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İlerleme Raporlarındaki Eğitim, Kültür ve Bilim Başlıkları

Conforme já mencionado anteriormente, a construção do desenho foi a primeira atividade realizada no momento da entrevista. A pesquisadora pediu aos jovens, de forma individual, que representassem em uma ou várias figuras o que vinha “na cabeça” ao falar a palavra trabalho. O objetivo do uso desta técnica, em um primeiro momento da entrevista, foi buscar, de forma menos racional, as percepções sobre trabalho. A pesquisadora reforçou que a qualidade dos desenhos não seria avaliada e eles teriam a chance, logo em seguida, de explicar o que desenharam. Observou-se que, em um primeiro momento, os jovens ficaram surpresos e inseguros com o que e como desenhariam o que pensaram. Após reforço de que

realmente não existia “gabarito” e poderiam desenhar como quisessem, pode-se perceber que

os jovens divertiram-se com a atividade, o que facilitou muito a discussão do tema trabalho, desenvolvido no decorrer da entrevista.

A proposição é, neste momento, iniciar esta análise respondendo a uma das questões específicas levantadas nesta pesquisa: as representações do desenho sobre trabalho são coerentes com o discurso destes jovens? Pode-se afirmar que sim, pois, na grande maioria dos entrevistados, o discurso sobre trabalho foi consequência do desenho realizado. Percebeu-se que o desenho ajudou muito aos jovens no momento de trazerem

questões mais subjetivas e auxiliou-os, de forma importante, quando foi solicitado que falassem sobre os sentimentos que os mobilizaram quando olhavam seus desenhos sobre trabalho. Os sentimentos trazidos, conforme exposto no capítulo anterior, expressaram de forma transparente o que haviam desenhado. Neste contexto, pode-se afirmar que o uso desta técnica projetiva auxiliou os participantes a expressarem o que pensavam sobre trabalho de uma forma menos racional, conforme já mencionado por Korthagen (1993); Meyer (1991) e Vince e Broussine (1996).

Vale pontuar, que foi possível observar, em alguns participantes dos grupos 1 e 2, uma discrepância entre discurso e desenho no que tange à importância da remuneração no trabalho, ou seja, eles não desenharam nenhuma figura que representasse o dinheiro, mas reforçaram, por diversas vezes na entrevista, a sua importância. Esta validação sobre a importância do dinheiro de forma velada apareceu em outros discursos nos grupos 1 e 2, como explicitado na fala “dinheiro é a primeira coisa que vem na cabeça, mas eu não falei” ou ainda na fala “ muita gente não vai dizer mas dinheiro é o mais importante”. Nestes casos, o dinheiro foi trazido com certo tabu, ou seja, fazem referência à importância dele em suas

vidas mas sentem “vergonha” de admitir, e , no caso específico destes jovens, de desenharem e deixarem “registrado” suas percepções.

Também foi observada uma discrepância entre discurso e desenho no grupo 3, quando os jovens colocam a importância do estudo como forma de crescer profissionalmente. Apesar de se referirem à relevância que o estudo representa no mundo do trabalho, não desenharam nenhuma figura que mencionasse este item. Percebe-se, o mesmo discurso da importância do estudo nos três grupos mas, de fato, o mais relevante para o grupo 3 que foi considerado em seus desenhos foi a casa, o dinheiro, a família, à rotina de trabalho e, em algumas desenhos também aparece o lazer representado pelo bola e praia.

Quanto à analise dos desenhos, encontrou-se uma diversidade de figuras e símbolos utilizados para definir o trabalho, contudo, é nítida a utilização reincidente das mesmas metáforas para expressar as ideias sobre trabalho e é neste contexto que serão comentados os resultados obtidos. As figuras descritas a seguir foram as representações de maior incidência nos três grupos estudados:

 Dinheiro; e  Família.

As figuras abaixo estavam presentes nos desenhos dos jovens dos grupos 1 e 2 :

 Carro;  Avião; e  Mundo.

Observa-se, portanto, que os desenhos estão coerentes com os discursos dos jovens participantes, já que a principal motivação para o trabalho reside na aquisição de dinheiro para se comprar a casa própria e outros bens de consumo. Neste sentido, incluiu-se também a figura do carro, que apareceu nos grupos 1 e 2, como mais um bem de consumo desejável que o dinheiro possibilita comprar. No caso das figuras do avião e mundo que representam as viagens, além de estarem classificadas em itens de consumo, também poderiam estar na categoria de qualidade de vida, já que os jovens trouxeram estes itens como principais representantes de lazer, fora o trabalho.

A família, como motivadora para o trabalho. foi a segunda questão trazida por todos os participantes desta pesquisa.

Percebe-se também a ocorrência de algumas figuras desenhadas apenas pelos grupos 1 e 2. São elas:

 Computador;  Livros;  Troféu;  Pessoa feliz;  Pessoa cansada;  Grupo de pessoas; e  Lâmpada.

Estas figuras também estão coerentes com os discursos dos jovens pertencentes à estes grupos. Nota-se que as metáforas utilizadas, tais como o computador, o livro, o troféu,

pessoas felizes e cansadas, grupo de pessoas e a lâmpada estão alinhadas com as percepções de trabalho associadas à conectividade, ao conhecimento, ao reconhecimento, aos sentimentos em relação ao trabalho, à importância das pessoas e à valorização das ideias, respectivamente.

Ao se analisar os desenhos realizados, pode-se fazer algumas inferências em cada grupo estudado. Observou-se que os desenhos do grupo 3 representavam figuras mais concretas (casa, dinheiro e família), e mais simples sem outras representações adicionais.

No grupo 2, os desenhos também foram diretos e concretos e, na grande maioria, limitaram-se a representar o dia a dia de trabalho dos entrevistados, ou seja, quando foram estimulados a pensar na palavra trabalho o que vinha à mente era a rotina de trabalho atual. Quanto ao grupo 1, percebeu-se uma elaboração um pouco maior das figuras desenhadas, onde os jovens deste grupo buscaram representações mais abstratas e subjetivas para dizerem o que pensam sobre o tema trabalho.

Por fim, é importante reforçar a validade da utilização do desenho, que auxiliou os participantes a acessarem frentes mais subjetivas e menos racionais do tema trabalho, além de facilitar e estimular as reflexões desenvolvidas no decorrer das entrevistas, no ponto de vista da pesquisadora.