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III. İtikâdî Konularda Haber-i Âhâd’ın Bilgi Değeri

III.3. Mezhebî Ekollere Göre İtikâdî Konularda Âhâd Haberin Bilgi Değeri

III.3.4. Çağdaş İslâm Âlimlerinin Haber-i Âhâd Konusundaki Yaklaşımları

2.11. Îmânla İlgili Bazı Meseleler

2.11.4. Îmân Kötülüklere Engel Olmayı Gerektirir

Durante o século XIX, mais precisamente de sua metade aos anos finais, a historiografia rio-grandense esteve inclinada às produções que enfatizavam o que se conceituou como sendo a “matriz platina”. Não desmerecendo as obras de José Feliciano Fernandes Pinheiro (Visconde de São Leopoldo) e Antônio José Gonçalves Chaves – respectivamente Anais da Província de São Pedro (1819) e Memórias ecônomo-políticas

sobre a administração pública no Brasil (1817), que são pioneiros nos estudos históricos

sobre o Rio Grande do Sul e trataram com naturalidade as relações do Estado tanto com o Prata quanto em relação às demais províncias brasileiras293, são as obras de três outros autores que inserem o discurso platinista nos estudos históricos. O que fica bastante nítido no trabalho de intelectuais como Alcides Lima, Assis Brasil e Alfredo Varella, primeiros estudiosos que dedicaram seus escritos à articulação do Estado com a região platina, são suas construções no sentido de colocá-lo como suficiente frente ao Império Brasileiro, não dependendo deste para suprir suas necessidades. Por isso é frequente, na obra desses autores, a rememoração a um passado bélico que nunca contou com a ajuda central, ou seja, sempre se proveu sozinho quando a questão era defender-se ou brigar pelo que consideravam justo e de direito.

O conteúdo de seus textos, que ressaltava o fato de a Revolução Farroupilha ter sido um movimento que buscou, dentre outras coisas, separar-se do Império, estava relacionado ao contexto das grandes agitações políticas que movimentavam o palco nacional e regional. É em função de tais acontecimentos que seus escritos sobre a história do Rio Grande do Sul vão comportar, dentre outros aspectos, contundentes alusões aos benefícios que a instauração da República traria ao Brasil e, por conseguinte, ao Rio Grande do Sul. Ao referirem-se ao movimento farrapo, articulavam e reforçavam, sobretudo, a distância que existia entre os interesses do Estado e os do Império. Tanto a política imperial, que no entender dos intelectuais havia prejudicado economicamente o Estado, como as influências socioculturais legadas dos lusitanos e vista, até então, como o laço que unia as províncias brasileiras, era desconstruída por esses historiadores. O contraponto para eles era, justamente, a aproximação do Rio Grande do Sul com a região do Prata. Tanto no âmbito político quanto no cultural, Alcides Lima, Assis Brasil e, posteriormente, Alfredo Varella, vão construir, em suas obras, um Estado cada vez mais próximo e voltado às influências da região da fronteira. Assim, conforme pontuou Gutfreind, esses três autores, grandes enaltecedores do regime republicano,

(...) redefiniram as relações da Província com o Centro [pois] passaram a enfatizar a especificidade do Rio Grande do Sul, justificando a necessidade de um regime republicano e de laços federativos entre as províncias e, em graus diferenciados, destacavam as relações com a área platina.

Tanto Alcides Lima quanto Assis Brasil publicaram suas obras no ano de 1882. Estas, lançadas antes da instauração do regime republicano, têm como base, como se pontuou anteriormente, a propaganda republicana. Por essa razão, ambos os intelectuais estabeleceram um projeto historiográfico em comum, no qual coube a Lima “(...) desenvolver a parte introdutória necessária à compreensão do processo revolucionário de 1835”294, e a Assis Brasil, “historiar o processo em si”.295 No entanto, apesar de terem em comum o cerne da discussão acerca da Revolução Farroupilha, os dois possuíam uma visão diferente acerca das influências sociopolíticas e culturais no Rio Grande do Sul. Alcides Lima, em História

popular do Rio Grande do Sul (1882), destacava mais a geografia do Estado, sendo que a

questão do isolamento tornou-se um fator de grande relevância para se estabelecerem aproximações mais com a região fronteiriça do que com o restante do Brasil.296 Assis Brasil, por outro lado, além de explorar essa questão e pontuar mais concisamente a “situação de abandono e de exploração da Corte” para com a Província, também se esmerou em captar as influências culturais que a caracterizavam. Levando em conta seus objetivos, o autor buscou evidenciar que, dadas as condições históricas e geográficas do Rio Grande do Sul, seu povo havia estreitado maiores relações com os platinos. Em sua História da República Rio-

Grandense, de 1882,

(...) destacava o „contágio‟, expressão que usava para identificar os contatos da população sulina com os povos hispano-americanos, quer pela infusão de sangue, quer pela imitação de usos e costumes. (...) Para reforçar sua opinião, justificava que os rio-grandenses e platinos habitavam áreas geográficas semelhantes, inexistindo linhas de fronteira que os separassem.297

Alfredo Varella, diferentemente dos dois citados anteriormente, publica sua obra em momento posterior ao da Proclamação da República. Apesar de ser, igualmente, importante

294 MEDAGLIA, Marlene. MEDAGLIA, Marlene. Introdução ao estudo da historiografia sul-rio-grandense:

inovações e recorrências do discurso oficial – 1920-1935. Porto Alegre, 1983. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. p. 94.

295 Idem.

296 GUTFREIND, Ieda. Op. cit., p. 19. 297 Ibidem, p. 20.

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peça na fase da propaganda republicana, consolida-se mais como o autor que justificou a implementação do regime político almejado. Para tanto, aprofunda as questões relativas ao movimento farroupilha e, ainda, confere ao estado sulino a especificidade de, a partir de seu processo de colonização, de suas bases econômicas e do processo histórico como um todo, ser uma região independente do poder central. Porém, no que se refere às influências, Varella deixa claro que, assim como os demais, o Rio Grande do Sul possuía uma forte carga cultural legada pelos luso-açorianos. No entanto, ao entender que há uma particularidade, uma diferenciação do Estado em relação às demais províncias constitutivas do Brasil, o autor dá maior importância aos contatos estabelecidos com os platinos, pois afirmava que “(...) o território mais se ligava aos orientais que os brasileiros, pois com esses não existia o forte laço do amor”.298

É importante colocar, ainda, que nesse contexto onde as novas roupagens políticas vestiam o Rio Grande do Sul e, conjuntamente, a escrita da história seguia na esteira de tal pensamento, duas instituições de grande importância para o campo intelectual rio-grandense foram fundadas. Estas que, apesar de terem no centro de seus projetos objetivos e ideologias diferenciados, encontravam um ponto em comum quando, em suas bases, pairavam os assuntos próprios do Estado e suas particularidades como objeto de pesquisa. Esse é o caso, por exemplo, do Instituto Histórico e Geográfico da Província de São Pedro, fundado em 1860. Tendo como grande foco a escrita da história do Rio Grande do Sul, os objetivos que respaldavam a instituição, assim como a sua congênere nacional, eram os de

(...) coligir, metodizar, publicar ou arquivar os documentos concernentes à história e à topografia da província, e à arqueologia, etnografia e língua de seus indígenas, além de promover as investigações que se faziam necessárias a respeito do estado da população, navegação, indústria, agricultura, produção e recursos disponíveis.299

Apesar de não estar diretamente ligada aos auspícios republicanos em voga nesse contexto, pois seus membros eram, como escreve Pereira Coruja, “(...) „cidadãos voltados à causa da integridade e Independência Nacional, da Monarquia, da Constituição e da Liberdade‟”300, o fato é que o Instituto Histórico e Geográfico da Província de São Pedro foi

298 Ibidem, p. 21.

299 MEDAGLIA, Marlene. Op.cit., p.37.

300 GOMES, Carla Renata Antunes de Souza. De rio-grandense a gaúcho: o triunfo do avesso. Um processo

de representação regional na literatura do século XIX (1874-1877). Porto Alegre, 2006. Dissertação (Mestrado em História) – Programa de Pós-Graduação em História, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, p. 207.

de grande importância para o desenvolvimento de trabalhos acerca das origens do Rio Grande do Sul. Além disso, a própria institucionalização da história e do discurso histórico oficial, que não foram concretizados nesse momento específico, pois, assim como a sua revista, a instituição teve uma breve existência, tinha suas bases lançadas para que tal normatização fosse estabelecida alguns anos depois.

Outra associação igualmente importante nesse contexto foi o Partenon Literário. Fundado em 1868, tal grupo reuniu, afora outros intelectuais, os ex-membros do “efêmero IHGPSP”.301 Apesar de primar, fundamentalmente, pelas reuniões e obras de cunho literário, tal agrupamento levou em consideração os assuntos tocantes ao Rio Grande do Sul. Em uma época em que a literatura possuía um viés fortemente regionalista, os temas históricos entravam como componentes essenciais de tais narrativas. Pelo fato de, nesse período, a história e a literatura serem elementos quase inseparáveis, os escritos produzidos pelos membros do Partenon Literário apresentavam uma visão ampla, porém literalizada, da história regional. Desse modo, para Letícia Nedel,

A preocupação com a história – sobretudo com a reabilitação da memória farroupilha e a singularidade dos processos envolvidos na formação do Rio Grande do Sul – foi outro componente próprio à atividade literária da época, passível de ser encontrado em obras de autores positivistas e não-positivistas e nos programas de edição de diversas revistas e almanaques circulantes.302

Em relação ao que se produziu a respeito da história regional durante os anos finais do século XIX, época em que, no Rio Grande do Sul, o positivismo mesclava-se, de certa forma, às produções históricas, é importante frisar seu conteúdo ideológico. Essa questão justifica-se a partir do momento em que se percebe, de um lado, o posicionamento de Alcides Lima e Assis Brasil no contexto que antecedeu a implementação do republicanismo no Rio Grande do Sul e, de outro, o de Alfredo Varella que, já inserido no novo conjunto político, justificava a sua permanência. Para levar a cabo o projeto que, por assim dizer, nortearia a suas obras, dissertaram e embasaram a relação do Rio Grande do Sul com o lado platino, distanciando-o do Brasil, com o intuito de mostrar que, com este, poucas eram as relações estabelecidas. Na realidade, a importância da obra desses autores reside no fato de problematizarem a questão da origem étnica e das influências recebidas pelo Estado. Apesar de não descartarem a aproximação com a cultura lusitana, principalmente no que se refere à formação histórica, o

301 NEDEL, Letícia. Op. cit., p. 77. 302 Ibidem, p. 78.

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fato é que atribuíram ao Rio Grande do Sul elementos claramente de influência hispano- platina.

Nesse sentido, levando em conta que a política e a historiografia eram duas coisas que se inter-relacionavam nesse momento, fica nítido entender a razão pela qual esses autores são considerados como integrantes do viés explicativo platino. Justificando a República e, por conseguinte, o positivismo instaurado no Estado, teceram suas ideias a partir do ponto de vista do poder instituído destacando, sempre, a vocação rio-grandense ao republicanismo. Assim, da mesma forma que sobrecarregavam o sul-rio-grandense de elogiosas condutas de caráter, por causa de sua vocação política, afastavam-no do centro do Brasil no intuito de demarcar mentalmente os malefícios do regime político destituído. Em relação a essa questão, pontua Marlene Medaglia:

(...) o elemento inovador da prática historiográfica sul-rio-grandense a partir dos anos oitenta é o recurso, mais ou menos explícito, a uma fundamentação teórica que se identifica, nesse momento, com a visão „positivista‟ difundida por Taine, que postula existir: „... um sistema nos sentimentos e nas ideias humanas, [que] tem como motor certos traços gerais, certos caracteres de espírito e de coração comuns aos homens de uma raça, de uma século ou de um país, e que foi utilizada para justificar a „vocação‟ federativo-republicana do povo rio-grandense.

O que se percebe, como já foi apontado, é que tanto a historiografia como as instituições que se desenvolvem a partir de então (a exceção do IHGPSP em um primeiro momento) é seu forte atrelamento às questões políticas do período, no qual é nítida a propaganda republicana e, por isso, a tendência dos intelectuais em dissertarem sobre a história do Rio Grande do Sul através do viés platino, mostrando suas diferenças em relação às demais regiões do Brasil.