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A terceira edificação é o edifício Montevidéu 285, do arquiteto Carlos Teixeira, fundador do escritório Vazio S/A. Assim como os outros dois escritórios dos casos anteriores, o Vazio S/A também destaca-se no cenário arquitetônico, acumulando prêmios e publicações. O arquiteto Carlos Teixeira possui alguns livros publicados, sendo um deles — História do Vazio em Belo Horizonte — publicado pela editora Cosac Naify. Em 2012, após a conclusão do edifício Montevidéu 285, o arquiteto conquistou na XIV Premiação de Arquitetura do IAB-MG o prêmio de Obras construídas na categoria Habitação Multifamiliar72.

O empreendimento localiza-se na rua Montevidéu, n.º285 no bairro Sion, região Centro Sul de Belo Horizonte, num terreno com 500m². Dentre os casos estudados, o edifício Montevidéu 285 encontra-se num contexto mais adensado, com poucas casas e edifícios de porte médio ou grande, com mais de 10 pavimentos. O zoneamento da região é definido pela lei como ZA e esse é o único dos empreendimentos analisados cuja incorporação aconteceu formalmente. A edificação conta com sete unidades, com programas similares, como descrito a seguir:

 A unidade do térreo, com 125,3m² de área interna e 262,33m² de área privativa, três quartos, sendo uma suíte, sala de jantar e cozinha integradas, varandas, gazebo, área de serviço, lavabo e banheiro social;

 O segundo, terceiro andares tem 106,73m² de área interna e a mesma distribuição de cômodos da unidade do térreo;

 O quarto andar conta com pé-direito mais generoso, com 3,49m de altura, 105,45m²de área interna e 42,72m² de varandas. A distribuição interna é similar aos outros apartamentos, sendo a única diferença significativa percebida na suíte do casal, que é maior e conta com uma varanda, além da banheira de hidromassagem.

 O quinto andar também conta com pé-direito mais generoso mas não dispõe de grande área de varandas, sendo 95,4m² de área interna do apartamento e 9,33m²de área de varandas.  O sexto andar não conta com pé-direito duplo e tem 94,9m² de área interna, 9,33m²de

varandas e distribuição interna idêntica aos demais apartamentos.

 O sétimo andar é uma cobertura com 130,13m² de área interna, 8,10m² de varandas, 59,68m² de ea e te a e , ² do solário , totaliza do , ². Co t s pisos a dist i uiç o dos ambientes se dá, no primeiro piso, três quartos, sendo uma suíte com varanda, sala de jantar e cozinha integradas, lavabo e banheiro social, no segundo piso, um banheiro uma sala

72PINI. IAB-MG divulga os vencedores da sua 14ª Premiação de Arquitetura. São Paulo, 2012. Disponível em <http://piniweb.pini.com.br/construcao/arquitetura/iab-mg-divulga-os-vencedores-da-sua-14-premiacao-de-arquitetura-274977-1.aspx>. Acesso em 19 dez 2015.

e duas eas des o e tas e o te ei o piso o solário ue o siste e u ja di so e a ea coberta do segundo andar.

Figura 13- Vista do Edifício Montevidéu 285 – Arq. Carlos Teixeira - 2011

FONTE: foto do autor.

O interesse do arquiteto pela incorporação imobiliária se deu, em partes, pelas discussões com outros arquitetos sob a qualidade dos empreendimentos imobiliários e pela possibilidade de um maior controle dos parâmetros projetuais aliados a um maior ganho financeiro. O empreendimento foi financiado com recursos do próprio arquiteto e da construtora, em parceria firmada entre os dois e as unidades começaram a ser vendidas ao término do primeiro ano de construção.

O arquiteto, além de autor do projeto e incorporador, também foi o responsável pela fiscalização da obra. No caderno comercial, destacam-se os diferenciais da edificação:

Não, não temos garage band, fitness center, playground, baby care, kids club nem suite master. Mas fizemos um prédio muito esmerado, sob medida para quem não quer pagar taxa de condomínio alta e que valoriza o mais importante de um apartamento: luz natural abundante, pé-direito diferenciado, brises que protegem sua privacidade, escadas dividindo ambientes, jardineiras irrigadas, portas-janelas

luminosas – enfim, um projeto que valoriza o espaço que é só seu. No melhor ponto

do Sion, perto de tudo mas longe do barulho, o MONTEVIDEU 285 veio para preencher uma lacuna de mercado: uma lacuna que existe porque os outros prédios insistem na

mesmice.73

Os dois moradores entrevistados descobriram a edificação por meio de corretores imobiliários, que intermediaram o processo e para ambos, o fato da edificação ter sido premiada contribuiu para a compra da unidade. Ambos destacaram como diferencial o fato do prédio não possuir áreas comuns, o que diminui o valor do condomínio e os cômodos serem bem iluminados e ventilados. No entanto, o morador do sexto andar, Luciano, aponta alguns aspectos negativos da edificação no que diz respeito a execução da obra, tanto com relação aos acabamentos que, segundo ele, são de baixa qualidade, como com relação a infiltrações em vários pontos do edifício. A moradora do quinto andar, Helena, confirma os problemas apontados por Luciano e narra o processo de retirada dos brises e jardineiras concebidos pelo arquiteto para proteger uma das fachadas de parte da insolação:

[...] tinha umas jardineirinhas, com um tantinho só de terra, que tinha um aparato enorme de tubulação na fachada pra irrigar um pouquinho só de terra. Falei assim, gente isso não vai dar certo né, enfeiar a fachada, vai dar infiltração e essas grades não vão dar certo. Dito e feito. Colocou as jardineiras, colocou as grades, ficou uma marmota e aí o que que aconteceu, começou a chover, depois do prédio entregue, começou a chover e começou a...oxidar..começou a...manchar a fachada inteira, o material que ele usou, que foi o que inclusive usou pra fazer essa grade aí também, é o mesmo...você vai ver por baixo que dá oxidação. [...] Aí o que que aconteceu? Nós tiramos. Nós tiramos, as jardineiras e tiramos as grades74.