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4.1 Verilerin Analizinde Elde Edilen Bulgular ve Yorumlar

4.1.3 Üçüncü Alt Problem

Para alcançarmos o objetivo principal dessa pesquisa, que é o de analisar a maneira como os professores usam os instrumentos do KITPEA em algumas atividades de ensino de astronomia, é necessário inicialmente definirmos alguns conceitos. Ao procurarmos o conceito de atividade nas atuais pesquisas sobre educação, nos deparamos com a Teoria da Atividade re- elaborada por Yrjo Engestrom, mas originalmente criada por A. N. Leontiev. Além de nos parecer uma teoria bem elaborada e coerente, ela também é complexa e possui uma vasta possibilidade de aplicação. Engestrom aponta como uma das principais relevâncias dessa teoria o diálogo entre a micro e a macroanálise nos campos da sociologia e da psicologia, devido à sua mobilidade entre os planos individual e coletivo.

No plano individual leva-se em consideração a natureza da ação, da interação e do conhecimento, porém em uma perspectiva mais ampla deve-se levar em consideração que uma dada atividade é histórico e culturalmente formada (ENGESTROM, 1999, p.8). A Teoria da Atividade estabelece uma conexão entre as análises no plano individual e a estrutura social onde sujeito está inserido.

Leontiev sistematizou o conceito de atividade tomando como referência o materialismo histórico marxista. Esse conceito foi considerado como um dos princípios básicos para o estudo do desenvolvimento do psiquismo. Leontiev, fazendo essa sistematização, fundou a teoria psicológica geral da atividade. Esse conceito desempenha um papel de princípio explicativo dos processos psicológicos superiores.

Em sua busca para responder o enigma da origem e desenvolvimento da mente, Leontiev reformulou o conceito de atividade como a unidade fundamental de análise para entender os mundos objetivos e subjetivos da vida orgânica complexa. (VILLANI, 2007, p.43)

Leontiev se dedicou ao estudo da estrutura da atividade. Para explicar a estrutura da atividade tipicamente humana, ele estabeleceu um esquema articulado composto de três níveis hierárquicos: atividade, ação e operação. O nível da operação é subordinado ao nível da ação e, consequentemente, a uma rotina mecânica. Portanto, a operação não está relacionada à uma

consciência individual, por isso ela é realizada em um plano não-consciente. Veja a seguir um esquema que representa esses níveis da atividade:

FIGURA 1: Esquema da estrutura da atividade humana. (VILLANI, 2007, p. 57)

Está sempre presente, no nível da atividade, uma mediação efetiva realizada pelas relações sociais entre os indivíduos e o restante da coletividade, e orientada para um objeto, que está conectado à um motivo que o direciona. Nesse nível de análise, os indivíduos se organizam a partir de um plano coletivo, para atender a uma necessidade também coletiva. Um indivíduo nem sempre está consciente dos motivos das atividades em que participa, nesse caso, é atividade que controla o indivíduo e não o indivíduo que controla essa atividade.

Uma atividade pode ter um grande número de ações independentes entre si, que estão associadas à um resultado que se deseja alcançar. Ou seja, nesse nível os indivíduos estão conscientes do objetivo a ser alcançado. É importante ressaltar que toda ação é mediada por ferramentas culturais que podem ser físicas ou mentais.

Engestrom propõe a atividade como uma forte candidata à uma unidade de análise incluindo os seus componentes: objeto, sujeito, mediação (instrumentos ou signos), regras, comunidade e divisão de tarefas. As tensões e contradições internas da atividade, que resultam da relação entre os seus componentes, formam as forças propulsoras das transformações e do desenvolvimento que podem ocorrer em uma atividade. Essas transições e transformações ocorrem entre os próprios componentes da atividade e entre os níveis hierárquicos da atividade: atividade coletiva, ação individual e operação inconsciente.

Vygotsky estabelece como unidade de análise a ação do sujeito sobre os objetos mediada por instrumentos culturais e signos:

FIGURA 2: Estrutura básica da ação. (ENGESTROM, 1999, p. 30)

Leontiev, porém, propõem uma diferenciação entre uma atividade coletiva e uma ação individual (ENGESTROM, 1999, p.4). Engestron pontua que ao considerar a atividade como unidade de análise, o pesquisador promove uma complementaridade entre a visão do sistema como um todo, e a visão da atuação de um sujeito nesse sistema. Esse autor expõe que, se tomarmos somente a ação como unidade análise, poderemos ter dificuldades para analisar as bases sociocultural e motivacional do objetivo da atividade.

Outra questão importante para a Teoria da Atividade é a relação entre a ação sobre objetos e os processos psíquicos. Engestrom sugere que não se deve pensar redutivamente que a ação sobre o objeto resulta em processos psíquicos ou vice-versa. Para ele é mais produtivo pensar na relação dialética entre esses dois processos. É possível que a ação sobre os objetos transforme os processos psíquicos e vice-versa.

Engestrom também estabelece dois conceitos fundamentais para a Teoria da Atividade: a internalização e a externalização. A internalização está relacionada com a reprodução da cultura, enquanto a externalização é a criação de novos instrumentos, que tornam possíveis uma transformação (ENGESTROM, 1999, p.10).

Nessa pesquisa, consideraremos o processo de internalização como apropriação e domínio de um instrumento físico ou cognitivo. Esse processo será tratado com mais detalhes na próxima seção desse capítulo. Consideramos que a ação de um sujeito sobre um instrumento pode ter como conseqüência a transformação desse sujeito, e essas transformações podem ser interpretadas como o desenvolvimento do domínio dos instrumentos utilizados. Porém, para realizarmos essa interpretação tomaremos como parâmetro os processos de externalização

SUJEITO

MEDIAÇÃO

apresentados pelos sujeitos em uma atividade. Consideramos que o processo de externalização se estabelece quando o sujeito transforma a atividade, seja realizando adaptações dos instrumentos de acordo com o contexto, ou modificando os elementos da estrutura da atividade (instrumentos, regras, objetivos, etc.).

Engestron (1999) apresenta um esquema para a estrutura completa da atividade humana, na qual todos os elementos (motivação, sujeitos, instrumentos, regras, comunidade, divisão de tarefas, objeto e resultado) devem ser analisados conjuntamente.

FIGURA 3: Estrutura básica da atividade humana. (ENGESTROM, 1999, p. 31)

Villani (2007) sugere que esses elementos devem ser percebidos na estrutura da atividade da seguinte forma: os sujeitos referem-se ao indivíduo ou ao grupo que realizam a atividade escolhida para a análise; as regras são as normas que regulam as ações dos sujeitos nessa atividade; a comunidade se refere a uma coletividade que compartilha um mesmo objeto/motivo, sendo construída de forma peculiar, distinguindo-se de outras comunidades; a divisão do trabalho normalmente é fruto da relação hierárquica entre os sujeitos; os objetos são moldados ou transformados em resultados (produtos), com a ajuda dos instrumentos; os instrumentos são os artefatos, ou seja, as ferramentas físicas e mentais que mediam as ações dos sujeitos sobre o mundo objetivo.

Essas mediações formam uma chave importante para se entender a dinâmica da atividade, coerentemente, ela está posicionada no topo do triângulo da figura anterior. Essa idéia se

SUJEITO MEDIAÇÃO OBJETO MOTIVAÇÃO REGRAS COMUNIDADE DIVISAO DE TAREFAS RESULTADO

acomoda muito bem nessa pesquisa, pois aqui os instrumentos do KITPEA são considerados originalmente e potencialmente como instrumento de mediação em atividades de ensino de astronomia. Originalmente porque eles foram elaborados com esse propósito, e potencialmente por que, apesar de poderem assumir também o papel de objeto nesse triangulo, na maioria das vezes eles conduzem o sujeito a interagir com um objeto de estudo da astronomia.

Engestrom defende que o conceito de mediação rompe com a visão cartesiana, que isola o pensamento individual da cultura e da sociedade. Quando Vygotsky elaborou o conceito de mediação ele provocou uma revolução entre a separação das visões sociais e psicológicas do comportamento humano. O ser humano é capaz de controlar a si próprio e o meio em que vive usando e criando instrumentos e signos, ou seja, mediações.

Nessa pesquisa o conceito de mediação é definido, de acordo com a abordagem sociocultural, como algo que se interpõe na ação do homem sobre o mundo: um processo de produção de objetos socialmente elaborados que servem como mediadores entre o ser humano e a natureza (LENOIR, 1996, p.232; apud NASCIMENTO, 2009, p. 3).

Engestrom defende que é necessário modelar as atividades para que seja possível reconhecer os componentes que formam a sua estrutura e, por sua vez, entender a relação dinâmica entre esse componentes. Com esse modelo seria possível descrever as ações de um sujeito em uma atividade coletiva.

Esse autor diferencia o tempo de uma ação e o tempo de uma atividade. Para ele o tempo em uma ação é linear, mas o tempo em uma atividade é cíclico. Dessa idéia surge o conceito de ciclo expansivo, que remete à dinâmica na qual a atividade é desenvolvida e transformada pelo próprio sujeito quando ele resolve ou supera as tensões internas de uma atividade.

É importante ressaltar que a maneira como os sujeitos superam as tensões internas de uma atividade é denominada (por Engestrom) como externalização criativa. Para resolver essas tensões os sujeitos devem conhecer e analisar a atividade em questão adaptando novos instrumentos, regras, objetos, ou seja, inserindo novos elementos nessa atividade mudando, assim, sua estrutura. Dessa forma, pode-se visualizar os ciclos expansivos como uma coordenação dos processos de internalização e externalização realizada por um sujeito, como mostra a Figura 4 a seguir.

FIGURA 4: Ciclo expansivo. (ENGESTROM, 1999, p. 34)

Nessa figura, o processo de externalização é representado pela parte branca da seta, enquanto o processo de internalização é representado pela parte cinza. No início do ciclo a internalização prevalece, mas aos poucos a externalização ganha espaço, devido as modificações e adaptações realizadas pelo sujeito. Com essas modificações e adaptações, a internalização volta a prevalecer no ciclo. É importante destacar que esses processos são interconectados e simultâneos, por isso a necessidade de representarmos em uma mesma seta.

O ciclo expansivo pode ser considerado um modelo para o conjunto de ações de um sujeito inserido em uma dada atividade. A externalização criativa surge no início do ciclo na forma de iniciativas e inovações discretas realizadas pelo sujeito. Aos poucos a internalização prevalece no processo que indica uma efetiva mudança na estrutura da atividade. Como a atividade é coletiva, o ciclo expansivo de cada indivíduo flui do individual para o coletivo em uma reorganização entre múltiplas vozes que emanam dos diferentes pontos de vista.

Na análise do discurso dos professores, pretendemos identificar as tensões internas das atividades que eles desenvolveram ao utilizarem os instrumentos do KITPEA. Essas tensões são representadas pelas dificuldades enfrentadas nas ações e pelas adaptações que os sujeitos elaboraram. Dessa forma, pretendemos descrever os ciclos expansivos dessas atividades, considerando que, ao enfrentar essas tensões, os professores criam seus domínios sobre esses instrumentos, adaptando-os e transformando a atividade em curso.

O ciclo de aprendizagem expansiva é uma contínua construção e resolução de tensões e contradições em um sistema de atividade. Nessa ótica, desenvolver

quer dizer, então, resolver ou transformar as contradições existentes no sistema de atividade, resultando, assim, em uma mudança no sistema: a construção de um novo objeto e motivo(s). (QUEVEDO, 2005, p.54)