2.5. BİLGİ EKONOMİSİNİN TEMEL ÖZELLİKLERİ
2.6.3. Bilgi İletişim Teknolojileri Endüstrisi
2.6.3.1. İnternet
Uma das conseqüências da visão autopoiética dos organismos é a postulação de que não há um mundo independente dos seres que conhecem e nele vivem. Dessa postulação, por sua vez, decorrrem uma fecunda distinção de caráter epistemológico e com implicações científicas, políticas.
Sendo dependente dos sujeitos que o enunciam, o mundo configurado na linguagem e como linguagem não pré-existe à existência do observador e ao seu ato cognitivo básico de distinguir. Com esse ato, o observador especifica, simultaneamen- te, o objeto e o meio do qual ele o destaca nessa atividade. Todas as distinções, referências, explicações e afirmações são feitas por ele.
Tudo é dito por um observador, a um outro observador, que pode ser ele mesmo (Maturana, 1999b: 53), diz um dos axiomas que orientam nosso olhar quando estamos operando de acordo com o modo teórico de ver acima especificado. Tal axio- ma implica não só a inexorável presença do(s) observador(es) em qualquer afirmação sobre sua experiência de viver um mundo com outros, como também traz à luz a importância da linguagem nos afazeres humanos. A realidade, então, configura-se como “um domínio no qual entidades surgem através de coerências operacionais do observador que o constitui” (Maturana, 1999k: 255). Conforme essa visão, não faze- mos referência a nada cuja existência seja supostamente independente de nós mes- mos, os seres que distinguem e nomeiam os objetos.
Na pergunta sobre as habilidades cognitivas humanas, um cientista ou um filósofo pode postular a existência de uma realidade que é única e independente de nós mesmos. Para esse cientista ou filósofo, cabe à reflexão desvendar tal realidade independente, ainda que ela esteja encoberta por filtros, ainda que sua “essência” não seja dada ao nosso conhecer. A esse modo de fazer ciência ou filosofia Maturana (1999k: 248-255; 2001b) chamou Domínio das Ontologias Transcendentes ou Cami- nho Explicativo da Objetividade sem Parênteses.
Conforme Maturana (1999d: 80) observa, temos uma experiência diária de circularmos em um mundo cuja existência parece não depender de nós. Em decorrência disso, habitualmente desprezamos situações de ilusões e alucinações, porque, nesses casos, a presença dos objetos que distinguimos parece depender do nosso ato de
distingui-los. Nossa experiência de viver assim coincide com o fato de que, na linguagem, ocorre de operarmos com objetos como se eles existissem independentemente de nossas ações. Os cientistas que se situam no Domínio das Ontologias Transcendentes, por sua vez, em consonância com as decorrências da nossa experiência de viver em um mundo de objetos independentes, vêem a ciência como um domínio no qual o conhecimento é objetivo, direta ou indiretamente acessível à percepção. Nesse Domínio, considera-se que aquilo que valida a explicação científica é algo objetivo, observado no seu sucesso operacional.
Na Biologia do Conhecer, a consideração do observador, ou seja, a pergun- ta por uma explicação biológica das suas habilidades cognitivas define o Domínio das Ontologias Constitutivas ou o Caminho Explicativo da Objetividade entre Parênteses (Maturana, 1999b; 1999d; 1999k; 2001a; Graciano & Magro, 1999). Conforme Maturana (1999k: 251), nesse caminho:
a existência é constituída com o que o observador faz, e o que o obser- vador faz traz à mão objetos que ele ou ela distingue em suas opera- ções de distinção, como distinções de distinções na linguagem. Além disso, os objetos que o observador traz à mão em suas operações de distinção surgem dotados de propriedades que realizam as coerências operacionais no domínio da práxis do viver no qual são constituídos.
Uma decorrência epistemológica e política do Caminho Explicativo da Ob- jetividade entre Parênteses – que se associa à postulação de que os mundos, os objetos consensuais, são dependentes dos seres que conhecem e nele vivem – esten- de-se, por exemplo, a uma descrição das explicações científicas segundo a qual elas não são intrinsecamente válidas ou melhores do que outras explicações geradas em outros domínios de ação dos seres humanos. Elas são adequadas ao domínio de ação no qual são efetivadas “e se relacionam com as coordenações operacionais dos membros dessa comunidade, em circunstâncias nas quais são membros dessa comu- nidade as pessoas que usam e aceitam [o critério de validação por elas estabelecido]” (Maturana, 1999d: 83). Desse modo,
as explicações científicas são mecanismos gerativos, isto é, são pro- posições de processos que dão origem aos fenômenos a serem expli- cados como resultado de seu operar e são aceitas como tais na comu- nidade dos cientistas na medida em que satisfazem, com outras con- dições [consideradas como o método científico], o critério de validação das afirmações científicas estabelecidas por essa mesma comunida- de (Maturana, 1999d: 81).
Os aspectos do mecanismo explicativo da Biologia do Conhecer tratados nesta Seção trazem para o campo da ação social, das escolhas políticas e culturais, a atribuição de um valor especial ou intrinsecamente superior às explicações científicas,
ao permitir entendermos a validade científica em termos de uma conduta adequada, mas não em termos de um valor absoluto para qualquer domínio de ação. “A conduta adequada é a conduta que é congruente com as circunstâncias nas quais ela se reali- za” (Maturana, 1999b: 62). Assim, considerando a existência de muitos domínios pos- síveis de ação, o que é validado em um domínio pode não sê-lo em outro. Essa valida- ção se dá como uma adequação condutual, como escolhas que os membros de uma comunidade fazem, e não se refere a uma propriedade intrínseca do que é validado.
Nas Seções que seguem são abordados aspectos aqui considerados im- portantes para uma compreensão da postulação, gerada pelo mecanismo explicativo formulado pela Biologia do Conhecer, de que os mundos são dependentes dos seres que conhecem e nele vivem, surgindo em atividades cognitivas de distinções consensuais, em coordenações de coordenações de ações consensuais dos seres vivos. Também são abordadas decorrências de tal postulação, em termos do modo como, nesta investigação, estou entendendo linguagem, cognição e cultura.