4.1 Verilerin Analizinde Elde Edilen Bulgular ve Yorumlar
4.1.2 İkinci Alt Problem
Para as turmas de Especialização em Ensino de Ciências do Projeto FoCo, o curso foi planejado e desenvolvido para capacitar os professores para o ensino de astronomia. Nessa oportunidade os professores interagiram com os instrumentos para o ensino de astronomia elaborados pelo professor Francisco de Borja López de Prado, que também ministrou as aulas desse curso. No total foram 3 cursos, o primeiro com a duração de 2 anos, o segundo de 1 ano e o último de apenas 6 meses, que ocorreram entre os anos de 2000 a 2003.
É importante destacar que os participantes do primeiro curso FoCo Astronomia ganharam um exemplar do KIT PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA (KITPEA). Porém, existem poucas informações sobre o impacto desses processos de formação continuada na prática dos professores, e sobre sua utilização do KITPEA. Para complementar as informações que coletamos sobre o curso de astronomia oferecido no Projeto FoCo, para a presente revisão bibliográfica, realizamos uma entrevista com o Professor Prado. Nessa seção apresentaremos alguns trechos da transcrição dessa entrevista relacionando-os com as informações coletadas na revisão bibliográfica sobre esse curso.
O KITPEA é formado por diversos instrumentos elaborados para atividades de ensino e aprendizagem em astronomia. Entre eles estão relógios de sol, bússolas, roteiro com sugestões de atividades e alguns materiais auxiliares como cartas celestes e anuário astronômico.
Em sua pesquisa, CAETANO (2007), participante do curso de ensino de astronomia do Projeto FoCo ressalta a importância dos instrumentos do KITPEA como mediações no processo de ensino aprendizagem em ciências, e nos processos de letramento científico nas séries iniciais do ensino fundamental. Essa pesquisadora em seguida realizou um estudo sobre papel dos instrumentos como mediadores no processo de ensino e aprendizagem, tomando como referência a prática de uma professora das séries iniciais do ensino fundamental.
Na experiência vivida com as crianças em sala de aula, com o desenvolvimento de um projeto de investigação com o ensino de tópicos de estudo da astronomia, promoveu-se a utilização de recursos mediacionais tendo com um de seus objetivos, trabalhar uma das importantes habilidades que as crianças precisam adquirir: saber associar fenômenos naturais com suas causas e conseqüências; implicando-se em práticas discursivas com a linguagem científica. (CAETANO, 2007, p.41)
CAETANO expõe em sua dissertação que o próprio autor do KITPEA, o Professor Prado, classifica os instrumentos constituintes desse kit como textos, aparelhos e modelos.
⇒ mediações que fornecem informações sobre datas, momentos, posições em
que os fenômenos ocorrem. Daí surgem o Anuário Astronômico da cidade e as Cartas Celestes, bem como textos orientadores das atividades com o uso desses instrumentos;
⇒ mediações que possibilitam ao sujeito aprendiz relacionar-se com
fenômenos astronômicos cotidianamente observáveis. Esses recursos se tornam significativos por meio da medição das suas características, como por exemplo, a haste vertical na Rosa dos Ventos, o medidor de sombras; relógios de Sol, arcos de duração do dia, entre outros que o autor passa a chamar de aparelhos;
⇒ mediações que possibilitam representar as características dos fenômenos, os
sistemas astronômicos que não podem ser vivenciados em sala de aula a não ser via simulações por serem de longa duração ou por acontecerem em dimensões astronômicas. Para tanto, passa a utilizar mediações a que chama de modelos representativos das características dos fenômenos. Por exemplo, a duração do dia durante o ano com os arcos de duração; a translação anual da Terra com o globo; a placa que permite representar distâncias; prever a visibilidade e a velocidade do Sol e dos planetas. São fenômenos que tem suas características representadas nesses modelos. (CAETANO, 2007, p.51 – grifos da autora)
Prado foi professor da Faculdade de Educação da UFMG durante muitos anos. Mesmo depois de se aposentar continuou contribuindo em vários projetos da faculdade, e produzindo vários materiais para o ensino de astronomia. Em sua dissertação de mestrado é possível encontrar algumas pistas do motivo que o levou a produzir esses instrumentos.
Não é o aluno que deve ir à escola, mas a escola à vida do aluno, à sua realidade concreta. Na Física, por exemplo, devemos evitar a simples assimilação das leis da Física pelos alunos, mas procurar ver como os homens controlam, se apropriam, alteram a natureza, como se relacionam com ela e que conseqüências tem isso na vida de nossos alunos das classes subalternas. (PRADO, 1987, p.86)
Na nossa interpretação, esse trecho mostra uma preocupação com a contextualização do ensino de ciências. A adequação do ensino ao perfil do aluno, à sua realidade, ainda é uma questão muito presente nas atuais discussões acadêmicas na área da educação. Consideramos essa adequação como uma característica essencial da educação, cuja aprendizagem é direcionada para
a compreensão da realidade vivenciada pelo aluno, com intenção de formar sujeitos que possam atuar em seu meio social, exigindo seus direitos e cumprindo os seus deveres de cidadão.
No caso do ensino de astronomia essa contextualização pode acontecer a partir da observação e da análise dos fenômenos que acontecem no dia a dia do estudante. Porém, para que isso aconteça, Prado sentiu a necessidade de usar instrumentos concretos para auxiliar os sujeitos nessas ações. Veja a seguir, um trecho da entrevista1 que realizamos com ele:
1.Pes: prado... o que levou você a elaborar instrumentos para o ensino de astronomia? 2. Suj: é... bom... o que levou para ensino de astronomia...
3. Pes: quer que eu repito...
4. Suj: o primeiro... o negócio é o seguinte... eu gostava de astronomia... observava... tinha observatório em friburgo... e de repente passei a dar aula aqui na fae e comecei falar aquilo o que eu fazia... mas era falar né... então... aí o pessoal falou... por exemplo... “o sol não nasce no leste... o sol não passa ao meio dia aqui no zênite... e as fases da lua? como se explica por isso?”... aí as alunas e os alunos aqui falavam... “pêra aí como a gente entende isso?”... então aí eu tentei pegar essa prática minha com telescópios com instrumento com imaginação e colocar em forma concreta... e para isso me ajudou o piaget no inicio né... depois foi o vigotski né... então aí... eu... “como eles vão ver o caminho do sol?”...então tem que ser através de uma haste que eles observam a sombra... aí eles vão ver como que o sol está fazendo isso... então o momento assim para eu produzir o material foi aqui na aula de metodologia do ensino de ciências... em que eu tendo a prática e não precisando desse material não criava né... mas na hora de querer que aquelas e aqueles que iam ser professores orientadores pudessem fazer observar esses fenômenos e poder fazer medidas e explicar... me levou a construir o que eu chamo hoje de aparelhos e modelos... que dei o nome depois....
EXTRATO 1: Trecho da transcrição da entrevista realizada com o Professor Prado.
No trecho a seguir, Prado ressalta a oportunidade de aprendizagem que se estabelece na relação dos sujeitos com os instrumentos do KITPEA:
7. Pes: e quais são as principais finalidades do kit para o ensino de astronomia?
8. Suj: bom o kit... dos outros aparelhos e modelos que a gente faz... principalmente... o grande objetivo é o ser humano... a pessoa... não é propriamente o fenômeno da natureza... mas é conseguir que essa pessoa... seja aluno seja professor seja uma pessoa qualquer... ela consiga perceber que está num meio que ele pode conhecer... que ele pode transformar... e com esse conhecimento e essas transformações ele vai criar certas habilidades e certas qualidades que vão transformar-lo também...
EXTRATO 2: Trecho da transcrição da entrevista realizada com o Professor Prado.
Como o Professor Prado havia se dedicado a produzir esses instrumentos, e uma das propostas do Projeto FoCo era fazer com que os professores entrassem em contato com materiais
1 Os trechos foram retirados da transcrição da entrevista que realizamos com o Professor Prado. Mais detalhes sobre
didáticos que favorecessem a participação ativa dos alunos, cria-se aí uma relação que dá origem ao curso de astronomia oferecido por esse Projeto.
15. Pes: como você foi convidado a ministrar o curso foco astronomia?
16. Suj: bom... o foco astronomia foi o seguinte... eu já estava aposentado já... e eu estava construindo material além do kit né... e dando curso em ouro preto... aí chegou o beto e o carlos né... e eles estavam... o carlos estava fazendo... trabalhando com... nesses curso do foco que é de aperfeiçoamento acompanhamento de professores... como eles conheciam o material do cruzeiro... se eu não queria dar o curso... na época eu falei assim... “só coloco a condição... não quero só ensinar... mas que eles aprendam” ... “o que isso significa?” aí o beto viu e o carlos também a explicação... “eu quero que eles realmente tenham bastante tempo... para eles não só assistirem e fazerem uma vez mas eles sozinhos e sozinhas fazerem para poder levar para a escola”.... então com essa modificação que me deram o primeira ano do foco... e conseguimos verba... foi um ano muito forte... por que eles ganharam o kit... já o kit com os 5 exemplares de vários aparelhos... no segundo ano já acabou a verba e o tempo... então só me colocaram um ano com esses professores e professoras e não tinham o kit... no terceiro ano já não tinha mais verba, mesmo assim nos ofereceram o curso...
EXTRATO 3: Trecho da transcrição da entrevista realizada com o Professor Prado.
Nesse trecho Prado deixa evidente a sua preocupação com o aprendizado dos professores, e estabelece uma condição para que aprendizado ocorra: que os professores tenham tempo para vivenciar as experiências propostas no curso. A questão do tempo vem à tona novamente, pois já discutimos sua relação com a transformação das práticas dos professores usando outras referências dessa revisão bibliográfica. O tempo parece ser um fator fundamental para que as experiências vividas na formação continuada possam resultar em mudanças na prática dos professores em suas escolas. Ainda no final desse trecho, Prado relata a falta de recursos financeiros que fez com que somente os professores que fizeram o primeiro curso ganhassem o KITPEA.
No trecho a seguir é possível notar uma característica marcante do trabalho do Professor Prado. Essa característica revela-se na maneira como ele organiza o curso, tomando como ponto de partida as necessidades práticas relatadas pelos professores e/ou por seus estudantes. Os temas a serem abordados e os instrumentos a serem construídos para as atividades são selecionados com a ajuda dos sujeitos.
25. Pes: queria saber em termos de instrumentos conteúdos abordados como que foi as características desse curso...
26. Suj: bom... é... o que a gente tinha pegado foi o seguinte... ver é.. primeiro pegamos muitos temas que eram tratados em ensino... ou então nos PCN... nos próprios livros... nos livros didáticos propriamente... nos livros didáticos... fizemos o levantamento... fomos perguntando quais seriam os temas de estudo da 1ª até inclusive o ensino médio... e gozado que eu comecei com o ensino médio com gravitação universal... aí parei para ir para as primeiras séries... mas foi assim duração do dia...
estações do ano... por que aqueles alunos e as alunas da fae me colocaram perguntas... começavam a perguntar... “escuta... as estações do ano por que o dia é diferente aqui em Nova York ou na China”... 27. Pes: alunas de pedagogia?
28. Suj: alunas... e tinha 1 aluno. 29. Pes: (...)
30. Suj: “escuta e o sistema solar com se explica que nós não podemos ver os planetas?”... “e as constelações? por que não podemos ver as três marias agora?”... então em cima dessa perguntas e claro do ... do conhecimento que a gente tinha nós fomos elaborando... praticamente seria duração do dia... no começo não deu muito importância para as sombras... depois as sombras foram incorporando em orientação... os temas eram mais ou menos orientação... duração do dia com estações do ano... depois passaram para a terra na sua órbita... explicava isso tudo... a lua... dentro da lua... quando era possível ver... se era possível ver a lua de noite... a tardinha ou de manhazinha... explica as fases os eclipses... depois o sistema solar e estrelas e constelações né... não entravam em por exemplo em idéias teóricas assim... como origem do universo formação de estrelas... só... isso corria de vez em quando...
EXTRATO 4: Trecho da transcrição da entrevista realizada com o Professor Prado.
Prado encerrou a entrevista relatando que alguns professores que fizeram o curso com ele constantemente retornavam buscando novas orientações ou novos instrumentos que viabilizem assim os seus trabalhos. Ao longo do tempo alguns desses professores começaram a realizar parcerias na criação e na divulgação dos instrumentos para o ensino de astronomia, estabelecendo uma relação de co-autoria com o Professor Prado.
Reconhecemos a complexidade existente entre os processos de formação continuada e as transformações das práticas pedagógicas dos professores. Por isso, apostamos nessa pesquisa para levantar algumas pistas sobre a maneira como esses processos ocorrem e os fatores que o influenciam. Porém, no próximo capítulo trataremos de alguns referencias teóricos, para logo em seguida tratarmos da metodologia de pesquisa e das nossas análises.