Haugen et al. (1977) verificaram “in vitro” algumas propriedades antibacterianas dos cimentos cirúrgicos Ward’s Wondrpak, Coe-pak® e Peripac através do teste de superfície de contato, teste de acúmulo de placa. O teste da superfície de contato apontou para atividades antibacterianas dos cimentos Coe-pak® e Ward’s Wondrpak, enquanto que o cimento Peripac apresentou certa atividade apenas no período inicial. O teste de acúmulo de placa revelou células isoladas no Coe-pak® e Wondrpak, enquanto o Peripac foi invadido pelas colônias bacterianas experimentais.
Anexo A – Revisão de Literatura 2.3 Avaliação de citotoxidade
Os testes de citotoxidade constituem-se de outro método importante de análise de biocompatibilidade dos cimentos cirúrgicos, ao lado dos estudos clínicos e avaliações histológicas. Sendo assim, Kreth et al. (1966) estudaram os efeitos dos cimentos Professional Products Pack, Chayes Pack, cimento cirúrgico de Ward e Coe-pak® sobre a cepa Gey de células HeLa de humanos. Estes efeitos foram avaliados através de dois métodos. O primeiro método avaliou o pH da membrana das células nos períodos de tempo de 24, 48 e 72 horas de exposição aos cimentos, enquanto no segundo houve aplicação de um corante para marcar somente as células não-viáveis após a exposição aos cimentos. O primeiro método foi uma técnica sensível para medir o grau de crescimento celular e o segundo foi um meio de comparar os efeitos estimulantes e inibidores dos cimentos sobre as células. Os resultados mostraram que os cimentos Chayes Pack, cimento cirúrgico de Ward e Coe-pak® tornaram o pH mais alcalino nesta ordem de progressão, enquanto o Professional Products Pack proporcionou manutenção do pH neutro. Os cimentos Professional Products Pack e cimento cirúrgico de Ward pareceram ser estimulantes para as células, ao mesmo tempo em que os cimentos Chayes Pack e Coe-pak® pareceram ser inibidores, porém as diferenças não foram estatisticamente significantes.
Em 1977, Rivera-Hidalgo et al. verificaram o efeito de extratos solúveis dos cimentos PPC com eugenol e Coe-pak® sem eugenol sobre granulócitos leucócitos “in vitro”. O potencial tóxico do cimento sem eugenol foi maior.
Em 1978, Haugen e Hensten-Pettersen avaliaram a citotoxicidade de três cimentos cirúrgicos Coe-pak®, Peripac e Ward’s Wondrpack em duas técnicas de cultura de células, citotoxicidade por liberação de CR e citotoxicidade pela tensão vital vermelha neutra. Os materiais foram testados imediatamente após o preparo ou após cinco dias de estocagem. Os resultados demonstraram que os três materiais apresentaram efeitos citotóxicos em ambas
Anexo A – Revisão de Literatura 98
técnicas de cultura de células, porém desconhecimento dos mecanismos pelos quais estes efeitos ocorreram, dificultaram a comparação entre eles, ressaltando que estes testes apresentaram um valor limitado na avaliação dos cimentos cirúrgicos.
Em 1979, Haugen e Hensten-Pettersen utilizaram a hemólise e teste Oral LD50 nos cimentos Coe-pak®, Peripac e Ward’s Wondrpack. Os resultados da hemólise mostraram resultados significamentemente maiores com Coe-pak® e Ward’s Wondrpack fresco e após 1 dia de preparo, enquanto o Peripac mostrou resultados inferiores, porém esta diferença não foi estatisticamente significante. Concluiu-se, entretanto, que este teste tem valor limitado na avaliação dos cimentos periodontais e embora todos os materiais mostraram marcada influência nas células vermelhas e foram citotóxicas em culturas de células, o teste L D50 indicou que estes efeitos não são suficientemente severos para causar algum efeito tóxico geral.
Em 1989, Eber et al. realizaram um estudo de citotoxicidade “in vitro” de cimentos cirúrgicos. Analisaram comparativamente Ward’s Wondrpak, PPC (com eugenol), Coe-pak®, Periocare (sem eugenol) em cultura de fibroblastos gengivais humanos. Os tempos analisados foram 24, 48, 72 horas. Os resultados mostraram que os 4 extratos de cimento não diluídos inibiram as culturas de células. A diluição 1: 4 dos cimentos com eugenol inibiram mais as células que os sem eugenol.
Em 1994, Gilbert et al. estudaram a citotoxidade do Barricaid em seu estado não polimerizado e totalmente polimerizado em cultura de células HeLa e fibroblastos humanos. No seu estado totalmente polimerizado o cimento não inibiu o crescimento de ambos os tipos celulares diferente do estado não polimerizado que inibiu o crescimento até o quinto dia. Neste mesmo estudo, os autores verificaram através de proton imagens que mesmo empregando o tempo de polimerização indicado pelo fabricante, áreas mais espessas podem permanecer parcialmente polimerizadas, fazendo-os concluir a necessidade de aumentar o
Anexo A – Revisão de Literatura tempo de polimerização nessas áreas para evitar que haja liberação de substâncias tóxicas que possam atrasar ou prejudicar o processo de reparo.
Em 1999, Alpar et al. avaliaram a citocompatibilidade dos cimentos cirúrgicos. Coe- pak®, Voco pac, Peripac e Barricaid foram avaliados em cultura de fibroblastos gengivais primários e células semelhantes a osteoblásticas humanas e fibroblastos de camundongos. Extrato de Voco pac, Peripac e Barricaid não inibiram o crescimento de fibroblastos, porém o Coe-pak® reduziu a proliferação. Peripac diminuiu o crescimento de células semelhantes a osteoblastos enquanto que os demais materiais não se mostraram citotóxicos em algumas análises deste tipo celular. Em fibroblastos de camundongos, todos os materiais foram citotóxicos, porém a citotoxidade do cimento Barricaid foi menor. Os autores concluíram que o Barricaid não tem citotoxicidade após a polimerização, enquanto o Coe-pak®, Voco pac e Peripac exibiram efeito citotóxico moderado ou severo que pode indicar que substâncias citotóxicas liberadas por esses materiais podem interferir no reparo dos tecidos periodontais após sua aplicação.
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Anexo B - Referências