BÖLÜM 1: KAVRAMSAL ÇERÇEVE
1.6. AK Parti’nin Medeniyet Anlayışının Temel Unsurları
1.6.3. İslam ve Medeniyet Anlayışı
É cabível afirmar que o paradigma do empowerment surge a partir de uma crise nos paradigmas da participação, ou seja, a partir de uma mudança da visão de mundo e das pessoas que constituem o universo dos sujeitos.
Na educação especial, além dessa nova visão de mundo e de participação, o paradigma surge delineando uma nova visão da própria área. Essa mudança do foco tem trazido possibilidades de reflexão quanto à mudança conceitual necessária para que pudessem ser operacionalizadas mudanças significativas nas condutas até então adotadas com as pessoas com deficiência.
Segundo Kuhn (2005), as rupturas detêm causas internas e externas que as provocam e vários exemplos podem ser encontrados ao longo da história da
humanidade.
No caso da pessoa com deficiência, as causas externas foram preponderantes, ainda que não se possa subestimar o que podemos conceituar como causas internas. Porém, se temos como causas externas as mudanças na sociedade e na cultura (como aponta Kuhn), um breve caminhar na história e o entendimento da história contemporânea permite que se visualize o quadro. Idéias e conceitos tidos como explicativos da pessoa com deficiência vão perdendo a sua validade e sendo substituídos por idéias e conceitos que colocam esse grupo de pessoas dentro de uma nova contextualização social e científica, gerando atitudes que determinam uma alteração importante na rota da história da luta pelos direitos e pela garantia de deveres do grupo. Essas novas idéias produzem ideais mobilizadores, desencadeando ações e provocando reações importantes.
A partir dos movimentos desencadeados pelas próprias pessoas com deficiência, iniciados principalmente na década de 60 na Suécia e na década de 80 no Brasil, estabelece-se uma nova forma de lutar por direitos, encabeçada não mais por representantes, mas pelo próprio indivíduo, incluindo a pessoa com deficiência intelectual, cuja participação pessoal até então era quase inexistente. Essa mudança implicou em uma revisão de conceitos, todos eles baseados na participação efetiva das pessoas com deficiência e que fizeram com que surgissem novos conceitos que não faziam parte do cotidiano desse grupo de pessoas.
Sassaki (1997) aponta três conceitos importantes advindos dessa crise nos paradigmas e estabelecidos pela nova visão que se concretiza do grupo de pessoas com deficiência e que devem ser conhecidos para que se possa entender a prática da inclusão e a ideologia dos movimentos. São eles os conceitos de autonomia, independência e empowerment sendo que esse último empresta o nome para o
novo paradigma que impulsiona a luta pela inclusão social.
Autonomia é a condição de domínio no ambiente físico e social, preservando ao máximo a privacidade e a dignidade da pessoa que a exerce. [...]Ter maior ou menor autonomia significa que a pessoa com deficiência tem maior ou menor controle dos vários ambientes físicos e sociais que ela queira e/ou necessite freqüentar para atingir seus objetivos.
(p.36)
Independência é a faculdade de decidir sem depender de outras pessoas, tais como: membros da família ou profissionais especializados. (p.36) Empowerment significa o processo pelo qual uma pessoa, ou um grupo de pessoas, usa o seu poder pessoal inerente à sua condição- por exemplo:deficiência, gênero, idade, cor- para fazer escolhas e tomar decisões, assumindo assim o controle de sua vida. (p.38)
Complementando a definição, vamos encontrar o significado deempowerment:
[...]um processo de reconhecimento, criação e utilização de recursos e de instrumentos pelos indivíduos, grupos e comunidades, em si mesmos e no meio envolvente, que se traduz num acréscimo de poder - psicológico, sócio-cultural, político e econômico - que permite a estes sujeitos aumentar a eficácia do exercício da sua cidadania. (PINTO,1998, mimeo.)
As definições combinadas permitem uma idéia do que hoje representa o movimento que dá às pessoas com deficiência a possibilidade de agir e escolher a partir da sua própria vontade. Essa combinação também permite visualizar o movimento de inclusão social em sua essência, ou seja, como o movimento que possibilita entender a acatar princípios inerentes à diversidade, seja na aceitação das diferenças individuais, no processo ensino/aprendizagem cooperativo e solidário ou na convivência.
Se buscarmos o caminho histórico traçado para a construção desses conceitos, vamos encontrar ações que visaram a libertação dos indivíduos envolvidos em situações de opressão, discriminação e injustiça.
A partir de 1945, movimentos envolvendo populações desprovidas de formas de luta por seus direitos começaram a ser agilizados. A luta pelos direitos cívicos e o
Black Power12
nos Estados Unidos da América, o feminismo, as ações organizadas pelos homossexuais e pelas pessoas portadoras de deficiência permitiram que reflexões importantes fossem deflagradas.
A luta pela mudança da imagem estereotipada da pessoa com deficiência (em especial a deficiência intelectual) como alguém dependente e incapaz de arcar com direitos e deveres, alvo de caridade e pena foi fortalecida na medida em que o
empowerment começou a ser exercitado na mobilização de embasamento das reivindicações. Dessa forma, as pessoas com deficiência passaram a constituir parte ativa de um movimento, alertando para sua capacidade e potencialidade no sentido de contribuir positivamente para a construção de uma sociedade mais justa.
A partir do momento em que se percebe a necessidade de dar àqueles que lutam o direito de falar por sua própria voz, algumas formas importantes de desenvolvimento dessa prática passam a ser pensadas.
Uma das técnicas citadas por Pinto (1998) é a chamada "consciouness-
raising"13, considerada uma das mais importantes formas para a abordagem de
empowerment. Através do "consciouness-raising" a intenção é fazer com que o indivíduo consiga perceber a sua situação pessoal dentro do contexto de outros indivíduos cujo problema é comum e estabelecido por condicionantes externas que podem e devem ser alteradas para que se possa resolver o problema, sendo essas alterações dependentes dos próprios indivíduos e suas ações, coordenadas, organizadas e defendidas pelo grupo interessado, num modelo clássico de
12
Poder Negro
13
movimento social legítimo.
Outra forma abordada por profissionais para a instalação e o fortalecimento do
empowerment são os denominados movimentos de auto-ajuda. Ainda que alguns profissionais tenham ressalvas e resistam a eles, pressupõe-se que seus princípios consigam implantar nos indivíduos a confiança em suas capacidades internas de participação, de controle por eles próprios sobre a sua vida e sobre a importância das redes de apoio, visando ao seu próprio crescimento.
O paradigma do empowerment surge, dessa forma, como uma determinação importante para a implantação de uma nova maneira de agir e buscar soluções para problemas que até então estavam nas mãos de profissionais.
Estudiosos vêm buscando uma tradução para o termo empowerment. Ouve-se falar em “empoderamento, fortalecimento, potencialização e até energização” (SASSAKI,1997, p.39), preservando o caráter do paradigma e permitindo um entendimento de sua função e o planejamento das ações necessárias para uma implantação adequada.
Formar e informar os grupos envolvidos adquirem o caráter de funções imprescindíveis para uma ação legítima e harmônica nesse sentido. E é à educação principalmente que cabe a tarefa de criar condições para que as pessoas desenvolvam a autonomia e a independência para que possam fazer parte da chamada sociedade inclusiva e possam assumir o paradigma do empowerment de forma concreta. A definição apontada por Sassaki (1997) deixa visualizar a importância dessa ação quando diz que sociedade inclusiva é aquela que [...]se
empenha para acolher as diferenças de todos os seus membros. Isto significa que temos que focalizar nossos esforços não mais em adaptar as pessoas à sociedade e sim em adaptar a sociedade às pessoas(p.165).
Documentos internacionais visam garantir essa adaptação. Entre eles, pode-se citar como fundamental o documento Normas sobre a Equiparação de
Oportunidades para Pessoas com Deficiência14
, no qual estão contidos preceitos importantes e fundamentais.
Na Norma 3 - Reabilitação, contida no item I - Requisitos para a igualdade de
participação, vamos encontrar a primeira indicação dessa adaptação e da necessidade e importância de uma participação ampla quando lemos: 4. As pessoas
com deficiência e suas famílias devem poder participar no planejamento e organização de serviços de reabilitação a elas relacionadas (p.23).
Ainda dentro dos princípios da mesma norma vamos encontrar: 6. Pessoas
com deficiência e suas famílias devem ser estimuladas a se envolver na reabilitação, por exemplo, como professores, instrutores ou conselheiros treinados(p.23).
As duas situações deixam clara a importância da participação do sujeito envolvido no processo como elemento que pode indicar caminhos e buscar soluções, não apenas em benefício próprio, mas em função de seus pares, fazendo valer a experiência pessoal como base para o estabelecimento das melhores formas de prover serviços.
Inúmeros são os exemplos contidos no texto referente às Normas, porém, o conteúdo da Norma 18 (Anexo 1), que vem com o título Organização de Pessoas
com Deficiência é muito significativo. Saliente-se que a Norma 18 trata das organizações de pessoas e não de organizações para pessoas com deficiência, o que dá a certeza de que a participação das pessoas com deficiência é imprescindível para que se possa estabelecer uma política clara, ampla e que atenda as necessidades reais dessa população.
14
Conclui-se, então que, ouvir as pessoas com deficiência talvez seja a única forma de construir uma política de atendimento sólida e concreta, dentro das necessidades, sem desperdício, assistencialismo e equívocos.