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DÖRDÜNCÜ BÖLÜM

4. KARDEŞLER ARASINDAKİ MÜCADELELERİN NETİCELERİ II Kılıçarslan çok başarılı bir saltanatın arkasından son yıllarında ülkeyi Eski Türk

4.3. İlmi ve Kültürel Neticeler

do ameloblastoma (SABC, 400X)

Figura 08 - Expressão imuno-histoquímica da MMP-9 nas células tumorais e em células inflamatórias no estroma do ameloblastoma (SABC, 400X)

Figura 09 - Expressão imuno-histoquímica da MMP-1 no tumor odontogênico adenomatóide (SABC, 200X)

Figura 10 – Detalhe da expressão imuno-histoquímica da MMP-1 nas células parenquima- tosas do tumor odontogênico adenomatóide (SABC, 400X)

Figura 11 - Expressão imuno-histoquímica da MMP-9 nas células tumorais do tumor odon- togênico adenomatóide (SABC, 200X)

5.3.1 Resultados das análises inferenciais dos escores de imunoexpressão das metaloproteinases-1, - 2 e -9

Não foi possível estabelecer diferença estatística significativa entre os escores de imunomarcação de cada metaloproteinase individualmente (MMP-1, MMP-2 e MMP-9) e as lesões analisadas, uma vez que o teste estatístico não pôde ser aplicado devido ao tamanho da amostra.

Entretanto, pode-se observar na tabela 03 que na maioria dos casos dos dois tumores, houve o predomínio do escore 2 para a MMP-1, em 90% dos ameloblastomas e 100% dos tumores odontogênicos adenomatóides.

Para a MMP-2, o escore 0 foi predominante em mais de 50% dos casos nos dois tumores, como pode ser verificado na tabela 04.

Considerando a MMP-9, na tabela 05 evidencia-se que 85% dos casos de ameloblastomas mostraram menos de 50% das células tumorais imunomarcadas; enquanto que no tumor odontogênico adenomatóide, o predomínio foi do escore 2, com mais de 50% das células positivas, em 60% dos casos.

Tabela 03 - Imunoexpressão da MMP-1 em ameloblastomas e tumores

odontogênicos adenomatóides. Natal/RN, 2008

AMELOBLASTOMA TOA TOTAL

n % n % n % Escore 2 18 90,0% 10 100,0% 28 93,4% Escore 1 1 5,0% 0 0,0% 1 3,3% Escore 0 1 5,0% 0 0,0% 1 3,3% Total 20 100,0% 0 100,0% 30 100,0% Legenda: TOA = tumor odontogênico adenomatóide

Tabela 04 - Imunoexpressão da MMP-2 em ameloblastomas e tumores

odontogênicos adenomatóides. Natal/RN, 2008

AMELOBLASTOMA TOA TOTAL

n % n % n % Escore 2 3 15,0% 0 0,0% 3 10,0% Escore 1 5 25,0% 1 10,0% 6 20,0% Escore 0 12 60,0% 9 90,0% 21 70,0% Total 20 100,0% 10 100,0% 30 100,0% Legenda: TOA = tumor odontogênico adenomatóide

Tabela 05 - Imunoexpressão da MMP-9 em ameloblastomas e tumores

odontogênicos adenomatóides. Natal/RN, 2008

AMELOBLASTOMA TOA TOTAL

n % n % n % Escore 2 3 15,0% 6 60,0% 9 30,0% Escore 1 8 40,0% 3 30,0% 11 36,7% Escore 0 9 45,0% 1 10,0% 10 33,3% Total 20 100,0% 10 100,0% 30 100,0% Legenda: TOA = tumor odontogênico adenomatóide

Para avaliar a metaloproteinase com maior expressão nas células tumorais dos ameloblastomas e dos tumores odontogênicos adenomatóides, os escores 0 e 1 da imunomarcação das MMPs em ambas as lesões foram agrupados para diminuir a dispersão dos dados. Utilizou-se o teste não-paramétrico Qui-quadrado de Pearson com nível de significância de 5%. Para tanto foi utilizado o software SPSS, versão 13.0 para Windows.

Evidenciou-se que nos ameloblastomas analisados, houve uma diferença estatisticamente significativa entre a positividade da MMP-1 nas células tumorais quando comparado com a MMP-2 e -9 (tabela 06).

mais evidente que a MMP-2 e -9, porém o teste estatístico não pôde ser aplicado (tabela 07).

Tabela 06 - Imunoexpressão das MMPs-1, -2 e -9 em ameloblastomas. Natal/RN,

2008 METALOPROTEINASE MMP-1 MMP-2 MMP-9 TOTAL n % n % n % n % Ausente ou até 50,0% 2 10,0% 17 85,0% 17 85,0% 36 60,0% Mais de 50,0% 18 90,0% 3 15,0% 3 15,0% 24 40,0% Total 20 100,0% 20 100,0% 20 100,0% 60 100,0% Teste Qui-quadrado Pearson p<0,001

Tabela 07 - Imunoexpressão das MMPs-1, -2 e -9 em tumores odontogênicos

adenomatóides. Natal/RN, 2008 METALOPROTEINASE MMP-1 MMP-2 MMP-9 TOTAL n % n % n % n % Ausente ou até 50,0% 0 0,0% 10 100,0% 4 40,0% 14 46,6% Mais de 50,0% 10 100,0% 0 0,0% 6 60,0% 16 56,4% Total 10 100,0% 10 100,0% 10 100,0% 30 100,0%

O ameloblastoma e o tumor odontogênico adenomatóide são tumores odontogênicos benignos que derivam do epitélio odontogênico e possuem comportamentos distintos. O ameloblastoma apresenta maior agressividade e capacidade de invadir localmente causando destruição tecidual, enquanto o tumor odontogênico adenomatóide tem um crescimento mais lento e indolente (KUMAMOTO et al, 2003; SEMPERE et al, 2006).

Na literatura, há uma concordância entre os autores no que diz respeito ao comportamento agressivo e à capacidade de invasão local dos ameloblastomas (PINHEIRO et al, 2004; GOMES et al, 2006; OKADA, YAMAMOTO, TILAKARATNE, 2007).

Diferentes trabalhos foram realizados para tentar elucidar importantes aspectos da histogênese e patogênese dos ameloblastomas, destacando-se, estudos que investigam proteínas do ciclo celular (KUMAMOTO, KIMI, OOYA, 2001a; MEER et al, 2003; SANTANA, BORAKS, SETTANNI, 2004; BARBOZA et al, 2005; KUMAMOTO, OHKI, OOYA, 2005); moléculas de adesão (MODOLO et al, 2004; ANDRADE et al, 2007; BELLO et al, 2007); fatores relacionados com apoptose (KUMAMOTO, KIMI, OOYA, 2001b; KUMAMOTO, OOYA, 2005a) e com diferenciação celular (CRIVELINI et al, 2003; KUMAMOTO, OOYA, 2005b; LOPES et al, 2005); componentes da matriz extracelular da neoplasia (MEDEIROS, 2001; SOUZA, SOUSA, PINTO, 2001; KUMAMOTO, OHKI, OOYA, 2002; NAKANO et al, 2002; VERED et al, 2005; KUMAMOTO, OOYA, 2006a) e proteases, como as metaloproteinases (KUMAMOTO et al, 2003; PINHEIRO et al, 2004; KUMAMOTO, OOYA, 2006b).

Em relação aos tumores odontogênicos adenomatóides, realizaram-se estudos para analisar fatores relacionados com a diferenciação celular (CRIVELINI et al, 2003; CRIVELINI, SOUBHIA, FELIPINI, 2005; LEON et al, 2005; LOPES et al, 2005); moléculas de adesão (ANDRADE et al, 2007); moléculas da matriz extracelular (MURATA et al, 2000; MEDEIROS, 2001; CRIVELINI, SOUBHIA, FELIPINI, 2005; KUMAMOTO, OOYA, 2006a) e proteínas do ciclo celular (BARBOZA et al, 2005; CRIVELINI, SOUBHIA, FELIPINI, 2005; LEON et al, 2005; SEMPERE et al, 2006).

O conhecimento do comportamento biológico das lesões é de extrema importância para que se estabeleça um tratamento adequado e eficaz para o paciente (BARROS, 2006).

Sabe-se que a matriz extracelular atua na regulação das funções celulares e de processos biológicos nos tecidos. As interações existentes entre epitélio- mesênquima são necessárias no controle e na regulação de funções celulares como proliferação, diferenciação, apoptose e migração (MEDEIROS, 2001; RAITZ, MARTINS, ARAÚJO, 2003; MOTT, WERB, 2004).

A importância do estroma tumoral no comportamento biológico de uma neoplasia começou a ser estudada em 1970, por Judah Folkman, que demonstrou a importância da vascularização para o crescimento tumoral. Até essa data, apenas as células neoplásicas eram foco de pesquisas. A partir desta descoberta, a estrutura e os componentes do estroma passaram e ser estudados (WERNERT, 1997). As células estromais também participam do processo de degradação da matriz extracelular através de proteases, como as metaloproteinases, favorecendo assim, a invasão tumoral e a migração das células neoplásicas (MOTT, WERB, 2004; ALA- AHO, KÄHÄRI, 2005).

O ameloblastoma e o tumor odontogênico adenomatóide, apesar de serem classificados no mesmo grupo de tumores odontogênicos possuem comportamento clínico e biológico diferente e por essa razão foram escolhidos para o presente trabalho que teve como objetivo, avaliar, através da técnica de imuno-histoquímica, a participação de três metaloproteinases, as MMPs-1, -2 e -9, uma vez que atuam na modificação estrutural da MEC, nos tumores odontogênicos citados.

As metaloproteinases são importantes proteases que atuam na modulação da MEC, atuando na modificação estrutural e funcional dos componentes da matriz extracelular. Em condições fisiológicas normais, as MMPs são pouco expressas pelos tecidos, enquanto que em processos patológicos, há superexpressão das mesmas devido ao desequilíbrio na atividade das metaloproteinases e seus inibidores TIMPs (PEREIRA et al, 2005; NAGASE, VISSE, MURPHY, 2006; VERMA, HANSCH, 2007).

As MMPs desempenham importante papel na invasão e metástase de diversos tipos de câncer, como carcinoma de esôfago, de pele, do endométrio, de laringe e oral, entre outros, destacando-se as metaloproteinases-2 e -9 que atuam na degradação dos componentes da membrana basal (STAMENKOVIC, 2000;

2006).

Na literatura, afirma-se que em lesões malignas encontra-se uma elevada expressão das MMPs (THOMAS, LEWIS, SPEIGHT, 1999; NAGEL et al, 2004; PARDO, SELMAN, 2005). Em carcinoma de células escamosas orais, já foi detectado um aumento na expressão das MMPs-1, -3, -2, -9, -7 e -26 (IKEBE et al, 1999; BAKER et al, 2006; BARROS, 2006), sendo que a MMP-9 está relacionada a um pobre prognóstico (VICENTE et al, 2005).

Corrobando os achados anteriores, Barros (2006) evidenciou que a MMP-9 em carcinomas de células escamosas orais localizados na língua exibiu uma maior expressão estatisticamente significante em relação aos carcinomas localizados em lábio inferior, o que pode contribuir para o comportamento mais invasivo das células neoplásicas nas lesões localizadas na língua.

Em lesões odontogênicas, as MMPs também têm sido detectadas através de estudos que mostram a participação dessas enzimas na progressão das lesões. Em cistos odontogênicos já se verificou a participação das metaloproteinases no seu desenvolvimento, uma vez que as proteases atuam na degradação dos constituintes da MEC, promovendo assim, a expansão cística (LIN et al, 1997; KUBOTA et al, 2002; SILVEIRA et al, 2007).

A MMP-1 já foi detectada em cistos radiculares (LIN et al, 1997; SILVEIRA et al, 2007), cistos residuais e dentígeros, assim como nos ceratocistos odontogênicos, tendo uma maior expressão no epitélio dos cistos radiculares, residuais e dentígeros e nas células mesenquimais dos ceratocistos (SILVEIRA et al, 2007).

As gelatinases (MMP-2 e MMP-9) também são moléculas que participam do desenvolvimento dos cistos odontogênicos, promovendo a degradação da membrana basal e da matriz osteóide, com conseqüente participação no crescimento cístico (TERONEN et al, 1995; SILVEIRA et al, 2007). Porém, a expressão dessas metaloproteinases é menos exuberante do que a imunomarcação da MMP-1 (SILVEIRA et al, 2007). Deve-se ressaltar que as MMPs-2 e -9 são de extrema importância para completa degradação do colágeno, que foi clivado inicialmente por ação da MMP-1 (TERONEN et al, 1995; SILVEIRA et al, 2007).

Nos ceratocistos odontogênicos, Silveira et al (2007) evidenciaram uma marcação proeminente da MMP-9 nas células mesenquimais o que poderia estar relacionada com a maior agressividade dessa lesão.

A IL-1α secretada por células do epitélio odontogênico tem a capacidade de estimular a secreção e ativação da pró-MMP-9 que quando ativada degrada o colágeno intersticial. A regulação da expressão da IL-1α tem importante papel na expansão dos cistos (KUBOTA et al, 2000). Ela também promove um aumento na expressão da MT1-MMP, induzindo a ativação da pró-MMP2 secretado por fibroblastos em ceratocisto (KUBOTA et al, 2002).

Considerando os tumores odontogênicos, poucos trabalhos foram realizados para avaliar a expressão de metaloproteinases nessas lesões. No presente estudo, de uma forma geral, as MMPs foram expressas tanto nas células tumorais como nas estromais dos dois tumores analisados, sendo mais evidente a marcação da MMP-1. Todos os casos de ameloblastoma exibiram positividade para a MMP-1 nas células tumorais e estromais, com predomínio do padrão de distribuição difuso. Esse resultado é comparável com o obtido por Pinheiro et al (2004), em que a MMP-1 foi observada nas células tumorais, no estroma e na interface neoplasma-osso dos ameloblastomas.

Porém, estes autores verificaram a presença da MMP-1 apenas nas células da periferia dos ninhos dos ameloblastomas, diferentemente do trabalho ora apresentado, que constatou marcação dessa enzima nas células da periferia e da porção central dos ninhos de epitélio. Esse resultado pode ser explicado pela presença da tenascina detectada na porção central dos ninhos que lembram o retículo estrelado do órgão do esmalte observado por Medeiros (2001). Este autor sugere que a presença dessa molécula da MEC nesta localização, possivelmente, está associada à formação de microcistos nos ninhos de epitélio odontogênico dos ameloblastomas, a exemplo do que sugerem Oliveira et al (2004) a respeito do crescimento cístico em seu estudo, onde a tenascina foi expressa nas células mais superficiais do revestimento epitelial de cistos odontogênicos.

Contrariamente aos resultados anteriormente citados, Kumamoto et al (2003) detectaram a marcação da MMP-1 apenas nas células estromais dos ameloblastomas e não nas tumorais. Já nos germes dentários foi possível detectar a MMP-1 no folículo dentário e na papila dentária. Os autores sugerem que a produção dessa metaloproteinase pelas células deve estar relacionada com a progressão do tumor e com a regulação da formação do elemento dentário, respectivamente.

expressão da MMP-1 no retículo estrelado do órgão do esmalte e ocasionalmente em ameloblastos e odontoblastos. Esses achados corroboram, de certa forma, a presença da MMP-1 na porção central que se assemelha ao retículo estrelado do órgão do esmalte e nas células da periferia dos folículos de epitélio odontogênico dos ameloblastomas.

A obtenção de resultados divergentes, pode ser explicado pela utilização de diferentes clones ou, possivelmente, pela expressão temporal desta MMP na dependência das necessidades da evolução da neoplasia.

A maior expressão estatisticamente significante da MMP-1 em relação à MMP-2 e -9 nos ameloblastomas, detectada através do teste Qui-quadrado de Pearson (p<0,001), mostra que essa metaloproteinase é uma das principais enzimas que atuam na degradação da matriz extracelular, sendo essencial para o crescimento tumoral, o que é facilmente verificado e explicado no ameloblastomas através de seu marcado potencial de crescimento. O mesmo pôde ser verificado por Nonaka (2006) em mixoma odontogênicos e por Silveira et al (2007) ao analisar cistos odontogênicos, evidenciando de forma marcante a MMP-1 no epitélio e na cápsula dos cistos.

A elevada expressão da MMP-1 nos ameloblastomas pode estar relacionada com a maior proliferação celular existente nessa neoplasia como já foi verificado por Meer et al (2003), Santana, Boraks e Settanni (2004) e Barboza et al (2005), possibilitando seu elevado ritmo de crescimento, uma vez que é fundamental a degradação dos componentes da MEC, principalmente do colágeno tipo I, que sofre a ação da MMP-1, para o crescimento local da neoplasia.

Em 2001, Medeiros verificou a presença de proteínas da matriz extracelular, como o colágeno I e a tenascina em ameloblastomas, estando localizados principalmente no estroma e nas adjacências dos ninhos e lençóis epiteliais, respectivamente. Esses componentes da MEC sofrem degradação por ação da MMP-1, favorecendo o crescimento tumoral.

O tumor odontogênico adenomatóide, caracterizado por ser uma lesão menos agressiva e com um menor potencial proliferativo que o ameloblastoma (BARBOZA et al, 2005), também teve imunomarcação para a MMP-1 nas células parenquimatosas e mesenquimais em todos os casos analisados, revelando a

extrema importância dessa enzima na degradação da matriz extracelular, independentemente da agressividade do tumor.

Medeiros (2001) verificou, no tumor odontogênico adenomatóide, intensa marcação do colágeno I no estroma e uma expressão variada e escassa da tenascina no estroma e na região de membrana basal, sendo que em áreas próximas ao parênquima tumoral, a marcação foi mais acentuada. Isso pode explicar a positividade para MMP-1 verificada no presente trabalho, tanto em células parenquimatosas como do mesênquima, confirmando a atuação dessa enzima no crescimento e expansão tumoral. No interior de estruturas ductiformes, a expressão dessa metaloproteinase pôde ser observada em alguns casos analisados, confirmando a presença de colágeno I, verificado por Medeiros (2001), também em apenas alguns casos de tumor odontogênico adenomatóide no interior destas estruturas.

A expressão das metaloproteinases-2 e -9 nos ameloblastomas e tumores odontogênicos adenomatóides foi variada, sendo que a MMP-9 apresentou maior imunorreatividade quando comparada com a MMP-2. O mesmo foi evidenciado em trabalhos realizados por Teronen et al (1995) e Silveira et al (2007) em cistos odontogênicos. Esses achados podem sugerir um papel secundário das gelatinases nas lesões avaliadas, uma vez que a MMP-1 é a principal protease responsável por degradar o colágeno I, tendo, portanto, um papel crucial no processo de degradação da matriz extracelular e no crescimento tumoral. As MMP-2 e -9 atuam de forma conjunta com a MMP-1, já que são essenciais para degradação das gelatinas, oriundas da quebra do colágeno tipo I, iniciada pela MMP-1.

A maioria dos casos analisados nos dois tumores teve uma fraca marcação para MMP-2 nas células parenquimatosas, independente da localização, o que já era esperado, uma vez que trabalhos como o de Kumamoto et al (2003), Barros (2006) e Silveira et al (2007) demonstraram baixa imunoexpressão dessa metaloproteinase em ameloblastomas, carcinoma de células escamosas e cistos odontogênicos, respectivamente. Resultados parcialmente semelhantes foram obtidos por Pinheiro et al (2004) que verificaram imunomarcação para a MMP-2 nas células tumorais, porém apenas naquelas localizadas na periferia dos ninhos de epitélio odontogênico dos ameloblastomas, enquanto Kumamoto et al (2003), e o presente trabalho, demonstraram fraca reatividade para a MMP-2 tanto nas células da periferia como nas células da porção central dos ninhos de epitélio odontogênico

dessa metaloproteinase na lâmina dentária de germes dentários.

A MMP-2 degrada principalmente o colágeno tipo IV, presente na membrana basal, além de outros componentes da MEC como laminina, elastina, fibronectina, gelatina, colágeno V, VII e X. Acreditamos que a baixa expressão da MMP-2 se deva à necessidade de preservação, pelo menos em parte, dos constituintes da membrana basal, fundamental para o processo de diferenciação das células neoplásicas bem como para a manutenção da arquitetura estrutural nos ninhos tumorais, característicos no ameloblastoma.

Deve-se ressaltar que a membrana basal desempenha importantes funções nos tecidos, participando do processo de reparo, da proliferação e migração celular, bem como na indução da diferenciação de células (OLIVEIRA et al, 2002). Souza, Sousa e Pinto (2001) observaram que a membrana basal dos ameloblastomas com padrão folicular exibiu expressão do colágeno tipo IV delimitada e contínua, enquanto nos outros padrões histológicos, a mesma apresentou-se descontínua. Estes achados justificam a fraca expressão da MMP-2 observada no presente estudo.

Medeiros (2001) verificou positividade da fibronectina no estroma dos ameloblastomas e tumores odontogênicos adenomatóides, assim como na interface epitélio-mesênquima. Células da porção central dos ninhos de epitélio odontogênico dos ameloblastomas também exibiram expressão da fibronectina, enquanto no tumor odontogênico adenomatóide, a imunomarcação nas células epiteliais foi focal. Esses achados justificam os resultados ora obtidos na presente pesquisa, em que a MMP-2 foi expressa, mesmo que fracamente, no parênquima e mesênquima dos ameloblastomas, sendo predominantemente focal nas células tumorais dos tumores odontogênicos adenomatóides.

Sabe-se que há uma relação entre a fibronectina e a polarização de células que estão a ela conectados e que durante a odontogênese, essa proteína da MEC participa das interações célula-matriz, que culminam com a indução da polarização e diferenciação dos odontoblastos (THESLEFF, PARTANEN, VAINIO, 1991).

Diante do exposto, Medeiros (2001) verificou que as regiões de membrana basal nos ameloblastomas exibiram intensa expressão da fibronectina e nos tumores odontogênicos adenomatóides ocorreu de forma descontínua e linear. Isso pode ser explicado pela disposição das células da periferia dos ninhos e cordões dos

ameloblastomas que exibem morfologia colunar alta, por vezes cúbica, dispostas em paliçada, com polarização inversa e núcleos hipercromados, lembrando os ameloblastos.

No espaço luminal das estruturas ductiformes dos tumores odontogênicos adenomatóides, Murata et al (2000) detectaram fibronectina e outras proteínas da MEC relacionadas com a membrana basal, como o colágeno tipo IV e V, heparan sulfato e laminina. Os autores sugeriram que as células do tumor odontogênico adenomatóide, de forma similar aos pré-ameloblastos, possuem a capacidade de sintetizar proteínas da MEC constituintes da membrana basal, apesar de não se observar indução para camada odontoblástica e pré-dentina.

No presente trabalho observou-se positividade para a MMP-9 nas células tumorais dos ameloblastomas e tumores odontogênicos adenomatóides, evidenciando a participação desta metaloproteinase na degradação da matriz extracelular. A gelatinase B é importante, assim como a MMP-2, para completa degradação do colágeno iniciada pela MMP-1 (TERONEN et al, 1997; COTRIM et al, 2002) e conseqüente promoção do crescimento tumoral. Os resultados encontrados por Kumamoto et al (2003) e Pinheiro et al (2004) em ameloblastomas se assemelham em parte ao resultado ora apresentado, uma vez que a fraca expressão da MMP-9 só foi verificada nas células da periferia, enquanto que no presente trabalho, tanto a porção central quanto a periferia dos ninhos e cordões de epitélio odontogênico exibiram imunorreatividade para essa metaloproteinase.

Kumamoto et al (2003) evidenciaram ainda baixa expressão da MMP-9 nos componentes epiteliais e mesenquimais dos germes dentários e acreditam que isso pode estar associado à regulação das interações que ocorrem entre epitélio- mesênquima. Já Nonaka (2006) observou expressão da MMP-9 no retículo estrelado do órgão do esmalte e no epitélio interno do órgão do esmalte de germes dentários, confirmando a participação dessa enzima durante a odontogênese.

Sabe-se que durante o desenvolvimento dos germes dentários, a papila dental e o órgão do esmalte sofrem alterações morfológicas e biológicas (COTRIM et al, 2002). Fanchon et al (2004) observaram que as gelatinases A e B participam do processo inicial de formação do esmalte e da dentina durante a odontogênese, juntamente com as MMPs-3 e -20. Já Randall e Hall (2002) evidenciaram a participação das metaloproteinases-1, -2, -3 e -9, através da técnica imuno- histoquímica, durante as fases iniciais da odontogênese em germes dentários de

com transcriptase reversa (RT-PCR, do inglês reverse transcription polymerase

chain reaction) e enzimografia, Cotrim et al (2002) detectaram a MMP-2 em germes

dentários de ratos nos primeiros 15 dias de vida. Essa protease exibiu um aumento progressivo na sua expressão e se mostrou maior na papila dentária que no órgão dentário.

A baixa expressão da MMP-2 relatada durante a odontogênese, no órgão do esmalte, que tem como um de seus constituintes o epitélio interno do órgão do esmalte composto por células que sofrem diferenciação em ameloblastos durante a odontogênese, pode estar relacionada com a menor positividade dessa enzima nos ameloblastomas, uma vez que, durante a odontogênese, ela atua na degradação da membrana basal, antes de iniciar a formação da matriz do esmalte e da dentina. Como no ameloblastoma este processo de diferenciação não se completa, não se faz necessária modificação estrutural da membrana basal através da sua degradação, não sendo necessário, portanto, grande quantidade das MMPs-2 e -9 para degradar o colágeno IV.

A presença das MMPs-2 e -9 nos ameloblastomas e nos tumores odontogênicos adenomatóides possivelmente está relacionada com a diferenciação celular que ocorre nas células tumorais. De acordo com Murata et al (2000) as células que formam as estruturas ductiformes nos tumores odontogênicos adenomatóides se diferenciam em células semelhantes à ameloblastos, porém não sofrem o processo de maturação e possuem a capacidade de produzem moléculas