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İnternetin Neden Olduğu Yeni Kontrol/Denetim Sistemleri ve

2.3. İnternet ve Toplumsal Cinsiyet İlişkileri

2.3.2. Yeni Bir Egemenlik Biçi mi Olarak İnternet ve Toplumsal Cinsiyet

2.3.2.3. İnternetin Neden Olduğu Yeni Kontrol/Denetim Sistemleri ve

Instituído originalmente pela Resolução 119/2006 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA –, o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – Sinase – foi regula- mentado pela Lei 12.594, de 18 de janeiro de 2012. Seu objetivo é orde- nar e sistematizar o atendimento voltado ao adolescente autor de ato infracional, sentenciado ou aguardando a apuração do ato cometido, no que concerne à saúde, ao sistema de justiça, à assistência social, à prote- ção social, à segurança. Propõe uma ação de base sociopedagógica, em que o adolescente deve ser visto e tratado levando-se em conta necessa- riamente os vínculos com a família e com a comunidade, bem como o conjunto das causas e efeitos distintos relacionados com o ato infracio- nal praticado (Teixeira, 2006). Para tanto, tendo em vista o “princípio

da incompletude institucional”, os operadores do Sistema devem lançar mão do maior número possível dos serviços e equipamentos públicos e privados disponíveis na comunidade. De acordo com a Resolução que o instituiu, trata-se de um “Conjunto ordenado de princípios, regras e critérios de caráter jurídico, político, pedagógico, financeiro e adminis- trativo, que envolve desde o processo de apuração de ato infracional até a execução da medida socioeducativa. Inclui sistemas estaduais e muni- cipais, bem como todas as políticas, planos e programas específicos de atenção a este publico” (Brasil, 2006).

Não obstante a importância do Sinase enquanto articulador de diversos aspectos da política de atenção ao adolescente em conflito com a lei, sua aplicabilidade não depende apenas da sua excelência e tampouco da qualidade da formação oferecida aos operadores do sis- tema socioeducativo. Sua efetivação, a exemplo dos desafios até então observados na implementação do ECA, elaborado não somente com os esforços advindos do mundo jurídico, mas também como fruto da intensa participação de setores políticos e sociais, requer considerar-se a formação social brasileira, cindida por interesses e projetos antagônicos de sociedade, os quais implicam em diferentes concepções de política pública para o atendimento à infância e à adolescência. Assim, o aten- dimento efetivamente destinado ao adolescente autor de ato infracional não escapa de ser caracterizado como ambíguo e contraditório, muitas vezes o oposto do que é apregoado pela lei.

Tome-se como exemplo o estado do Rio Grande do Norte onde, apesar dos avanços da lei, o Sinase não alcançou efeito substantivo no sentido de alterar o modo de lidar com o adolescente autor de ato infra- cional observado sob a vigência da legislação menorista. No estado existem duas unidades de atendimento inicial, os Centros Integrados de Atendimento ao Adolescente – CIADs –, onde ocorre a internação provisória até que seja definida a medida a ser cumprida pelo adoles- cente; duas unidades de semiliberdade e três unidades de privação de liberdade ou internação – chamados Centros Educacionais – para os meninos; para as adolescentes há uma mesma unidade com internação

provisória, semiliberdade e internação. Dessas oito unidades, quatro sofreram intervenção da justiça pelo não cumprimento do que prevê a Constituição Federal, o ECA e o próprio Sinase, no que tange ao respeito pelos direitos humanos dos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa, à manutenção da sua integridade física e psicológica. Dessas quatro interdições judiciais, duas resultaram em fechamento total das instituições para reconstrução.

A última unidade de internação construída, inaugurada no ano de 2010 e com apenas três anos de funcionamento, encontra-se total- mente deteriorada por falta de manutenção e pela péssima qualidade do material utilizado na construção. Hoje, essa unidade situada na cidade de Mossoró, interior do estado, se encontra parcialmente interditada, disponibilizando apenas 30 das 48 vagas existentes para receber socio- educandos, funcionando com déficit de recursos humanos e condições físicas precárias. Em acréscimo, nenhuma unidade sob os cuidados da Fundação Estadual da Criança e do Adolescente – FUNDAC-RN – apresenta no momento a equipe técnica mínima requerida para o atendimento socioeducativo, constituída de assistente social, psicólogo, pedagogo, defensor, e tampouco apresentam rotina sociopedagógica condizente com o objetivo da reinserção familiar e comunitária. O dia a dia é marcado pela perpetuação de práticas repressivas e punitivas que parecem desconhecer o avanço da legislação e que desmerecem todo o contexto de luta e reivindicação por mudanças em defesa dos direitos da criança e do adolescente, que culminou no ECA e, por conseguinte, no Sinase.

Em relação às medidas em meio aberto, prestação de serviços à comunidade (PSC) e liberdade assistida (LA), foi a interdição das unida- des de cumprimento de medidas restritivas de liberdade que as levaram ao esgotamento. Com a impossibilidade de encaminhar os adolescentes sentenciados com medida de privação para as unidades devidas, eles foram beneficiados com medidas em meio aberto, ocasionando uma superpopulação nos programas de LA e PSC e o consequente colapso do sistema. Assim, todo o Sistema Socioeducativo do RN desmoronou

pela absoluta impossibilidade de receber adolescentes com dignidade, seja em meio aberto, seja nas instituições fechadas. Não há o desenvolvi- mento de atividades sociopedagógicas e tampouco há preocupação com a construção de um novo projeto de vida para os socioeducandos.

Em face desse quadro constatado após quase vinte e três anos de vigência do ECA e um ano de institucionalização do Sinase, revela-se necessário avaliar a informação equivocada e muito difundida por seto- res da sociedade de que o Estatuto é uma lei branda, que não respon- sabiliza o adolescente pelo ato que comete. A mentalidade menorista que continua presente, fundamentalmente expressa na forma violenta de tratar o adolescente em conflito, associada com a baixa qualificação dos operadores de direito para planejar e executar o cumprimento das medidas são fatores que mostram o quão distante está-se de uma prá- tica congruente com a orientação legal, que afirma a prioridade absoluta para crianças e adolescentes.

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da lei do SINASE