• Sonuç bulunamadı

3.2. Bulgular

3.2.2. Siyasal Katılım ve Kadın

3.2.2.6. Kadının Kadını Temsili Hakkındaki Düşünceler

A constituição da mulher e de seus papéis sociais é ponto importante na discussão sobre a representação feminina através da mídia, tema central desta pesquisa. Nesse sentido, faz-se necessário apresentar e discutir o que é ser mulher na sociedade brasileira, e como essa imagem de mulher se constituiu durante os séculos.

Neste capítulo, pretendo apresentar também um panorama dos fatos e datas mais importantes da história da mulher e, por que não dizer, da história do feminismo no Brasil, na tentativa de construir um perfil da participação da mulher em sociedade, seus silêncios e suas manifestações. Alguns marcos sociais e históricos têm importância fundamental na definição e constituição do que é ser mulher na sociedade brasileira. Interessa-nos pontualmente essa discussão, uma vez que analisar e discutir a inserção da mulher nos meios de comunicação implica, necessariamente, passar por datas históricas, construções de sentido específicas de cada período, restrições e liberdades conquistadas durante a história da mulher no Brasil. Apresentamos, na sequência, um quadro com um panorama histórico, definido por datas importantes que marcaram as lutas e conquistas das mulheres no Brasil e no mundo. Diante dos diversos fatos ocorridos desde o lançamento da Declaração dos Direitos da Mulher (1791), optamos por fazer a seleção das datas que trouxeram implicações diretas para o feminismo.

QUADRO 1 - A história da mulher contada em datas (continua)

Datas Acontecimentos

1529 Cornélio Agrippa escreve a obra De nobilitate et praecellentia feminae sexus (Da nobreza e excelência do sexo feminino).

1673 François de la Berre publica a obra De l’égalité des sexes.

1790 Mary Wollstonecraft publica Reivindicação dos direitos da mulher. Através dessa obra, ela defendeu uma educação para meninas que aproveitasse seu potencial humano.

1791 Marie Gouze, escritora e militante francesa, publica a Declaração dos Direitos da Mulher. Para assinar seus panfletos de luta a favor da mulher, usava o pseudônimo Olympe de Gouges.

1827 Mulheres têm direito a frequentar escolas no Brasil.

1832 Lançamento do livro de Nísia Floresta, Direitos das mulheres e injustiça dos homens.

1848

Em Nova York (EUA), ocorre a Convenção em Seneca Falls, o primeiro encontro sobre direitos das mulheres.

1850 Criação dos jornais brasileiros A Esmeralda e O Jasmin, lançados em Recife.

1852 É lançado no Brasil o Jornal das Senhoras, editado por Joana Paula Manso de Noronha.

1857 Em 8 de março, em Nova York, 129 operárias morrem queimadas pela força policial, na fábrica têxtil Cotton, em Nova York. Elas ousaram reivindicar a redução da jornada de trabalho e o direito à licença- maternidade. Desde 1910 a data é utilizada em comemoração ao dia da

mulher como forma de “homenagear” as militantes trabalhadoras.

1862 Lançamento do jornal O Bello Sexo, no Brasil.

1869 O Wyoming é o primeiro estado dos Estados Unidos a outorgar o direito de voto feminino.

1869 John Stuart Mill publica a obra Sobre a sujeição da Mulher, através da qual defende o fim da desigualdade feminina.

1873 Publicado em Campanha da Princesa (MG), o jornal O Sexo Feminino. 1874 Surgiram os periódicos O Domingo e o Jornal das Damas, no Rio de

Janeiro, seguidos do Myosotis, de Maria Heraclia, lançado em Recife, em 1875, e do incisivo Echo das Damas, de Amélia Carolina da Silva Couto, no Rio de Janeiro, em 1879.

1874 Maria Augusta Generosa Estrella deixou o Rio de Janeiro para estudar medicina nos Estados Unidos. A ela se juntou Josefa Agueda Felisbella Mercedes de Oliveira. As duas publicaram, depois, um jornal em Nova York: A Mulher (1881).

1879 O governo brasileiro abriu as instituições de ensino superior do país às mulheres.

1880 No Brasil, as primeiras mulheres graduadas em Direito encontram dificuldades em exercer a profissão.

1888 Criação do jornal A Família.

1893 Liderado por Kate Sheppard, o movimento sufragista da Nova Zelândia consegue garantir o direito de voto às mulheres.

1897 No Reino Unido, Millicent Fawcett funda a União Nacional pelo Sufrágio Feminino.

QUADRO 2 - A história da mulher contada em datas (continua)

1898 Inglaterra e Escócia jogam em Londres a primeira partida de futebol feminino.

1900 Primeiras referências na imprensa internacional às exibições esportivas femininas.

1907 Sob a presidência de Clara Zetkin, reúne-se a I Conferência Internacional de Mulheres Socialistas.

1910 A professora Deolinda Daltro funda o Partido Republicano Feminino, no Brasil.

1913 Sufrágio feminino na Noruega.

1917 A professora Deolinda Daltro lidera uma passeata exigindo a extensão do voto às mulheres.

1918 - O Parlamento britânico aprova uma lei eleitoral que outorga o sufrágio às mulheres maiores de 30 anos.

- No Brasil, a jovem Bertha Lutz, iniciando a carreira profissional como bióloga, publica, na Revista da Semana, uma carta denunciando o mau tratamento dado ao sexo feminino pela sociedade.

1920 É aprovada a XIX emenda à Constituição dos Estados Unidos, estabelecendo que todas as mulheres maiores de idade têm direito ao voto.

1921 É constituída, no Rio de Janeiro, sob a liderança de Bertha Lutz, a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.

1929 Sufrágio feminino no Equador.

1932 O governo de Getúlio Vargas promulga o novo Código Eleitoral pelo Decreto n.º 21.076, de 24 de fevereiro, garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras.

1933 Nas eleições deste ano para a Assembleia Constituinte, são eleitos 214 deputados e uma única mulher: a paulista Carlota Pereira de Queiroz. 1945 As mulheres conseguem o direito de voto na França e na Itália.

1949 A escritora francesa Simone de Beauvoir (1908-86) publica o livro O segundo sexo, uma análise da condição da mulher na sociedade.

1951 Aprovada pela Organização Internacional do Trabalho, a 19 de junho, a Convenção de Igualdade de Remuneração entre trabalho masculino e trabalho feminino para função igual.

1960 Surge o novo feminismo, em paralelo com a luta dos negros norte- americanos pelos direitos civis e com os movimentos contra a Guerra do Vietnã.

1963 Betty Fridman publica A mística feminina, obra que rediscute os papéis sociais desempenhados pela mulher.

1964 No Brasil, o Conselho Nacional de Desportos (CND) proíbe a prática do futebol feminino.

1968 Greves e movimentos populares e estudantis ocorrem em Paris, Praga e depois na Alemanha, Itália, Argentina, México e no Brasil.

1975 No Rio de Janeiro, é criado o Centro da Mulher Brasileira — CMB, primeira organização do novo feminismo.

Em São Paulo, outro grupo de mulheres funda o Centro de Desenvolvimento da Mulher Brasileira — CDMB.

luta pela redemocratização do Brasil. O MFA era presidido por Terezinha Zerbini.

1980 Realiza-se o Encontro Feminista de Valinhos, São Paulo. Recomenda-se a criação de centros de autodefesa, para coibir a violência contra a mulher.

1981 Cai o veto à prática do futebol feminino no Brasil.

1984 Criação do Conselho Nacional da Condição da Mulher (CNDM), que junto ao Centro Feminista de Estudos sobre a Mulher e Assessoria (CFEMEA) organiza uma campanha nacional para a inclusão dos direitos das mulheres na nova carta constitucional.

2006 Criação da Lei Maria da Penha (Lei n. 11 340, de 7 de agosto de 2006).

Fonte: Elaborado pela autora

Como é sabido, o movimento feminista é conhecido pelo seu ápice de atuação na segunda metade do século XX, quando os movimentos sociais proliferaram nas Américas e na Europa. Porém, ao acompanharmos a história da mulher, notamos que a busca pela igualdade e pelos direitos desse grupo vem sendo reivindicada há mais de quatro séculos. Propomos a seguir alguns rápidos comentários sobre os avanços e retrocessos do quadro 1.

No século XVI, em 1529, o alemão Cornélio Agrippa escreveu a obra De nobilitate et praecellentia feminae sexus (Da nobreza e excelência do sexo feminino). Na baixa Idade Média, quando a Igreja reservava à mulher um lugar de periferia e de inferioridade, o humanista Agrippa propõe a valorização da figura feminina. A igualdade entre os sexos foi também defendida na França, em 1673, por François de la Berre, na obra De l’égalité des sexes (Igualdade dos sexos). Dentre os pontos defendidos pelo filósofo estava o direito de a mulher exercer o sacerdócio. Esses casos chamam-nos a atenção especialmente por serem fruto de iniciativas masculinas em favor da defesa e igualdade dos direitos femininos.

Sob as luzes do Iluminismo, aparece a obra de Mary Wollstonecraft, de 1790, Reivindicação dos direitos da mulher, que contribuiu sobremaneira para o desenvolvimento intelectual do tema. Desde então, muitos fatos marcaram avanços e retrocessos na história da mulher no Brasil e no mundo. A cultura de afastamento da

QUADRO 3 - A história da mulher contada em datas (continua) Datas Acontecimentos

1985 - Criada a primeira delegacia da mulher.

Criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, com status de ministério.

mulher das decisões políticas serviu de incentivo para as constantes lutas por espaço social.

Outra publicação importante na constituição do embasamento de luta feminina é a obra de Marie Gouze. A escritora e militante francesa publica a Declaração dos Direitos da Mulher, em 1791. Como foi dito no quadro, para assinar seus panfletos de luta a favor da mulher, usava o pseudônimo Olympe de Gouges.

A marca da iniciativa de inserção da mulher brasileira na sociedade se dá com a autorização dada às mulheres a frequentarem escolas. Em 1827, o decreto imperial de 15 de outubro estabeleceu a criação das primeiras escolas em cidades e vilarejos. Antes desse decreto, as mulheres obtinham algum tipo de formação em casa, com as mães ou as amas de casa e, quem tinha essa sorte (de ter mulheres letradas em casa), aprendia a ler. As amas eram também responsáveis por ensinar às meninas os afazeres domésticos e os preceitos religiosos. O aprendizado recluso trazia às mulheres a reafirmação do seu lugar no interior da casa, distante das ações e aparições públicas. Com o acesso às escolas, abria-se uma nova possibilidade à classe feminina, que culminaria na produção literária, jornalística e acadêmica (ao longo do tempo).

Outra data importante para a história da mulher foi o famoso 8 de março. O ano de 1857 foi marcado por um ato de reivindicação das mulheres, em uma fábrica têxtil nos Estados Unidos, em busca de redução da jornada de trabalho. A morte das

manifestantes deu lugar à “comemoração” do dia da mulher, em 8 de março, desde o

ano de 1910. A coragem e ousadia das trabalhadoras diante da repressão foi o motivo principal da homenagem feita a elas com a instituição dessa data que é comemorada até hoje, em grande parte do mundo.

Juntamente com as publicações de obras filosóficas e teóricas em prol dos direitos da mulher, a imprensa aparece como um grande instrumento de proliferação dos ideais de igualdade entre os sexos. No Brasil do século XIX, começam a surgir os jornais com temáticas femininas. No início, os periódicos abordam timidamente questões de moda; as mulheres usam pseudônimos masculinos para ter seus textos publicados; depois os folhetins aparecem como um bom atrativo para as mulheres e, em fins do século XIX, solidificam-se os jornais de cunho emancipatório, em busca da igualdade e dos direitos das mulheres na sociedade.

O início do século XX é reconhecido pela luta e pelas conquistas femininas com relação ao direito de votar. No Brasil, a lei de 1932, do governo Getúlio Vargas, é

responsável por permitir que as mulheres participem diretamente das decisões políticas, ao adquirirem o direito ao voto.

Em 1949, a publicação do livro O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, trouxe diversas contribuições para a luta feminina. O embasamento para a grande efervescência dessa questão, nos anos 60 e 70, foi sustentado pelas discussões da filósofa francesa. Simone de Beauvoir defendeu, essencialmente, a liberdade em suas obras e buscou refletir sobre a construção cultural da figura feminina, por isso sempre foi alvo de críticas, incompreensões e, ao mesmo tempo, motivação para as mulheres envolvidas em questões políticas e dispostas a buscar sua liberdade.

Se continuarmos caminhando pelo século XX, veremos que a grande marca de reivindicações e lutas das mulheres está no final da década de 1960 e nos anos 1970, momento em que o mundo passa por uma agitação política e social. As manifestações estudantis e os movimentos populares em busca de liberdade e de direitos políticos compuseram o cenário facilitador do surgimento do feminismo. A historiadora francesa Perrot (2007) assegura que tal momento histórico relaciona-se a situações de ordem científica, sociológica e questões políticas.

O advento da história das mulheres deu-se na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos nos anos 1960 e na França uma década depois. Diferentes fatores imbricados – científicos, sociológicos, políticos – concorreram para a emergência do objeto mulher, nas ciências humanas em geral e na história em particular. (PERROT, 2007, p.19)

Se fizermos um retorno na história do século XX, é possível concluir que o movimento feminista dos anos 1960/1970 (largamente conhecido) foi reflexo de um processo paulatinamente construído desde o século XVI. Concordamos com Perrot que a década de 1960 foi apenas o ápice de uma escada, construída por degraus pequenos e alicerçados de forma morosa por entre os séculos. As discussões filosóficas e teóricas, os tímidos decretos-lei que inseriam as mulheres em ambientes escolares, as lutas por espaço político nos anos novecentos, as publicações midiáticas desde o início do século XIX (no Brasil, somente a partir de 1850) e todas as investidas das mulheres em busca da conquista de espaço podem ser elencados como fatores que desencadearam o feminismo no Brasil e no mundo.

O feminismo como movimento coletivo de luta de mulheres só se manifesta como tal na metade do século XX. Essas lutas partem do reconhecimento das mulheres como específica e sistematicamente oprimidas, na certeza de que as relações entre homens e mulheres não estão inscritas na natureza, e que existe a possibilidade política de sua transformação. A reivindicação de direitos nasce do descompasso entre a afirmação dos princípios universais de igualdade e as realidades da divisão desigual dos poderes entre homens e mulheres. Nesse sentido, a reivindicação política do feminismo só pode emergir em relação a uma conceituação de direitos humanos universais; ele se baseia nas teorias dos direitos da pessoa, cujas primeiras formulações resultam das revoluções norte-americana e depois a francesa. (FOUGEYROLLAS-SCHWEBEL, 2009, p. 144).

Tais reivindicações políticas encontram terreno fértil para seu desenvolvimento nas mobilizações dos anos 1960 e 1970. É interessante pontuar que as várias fases de ações e exigências das mulheres são compreendidas, pelos estudiosos da área, a partir de ondas. A metáfora do feminismo como ondas sugere um movimento constante,

“[...]...intermitente, sincopado, mas ressurgente, porque não se baseia em organizações

estáveis capazes de capitalizá-lo. É um movimento e não um partido...” (PERROT, 2007, p.155). Desse modo, por estar envolvido com ações de grupos (populares ou não), o feminismo contribui para a construção de uma coletividade. O movimento “[...] assumiu e criou uma identidade coletiva de mulheres – indivíduos do sexo feminino com um interesse compartilhado no fim da subordinação, da invisibilidade e da

impotência, criando igualdade e ganhando um controle sobre seus corpos e vidas”

(MATTOS, 1999, p.35).

De forma mais pragmática, Duarte (2003) compreende o feminismo como “[...] todo gesto ou ação que resulte em protesto contra a opressão e a discriminação da mulher, ou que exija a ampliação de seus direitos civis e políticos seja por iniciativa

individual, seja de grupo...” (DUARTE, 2003, p.152). A partir dessa perspectiva, a

pesquisadora estabelece três ondas que explicam o movimento feminista no Brasil, caracterizadas pelo tipo de reivindicação sustentada pelas mulheres e pela composição do grupo envolvido. A primeira onda estaria no início do século XIX, com dois marcos principais no Brasil: o direito das mulheres frequentarem a escola, e a publicação do livro Direitos das mulheres e injustiças dos homens, da brasileira Nísia Floresta. Do Rio Grande do Norte, Nísia Floresta traduziu livremente as ideias de Mary Wollstonecraft e

acrescentou-as às contribuições de outra (o)s filósofa (o)s dos séculos anteriores. Para Duarte (2003), essa primeira onda pode ser definida pela sua exterioridade.

E aqui está a marca diferenciadora deste momento histórico: a nossa primeira onda, mais que todas as outras, vem de fora, de além mar, não nasce entre nós. E Nísia Floresta é importante principalmente por ter colocado em língua portuguesa o clamor que vinha da Europa, e feito a tradução cultural das novas idéias para o contexto nacional, pensando na mulher e na história brasileira (DUARTE, 2003, p.154).

Sob outra perspectiva, Pinto (2009) defende que a primeira onda do feminismo está no início das manifestações femininas em busca de seus direitos.

Mas a chamada primeira onda do feminismo aconteceu a partir das últimas décadas do século XIX, quando as mulheres, primeiro na Inglaterra, organizaram-se para lutar por seus direitos, sendo que o primeiro deles que se popularizou foi o direito ao voto (PINTO, 2009, p.15).

Encontramos em Knebell (2009) outra opinião. Para o pesquisador, a primeira onda de feminismo relaciona-se às reivindicações de mulheres brancas, da classe média, preocupadas com a participação política. Por isso, o movimento iniciado na Europa e nos EUA a partir de meados do século XIX traz como reivindicações o direito ao estudo, à herança, à propriedade, ao voto e ao trabalho remunerado. Com a chegada do século XX, as mulheres passam a cobrar mais diretamente o direito ao voto e, assim, ficam conhecidas como sufragistas.

Nesta tese, compreendemos que o feminismo está relacionado às manifestações, sejam elas veladas ou explícitas, de mulheres em prol de direitos, de espaço e de consolidação de identidade. Sendo assim, somamos nossa voz à de Duarte, quando esta afirma que a primeira onda do feminismo está diretamente vinculada à lei que permite à mulher frequentar as escolas, no Brasil. A base de formação do movimento feminista brasileiro da década de 1970 parece ter surgido a partir de tal abertura à educação e das leituras libertárias advindas de movimentos filosóficos e sociais do exterior. Acreditamos serem importantes as manifestações em busca de direitos, tal como aconteceu a partir de fins do século XIX e início do século XX, como define Pinto; mas preferimos tomar como referência nesta tese a ideia de que a primeira onda do feminismo antecede a manifestação popular e se insere na produção intelectual.

Para os pesquisadores do feminismo, a segunda onda tem início com o fim da Segunda Guerra Mundial. Após ter saído para o mercado de trabalho, para substituir a mão de obra masculina que estava na guerra, a mulher reivindicava outros direitos a ela cerceados. A partir da segunda metade do século XX, as mulheres buscavam a construção da sua identidade. Para isso, era preciso lutar pelo direito de usufruir seu corpo e ter acesso ao prazer. A agitação social e política da Europa no final dos anos 1960 contribuiu para o ápice do movimento e, portanto, para o surgimento da segunda onda do feminismo.

Duarte (2003) ao apresentar sua releitura das ondas do feminismo, propõe também uma classificação diferente ao analisar a segunda onda feminista a partir das publicações periódicas que se proliferaram em fins do século XIX. Ela é definida pela pesquisadora como sendo mais jornalística que literária. Selada no ano de 1870, caracterizava-se pela proliferação de periódicos que defendiam a emancipação e os direitos da mulher. Sob essa perspectiva, o jornal O Sexo Feminino faz parte da segunda onda de feminismo, uma vez que foi lançado em 1873 e suas pautas cumprem a proposta emancipatória por meio da educação da mulher. Junto com ele estão outros jornais que surgiram com o objetivo de defender os direitos femininos, como O Domingo, Jornal das Damas e A Família.

A terceira onda de feminismo, segundo Duarte (2003), tem início no século XX e está diretamente relacionada à base de reivindicações discutidas no século anterior.

O século XX já inicia com uma movimentação inédita de mulheres mais ou menos organizadas, que clamam alto pelo direito ao voto, ao curso superior e à ampliação do campo de trabalho, pois queriam não apenas ser professoras, mas também trabalhar no comércio, nas repartições, nos hospitais e indústrias. (DUARTE, 2003, p.160)

Essas reivindicações das mulheres do século XX compõem a pauta de solicitações pertinentes à classe média brasileira. Se levarmos em conta que a população brasileira feminina com formação escolar, especialmente de nível superior, no início do século XX era ainda restrita, falar em mercado de trabalho e novas profissões para as mulheres era permitir que a voz da classe média fosse ouvida por meio das lutas.

Pinto (2009, p.15) relembra que o movimento em busca do voto, no Brasil, foi liderado por Bertha Lutz, bióloga e cientista, que trouxe para o Brasil, a partir de 1910, os ideais adquiridos com a sua experiência no exterior. É de 1932 o decreto-lei do

governo Getúlio Vargas, que permite às mulheres votarem. A partir dessa conquista, as