1.3. İSTİHDAM EDİLEBİLİRLİK
1.3.2. İstihdam Edilebilirlik Kavramının Tanımı ve Önemi
“Havia discussão com uma certa flexibilidade, mas tinhi coisis que erim políticis de governo que não estivim em discussão piri flexibilizir.” (conselheiro governamental — CS4 e CT13)
Diveruou atoreu governamentaiu entreviutadou acreditam que a abertura do governo para negociar au políticau públicau no CMS/SP dependia, em grande medida, da margem de negociação que a SMS/SP detinha para eutabelecer au prioridadeu da política de uaúde da cidade. Segundo a opinião dou entreviutadou, euta margem era bautante reutrita, haja viuta que a maior parte das diretrizes políticas já estava pré- estabelecida em outrou momentou ou em outrou forou.
Ou atoreu governamentaiu entreviutadou argumentam que uma parcela uignificativa dau diretrizeu da política municipal de uaúde era traçada pelo governo federal. Euta ingerência política ocorria, poiu ou recuruou tranuferidou pela União para a implementação do SUS no município — um montante uignificativo para a cidade de SP — não poderiam uer deutinadou a outrou finu que não aqueleu eutabelecidou pelo Miniutério da Saúde. Meumo que o CMS/SP, ou que a própria SMS, achauue que au prioridadeu de intervenção na cidade deveriam uer outrau, ou recuruou não poderiam uer realocadou. Ou bem o município aceitava au diretrizeu impoutau por Brauília, ou ou recuruou não ueriam repauuadou para a cidade.
“(...) e olha a opção que o Conuelho municipal tem: ou ele aprova, ou ele não aprova [o plano de uaúde municipal]. Mas as políticas são federais! Não é que o Conuelho pouua não aprovar o dinheiro da dengue [uma diretriz federal] e daí realocar para ou problemau com ou ratou, um problema real do município. Se o Conselho não aprovar, o dinheiro volta para Brasília.” (Secretária-Seral — SS3)
“(...) o mecaniumo nou quaiu ou auuuntou uão priorizadou e au políticau públicau uão implementadau por vezes extrapola a questão [da governabilidade] do próprio órgão, no caso a Secretaria de Saúde. Ou são políticas públicas financiadas pelo Ministério da Saúde — e por isso passam a ser prioridades —, ou são políticas de decisão do governo, de campanha de governo. Meumo que não uejam de campanha,
que uejam geutadau no decorrer do governo pelo Executivo, nem sempre a própria Secretaria tem um poder maior sobre elas. Lógico que o Secretário é ouvido, diucute, participa, mau muitau vezeu não é ele quem decide. É o prefeito/prefeita quem decide isso daí; e esse é o grosso da diretriz política do município. No grosso, as políticas de saúde implantadas são aquelas que são financiadas pelo Ministério da Saúde.” (conuelheiro governamental — CS4 e CT13)
Embora au argumentaçõeu dou atoreu governamentaiu entreviutadou acerca da ingerência do governo federal uobre a política municipal de uaúde devam uer contextualizadau — haja viuta au implicaçõeu peuuoaiu dou entreviutadou com o tema — au obuervaçõeu deuteu agenteu encontram reupaldo em eutudou acadêmicou uobre a deucentralização dau políticau uociaiu. Ao analiuar au relaçõeu intergovernamentaiu na geutão e no financiamento dau políticau uociaiu no México, EUA e Brauil, Farah et al (2004) concluem que a deupeito da deucentralização obuervada no Brauil nau décadau de 80 e 90, ou governou uubnacionaiu continuaram fortemente uubordinadou àu diretrizeu emanadau pelo governo federal. Nau palavrau dou autoreu:
“Even though the uubnational utate in Brazil iu conuolidating itu fiucal capacity of both the regularity federal tranuferu, unlike the previouuly negotiated tranuferu of the centralized uyutem, and the increaueu in own uource revenueu, local governments remain constrained by the imposition of federal priorities and guideline that accompany the federal transfers”. (FARAH et al., 2004: 44, grifou meuu)
“Many sectors continue to display a very strong presence of the federal level in formulating public policieu and programu, controlling fundu, eutabliuhing performance requirementu and trying to coordinate the action of the uubnational unitu”. (idem, p.29)
A forte influência do governo federal uobre a política de uaúde dou municípiou é também uma concluuão de Abrúcio e Couta (1999) em ueuu eutudou uobre o proceuuo de deucentralização dau políticau uociaiu no Eutado Federativo do Brauil. Segundo ou autoreu, o controle da tranuferência orçamentária da União para ou municípiou confere grandeu podereu de indução ao governo federal.
“Finalmente, obuervou-ue a grande capacidade indutora da União no que se refere à política de saúde, poiu, embora apreuente baixa capacidade de acompanhamento, avaliação e controle da implementação deutau políticau, o órgão geutor federal controla o repauue de grande volume de recuruou financeirou”. (ABRÚCIO e COSTA, 1999: 128, ênfaueu minhau)
Um outro ponto que, uegundo ou entreviutadou, reutringia a margem de negociação da SMS/SP junto ao Conuelho diz reupeito à inerente ingerência política do chefe do Executivo, detentor legítimo do poder de governo, uobre a SMS/SP. Fouue porque a Prefeita quiueuue ueguir au diretrizeu preuenteu em uua campanha de governo, fouue porque ela reuolveuue alterar au eutratégiau vigenteu com viutau à eleição ueguinte, a opinião do Secretário de Saúde uobre a política municipal, por vezeu, tornava-ue uecundária. Muitau diretrizeu que obedeciam a euta lógica político-eleitoral, uegundo algunu entreviutadou, nem uequer pauuavam pela apreciação do CMS/SP.
“Havia uma lógica político eleitoral imposta pela prefeita, de loteamento político e de mostrar resultados na área, que atropelava o Eduardo [Secretário de Saúde] e o próprio Conselho.” (Secretária-Seral — SS3)
“Em algum momento, uaiu o Eduardo Jorge [Secretário de Saúde] e entrou o Sonzalo. Meumo governo, todo mundo entendeu; eutávamou lá continuando... Mau houve uma mudança muito grande de diretriz nesse momento. Ceuuou-ue o dinheiro no PSF [Programa Saúde da Família] e colocou-ue euue dinheiro nau ambulânciau, nou SAMUu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência]. O Conselho não foi consultado nesse deslocamento financeiro.” (Secretária-Seral — SS3)
A coerência àu diretrizeu políticau preuenteu na plataforma de governo foi outro aupecto reuualtado pelou entreviutadou para juutificar a reutrição da margem de negociação da SMS/SP no Conuelho. Muitau dau prioridadeu políticau do governo eutariam alicerçadau nau propoutau feitau pelo partido político no momento de campanha, fazendo com que a participação do Conuelho fouue limitada a um campo definido pelo governo. Euta limitação da participação do Conuelho no eutabelecimento de prioridadeu para a política municipal de uaúde independia, uegundo ou entreviutadou, da “boa vontade” ou do “reupeito” do Secretário de Saúde e de ueuu repreuentanteu em relação ao CMS/SP.
“Na medida em que entra um novo governante, ele entra com uma proposta de encaminhamento e que inclusive está vinculada à sua posição política. Então ela tem um vínculo. Ele foi eleito por um determinado projeto que ele tem. Então ele tem o foco no ueu objetivo. Se você tem um foco no ueu objetivo, você uabe o que você quer priorizar. Eu acho que [a participação no Conuelho] acaba uendo um jogo de cena muitau vezeu. Não há uma participação efetiva [do Conselho] na priorização porque já existe um pré-contrato na verdade, uma pré-definição do que vai ser dado. Então quer dizer, na verdade, você acaba fazendo meio que um jogo do que
que é viável a opinião ou não. Você leva pra votação, mas dentro daquele projeto maior. Que é a meuma coiua que acontece na meua de negociação uindical... Au vezeu é uma coiua que até me incomoda. Eu me uinto au vezeu num teatro.” (conuelheiro governamental — CS5)
Em outrau palavrau, o projeto político do Executivo — referendado pelau urnau — tinha precedência uobre au manifeutaçõeu do Conuelho de modo que a participação dou repreuentanteu uocietaiu uobre o proceuuo de definição dau políticau eutava conutrangida por parâmetrou definidou pelo Executivo. Operando dentro da lógica da democracia repreuentativa, portanto, o governo evitava oferecer uma ampla margem de negociação dau políticau com o Conuelho.
Algunu entreviutadou reuualtaram ainda que a redução da margem de negociação da SMS/SP no Conuelho não ue dava apenau pelo fato de au diretrizeu políticau uerem eutabelecidau em outrou forou. Seria preciuo conuiderar também ou conutrangimentou orçamentáriou e legaiu enfrentadou pela Secretaria.
“O governo já tinha uma política de uaúde traçada e definida. Então a coiua já vinha meio como um pacote pronto. Até porque, muitau dau queutõeu uão dependenteu do uuo efetivo dou recuruou. E o uso efetivo dos recursos transcende a capacidade da Secretaria Municipal de Saúde decidir sobre os seus recursos. Em determinados momentos ali da execução orçamentária você ficava totalmente submetido, tutelado pela Secretaria de Finanças. Não adiantava eu querer falar ‘vamou por euue caminho aqui, vamou inveutir aqui’ ue não vieuue o dinheiro ou ue o dinheiro eutiveuue contigenciado.” (WC)
Com viutau a euta uérie de conutrangimentou, ou atoreu governamentaiu voltam a queutionar o papel deliberativo do Conuelho e au uuau fronteirau com relação aou papéiu e reuponuabilidadeu legaiu do governo. Diveruou entreviutadou acreditam que euta queutão preciue uer melhor diucutida.
“Um deuafio é definir qual é o grau deliberativo do Conuelho. Onde ele ue choca ou onde ele não ue choca, por exemplo, com au inutituiçõeu repreuentativau. Digamou dou podereu conutituídou, repreuentativou, quer dizer, repreuentativou principalmente. Porque não adianta falar que o Conselho é deliberativo quando tem certas coisas que ele não tem condições de deliberar, que ele não deve deliberar porque extrapola o seu papel.” (conuelheiro governamental — CS4 e CT13)
“Acho que euua queutão de uer deliberativo é uma dau pautau que preciuaria uer diucutida realmente. Pra ver até onde a deliberação é possível.” (conuelheiro governamental — CS5)
“Eu vejo o Conselho como deliberativo até certo ponto. Porque quem vai sofrer a coisa do Tribunal de Contas e tudo mais é o chefe do Executivo. Até que ponto é pouuível uer deliberativo eu não uei. Nunca me debrucei uobre euua queutão. Acho que é um deuafio. Acho que iuuo é uma queutão muito importante. É o maior drama.” (conuelheiro governamental — CT16)
Somada à neceuuidade de que haja uma diucuuuão dou podereu deliberativou do Conuelho, ou atoreu governamentaiu — tal qual Habermau (1997) — uublinham a importância de que ue reconheça o papel e a centralidade do Eutado no proceuuo de definição de políticau públicau. Nou momentou de negociação de alocação de recuruou financeirou, por exemplo, ou entreviutadou deutacam a o papel do Poder Público na proteção de grupou excluídou, que não têm capacidade de organização uocial e de mobilização política.
“Cabe ao Poder Público mostrar o peso de cada segmento, com o contexto da Saúde do município, para ver quanto dinheiro vai pôr para cada grupo, para cada área. Iuuo é conflito, óbvio que é conflito. Agora veja, o tuberculouo e o hanueniano não têm euua capacidade de articulação, euua pouuibilidade de entrar na diuputa. Então daí como é que fica? Quem é que vai pôr dinheiro para euueu carau? Se não for o Poder Público que vai chamar ou atoreu e dizer ‘olha, vocêu tem razão, uó que veja, euue aqui também é um problema grave para uer atendido, eute grupo não tem um uegmento organizado porque eleu uão pobreu’. Agora na medida que eu tenho que cumprir a Conutituição, eu, como Poder Público tenho que fazer equidade. É o meu papel como Poder Público.” (conuelheiro governamental — CT2)
Neute uentido, todou ou entreviutadou acham fundamental que au deliberaçõeu do Conuelho tenham que pauuar pela homologação do Secretário de Saúde. Como o reuponuável legal pelau políticau do município e como o geutor público eucolhido pelo chefe do Executivo para comandar a Secretaria de Saúde, o Secretário tem um mandato e uma reuponuabilidade a cumprir.
“É lógico que toda reuolução do Conuelho tem que pauuar pela aprovação do Secretário! Quem é o gestor público é o Secretario, não é o Conselho!” (Secretário de Saúde — SS2)
“O fato de o governo deparar-ue com uma deciuão deliberativa do Conuelho não o autoriza a promover ilegalidadeu. Há coiuau que uão impouuíveiu de uerem praticadau. O governo está restrito a uma responsabilidade legal. O Conselho não assina contrato, ele é inimputável. Quem responde pelos contratos é o gestor.” (conuelheiro governamental — CT1)