3.9. İşyerinde Mobbingin Sonuçları
3.9.2. İşyerinde Mobbingin Örgütsel Sonuçları
O excesso de determinaçõesda LPUOS-BH conduz à produção de uma cidade cada vez mais segregada e com menos diversidade. A combinação dos parâmetros de zoneamento, potencial construtivo, QMTUH, afastamentos, taxa de permeabilidade etc., com o valor de mercado do terreno, restringe as possibilidades de ocupação de uma região e consequentemente, contribui para o processo de gentrificação urbana, repartindo a cidade em regiões onde se concentram tipos de edificações semelhantes, produzidas para pessoas de faixas de renda e demandas similares.
O surgimento no mercado imobiliário de arquitetos-incorporadores, num primeiro momento parece um alento a homogeneização das edificações e uma afronta à atuação dos incorporadores tradicionais, já que o arquiteto enquanto incorporador prescinde dos limites projetuais geralmente impostos pelo incorporador tradicional. Este arquiteto, usufruindo de um grau superior de liberdade em todo o processo, pode optar por projetar edificações menos convencionais, que se destacam na paisagem e de maior relevância para o campo arquitetônico, aumentando assim seu prestígio junto a seus pares100.
Porém, o que parece uma relação onde todos — arquitetos, clientes e cidade — saem ganhando, o limite para a produção das edificações continua o mesmo, pois a viabilidade dos empreendimentos segue condicionada a uma taxa média de lucro e em última instância ao valor de troca do empreendimento. Embora os arquitetos-incorporadores atuem dessa maneira por
100E , os fi alistas do º P io – O Melho da A uitetu a a atego ia Co do í ios Reside iais – até 5 pavimentos ou 3.000m², foram ambos edifícios construídos por arquitetos incorporadores. Ver mais em: http://abr-casa.com.br/premio/2012/ate-5- pavimentos02.shtml.
desconhecerem ou ignorarem as relações de poder a que estão submetidos, embora bem intencionados, reproduzem a lógica de produção capitalista do espaço, produzindo edifícios- mercadoria cujo atributo principal continua a ser a liquidez no mercado imobiliário e cuja configuração foi previamente determinada pelos agentes dominantes.
Dentre as estratégias projetuais comuns aos três casos, a pluralidade de tipos de unidades em uma mesma edificação rompe com a ideia tradicional de que edificações residenciais multifamiliares são um empilhamento de apartamentos-tipo. Ainda que essa estratégia pareça comercialmente mais interessante, por atender um público-alvo maior, há, nas três edificações apresentadas, uma variação máxima de aproximadamente 37,7% (TAB. 10) na área coberta dos apartamentos, o que indica que foram concebidos para uma determinada e limitada faixa de renda. Estas iniciativas acabam reproduzindo o caráter segregado do espaço urbano, agrupando pessoas de classes sociais semelhantes e afastando os diferentes.
Tabela 10 - Resumo de dados das edificações
Nome da edificação Edifício Zíder Estúdios Capelinha Edifício Montevidéu
Área do lote 400m² 400m² 500m²
Zoneamento ZAP ZA ZA
N.º de unidades 08 10 07
N.º de tipos 03 (duplex, tipo e
cobertura)
03 (duplex, tríplex, cobertura)
04 (térreo, tipo, tipo com varanda,
cobertura) N.º de un. com área
privativa 06 (75%) 10 (100%)
03 (43%)
QMTUH 40m²/un. 40m²/un. 40m²/un
Área coberta da menor
unidade 79,5m² ±70m²
94,90m² Área coberta da maior
unidade 127,75m² ±107m²
130,13m²
Variação das áreas 48,25m² (37,7%) ±37m² (34,5%) 35,23m² (27,1%)
Fonte: dados coletados pelo autor.
Contudo, quais são as opções dos arquitetos-incorporadores cujo sucesso como empreendedores depende, em última instância, da produção de edificações capazes de rentabilizar os investidores à uma taxa média de lucro definida pelo mercado? A LPUOS-BH permite, em alguns casos, variações mais extremas entre as áreas dos apartamentos, mas como convencer os investidores a abrirem mão de uma parte de seus lucros em função de um suposto benefício coletivo e urbano?
Essas colocações nos permitem questionar até mesmo os limites da autonomia projetual do arquiteto-incorporador, pois a partir do momento em que este encontra-se sob a restrição dos parâmetros da LPUOS-BH, do aval dos corretores e da aprovação dos investidores, não parece restar muita autonomia além daquela referente à plástica da edificação, ou em outras palavras, à imagem da edificação, que, segundo Stevens (2003), é tão importante quanto a própria edificação101, já que é, de
forma geral, o aspecto plástico da edificação que confere prestígio aos arquitetos junto a seus pares e determina sua posição no campo arquitetônico.
Porém, o aspecto plástico de um edifício nem sempre será reflexo de uma boa edificação para aqueles que vão habitar aquele espaço. Neste sentido, é preciso repensar a atuação dos arquitetos com o propósito de produzir edificações que sejam mais interessantes sob a perspectiva do usuário e, para que isso aconteça, o processo de trabalho dos mesmos deverá ser mais aberto, mais negociável e menos determinista.
Para entender melhor essa questão deve-se retomar as diferenças entre valor de troca e valor de uso das coisas úteis. Para Marx (2013), toda coisa útil tem um aspecto qualitativo, denominado valor de uso e relacionado à utilidade da coisa, sendo efetivado durante o uso ou consumo dessa coisa. O segundo aspecto, de natureza quantitativa, é o valor de troca, que consiste na proporção pela qual alo es de uso de u tipo s o t o ados po alo es de uso de out o tipo. Co tudo, u a oisa pode se útil e p oduto do t a alho hu a o se se e ado ia 102. Para que um produto se torne
mercadoria é necessário que seja transferido a outra pessoa, a quem vai servir como valor de uso. Na produção de edificações pelos incorporadores, o objetivo é a comercialização, o que confere às habitações o status de mercadoria. Supõe-se que ao alterar o processo de projeto, abrindo- o à participação dos usuários, serão produzidos espaços mais adequados às suas necessidades, aumentando o valor de uso da habitação para o usuário-projetista em questão. Essa alteração no processo de projeto desloca o foco da produção das unidades da comercialização para a utilização das mesmas. Contudo, ainda que a intenção seja aumentar o valor de uso da habitação, nada impede que essa possa ser comercializada.
Nesse processo, a figura do incorporador, principal agente da produção capitalista do espaço e espo s el pela o tage do e p ee di e to, fi a dispe s el e es aziada de fu ç o, j ue as edificações produzidas dessa outra maneira, com a participação do usuário desde a etapa de projetos, devem ser balizadas por critérios econômicos diferentes e que não tem nada a ver com
101 STEVENS, Garry. O círculo privilegiado: fundamentos sociais da distinção arquitetônica. UNB, 2003. P.116
102 MARX, K. O Capital: Crítica da Economia Política, livro I: O processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo Editorial, 2013. p.157- 164.
lucratividade, abrindo possibilidades para outros tipos de arranjos espaciais determinados pelos usuários-projetistas e não mais por corretores, investidores ou incorporadores.
Nesse arranjo, as questões técnicas e legais continuam sob a responsabilidade do arquiteto, mas o projeto das unidades, compartimentação dos espaços, definição de acabamentos etc. pode ficar a cargo do usuário, cabendo ao arquiteto fornecer condições para que esse possa participar efetivamente do projeto.
Entende-se assim que o arquiteto pode assumir um papel mais político na produção das cidades como um agente crítico e não mais passivo às determinações de investidores, corretores e da própria LPUOS-BH, que certamente ainda será um limite, mas em menor grau do que como acontece nos moldes da produção capitalista do espaço.