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3.2. Bulgular ve Yorumlar

3.2.2. Kad ın Odaklı Habercilik Yapan İnternet Sitelerinde Toplumsal Cinsiyet

3.2.2.1. Ekonomik Yaşamda Kadın

Inicialmente cumpre ressaltar a definição, logo no primeiro artigo da nova lei, dos objetivos da medida socioeducativa. Ou seja, explicitando a simultaneidade dos conteúdos sancionatório e pedagó- gico da resposta estatal em função da prática infracional por adolescente:

Responsabilização do adolescente quanto às consequên- cias lesivas do ato infracional, sempre que possível incen- tivando a sua reparação;  Integração social do adolescente

e a garantia de seus direitos individuais e sociais, por meio do cumprimento de seu plano individual de atendimento; e  Desaprovação da conduta infracional, efetivando as dis- posições da sentença como parâmetro máximo de privação de liberdade ou restrição de direitos, observados os limites previstos em lei1

Em consonância com o processo de construção da Política Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Plano Decenal dos Direitos da Criança e do Adolescente, a Lei 12.594/2012 determina a construção de planos decenais de atendimento socioeducativo em todas as unidades da federação, prevendo ações articuladas nas áreas de educação, saúde, assistência social, cultura, capacitação para o trabalho e esporte. Tais documentos deverão sofrer avaliações periódicas de sua implementação em intervalos não superiores a três anos.

Outra importante questão trazida pela nova norma diz respeito à possibilidade de responsabilização dos gestores, operadores e entida- des de atendimento, submetendo-os às sanções (administrativas e cri- minais) previstas no ECA e na lei de improbidade administrativa.

Destaca-se também o rico rol de princípios que devem reger a execução das medidas socioeducativas, fortalecendo os pilares do sis- tema socioeducativo a partir dos marcos dos direitos humanos:

Legalidade, não podendo o adolescente receber tratamento mais gravoso do que o conferido ao adulto; Excepcionalidade da intervenção judicial e da imposição de medidas, favorecendo-se meios de autocomposição de confli- tos;  Prioridade a práticas ou medidas que sejam restau- rativas e, sempre que possível, atendam às necessidades das vítimas;  Proporcionalidade em relação à ofensa come- tida;  Brevidade da medida em resposta ao ato come- tido; Individualização, considerando-se a idade, capacidades

e circunstâncias pessoais do adolescente;  Mínima inter- venção, restrita ao necessário para a realização dos obje- tivos da medida;  Não discriminação do adolescente, notadamente em razão de etnia, gênero, nacionalidade, classe social, orientação religiosa, política ou sexual, ou associação ou pertencimento a qualquer minoria ou status; e Fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários no processo socioeducativo2

Dentre as registradas anteriormente, damos especial atenção à primeira previsão normativa no ordenamento jurídico brasileiro do uso de práticas ou medidas restaurativas. Ou seja, da possibilidade de realização no sistema socioeducativo de processos no qual ofendido e ofensor e, quando apropriado, quaisquer outros indivíduos ou mem- bros da comunidade afetados por um crime, participam ativamente na resolução das questões oriundas do delito, geralmente com a ajuda de um facilitador e na busca da construção de um acordo (Princípios básicos para utilização de programas de Justiça Restaurativa em matéria criminal do Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas – ONU, 2002).

Outro pronto alto da lei do Sinase é o Plano Individual de Atendimento (PIA), que deve ser construído pela equipe técnica do programa de atendimento com participação efetiva do/da adolescente e de sua família. O documento deverá, ainda, ser submetido aos atores do Sistema de Justiça, podendo ser impugnado ou complementando pelo Defensor Público e/ou Promotor de Justiça, sendo homologado pela autoridade judiciária. Trata-se do planejamento da permanência do/da adolescente durante o cumprimento da medida socioeducativa, tendo como questão fundamental a participação ativa do/da maior interes- sado/da (adolescente) no sucesso do processo.

Sob o ponto de vista processual, registra-se como positiva a pos- sibilidade de realização de audiência (no prazo máximo de dez dias) para reavaliação da medida socioeducativa ou de sanção disciplinar imposta. Aproximar o magistrado, o Ministério Público e o Defensor Público do/da adolescente, de sua família e dos profissionais do pro- grama de atendimento para decidir sobre alterações na medida socioe- ducativa torna o processo judicial de execução algo mais democrático e menos cartorial.

A positivação de mais direitos fundamentais é algo sempre a ser celebrado. Além dos princípios já destacados, a nova lei consagra direi- tos individuais do adolescente submetido ao cumprimento de medida socioeducativa:

Ser acompanhado por seus pais ou responsável e por seu defensor, em qualquer fase do procedimento administra- tivo ou judicial; Ser incluído em programa de meio aberto quando inexistir vaga para o cumprimento de medida de privação da liberdade, exceto nos casos de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa, quando o adolescente deverá ser internado em Unidade mais próxima de seu local de residência; Ser respeitado em sua personalidade, intimidade, liberdade de pensamento e religião e em todos os direitos não expressamente limitados na sentença;  Peticionar, por escrito ou verbalmente, dire- tamente a qualquer autoridade ou órgão público, devendo, obrigatoriamente, ser respondido em até quinze dias;  Ser informado, inclusive por escrito, das normas de organização e funcionamento do programa de atendimento e também das previsões de natureza disciplinar; Receber, sempre que solicitar, informações sobre a evolução de seu plano indivi- dual, participando, obrigatoriamente, de sua elaboração e, se for o caso, reavaliação; Receber assistência integral à sua

saúde; e Ter atendimento garantido em creche e pré-escola aos filhos de zero a cinco anos3.

Outro direito que foi assegurado pela nova lei é o de visita íntima, em reconhecimento aos direitos sexuais e reprodutivos dos/das adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação. A norma limitou essa modalidade de visita aos casados ou que vivam comprovadamente em união estável.

Ressalta-se ainda a imposição de regimentos internos com a previsão de regimes disciplinares que obedeçam aos princípios de tipi- ficação; exigência da instauração formal de processo disciplinar; obri- gatoriedade de audiência; sanção de duração determinada; enumeração das causas ou circunstâncias que eximam, atenuem, agravem ou extin- gam a sanção; enumeração explícita das garantias de defesa; garantia dos recursos cabíveis; e apuração da falta disciplinar por comissão. Contra as arbitrariedades historicamente registradas em unidades socioeduca- tivas de todo o país, a lei do Sinase impõe limites e regras fundamentais. Afinal, como diria Ferrajoli (2000), a ausência de normas nunca é neu- tra, a ausência de normas é sempre a regra do mais forte.

Para concluir, chama-se a atenção para mais uma importante preocupação da Lei 12.594/2012, ou seja, a garantia de capacitação para o trabalho dos adolescentes inseridos no sistema socioeducativo. Para tanto, se buscou criar vagas destinadas a esse público nos sistemas de formação profissional da indústria, do comércio e de aprendizagem rural e do transporte. Também procurou assegurar vagas de aprendizes a adolescentes usuários do Sinase. Afinal, na sociedade de consumo4,

3 Art. 49, I a VIII , Lei 12594/2012.

4 Suportada pelo mercado como instituição essencial da sociedade ocidental contem- porânea – uma instituição que torna sua própria posição inatacável pela habilidade de produzir e reproduzir uma dependência total de si mesma -, “a cultura de consu- mo” se torna, na opinião da maioria dos analistas, um atributo irremovível dos nossos tempos. A cultura de consumo é uma cultura de homens e mulheres integrados à sociedade acima de tudo como consumidores (Bauman, 2010).

não se pode pensar na superação da prática infracional sem que o/a adolescente possa se autossustentar.