III. İtikâdî Konularda Haber-i Âhâd’ın Bilgi Değeri
III.3. Mezhebî Ekollere Göre İtikâdî Konularda Âhâd Haberin Bilgi Değeri
III.3.4. Çağdaş İslâm Âlimlerinin Haber-i Âhâd Konusundaki Yaklaşımları
2.3. Kıyâmetin Kopma Vakti ve Bazı Alâmetleri
As definições “objetivas” sobre violência não estão isentas de critérios culturais e subjetivos, pois são estabelecidas em diferentes setores sociais (jurídico, institucional, valores de grupo, familiares e até individuais). Por exemplo, o caso do infanticídio praticado na China como forma de controle demográfico não é compreendido como um processo violento quando “justificado” sob a norma jurídica e institucional deste país.
Pensando sobre a complexidade que envolve as discussões relativas à violência e a identidade, Gauer (2005) discute no artigo “Da diferença perigosa ao
perigo da igualdade. Reflexões em torno do paradoxo moderno”, a problemática da
política da igualdade como forma que potencializa a violência de várias formas, "eliminando todo e qualquer outro, o diferente, o sujo, o impuro, o anormal, o doente,
enfim tudo que causa estranheza, perigo, que lembra sujeira e desordem" (2005, p. 403). Ela adverte (Op. cit., p. 404): "[...] o certo é que a sociedade já não consegue ser explicada pelo positivismo e pelo determinismo racionalista.”
Deste ponto de vista, a pesquisadora parte para a análise da sociedade contemporânea com base nos estudos de Bhabha (2001) mencionando que a sociedade busca a essência identitária a partir do deslocamento centro-periferia para o entrelugar. Sendo que o "aqui-agora" é o lócus das negociações entre as diferenças culturais.
Segundo Bhabha (2001, p.29-59), a minoria não quer ser incluída, higienizada, tornada semelhante, mas ser reconhecida. A existência está na alteridade, ou seja, é preciso existir para um Outro. Isto implica numa construção do sujeito que se questiona observando o que ocorre de fora para dentro. Para Fanon, (1986) é “sonho de inversão”. Analisando esta condição percebe-se que existe um espaço relacional onde se busca a alteridade. Bhabha (1986, p. 45) explica: “Não é o Eu colonizador nem o Outro colonizado, mas o espaço perturbador entre os dois que constitui a figura da alteridade colonial – o artifício do branco inscrito no corpo do negro.”
Com estes pensamentos, verifica-se que a manifestação da alteridade está atrelada as possibilidades de manifestação. Neste sentido vale mencionar novamente o trabalho de Gauer (2005) quando toma como base os estudos de Jaques Derrida e Hans Helsen para comunicar a impossibilidade de soberania ou democracia num sistema que a partir da homogeneização ou exclusão pretende configurar uma totalidade.
Nesta lógica, conclui-se que se a ordem está colocada à organização, existe a obsessão pela "limpeza" que é orientada pela disciplina que tenta eliminar qualquer tipo de perigo que foi convencionado pela civilização. Nesta esfera, os sentidos de “violência” podem ser por parte compreendidos no livro A violência de Yves Michaud (2001) quando ele toma como base os usos correntes, a etimologia e as definições do direito. Isto é, quando Michaud (Op. cit., p, 7) parte para a análise etimológica afirma:
De um lado, o termo violência designa fatos e ações; de outro, designa uma maneira de ser da força, do sentimento ou de um elemento natural – violência de uma paixão ou da natureza. No primeiro caso, a violência opõe-se à paz, à ordem que ela perturba ou questiona. No outro, é a força brutal ou desabrida que desrespeita as regras e passa da medida.
Michaud segue para a questão: "O que nos ensina a etimologia do termo? [...] "a violência é, antes de tudo, uma questão de agressões e de maus tratos. Por isso, a consideramos evidente: ela deixa marcas. No entanto, essa força assume sua qualificação de violência em função de normas definidas que variam muito. Desse ponto de vista, podem haver quase tantas formas de violência quanto forem as espécies de normas" (idem, p. 8). Por exemplo, a violência institucionalizada, anômica, banal, interna e da incapacidade de resolver os problemas da fome são discutidas por Gauer (2007) no artigo “Alguns aspectos da fenomenologia da
violência” (2007) tomando como referência alguns teóricos da área.
Para compreender essas diferentes formas de violência a pesquisadora parte dos estudos de Focault em “Vigiar e Punir” (1986) para trabalhar a noção do “poder da violência” com fundamento no complexo entendimento sobre o processo em que a sociedade é vigiada e controlada. Inicia suas observações com o exemplo da
violência institucionalizada como característica da burocracia do Estado (da
sociedade moderna – Erving Goffman). Neste caso, ocorre a violência coercitiva, garantindo a obediência, apesar de muitos se submeterem, mesmo que odiando. Ainda, o funcionamento dos aparelhos de punição do Estado é violento por atender de forma “diferenciada ou seletiva” a diferentes grupos sociais.
A violência anômica é outro exemplo que Gauer apresenta com base na escrita de Dostoievski em “Crime e castigo”, exemplificando-a como uma relação perversa entre o juiz e o criminoso. Gauer ainda cita Foucault para dizer que a violência “funciona como um observatório político do qual se servem policiais, estatísticos psiquiatras, psicólogos, sociólogos e outros especialistas. Segundo a pesquisadora, este aspecto possibilita perceber que a violência tem servido historicamente como laboratório para o conhecimento moderno” (Op. cit., p.19). Aparecem nesta esfera alguns atos e fatos subversivos de natureza artística, política, social e criminal que escapam do “equilíbrio social” – estruturado sob a
“anomia normatizada”. Então, a violência anômica apresenta-se como incômoda para alguns e seguradora da “estabilidade social” para outros.
Em “O mal estar da civilização”, Freud apresenta o conceito de “perversidade polimorfa” explicando-o como um aspecto do humano. Quando Gauer menciona Freud, afirma: “ser cruel é uma das maneiras mais legítimas de tornar-se humano” (GAUER, op. cit., p, 20). Em seguida, menciona que a violência banal (cotidiana) é associada aos delinquentes que atuam por conta ou se associam às organizações destituídas de respeito social. No livro, “Dinâmica da violência”, Mafessoli (1987) menciona que a maneira de viver o aleatório ou de “enfrentar o destino” é um dos aspectos que conduzem a vida destas pessoas.
A violência interna também é discutida por Gauer quando cita o estudo de Erich Fromm comunicados nos livros “A arte de amar” (s. d) e “O medo à Liberdade” (1981). “O homem moderno pensa que perde alguma coisa - o tempo – quando não faz as coisas rapidamente; todavia ele não sabe o que fazer com o tempo que ganha – a não ser matá-lo (FROMM, op. cit., p. 118-119). [...] a ânsia do poder não se origina da força, mas da fraqueza” (FROMM, op. cit., p. 133-149). Isto aproxima a violência do medo (como fraqueza interna) e mostra que a questão da violência vai além da criminalidade.
No artigo “O cotidiano da violência: identidade e sobrevivência” de Gilberto Velho (1987), Gauer encontra explicações para a falta de sensibilidade do público frente à violência cotidiana. Dentre elas, a dificuldade de suportar os índices de agressividade, resquícios da repressão militar atuando de forma a desestabilizar as crenças e os valores associados à concepção particular do valor-indivíduo.
Para compreender a violência para além da criminalidade, Gauer (Op. cit.) comenta que deve existir uma ruptura simbólica. Por exemplo, a quebra das relações sociais, o corte, a interrupção, a violação de contratos, etc. estão relacionados à negação do outro e de si próprio. Nesta perspectiva tem-se a noção do sujeito em sentir-se estrangeiro, ou seja, “violentado” no sentido de estar destituído de uma transcendência que lhe localiza e lhe daria sentido na sociedade (fragmentada, apesar de totalizadora). Esta problemática pode ser analisada junto à ideia de Edward Gibbon quando menciona que “a história pouco mais é do que o registro dos crimes, das loucuras e desventuras da humanidade” (apud GAUER op.
cit., p. 28). Estas questões sobre violência interna e a “banalização” da violência são apresentadas na dissertação de mestrado “Imagens da morte na mídia impressa: o
olhar do fotógrafo” (QUINTO, 2007) e o artigo “O sofrimento social como experiência à distância. Uma reflexão sobre os silêncios da fotografia” (KOURY, 2003). A
dissertação desenvolvida por Quinto busca analisar a percepção dos fotógrafos em torno das imagens de morte veiculadas na mídia impressa, tomando como referencial teórico os trabalhos de Michel Maffesoli e de Dominique Wolton. Segundo os depoimentos dos fotógrafos, Quinto observou que eles entendem que o público deseja ver as imagens violentas de sangue e brutalidade, tendo como principal grupo receptor dessas imagens as classes pobres. Somando a isso, a pesquisadora verificou que o fotojornalista busca em seu trabalho a beleza da morte, tentando fotografá-la de maneira indireta e sutil. No caso do artigo escrito por Koury, que faz parte de um projeto que trabalha com a antropologia das emoções, ele busca compreender o ato fotográfico a partir da inter-relação fotografia e sociedade com foco nas sensações e emoções decorrentes da representação da violência.
Na atualidade, a violência é discutida também sob o viés da identidade sobre o olhar da condição de sobrevivência humana num mundo globalizado. Gauer (op. cit., p. 30) explica:
a complexidade do mundo atual dissolveu a identidade estática, a substantividade do sujeito, transformando-o num ator versátil capaz de desempenhar os mais variados papéis. Um dado revelador dessa fragmentação é o trânsito, o processo de circulação sem pontos fixos de permanência, o que leva à ininterrupta ultrapassagem de fronteiras, em direção a modos de comportamento que estabelecem uma ilimitação dos espaços sociais concernente à atuação individual.
Nesta linha de pensamento Baudrillard (1968) afirma que o que procuramos hoje não é a glória, mas a identidade.
Com o desenvolvimento deste capítulo observa-se que a representação da violência na fotografia pode ser trabalhada sob várias óticas que se complementam: análise sobre a escolha do tema que o fotógrafo elegeu; contexto histórico, social e cultura; questionamento sobre a beleza ou estetização da violência representada; veiculação (mídia); e estatuto da imagem.
Dentre as várias interpretações analisadas, o certo é que o ser humano é o principal assunto trabalhado com relação à representação da violência vivida. Nestes casos, a associação do ser humano com o espaço vivido pode apontar como se dá a representação cultural dessas pessoas e dos grupos. Essas ideias podem ser somadas aos estudos de Chartier em “A história cultural entre práticas e representações” (1990) e “O mundo como representação” (1991), contribuindo para orientar esta pesquisa, assinalando assim as seguintes afirmações:
(1) A representação do real é construída por diferentes grupos sociais.
(2) Cada grupo social deseja sua hegemonia. Para isso, ele se impõe aos outros grupos submetendo-os aos seus conceitos, valores e ações. Cada representação compõe a representação-mundo. Neste conjunto existe a posição social e cultural do indivíduo. Sendo assim, a representação- mundo é histórica.
(3) Cada classe elabora seu real. Neste sentido, a representação funciona como luta de classes, vivenciando cada qual diferente valor e ação no mesmo período social.
(4) A forma como os indivíduos dão sentido ao que vivenciam e ao que desejam geram diferentes formas de sociabilidade, transformando as relações de poder entre estes grupos.
(5) A prática mostra o lugar social do grupo e do indivíduo. A articulação representação-prática elabora a representação da identidade social.