3.2. Bulgular
3.2.2. Siyasal Katılım ve Kadın
3.2.2.7. Bir Kadınlar Partisi Kurulması Hakkındaki Düşünceler
Durante séculos, a religião - especialmente aquela professada pela Igreja Católica - pautou as concepções de vida e sociedade entre os povos. Os conceitos ligados ao comportamento, hábitos de vida e relações interpessoais eram definidos, em muitos aspectos, por aquilo que a Igreja julgava certo e permitido, perante os olhos de Deus. Agradar a Deus era (e para muitos, continua sendo) uma meta divina a ser alcançada. Porém, durante os séculos de auge da presença da Igreja junto ao Estado, especialmente na baixa Idade Média, o que agradava a Deus era o que os líderes religiosos definiam como sendo bom, justo e correto. A Reforma da Igreja, ocorrida a partir do século XVI, encontra eco exatamente na insatisfação dos fiéis perante os mandos e desmandos de líderes religiosos que pouco sabiam da experiência do Divino e se apegavam a leis e regras hierárquicas e institucionais. A hierarquia se fez presente até mesmo na definição de quem tomava a palavra e possuía o direito de se manifestar publicamente. “[...] A partir do século 12, a Igreja reserva estritamente a pregação a seus clérigos e os instrui para isso. As mulheres constituem seu auditório calado” (PERROT, 2005, p.318). Nesse sentido, os espaços sociais também eram permeados pela visão religiosa que era tão limitadora e rigorosa.
Dessa forma, a concepção da mulher também era definida pelo viés religioso. Para a Igreja, a imagem da mulher, a partir de certo momento social (digamos, a baixa Idade Média, se pensarmos na França como exemplo) associa-se diretamente à figura da Virgem Maria. Atributos como sofredora, imaculada, fiel, dócil e silenciosa estão sempre relacionados à existência de Nossa Senhora e, por conseguinte, da mulher. Além disso, a maternidade e a doação de si são muito fortes na definição da Virgem Maria. Esses caracteres compõem o imaginário da mulher perfeita, aliás muito difundido na sociedade brasileira25. Não apenas os que seguem preceitos religiosos (e católicos) partilham essa concepção. Esse imaginário de mulher perfeita, no nosso país, está alastrado. O senso comum também está, pois, permeado pela visão tradicionalista da figura feminina.
É sabido e reconhecido que a Igreja de Jesus Cristo conservou muito da mentalidade bíblica patriarcal. Nasceu em ambiente judaico
25 Mas, também de certo modo em alguns países latinos católicos, sobretudo os muito marcados pelo
tradicional, em que a vida da mulher se confinava ao espaço doméstico. Crescida, ela passava do domínio do pai para o marido, sem ser tida nem havida na transação matrimonial. Humilde, obediente, silenciosa, trabalhadeira, tão pouco tinha palavra no tribunal. Não era obrigada a estudar a Torá para a qual, aliás, se julgava não ter capacidade, não podia ler na sinagoga, mas não escapava às impurezas legais, quer por causa dos seus períodos menstruais, quer por causa do parto, em que devia ficar 40 dias afastada do culto (DIAS, 1995, p.14).
O estudo de Dias aponta os elementos que definem o lugar da mulher na história da Igreja. A visão tradicionalista e patriarcal, segundo ele, é modificada com a perspectiva salvadora da figura de Jesus Cristo. Porém, a tradição religiosa ainda reservaria um lugar de obediência e servidão para a mulher.
Recorremos aqui aos conceitos defendidos pelo Catecismo da Igreja Católica (CIC), compilação dos dogmas e conceitos perpetuados pela Igreja. O documento data de 1992 e busca apresentar certa igualdade entre os sexos, na visão mais moderna da Igreja. O atual CIC foi elaborado por uma comissão de cardeais, encabeçada pelo cardeal Joseph Ratzinger, posteriormente nomeado papa adotando então o nome de Bento XVI. Segundo este registro,
Cabe a cada um, homem e mulher, reconhecer e aceitar sua identidade sexual. A diferença e a complementaridade físicas, morais e espirituais estão orientadas para os bens do casamento e para o desabrochar da vida familiar. A harmonia do casal e da sociedade depende, em parte, da maneira como se vivem entre os sexos a complementaridade, a necessidade e o apoio mútuos. (CIC, 2000, p. 605)
De acordo com a tradição cristã, a mulher é vista como aquela que foi tirada da costela do homem. Na narração bíblica, encontra-se a frase “Então o homem exclamou:
‘Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher,
porque foi tirada do homem’” (BÍBLIA SAGRADA, 2003, p.51). Nesse sentido, o conceito de mulher assumido pela Igreja é aquela que foi feita a partir do homem, retirada do seu lado, para ser igual a ele e ambos à imagem e semelhança de Deus. Há discordâncias em relação à interpretação de tal narração bíblica, uma vez que há aqueles que compreendem que a imagem feminina continua sendo a de um ser inferior ao homem, pois foi criada a partir do primeiro indivíduo, o homem. O Catecismo da Igreja
Católica apresenta a interpretação desse fato e justifica que a mulher, por ter vindo da carne do homem, é um ser igual a ele.
Que o homem e a mulher foram criados um para o outro, a Sagrada
Escritura o afirma: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2, 18). A mulher, “carne de sua carne”, isto é, igual a ele, bem próxima dele, lhe dada por Deus como um auxílio, representando, assim, “Deus, em
quem está nosso socorro” (CIC, 2000, p.439).
É preciso notar que esta suposta igualdade entre homem e mulher é ainda que de modo muito discreto contestada nas cartas do apóstolo Paulo. No livro por ele escrito à comunidade de Éfeso (Carta aos Efésios) encontramos o seguinte: “Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres o sejam a seus maridos, como ao Senhor, porque o homem é cabeça da mulher, como Cristo é cabeça da Igreja e salvador do
Corpo”. (Ef 5, 21-22).
Sabe-se que a tradição judaica não dava espaço às mulheres nas ações do templo. No início do cristianismo, as mulheres mantinham submissão aos homens e às ordens da Igreja Católica. Para Ramos (2001), tal fato poderia ser histórica e socialmente explicado.
A Bíblia representa um tipo de sociedade em cujo modelo as dimensões sociais e políticas se encontravam inflacionadas, desde havia já bastante tempo; e isto conduzira a uma progressiva secundarização da mulher. Esta prática parece ser razoavelmente diferente daquilo que acontecia nas sociedades do Próximo Oriente Antigo, no período neolítico (RAMOS, 20013, p.32).
A tradição religiosa deixava a mulher para segundo plano, sempre submissa aos feitos masculinos. De forma mais atualizada, a Igreja busca redimir sua atuação e atualizar sua visão a respeito da condição feminina. Segundo o CIC, “Ao criar o ser humano, homem e mulher, Deus dá a dignidade pessoal de uma maneira igual a ambos. Cada um, homem e mulher, deve chegar a reconhecer e aceitar sua identidade sexual” (CIC, 2000, p.620). Em relação às primeiras abordagens sobre a mulher na igreja católica, pode-se notar uma nítida mudança, mais inteligente e moderna.
No entanto, ao acompanharmos brevemente a narração bíblica proposta a partir do Novo Testamento, percebemos que as mulheres têm a oportunidade de aparecer e são colocadas em nível de igualdade com os homens, se considerarmos o lugar que elas
passaram a ocupar. Apesar de os discípulos serem a maioria homens, as mulheres também caminhavam com Jesus.
Depois disso, Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a boa nova do Reino de Deus. Os Doze estavam com ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios;Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, que o assistiram com as suas posses. (BÍBLIA SAGRADA, 2003, p.1357)
Essa citação nos motiva o pensamento da não-marginalização das mulheres. Em sua missão de evangelização, Jesus Cristo era acompanhado pelas mulheres, ou seja, elas participavam do processo de conversão e ensinamentos pelas cidades onde Jesus caminhava. Tomamos como exemplo uma narração bíblica que destaca o julgamento da sociedade (machista e preconceituosa) e o acolhimento proposto por Jesus. Havia na sociedade um pensamento preconceituoso e marginalizante sobre a figura feminina como já foi dito e repetido aqui. O julgamento da mulher pecadora (prostituta ou adúltera) é proposto pelos homens da época, mas é contestado por Jesus, o que para muitos representa a mudança na perspectiva social da mulher. Na narrativa bíblica, os homens queriam apedrejar a mulher por ter cometido adultério e o Messias impede tal ato ao questionar quem, naquele lugar, não teria pecados. Dessa maneira, ele coloca em igualdade homens e mulheres, ricos e pobres. A perspectiva amorosa e salvífica orientada por Jesus busca questionar as leis tradicionais e separatistas da sociedade judaica26.
O que se percebe no movimento da Igreja na atualidade é uma tentativa de
reparar os “erros” da igreja que se criou após a morte do Cristo, erros que dizem
respeito à marginalização da mulher. Os cargos eclesiais ainda são masculinos, porém a participação da mulher aumentou significativamente, especialmente após a realização do Concílio Vaticano II, em 1962, que propôs uma maior abertura à Igreja. Atualmente, mulheres gerenciam movimentos e pastorais, participam das assembleias, discussões temáticas e reuniões de cunho religioso, fundam e conduzem igrejas protestantes, atuam
26 Embora percebamos tais valores de liberdade e inclusão na perspectiva social de Jesus Cristo, tais
características parecem não ter sido sustentadas com tanto rigor no desenvolvimento da igreja católica, que tem buscado (até hoje) “ajustes” para ser mais coerentes com os ensinamentos de caridade e acolhimento deixados por Jesus Cristo.
como pastoras, etc., ainda que tais mudanças se verificam mais em igrejas protestantes que nas católicas propriamente ditas.