A dificuldade de retenção dos cimentos cirúrgicos em áreas de dentes isolados motivou Derenzis e Hildebrand (1972) a descreverem uma técnica para aumentar a retenção dos cimentos cirúrgicos com a utilização de fios de aço inoxidável torcidos de modo a criar dispositivos de retenções para áreas onde ocorre maior instabilidade como em áreas de dentes anteriores ou posteriores isolados e quadrantes parcialmente desdentados. Os autores ressaltaram como vantagens do uso dessa técnica, a sua aplicação rápida e fácil.
As propriedades físicas dos cimentos cirúrgicos poderão influenciar no comportamento clinico, assim, Pereira et al. avaliaram três marcas comerciais de cimentos cirúrgicos (Inodon, “Y-O Premier” com eugenol e “Y-O Premier” sem eugenol) quanto à consistência (PEREIRA et al., 1973a), dureza (PEREIRA et al., 1973b), alteração dimensional (PEREIRA et al., 1973c) e adesividade (PEREIRA et al, 1973c). Estas propriedades foram avaliadas em função do tempo de preparo imediato, 24 e 48 horas após. Os resultados mostraram diferenças no comportamento dos materiais, havendo uma maior influência da composição química dos materiais do que o tempo decorrido após o preparo.
Em 1977, Gjerdet e Haugen mediram as trocas dimensionais de três cimentos cirúrgicos (Coe-pak®, Peripac, Ward’s Wondrpak) comerciais durante 24 horas. Os cimentos revelaram diferentes graus de alterações dimensionais, que podem indicar que eles exibem variações na adaptação à superfície das feridas.
O palato é utilizado como área doadora durante a realização de enxerto gengival livre, freqüentemente tem cicatrização por segunda intenção, o que pode ser causa de dor e desconforto pós-operatórios (FARNOUSH, 1978). A dificuldade de retenção dos cimentos cirúrgicos nesta área despertou o interesse dos autores em apresentar diferentes métodos de
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retenção do cimento para contribuir para manutenção dos cimentos em posição e consequentemente diminuir o desconforto pós-operatório.
Faganello et al. (1978) estudaram o comportamento, em função da alteração dimensional de três marcas comerciais de cimentos (Coe-pak®, Peripac e Kirkland-Kaiser). Foi realizado teste de consistência, com a finalidade de auxiliar a obtenção da consistência e amostragem, ideal para avaliação da alteração dimensional. Os cimentos testados apresentaram alteração dimensional por contração, com semelhança nos valores médios de contração linear. Considerando as médias de contração o cimento Peripac apresentou maior tendência ao fenômeno, seguido pelo Coe-pak® e Kirkland-Kaiser.
Em 1979, Toledo et al., verificaram sob o ponto de vista clínico, o comportamento dimensional de seis cimentos cirúrgicos periodontais (Kirkland-Kaiser, Coe-pak®, Peripac, Inodon, Y-O Premier sem eugenol, Y-O Premier com eugenol), por períodos de 24 horas até uma semana após a manipulação. Concluíram que todos os cimentos estudados apresentaram alterações dimensionais lineares, representadas por contração da massa, sendo o Peripac, o material que apresentou maior contração média, independentemente do tempo considerado. A menor contração foi observada no período 24 horas para todos os materiais e, a partir de 72 horas, as contrações médias mantiveram-se semelhantes.
Haugen et al. (1979) avaliaram as propriedades adesivas dos cimentos Coe-pak®, Peripac, Ward’s Wondrpak “in vitro”. A adesão dos cimentos foi avaliada em relação à superfície dental e em relação ao tecido gengival. Os cimentos Coe-pak® e Ward’s Wondrpak apresentaram certa adesividade aos tecidos, por outro lado o cimento Peripac não exibiu adesão a nenhuma superfície.
Em 1980, Watts e Combe citaram que dentre as propriedades ideais de um cimento cirúrgico, a retenção é importante. Por este motivo, os cimentos Coe-pak®, Peripac e Peripac Improved foram submetidos ao teste de tensão e cisalhamento, mas na totalidade todos os
Anexo A – Revisão de Literatura cimentos exibiram um baixo nível de adesão sendo difícil tirar significância clínica entre eles. Os maiores valores foram obtidos com Coe-pak® e os menores Peripac Improved.
Em 1981, Watts e Combe investigaram a possibilidade dos cimentos cirúrgicos causarem efeitos deletéricos em materiais restauradores anteriores. Três cimentos foram testados: Coe-pak®, Peripac e Peripac Improved em contato com compósito de resina (Concise) e cimento de ionômero de vidro foram submetidos ao teste de microdureza. Os resultados mostraram que o compósito de resina foi afetado pelos três cimentos cirúrgicos, testes mostraram que certos componentes dos cimentos contribuíram para estes efeitos. Cabe ressaltar que todos os efeitos foram relativamente pequenos e que, “in vivo”, outros fatores como a presença de película adquirida pode alterar estes resultados.
Watts e Combe (1982) estudaram os cimentos cirúrgicos Coe-pak®, Peripac e Peripac Improved que foram testados através de dois métodos de viscometria para testar a aplicabilidade clínica dos resultados obtidos através do viscometro de cone de prata e viscometria por extrusão capilar indireta. Algumas vantagens foram encontradas com uso do viscometro de cone de prata, porém para cimentos cirúrgicos, ambos os métodos podem ser empregsados. O Coe-pak® e o Peripac mostraram algumas características favoráveis.
Em 1985, Rubinoff et al. defenderam o uso cimento sem eugenol alegando que este possui apenas um efeito antimicrobiano pequeno, efeito tóxico, retardo na cicatrização e causar reações alérgicas. Os autores testaram um cimento cirúrgico experimental de óxido de zinco e ácido hexil vanilato toxibenzoico, quanto a tempo de trabalho, adesão ao esmalte e mudanças dimensionais lineares. A facilidade de mistura e propriedades de manuseio limpo, junto com a qualidade não eugenol são propriedades favoráveis.
Em 1986, Rubinoff et al. desenvolveram duas modalidades de testes para avaliar propriedades físicas dos cimentos cirúrgicos (Coe-pak®, Coe-pak® Hard & Fast, Wondrpak). O tempo de trabalho foi determinado observando contínuas trocas na viscosidade através de
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um reômetro oscilatório. Alterações dimensionais foram avaliadas usando um transformador diferencial de variação linear.
Em 1992, Von Fraunhofer e Argyropoulos determinaram algumas propriedades físicas do cimento cirúrgico Barricaid. A absorção de água pelo material aumentou aos 37°C quando comparado com 23°C, mas declinou aos 50°C, enquanto sua solubilidade aumentou com o aumento da temperatura. A adesão ao esmalte diminuiu com a imersão em água. Quando o esmalte foi condicionado, foi aplicado primer e adesivo, foi encontrada maior adesão, sendo que esta diminuiu para apenas 18% deste valor aos 7 dias. O pré-tratamento aumentou a adesão inicial em 32% quando comparado ao esmalte não tratado, a força de adesão após 24 horas e 7 dias para o esmalte pré-tratado foi aproximadamente 120% e 92% maior respectivamente que aquelas encontradas com esmalte não tratado. O material exibe significativamente menor absorção de fluido e solubilidade que materiais tradicionais. A força e estabilidade refletem em pequena probabilidade de decomposição e degradação durante o período de tempo que permanecerá recobrindo os tecidos.