3.4 Os Estandes, Seções e Pavilhões da Exposição do Centenário
da Revolução Farroupilha
O que foi publicado tendo como temática central os espaços específicos criados para a realização da Exposição Farroupilha foi agrupado na categoria
Estandes, Seções e Pavilhões. Nessa categoria compreendem-se as matérias
(notas, notícias, editoriais, etc.) que tratam dos diversos aspectos a respeito das construções da Exposição nos dois jornais utilizados. Procura-se estabelecer as diferentes abordagens de A Federação e Correio do Povo sobre os Estandes,
Seções e Pavilhões da Exposição, por meio de uma breve análise do conteúdo do material selecionado em relação aos espaços utilizados na Exposição.
Uma breve retomada das Tabelas 3 e 4 e percebe-se que a maioria do
corpus foi classificada nessa categoria, que tem como característica comum
serem notas, notícias e sueltos, ou seja, matérias informativas. Foram 25 no
Correio do Povo e 23 em A Federação, representando 45% do total de matérias
utilizadas nesta pesquisa. Destaca-se que, dentre as 23, em A Federação, apenas duas tiveram uma conotação neutra, enquanto as restantes apresentaram a mensagem de seu conteúdo com conotação favorável ou positiva em relação a essas categorias. Em contrapartida, o Correio do Povo oscilou a tendência, apresentando 12 com conotação neutra, ou simplesmente informativa, e 13 com conotação positiva ou favorável nesta categoria.
De início, com a leitura dos dados, constata-se que A Federação seguiu a tendência já observada nas categorias anteriores em valorizar e enaltecer quase tudo que foi publicado sobre a Exposição Farroupilha. Em compensação, o
Correio do Povo, ao longo de setembro, apresentou uma maior frequência de
matérias essencialmente informativas. Considerando os dois jornais, essa categoria é a que possui maior número de notas e notícias com conotação neutra, apresentando 14 no total.
Em primeiro lugar, havia entre os organizadores da Exposição Farroupilha, a intenção explícita de atribuir ao evento um caráter nacional com a participação do maior número possível de estados no parque de exposições. Cerca de metade das notas e notícias sobre os Pavilhões, Seções e Estandes publicadas no Correio
do Povo, ao longo de setembro, enaltecia essa participação dos muitos estados na
Exposição, como se pode notar nesta notícia de 26 de setembro:
São Paulo, o grande estado bandeirante, com um magnífico palácio de 1400 metros quadrados vai concorrer com o que de mais seleto produz a sua adiantada indústria; Minas, a maravilhosa terra das montanhas levantou um imponente pavilhão no qual mostrará as centenas de milhares de visitantes a sua rica e variada produção; Pernambuco, o leão do norte, vai expor no vasto
recinto que mandou construir o resultado do trabalho fecundo de seu povo; o Distrito Federal, com a mostra de suas magníficas indústrias encherá o amplo pavilhão que ergue em um dos mais pitorescos cantos da exposição. Pará, o nosso grande irmão do norte, num gesto de elevada brasilidade traz-nos também o seu admirável concurso, levantando um pavilhão em rigoroso estilo marajoara que vai ser um dos grandes atrativos do certame. Paraná e Santa Catarina, nossos vizinhos mais próximos em interessantes e originais pavilhões vão mostrar-nos o quanto progrediram, nestes últimos anos, suas indústrias.219
A ideia de que, através dos pavilhões, a Exposição demonstraria a pujança e o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Sul esteve presente nos dois jornais, bem como a inserção dos demais estados na Exposição, com suas singularidades representativas de cada região, foi enaltecida. A Federação apontou, em notícia de 23 de setembro, que a Exposição era “palco do progresso experimentado no presente nacional”, referindo-se a idéia de evocar o papel do Rio Grande do Sul como um lugar onde se daria um grande espetáculo de modernidade e riqueza do Brasil, principalmente do estado gaúcho.220
Os diversos pavilhões, com amplo uso de iluminação, os estandes e as seções foram, em sua maioria, referidos, como bem podemos notar nas Tabelas 3 e 4, nas matérias de A Federação e Correio do Povo, como uma demonstração do crescimento industrial e econômico do Rio Grande do Sul, principalmente.
As construções da Exposição no Parque Farroupilha foram apresentadas nesses dois jornais, ressaltando-se suas formas geométricas, sua arquitetura moderna e as especificidades de cada estado nas edificações. Com fartos elogios aos pavilhões, os dois jornais deram maior destaque aos pavilhões de São Paulo e das Indústrias do Rio Grande do Sul, utilizando com frequência os adjetivos “monumentais”, “grandiosos” e “esplêndidos”. Em 12 de setembro, o Correio do
Povo, publica uma notícia apontando para as construções dos pavilhões da
219 As grandes festas do centenário farroupilha. Correio do Povo. Porto Alegre, 26/set/1935, p.3
Exposição do Centenário Farroupilha como obras de “volume e monumentalidade arquitetônica”, atribuindo um sentido às construções de demonstrar o progresso que se instaurava no Rio Grande do Sul.221
Por fim, verificou-se que o maior número de notícias e notas publicadas nos dois jornais refere-se aos estandes, seções e pavilhões. Constatou-se que, em A
Federação, a maioria delas possui um tom de valorização, apontando para a
modernidade e grandiosidade das construções da Exposição. Já no Correio, há uma maior frequência de notícias e notas com viés fundamentalmente informativo. O que demonstra, em A Federação, o maior compromisso em aquilatar as construções da Exposição do Centenário, característica já evidenciada devido à natureza político-partidária do jornal.