Kooperatiflerinin Ortaya Çıkışı
3.1 Kadın Kooperatiflerinin Profili
3.1.2 Kadın Kooperatiflerinin Durumu, Yaşı, Türü ve Büyüklüğü
O quarto momento é a relação da Pessoa com a natureza. Segundo Martinez, “o lugar mais adequado e comum para a celebração do sacrifício tradicional é fora da povoação, no bosque, ao pé da árvore de sacrifício. Este é o verdadeiro templo, um lugar recolhido, silencioso e em contato com a natureza”.156 A natureza dentro da visão nyungwe, não é vista simplesmente
como lugar de cultivo (kulima)157 onde se tiram alimentos para a sobrevivência, mas sim, ela é muito mais do que lugar de cultivo. Ela é o lugar onde acontece a vida, é o lugar onde acontece a comunhão entre os vivos e os antepassados, é lá onde se encontra a árvore sagrada, é o lugar do mistério, ou seja, a natureza é o lugar da manifestação dos parceiros invisíveis segundo Hebga e por isso mesmo, ela é um lugar fascinante e tremendo. 158 Fascinante porque ela é atraente e o seu verde é chamativo, isto é, o homem e a mulher nyungwe são por natureza especialistas em lidar-
154 ALTUNA, P. Raul Ruiz De Asúa. Cultura Tradicional Banto. Luanda: Edições do Secretariado Arquidiocesano
de Pastoral, 1985, pp. 66-67.
155 Idem, p. 67.
156 MARTINEZ, Francisco Lerma. O povo Macua e a sua cultura, Análise dos valores culturais do povo macua no
ciclo vital, Mauá, Moçambique. Maputo: 2ª edição, Paulinas, 2008, p. 216.
157 MARTINS, Manuel dos Anjos. Elementos da língua Nyungwe, gramática e Dicionário nyungwe-Portugues-
Nyungwe, Editorial Além-Mar, Calçada Eng. Miguel Pais, 9-1200, 1ªEdição 1991, p. 223.
se com a natureza como o lugar da vida. Por isso, a terra é tida como a “mãe fértil” de onde brota toda a vida, e daí que ela necessita da água fecundante da chuva e das enchentes dos rios.159
A relação do homem com a natureza nos remete a um grande questionamento que Durkheim coloca no estudo das formas elementares de vida religiosa. “Quais são, ou de onde vêm as sensações geradoras do pensamento religioso?” 160
Segundo Max Muller,
ao primeiro olhar que homens lançaram sobre o mundo, nada lhes pareceu menos natural que a natureza. A natureza era para eles a grande surpresa, o grande terror; era maravilha e milagre permanente. Foi somente mais tarde, quando se descobriu sua constância, sua invariabilidade, seu retorno regular, que determinados aspectos desse milagre foram chamados naturais, no sentido de que eram previstos, ordinários, inteligíveis. É esse vasto domínio aberto aos sentimentos de surpresa e de temor, e essa maravilha, esse milagre, esse imenso desconhecido oposto ao que é conhecido, que deu o primeiro impulso ao pensamento religioso e à linguagem religiosa.161
Assim, o homem e a mulher nyungwe conhecem os nomes das plantas (muti singular e
miti plural)162 e a sua função medicinal. Existem plantas que não podem ser cortadas, outras não podem servir de lenha, tão pouco para fazer casa. Umas, a sua função é meramente medicinal. Igualmente, o homem nyungwe sabe distinguir qual é o solo adequado para o cultivo e até pelo tipo de plantas que nele germinam. As ervas, plantas e raízes das matas não apenas servem de alimento, como muitas vezes encerram o segredo da cura do corpo. Mas existem também muitas ervas e folhas venenosas que carregam em si a ameaça e o perigo da morte.163
Tanto o povo nyungwe, como o povo macua do norte de Moçambique, assim como muitos grupos banto, eles se sentem profundamente unidos ao conjunto da natureza e de maneira especial, às suas forças vitais. Na sua cosmovisão, consideram a vida como o eixo da roda da existência e como a meta para a qual todos os homens caminham e para onde todos os indivíduos e toda a comunidade regressam, pois dalí saíram um dia. Como consequência, tudo o que possa
159 REHBEIN, Franziska C. S.Sp.S.. As raízes do mundo africano. In: Candomblé e Salvação, a salvação na
religião Nagô à luz da Teologia cristã. São Paulo: Edições Loyola, 1985, p. 26.
160 DURKHEIM, Émile. As Formas elementares de vida Religiosa (O sistema totêmico na Austrália). São Paulo:
Ed. Paulinas, 1989, p. 108.
161 Apud,Max Muller. In DURKHEIM, Émile. As Formas elementares de vida Religiosa (O sistema totêmico na
Austrália). São Paulo: Ed. Paulinas, 1989, p. 109.
162 MARTINS, Manuel dos Anjos. Elementos da língua Nyungwe, gramática e Dicionário nyungwe-portugues-
nyungwe. Lisboa: Editorial Além-Mar, Calçada Eng. Miguel Pais, 9-1200, 1ªEdição 1991, p. 267.
163 REHBEIN, Franziska C. S.Sp.S.. As raízes do mundo africano. In: Candomblé e Salvação, a salvação na
desenvolver e enriquecer a vida é considerado um valor fundamental, opostamente, tudo aquilo que possa ofuscar ou destruir a vida, é considerado como um mal e um contra-valor.164
A natureza fascina o nyungwe e isto faz com que ele adquira mais conhecimentos sobre ela para poder dominá-la. O homem africano, entregue à agricultura, continuamente ameaçada pelo perigo das secas, sente as nascentes e os rios como fontes de vida. Os ritos e as festas agrícolas que acontecem no tempo da sementeira, da colheita, no nascimento, na iniciação, dão testemunho da fé do africano, ciente de que a vida e os mananciais da terra não estão em seu poder, mas são dádivas de algo que o ultrapassa.165
John Mbiti, na sua reflexão sobre a relação do africano com a natureza, atinge o cerne da questão, ao afirmar que:
Nas atitudes dos africanos a natureza é “sagrada” e o homem tem com ela um relacionamento sacerdotal. Ela é a consciência religiosa do universo, visto a partir do lugar central ocupado pelo homem. As pessoas usaram e, em grande parte, continuam a usar quase tudo ao seu alcance para fazer ofertas e sacrifícios a Deus e outras realidades espirituais. O homem se engaja num processo de sacralização da natureza e trata a natureza com respeito sacral. Isto é o ideal, embora existam muitos abusos para com a natureza.166
Contudo, a natureza apresenta outra realidade tremenda que escapa ao controle do homem. Existem lugares da natureza que causam pavor, medo e temor. Esses lugares podem ser onde se faz o sacrifício e oferendas aos antepassados, em geral há sempre uma árvore frondosa em volta da qual descansam os espíritos dos antepassados, pode ser também nos cemitério. Segundo Durkheim, “essa árvore ou rochedo são tidos como representantes do corpo do herói, imagina-se que a sua própria alma aí retorne continuamente e aí resida de forma mais ou menos permanente. É pela presença dessa alma que se explica o respeito religioso que esses lugares inspiram”.167
As forças e a violência dos elementos da natureza que se desencadeiam, como a tempestade, os raios, a erosão, também causam temor ao homem, e ele se sente impotente perante
164 MARTINEZ, Francisco Lerma. O povo Macua e a sua cultura, Análise dos valores culturais do povo macua no
ciclo vital, Mauá, Moçambique. Maputo: 2ª edição, Paulinas, 2008, p. 73.
165 REHBEIN, Franziska C. S. Sp.S.. As raízes do mundo africano. In: Candomblé e Salvação, a salvação na
religião Nagô à luz da Teologia cristã. São Paulo: Edições Loyola, 1985, p. 27.
166 MBITI, John. Sugestões para uma nova resposta. Resposta africana. In: Concilium, Petrópolis: Vozes., vol.128,
1977/8, p. 87.
167 DURKHEIM, Émile. As Formas elementares de vida Religiosa (O sistema totêmico na Austrália). São Paulo:
essas forças da natureza, como também as mesmas permitem-lhe experimentar a graça da chuva e do fogo indispensáveis para a sua sobrevivência, manifestando-lhe a ordem do cosmos.168
O Homem nyungwe sabe o tipo de solo em que pode colocar os seus pés, assim como foi dito a Moises, “Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é chão sagrado”.169 Nisso, se
pode ver o quanto o nyungwe é perito na sua relação com a natureza. O homem deve reconciliar a natureza com a sua função sacerdotal. Sem o homem, diz Mbiti, “a natureza (a terra) seria áspera, rígida e selvagem. Sem o homem a natureza estaria cheia de espinhos e ervas daninhas.”170
Mas o maior mistério é o próprio homem e a sua existência. Os numerosos ritos e celebrações em torno do nascimento, da puberdade e do matrimonio mostram que neles o africano celebra o próprio mistério da vida, dom maior e a ser protegido contra o perigo máximo que é a morte. A vida é o valor supremo do homem. Nas orações feitas aos antepassados os pedidos constantes do povo são relacionados à vida. Vida para a pessoa, vida para a mulher grávida e para as crianças recém-nascidas, vida para a família e para o grupo tribal.171
Portanto, as próprias forças do homem não são proteção suficiente contra os inúmeros inimigos da vida. Sendo consciente disso, o homem estende as mãos para aquilo que transcende o humano. Desta forma, o homem não pode estabelecer relação com a natureza sem se dar conta de sua imensidão, de sua infinitude. Ela o supera por todos os lados. Para além dos espaços que ele percebe, há outros que se estendem sem fim. Cada um dos momentos da duração é precedido e seguido por um tempo ao qual nenhum limite pode ser determinado. Por exemplo o rio que corre, manifesta uma força infinita posto que nada o esgota. Não existe aspecto da natureza que não seja capaz de despertar em nós aquela sensação aterradora de infinito que nos envolve e nos domina. Nessa sensação teriam derivado as religiões, afirma Max Muller.172
Muller completa seu pensamento dizendo que, “a religião só se constituiu realmente quando as forças naturais deixaram de ser representadas aos espíritos sob a forma abstrata. É
168 REHBEIN, Franziska C. S. Sp.S.. As raízes do mundo africano. In: Candomblé e Salvação, a salvação na
religião Nagô à luz da Teologia cristã. São Paulo: Edições Loyola, 1985, p. 26.
169 Ex 3, 5.
170 MBITI, John. Sugestões para uma nova resposta. Resposta africana. In: Concilium, Petrópolis. Vozes: vol.128,
1977/8, pp. 87-88.
171 REHBEIN, Franziska C. S. Sp.S.. As raízes do mundo africano. In: Candomblé e Salvação, a salvação na
religião Nagô à luz da Teologia cristã. São Paulo: Edições Loyola, 1985, p. 27.
172 Apud,Max Muller. In DURKHEIM, Émile. As Formas elementares de vida Religiosa (O sistema totêmico na
preciso que elas se transformem em agentes pessoais, em seres vivos e pensantes, em potências espirituais, deuses, pois é a seres desse gênero que em geral se dirige o culto”.173