Nova Brasília

Fonte: Acervo da autora, 2013

Figura 23 – Centro Educacional Claudionor Batista

Fonte: Foto da autora, 2013

A pequena infraestrutura de serviços é constituída por três escolas, posto de saúde, cemitério, igreja católica, cinco igrejas evangélicas, terreiro de candomblé, três associações, grupos de samba e teatro, padaria, quatro mercadinhos, quitandas e barzinhos (Figura 24).

As vias de circulação principais ou são asfaltadas ou pavimentadas por paralelepípedos, as demais possuem solo em terra batida (Figuras 25 e 26).

Figura 25 – Rua da Igreja Figura 26 – Rua Nova Brasília

Fonte: Acervo da autora, 2013 Fonte: Acervo da autora, 2013

Seu sítio é acidentado, com ruas de trama irregular e traçado primitivo do século XVII. O casario é constituído, na maioria, de casas térreas de parede-meia, construções singelas e sem afetação, como observou Lúcio Costa (1937), procurando apenas atender ao programa de morar de seus proprietários (Figura 27). De acordo com os moradores, essas casas foram construídas por mão-de-obra escrava na época colonial, em taipa5, apesar de conservarem alguns aspectos do

traçado original, sofreram intervenções estruturais, sendo algumas, ampliadas ou modificadas, num período mais recente.

Figuras 27 – Casario na Rua da Igreja

Fonte: Acervo da autora

5 Taipa de pilão, pau-a-pique, taipa de sopapo: sistema construtivo rudimentar do tempo da colônia, onde utiliza-se trama

As residências mais próximas do núcleo urbano, apresentam boa estrutura; em sua maioria, reconstruídas em alvenaria, com paredes rebocadas, cobertas com telhas cerâmicas em duas águas, possuem três ou quatro cômodos e banheiro interno, sendo atendidas por rede básica de esgoto e abastecimento de água (Figuras 28 e 29). Nos lugares mais afastados a situação é distinta, denotando um padrão desordenado de ocupação, com a presença de habitações precárias, de taipa, com cobertura de zinco e materiais improvisados, possuindo um ou dois cômodos.

Figura 28 – Rua Nova Brasília Figura 29 – Rua do Cemitério Fonte: Acervo da autora, 2013 Fonte: Acervo da autora, 2013

Algumas fachadas acompanham a mesma linguagem de simplicidade e horizontalidade, com testadas reduzidas e o predomínio das superfícies cheias sobre os elementos vazados de portas e janelas com folhas de madeira tabuada. A partir do século XIX, com a introdução do neoclassicismo, as paredes caiadas em branco das fachadas, foram sendo substituídas por azulejo industrial. Gilberto Freyre, em seu livro Casa Grande e Senzala (2003), acentua a conexão existente entre o uso do azulejo, com o asseio, limpeza e claridade. Este material tornou-se indispensável na região, por garantir uma proteção eficaz contra as intempéries de um clima tropical, como a abundância de chuva e a ação do sol. Ainda nesta época, há a implementação de elementos ecléticos na fachada, como platibandas, que tiveram muita aceitação na região (Figura 29); como também, aberturas para novas janelas e varandas, geralmente, fechadas por grades. Essas, são utilizadas como elemento decorativo e não como proteção, pois a comunidade tem o costume de manter suas portas abertas (Figuras 30 e 31).

Figura 30 – Casas com platibandas Figura 31 – Casas com gradis de ferro Fonte: Acervo da autora, 2013 Acervo da autora, 2013

As principais atividades de subsistência são os trabalhos desenvolvidos na zona rural, nos muitos engenhos da região, no cultivo da cana-de açúcar e da mandioca; pela proximidade com os rios, alguns até hoje, vivem da pesca e mariscagem. Da mandioca fazem a farinha, habilidade adquirida dos índios e muito utilizada pelos escravos, ainda hoje existem na localidade duas casas de farinha, que funcionam no fundo das casas, como pequenas indústrias rudimentares. A casa de farinha é o local onde transformam a mandioca em farinha, ingrediente usado na fabricação de vários alimentos, muito apreciado na região nordeste do Brasil. No período colonial, a farinha de mandioca era usada para a alimentação dos escravos, dos criados das fazendas e engenhos, além de servir como suprimento para os viajantes (Figura 32).

Figura 32 – Casa de Farinha

Com o advento da Petrobrás, muitos moradores da localidade foram contratados para os serviços braçais, pois não possuíam qualificação para atuar em outras frentes de trabalho. A empresa e o município não ofereceram possibilidades de qualificação da mão-de-obra local disponível, que representava um grande percentual, pois a escassez do trabalho persistia desde a falência dos muitos engenhos, o que contribuiu para a emigração, de muitas pessoas, para outras regiões, em busca de emprego.

Uma pequena parcela dessa população, atualmente, presta serviços à Petrobrás ou às suas concessionárias, outros trabalham nas lavouras, na pesca ou são funcionários municipais. A renda familiar da maioria dos habitantes é muito baixa. Os funcionários públicos municipais (professores, serventes, auxiliares de serviços gerais, etc.), os aposentados ou os beneficiários de programas sociais constituem- se nos vetores econômicos da região e são estes proventos que garantem apoio e proteção social a diversos familiares e movimentam a economia local.

Alguns dos habitantes sentem-se desmotivados para o trabalho e, pela falta de oportunidades, acomodam-se à situação e vivem dos pequenos benefícios advindos dos programas sociais, o que propicia a ociosidade, contribuindo, também, para o consumo de bebidas alcoólicas, tornando-se comum a presença de jovens e adultos nos bares ou jogando partidas de dominó.

Mesmo com a emigração da população ativa, suas famílias permaneceram residindo na localidade. Essas pessoas não perderam o vínculo com suas origens, onde mantêm, juntamente com seus familiares, relações de afetividade e identidade com o local, sendo este fato constatado pelo frequente retorno dessas pessoas, principalmente, em épocas festivas.

A religiosidade e as manifestações culturais desse povo sempre estiveram relacionadas com suas raízes afrodescendentes, de onde trouxeram informações, conhecimentos, crenças, músicas, gestos, vivências, culinária, etc., e são fortemente preservadas. Em comemorações e festividades esses grupos se apresentam como parte da programação, são manifestações ímpares na região do Recôncavo e apreciadas por suas singularidades (Figuras 33 a 36).

Figura 33 – Grupo de Samba Lindro Amor Figura 34 – Os Mandus Fonte: Acervo da autora, 2012 Acervo da autora, 2012

Figuras 35 e 36 – Mascarados: os capabodes

Acervo da autora, 2012

As festas populares da comunidade reforçam as relações interpessoais do grupo, eventos que aglutinam, também, parentes, amigos e visitantes de outras localidades. A principal festa popular da comunidade é o festejo católico em homenagem à Nossa Senhora do Monte, com programação religiosa e profana iniciada no mês de janeiro e que culmina com a festa da padroeira no dia 02 de fevereiro, com missas durante todo o dia, encerrando com a procissão, momento de intensa socialização e expressão de fé da comunidade (Figuras 37 a 39).

Figuras 38 e 39: Procissão de Nossa Senhora do Monte Fonte: Acervo da autora, 2013

Os rituais ligados ao Candomblé, com o tempo foram reduzindo, enquanto outras práticas religiosas, como o protestantismo, foram se consolidando na localidade. Os católicos que migraram para a religião evangélica, e que antes participavam das tradições culturais e religiosas, se transformaram em meros expectadores.

A comunidade foi reconhecida como remanescente de quilombos6 pela Fundação

Palmares em 2007 (Anexo B), população com predominância de afrodescendentes, os quais formam uma cultura ímpar e determinante do perfil identitário desta localidade. De acordo com a Fundação Palmares essas comunidades lutam pelo direito de propriedade de suas terras, consagrada pela Constituição Federal desde 1988. A referida Constituição em seu artigo 68 das Disposições Transitórias - assegura aos descendentes dos fundadores de quilombos, que continuam vivendo em áreas antigas, a posse definitiva das terras que habitam, o que reforça a permanência dos seus habitantes nessa localidade.

A forte presença da Igreja Nossa Senhora do Monte através dos seus rituais religiosos e sagrados, praticados durante muitos séculos, conferiu a esta comunidade um sentimento de fé e apego a esse monumento, principalmente em decorrência dos valores simbólicos que lhes foram agregados e pelo histórico do seu processo construtivo, isto é, ter sido edificada pelos seus antepassados escravos.

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Designação comum de pequenos vilarejos formados por escravos, que no período da escravidão se rebelaram contra o sistema colonial e contra sua condição de cativo (FUNDAÇÃO PALMARES, 2009).

A igreja desempenhou um papel importante na construção da identidade desse povo, por ser homogeneizadora das suas referências culturais, lugar onde as experiências de vida da comunidade foram compartilhadas e registradas nas memórias, reforçando o sentimento de pertencimento e simbolizando o orgulho de todos.

A comunidade sempre contribuiu para a conservação da igreja, seus parcos recursos foram utilizados na manutenção, como também, na tentativa de salvar o monumento, porém quando a mesma começou a apresentar problemas estruturais, não conseguiram deter a sua degradação, o que começou a avançar, a passos largos, desde 2008. Os bens móveis da igreja foram retirados e colocados na Casa da Irmandade, localizada ao lado da igreja e onde até hoje são realizadas as atividades religiosas. Esta casa, anteriormente, funcionava como um clube, uma casa de eventos, que a comunidade utilizava para a realização das suas confraternizações e demais atividades sociais (Figura 40).

Figura 40 - Casa da Irmandade de Monte Recôncavo

Fonte: Foto da autora, 2013

A partir de 2008 a comunidade começou a se mobilizar em prol da preservação da igreja, mantiveram contatos e reuniões com autoridades competentes, enviaram cartas e solicitações ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, a autoridades da política baiana, a Petrobrás e a Prefeitura de São Francisco do Conde; as tentativas foram muitas. Em 2012, através de solicitação da Prefeitura de São Francisco do Conde, empresas e técnicos especializados em restauração,

apresentaram alguns projetos, visando a consolidação e estabilização da Igreja de Nossa Senhora do Monte.