GİRİŞ XIX. YÜZYILDA OSMANLI VE MESNEVİHANLIK
B. I Hocaları ve Okuduğu Kitaplar
Nessa seção agruparemos as observações que procuraram explicar a ocorrência da corrupção no país. Sempre nos valendo das representações do legislador, procuramos identificar as causas para o fenômeno e alguns dos incentivos para sua subsistência presentes nas Justificativas.
As explicações do legislador para a ocorrência da corrupção variaram desde a fragilidade das instituições, a burocracia e a hipertrofia do Estado, até a prescrição, as “brechas legais” e a brandura das leis penais.
Beneficiando-se dos emperrados mecanismos dos órgãos judicantes, o corrupto consegue favorecer-se das leis envelhecidas, anacrônicas, utiliza as brechas legais e obtém em seu favor sucessivos recursos protelatórios, o que, comumente, leva à prescrição das ações intentadas pelo Estado contra ele 231.
É consabido que as principais causas da corrupção são a fragilidade das instituições, a hipertrofia do Estado, a burocracia e principalmente a impunidade 232
.
Também a morosidade do judiciário foi apontada como uma das causas do fenômeno: “[Corruptos] que se escondem, com sua hediondez, por trás de uma legislação benéfica e um Judiciário moroso”233; bem como a existência de quem esteja disposto a corromper: “Todos
nós sabemos que a corrupção é um dos grandes males da sociedade, e ela somente existe porque sempre tem alguém oferecendo e contribuindo para a ocorrência do crime”234.
Uma única Justificativa identificou as causas do fenômeno no processo de formação do Estado brasileiro.
231 PL 230/2005 – Senado Federal. 232 PL 362/2012 – Senado Federal. 233 PL 209/2005 – Senado Federal. 234 PL 857/2007 – Câmara dos Deputados.
A corrupção sempre vai existir, pois no Brasil, a corrupção é um dos esteios da nossa formação. O Brasil era terra de ninguém; os governadores que vinham para cá furtavam os cofres públicos, porque a eles só interessava voltar a Portugal com o dinheiro235.
Ainda que variadas causas e incentivos tenham sido apontados pelo legislador, apenas a Justificativa do PL 204/2011 do Senado Federal fez menção explícita à complexidade do problema a ser gerido: “(...) não se ignora que esse problema é deveras complexo, mas isso não deve implicar em apatia e ausência de ação. Por isso, entende-se que as modificações aqui propostas tem o singelo escopo de chamar a atenção para o grau de gravidade e hediondade dos delitos que atingem bens jurídicos de índole difusa e coletiva”.
A causa (ou incentivo) que mais se destacou dentre todas as apontadas pelo legislador foi a
impunidade. Dada a frequência com que nos deparamos com o termo, optamos por não
transcrever os trechos que fizeram referência explícita a essa causa/incentivo, já que tal expediente estenderia desnecessariamente o texto. De qualquer modo, as referências à impunidade foram tão constantes, que não seria exagero se a apontássemos como a mais relevante dentre todas as causas e incentivos apontados pelo legislador. Dos Projetos de Lei que propuseram alteração na legislação penal e/ou processual penal, dezoito fizeram referências explícitas à impunidade como uma das causas para a corrupção; se considerarmos que a impunidade foi diretamente associada ao recolhimento dos condenados à prisão, a frequência com que o termo foi mobilizado poderia ser considerada ainda maior236.
A Justificativa do PL 362/2012 do Senado Federal é um exemplo dessa associação (impunidade e prisão). Nela, seu proponente afirma que é “consabido que as principais causas da corrupção são a fragilidade das instituições, a hipertrofia do Estado, a burocracia e principalmente a impunidade”, ao mesmo tempo em que alega que “uma análise feita Controladoria Geral da União em processos de corrupção mostrou que a probabilidade de um funcionário corrupto ser condenado é de menos de 5%. A possibilidade de cumprir pena de prisão é quase zero”.
O senador proponente do PL 230/2005 também fez clara a associação entre impunidade e prisão, quando propôs tornar os crimes do artigo 317 e 333 do Código Penal, imprescritíveis e inafiançáveis e afirmou que “[os corruptos] livram-se, de todo modo, de qualquer punição e podem usufruir com tranquilidade dos bens e do dinheiro que auferiu criminosamente pelo
235 PL 39/2012 – Senado Federal.
236 Já comentamos que muitos parlamentares propuseram o aumento da pena mínima cominada para os crimes de
desvio de sua conduta pública”. Uma vez mais, nos valemos de trecho da Justificativa do PL 438/2003 do Senado237, pois trata-se do exemplo mais eloquente da associação ora comentada.
A pena aplicada [à corrupção] é, geralmente, inferior a quatro anos, em razão dos limites mínimo e máximo das sanções previstas em abstrato. O expediente legal favorece a obtenção de uma pena alternativa restritiva de direitos ou, quando muito, tem o início do seu cumprimento em regime aberto, além de favorecer a obtenção precoce do livramento condicional. Ou seja, jamais vão para a cadeia, por maior que tenha sido a atrocidade cometida com o bem público.
Ao propor a “prioridade de tramitação para os processos penais relativos aos crimes de peculato, concussão, corrupção passiva, tráfico de influência, corrupção ativa, impedimento, perturbação ou fraude de concorrência, crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores e crimes de responsabilidade de prefeitos municipais”, o deputado federal proponente do PL 3465/2012 alegou “ser importante criar ferramentas processuais para que haja efetivamente uma condenação criminal para esses delitos”, como forma de dar uma resposta à “população [que] já não suporta mais esse tormentoso sentimento de impunidade”.
Independentemente da causa (diretamente) vinculada à corrupção, o legislador partiu de uma concepção de ser humano bastante comum às teorias preventivas da pena. Para o legislador - assim como para os teóricos daquelas teorias - os envolvidos em práticas consideradas corruptas considerariam variáveis como o “custo” e o “benefício” da corrupção, para só então decidirem sobre a tendência de seus atos. Os corruptos comparariam o “preço” a ser pago no caso de condenação criminal e os “benefícios” advindos da corrupção; sendo o primeiro menor que o segundo, a probabilidade de uma escolha corrupta aumentaria significativamente. Nesse aspecto, termos como brandura das leis, suavidade do arcabouço
legislativo; e benefícios jurídicos, nos permitiram concluir que o legislador acredita ser baixo
o custo da corrupção, quando levado em conta o preço das penalidades previstas na legislação penal e/ou processual-penal em vigor. Além disso, algumas observações do legislador sobre a baixa probabilidade que tem o corrupto de ser punido reforçaram nossas conclusões nesse sentido238.
237 Ver nota 172.