2.5. BİLGİ EKONOMİSİNİN TEMEL ÖZELLİKLERİ
2.6.2. Bilgi İletişim Teknolojilerinin İşletmelere Etkisi
Maturana & Varela (1972; 1984) elaboraram o que à época foi denominado de Teoria daAutopoiese, um modelo explicativo sobre o que os seres vivos são, con- cebendo linguagem, cognição e cultura para além de suas manifestações de pertencimento sociológico. Esses autores correlacionaram tais fenômenos entre si e com a fisiologia humana e os distinguiram dela. Seus textos expressam uma concep- ção sistêmica da fenomenologia dos seres vivos, com a particular característica de não reificar os fenômenos relacionais.
Assim, para a Biologia do Conhecer, fenômenos relacionais como a lingua- gem e a cultura surgem em processos de distinção de relações peculiares entre seres vivos e o meio. A partir daí, tratamo-los como objetos, como abstrações dessas confi- gurações relacionais. Particularmente no caso da cognição, ela é descrita como uma atividade do ser vivo no meio. Nessa atividade surgem os objetos e as relações entre objetos e sua estabilização enquanto tais.
A propósito do trabalho de Maturana, Magro (1999a: 11-12) observa que
a insistência no modo de raciocinar parece [...] crucial para a compre- ensão da novidade [dos seus textos e que] apesar de [ele] ser um teórico criativo, capaz de ilustrar suas idéias com exemplos vívidos e analogias notáveis, seu estilo é rigoroso e não raro denso, de uma circularidade que por vezes incomoda, mas que é preciso ser compre- endida como indissociável de seu próprio pensamento.
Nos anos 60 de Século XX, havia um predomínio de abordagens computacionais para fenômenos cognitivos e lingüísticos. Assim, em uma espécie de reação à predominância teórica, Maturana & Varela (1972; 1984) distinguiram os se- res vivos das máquinas a partir de um tipo particular de organização celular que deno- minaram de organização autopoiética. Para eles, as máquinas são realizadas como sistemas alopoiéticos, sistemas mecânicos, produzidos por outros, havendo sempre alguém que os programa, que os informa, para executarem uma determinada tarefa. Os seres vivos, por sua vez, realizam-se como sistemasautopoiéticos, sistemas dinâ- micos e históricos, que produzem a si mesmos.
Conforme essa teoria, os sistemas autopoiéticos são fechados para interações instrutivas do meio. O meio não causa mudanças no funcionamento de um sistema autopoiético, mas, no encontro entre ser vivo e meio, eventos particulares podem desencadear tais mudanças. Com efeito, dos vários eventos que um observa- dor pode distinguir em nossas interações em um meio particular de ações, apenas alguns podem gerar relações que os autores chamam de perturbações. As perturba- ções mudam o curso das mudanças estruturais que ocorrem continuamente na dinâ- mica fisiológica do organismo, incluindo o sistema nervoso.
A restrição aos eventos que podem desencadear perturbações é decorrente do determinismo estrutural, ou seja, de uma dinâmica de funcionamento estrutural acoplado ao meio. Segundo tal dinâmica, aquilo que ocorre a um organismo, enquanto ele conserva suas propriedades estruturais e sua congruência com o meio, ocorre no âmbito das características estruturais desse organismo. As restrições quanto ao que pode ser uma perturbação para um organismo resultam, simultaneamente, da história da espécie a que o indivíduo pertence e da sua história de vida. O que pode ser uma perturbação, a cada momento, na dinâmica dos seres vivos, depende, portanto, da articulação entre filogenia e ontogenia, como também do instante estrutural em que se dá o encontro entre ser vivo e o meio.
Se ocorre uma perturbação que altera a dinâmica estrutural do ser vivo, ao mesmo tempo em que seu modo de organização autopoiética e seu acoplamento estrutural se conservam, ele segue vivendo de modo congruente com o meio, de ma- neira adequada ao seu viver. Se, ao contrário, ocorre um evento que leva o organismo a perder sua organização autopoiética e sua congruência com o meio, então ele se desintegra, ele morre. A essas relações os autores dão o nome de interações destrutivas. Assim, as mudanças estruturais de um organismo, sendo congruentes com as transformações que ocorrem no domínio operacional de suas ações, são determi- nadas pelas próprias características estruturais desse organismo.
Na dinâmica de acoplamento estrutural entre organismo e meio, o organis- mo e o meio surgem juntos. As entidades do mundo surgem em contínuas atividades constitutivas de domínios consensuais. Os organismos fazem surgir esses objetos consensuais através de operações de distinção que especificam tanto essas entida- des quanto seu domínio existencial. Em ordens sucessivas de distinções, no linguajar, os seres humanos trazem à mão os mundos – os objetos, incluindo a própria consci- ência de si mesmos e o meio, com os quais e nos quais atuam conjuntamente. Esses mundos de objetos não existem independentemente da constituição biológica dos se- res humanos e de suas atividades cognitivas, lingüísticas, históricas, culturais.
A Teoria da Autopoiese constitui, pois, uma explicação dos seres vivos que não comporta sua concepção em termos de máquinas lógico-computacionais, do modo como foi feito pelas Ciências Cognitivas, especialmente nos seus primeiros anos, conforme abordagens históricas das ciências cognitivas assinalam (Dupuis, 1996; Gardner, 1985; Magro, 1999b). Maturana & Varela (1972, 1984) nos convidaram a dirigir um olhar particular para o nosso presente de seres vivos como o presente de duas histórias entrelaçadas: a filogenética e a ontogenética. Com isso, é também particular o olhar histórico e dinâmico para a fenomenologia biológica e relacional que podemos observar no encontro entre o ser vivo e o meio, ao longo de sua existência.
Em meados dos anos 80, tomando por base o mecanismo explicativo pro- posto na Teoria da Autopoiese, Maturana e colaboradores, agora sem a participação de Francisco Varela, passaram a desenvolver a Biologia do Conhecer. Sob esse título, Maturana dedicou-se em especial às conseqüências daquela visão particular dos or- ganismos para a compreensão dos fenômenos cognitivos, lingüísticos e sociais, ex- plorando assim a reflexão sobre os seres humanos e seu mundo.