1. BÖLÜM
2.2. İŞVEREN MARKASI KAVRAMI ve ÖNEMİ
Em 1915, antes da publicação dos artigos que traçam a diferença de procedimento na neurose e na psicose, Freud publica “O inconsciente” (FREUD, 1915/2006) e nesse artigo importantes referências são feitas sobre a noção de reconstrução na esquizofrenia. Se no texto sobre o narcisismo Freud afirma que nas neuroses narcísicas há uma retirada da libido dos objetos e um retorno da mesma em direção ao eu (FREUD, 1914/2004), no artigo “O inconsciente” essa retirada da libido dos objetos é retomada a partir da fala do esquizofrênico:
Nos esquizofrênicos observam-se – especialmente nos etágios iniciais, tão ricos em ensinamentos – algumas alterações na fala que merecem especial atenção. A forma de os esquizofrênicos expressarem-se é muitas vezes objeto de grandes cuidados e torna-se “rebuscada” e “floreada”. Ademais as frases desses pacientes sofrem de uma desorganização específica na sua estrutura, o que nos faz considerar a fala dos doentes desprovidas de sentido. No conteúdo dessas falas, muitas vezes prevalecem referências a uma relação com os órgãos ou com as inervações do corpo (FREUD, 1914/2004, p. 45-6).
Freud se refere a uma paciente de Tausk que, depois de uma discussão com o amante, afirmou: “os olhos dele não estão certos, eles estão alterados, distorcidos, tortos” (FREUD, 1914/2004, p. 46). Falando do amante, por sua vez, dissera que “não consegue entendê-lo, cada vez ele tem uma aparência diferente, ele é um hipócrita, um distorcedor de olhos”. Tausk articula então: “ele torceu e virou os olhos dela, agora é ela quem tem os olhos revirados, distorcidos, não são mais dela aqueles olhos, ela agora vê o mundo com outros olhos” (FREUD, 1914/2004, p. 46). Em outra situação, a mesma paciente está na igreja e sente um solavanco, precisa se colocar em outra posição [stellen] como se alguém a colocasse nessa posição, como se ela fosse colocada. Mais uma vez Tausk observa que, ao falar do amado, diz que ele a transformara de uma moça fina em uma moça ordinária, ele a deslocou [sie verstellt]. Freud observa que a fala, aqui, se tornou uma “linguagem dos órgãos”:
[…] destaco em todo esse raciocínio a prevalência de um elemento cujo conteúdo é uma inervação corporal (ou antes, sua sensação). Uma histérica, aliás, teria, no primeiro caso, revirado os olhos convulsivamente e, no segundo, teria de fato executado o solavanco, em vez de ter sentido o impulso ou a sensação dele. E, ambos os casos, uma histérica não teria pensamentos conscientes e tampouco teria sido capaz de expressá-los depois” (FREUD, 1914/2004, p. 47).
Relacionando as observações dos casos de Tausk e de Bleuler, Freud apresenta a proposição de que, na esquizofrenia, ocorre com as palavras o mesmo processo que transforma os pensamentos oníricos em imagens oníricas, ou seja, as palavras se encontram submetidas ao tratamento do processo primário. As palavras são condensadas [verdichtet] e transferem integralmente uma à outra suas cargas de investimento, deslocando-as, de forma que uma única palavra pode assumir a representação de toda uma cadeia de pensamentos. Se este procedimento comparece na neurose nas formações do inconsciente – o sonho, o sintoma, o chiste, o ato falho – na esquizofrenia ele é “exposto”, daí Lacan falar do “inconsciente a céu aberto da psicose”.
E em que consiste esse modo de proceder com a linguagem? Primeiramente, na predominância da relação com a palavra em vez da relação com a coisa [Sachbeziehung] – é a equivalência da expressão linguística e não a semelhança dos objetos que determina a substituição, o deslocamento. A proposição de uma diferença entre coisa [Ding] e palavra [Wort] assume aqui todo seu valor: a relação com a linguagem na psicose se especifica por um modo particular de operar com esta diferença. Na esquizofrenia, se a pessoa desiste dos investimentos de carga no objeto [Objekt], por outro lado, mantém o investimento nas representações de palavra.
Se na neurose o recalque passa a ser definido como a recusa em aceitar a tradução da representação de coisa em representação de palavra (então a representação de coisa permanece investida no inconsciente como um objeto investido em segredo), na esquizofrenia são esses “objetos perdidos” que não podem ser recuperados. O superinvestimento nas palavras parece indicar um caminho de recuperação do objeto, na medida em que a representação de palavra compõe uma “parcela” do mesmo. O investimento de carga na representação de palavra constitui então uma tentativa de produção ou de cura, pois “visam a recuperar os objetos perdidos e pode bem ser que, nesse intuito, eles sigam o caminho em direção ao objeto por meio da parcela desse objeto composta pela palavra; no entanto, ao seguirem por essa via, terão que se contentar com as palavras em vez das coisas” (FREUD, 1914/2004, p. 51).
2.4 O Édipo e a Inscrição da falta: as contribuições de Lacan
Em Lacan, os momentos de constituição do sujeito são entendidos em função de uma lógica de onde se extrai duas operações fundamentais: a operação de alienação e de separação. A alienação indica o recobrimento do sujeito pelo significante: “A criança e o Outro encontram-se, na alienação, em posições desiguais: a criança assujeita-se aos significantes do Outro. O saldo desta operação é a entrada na linguagem com a substituição do sujeito por um significante (FINK, 1988). O sujeito advém então como sujeito dividido, entre o significante e o que está fora do significante – ao engajar-se na linguagem o sujeito desaparece sob o significante. A operação de separação, por sua vez, aponta para um desejo de mais alguma coisa, do lado da mãe. Há um endereçamento do olhar para além da criança, o que engendra por sua vez a queda da posição fálica, de correspondência ao desejo do Outro.
O sujeito não está lá desde o começo, aparecendo como efeito de uma operação negativa
quando o significante se coloca em posição de “ficar no lugar de”, de substituir algo através do ou/ou . O significante “apresenta” [Darstellung] inscrevendo alguma coisa sobre o que não está. É a própria ausência de ser que é produzida e reconhecida quando o selo do significante se apresenta. A alienação produz a indicação do que não há, do que não está lá - produção de uma falta, que é o primeiro passo depois do nada. Lacan fala da produção da falta como a afirmação de “algo que falta em seu lugar” (ce qui manque à sa place), algo que não se encontra onde deveria estar. Dentre os livros da estante há um espaço sem livro, em relação ao qual posso afirmar “o livro não está ali”, embora, no real, nada falte. Para que algo seja dito faltando é preciso que tenha inscrição simbólica, o que indica um lugar num sistema ordenado. Nesse sentido, a alienação institui a ordem simbólica e o lugar do sujeito nesta ordem, que marca sua presença sob a forma de um “não está”. Um lugar é então designado ao sujeito sob o selo de uma primeira inscrição significante (apresentando justamente que ali o sujeito não está):
A alienação consiste nesse vel que ‒ se a palavra condenado não suscita objeções da parte de vocês, eu a retomo condena o sujeito a só aparecer nessa‒ divisão que venho, me parece, de articular suficientemente ao dizer que se ele aparece de um lado como sentido, produzido pelo significante, do outro ele aparece como afânise (LACAN, 1964/1998, p. 200).
A alienação implica que, escolhendo o ser (o ser do sentido), o sujeito desaparece, nos escapa: “A bolsa ou a vida! Se escolho a bolsa, perco as duas. Se escolho a vida, tenho a vida sem a bolsa, isto é, uma vida decepada” (LACAN, 1964/1998, p. 201). O sujeito lacaniano baseia-se na nomeação do vazio, que é o que sustenta a função do nome próprio. Para além da referência ao significado ou a qualquer referente que almeje universalidade, o nome próprio inscreve, marca, apenas. O nome próprio se relaciona, então, com uma espécie de pura nomeação, que atualiza a constituição mesma do sujeito como efeito de inscrição, de marca, de alienação ao traço:
Muitas vezes esse nome é escolhido muito antes do nascimento da criança, inscrevendo-a no simbólico. A priori esse nome não tem nada em comum com o sujeito; ele é tão estranho para ele quanto qualquer outro significante. Mas com o tempo esse significante – mais, talvez, do que qualquer outro – irá até a raiz do seu ser e tornar-se á inextrincavelmente ligado a sua subjetividade. Ele se tornará o significante de sua própria ausência enquanto sujeito, substituindo-o (FINK, 1988, p. 75).
Se a alienação opera um ou/ou, a separação opera um nem/nem. A superposição de duas 116
faltas indica algo que fica fora da operação de alienação. A separação coloca em cena um Outro barrado, dividido pelo significante, cujo desejo encontra-se mais além, fora do que se pode articular como demanda. Então, se a demanda articula um apelo que o sujeito recolhe no campo do Outro, esta demanda só faz entrever o caráter inapreensível do desejo, a impossibilidade de equivalência entre o nome e a coisa. Algo corre por fora do que o significante apresenta, deixando o sujeito na posição de decifrar o que o outro quer exatamente. Por mais que o outro (semelhante) fale, sempre é possível interrogar: o que ele está mesmo querendo dizer? A criança se interroga a partir do que é indecifrável no discurso do Outro:
Uma falta é, pelo sujeito, encontrada no Outro, na intimação mesma que lhe faz o Outro por seu discurso. Nos intervalos do discurso do Outro, surge na experiência da criança o seguinte, que é radicalmente destacável ‒ ele me diz isso, mas o que é que ele quer?
Nesse intervalo cortando os significantes, que faz parte da estrutura mesma do significante, está a morada do que, em outros registros de meu desenvolvimento, chamei de metonímia. É de lá que se inclina, é lá que desliza, é lá que foge como o furão, o que chamamos desejo. O desejo do Outro é apreendido pelo sujeito naquilo que não cola, nas faltas do discurso do Outro, e todos os por quês? da criança testemunham menos de uma avidez da razão das coisas do que constituem uma colocação em prova do adulto, um por quê será que você me diz isso? sempre re-suscitado de seu fundo, que é o enigma do desejo do adulto (LACAN, 1964/1998, p. 203).
A falta articulada no campo do Outro é situada então no nível do próprio sujeito. O que falta no Outro corresponde ao sujeito - é o sujeito mesmo que escapa e desaparece a partir do reconhecimento da falta no Outro: “A fantasia de sua morte, de seu desaparecimento, é o primeiro objeto que o sujeito tem a por em jogo nessa dialética, e ele o põe, com efeito - sabemos disto por mil fatos, ainda que fosse pela anorexia mental. Sabemos também que a fantasia de sua morte é brandida comumente pela criança em sua relação de amor com seus pais”(LACAN, 1964/1998, p. 203). Assim, é no nível do desejo do Outro que o desejo do sujeito se constitui: entre os significantes que advém desse campo - do Outro - há uma queda que põe em funcionamento a produção de saber do sujeito como interpretação do que está mais além do significante.
Daí Lacan atentar para o fato de que “não se trata de reduzir a função do significante à nomeação, isto é, a uma etiqueta colocada sobre uma coisa. É deixar escapar toda a essência da linguagem” (LACAN, 1964/1998, p. 224). Trata-se de conferir dialética ao ato de nomeação
como ato que engendra um corte na organização orgânica de uma necessidade. Seguindo essa direção, o fort-da, não é lido por Lacan como uma relação de domínio - esse domínio de etiquetar uma coisa sob o selo do significante - mas como a colocação em cena do objeto a. Esse objeto a pulsão contorna e, por sua função, “o sujeito se separa, deixa de estar ligado à vacilação do ser, ao sentido que constitui o essencial da alienação” (LACAN, 1964/1998, p. 239). Retomaremos a função do objeto a adiante, quando estivermos tratando da alucinação verbal.
O sujeito, como vimos, é assujeitado a um significante. Mas vemos que Lacan insiste na necessidade lógica do momento em que o sujeito, como X, só se constitui na operação de queda desse primeiro significante [Urverdrängung]. Esse X é então vazio de significância e, justamente por isso, sua inscrição permite a abertura para o sentido, para os distintos valores que podem vir no lugar do sujeito. No entanto, se há abertura para alguns valores, é porque está excluída a possibilidade de todos os valores, ou, todos os sentidos:
No que o significante primordial é puro não-senso, ele se torna portador da infinitização do valor do sujeito, de modo algum aberto a todos os sentidos, mas abolindo todos, o que é diferente. É isto que explica que eu não tenha podido manejar a relação de alienação sem fazer intervir a palavra liberdade. O que funda com efeito, no senso e não-senso radical do sujeito, a função da liberdade, é propriamente esse significante que mata todos os sentidos.
É por isso que é falso dizer que o significante no inconsciente está aberto a todos os sentidos. Ele constitui o sujeito em sua liberdade em relação a todos os sentidos, mas isto não quer dizer que ele não esteja determinado. Pois, no numerador, no lugar do zero, as coisas vindas a se inscreverem são significações, significações dialetizadas na relação do desejo do Outro, e elas dão à relação do sujeito ao inconsciente um valor determinado (LACAN, 1964/1998, p. 238).
Na psicose, a solidez da cadeia – esse apanhar da cadeia sem que haja introdução de um intervalo, de uma queda – proíbe a abertura em direção à crença, ou, à interpretação. Não há inscrição desse significante que irá desaparecer e então operar como “menos um” abrindo para as possibilidades - limitadas - do sentido. Como observa Lacan (1964/1998), “menos um não é zero”: o que está em jogo no menos um – no significante primordial que será perdido – é uma grandeza negativa: e “é aí que encontraremos com que designar um dos suportes do que chamamos complexo de castração, a saber, a incidência negativa na qual entra ali o objeto falo” (LACAN, 1964/1998, p. 239).
Há, como diz Lacan, uma “escolha forçada” entre se assujeitar ou não ao Outro, sendo a
psicose uma “vitória” do sujeito sobre o Outro. A decisão de não se assujeitar ao Outro é correlativa à perda de si mesmo, a sujeição estando articulada à constituição mesma do sujeito (efeito de uma divisão). O que não se instaura na psicose é a assimilação da criança por um significante primordial. Se não há inscrição desse significante primordial a partir do qual os outros significantes se ordenam, o efeito é de “errância”: como se não houvesse um centro em torno do qual as significações possam ser medidas, pesadas, calculadas.
Esse centro, como um ponto de capitón, amarra a rede de significantes, produzindo um mundo orientado, organizado a partir desse pólo. A referência a um ponto ordenador, ou a ausência dessa referência, permite distinguir duas possibilidades de relação com a linguagem. Na psicose não há amarração de um ponto de capitón, o que imprime um abalo na organização do mundo, na ordenação simbólica: “[...] a vida do neurótico é um rumo no qual a significação é dada por uma orientação em relação à qual há erros, mas não errância, esta orientação sendo exemplarmente a necessidade, o serviço da dívida paterna. Já a vida do psicótico é uma errância, mas nem por isso sem significação (CALLIGARIS, 1989, p. 17). Como entender que não haja inscrição desse significante primordial na psicose?
A metáfora paterna é uma operação formulada por Lacan e que busca apresentar o procedimento através do qual um significante assume a função de “apresentar” o desejo da mãe, inescrutável. O Nome-do-pai não equivale, como conceito, aos pais biológicos, ao nome dos pais. O Nome do pai é um nome, um significante que desempenha a função paterna de barreira entre a criança e o desejo da mãe. No caso de Hans, por exemplo, Lacan indica que o significante “cavalo” cumpre essa função. Como observa Fink:
[...] a mãe pode estar inclinada a dedicar quase toda a sua atenção para a criança, antecipando cada necessidade, tornando-se acessível e disponível o tempo todo. Em tal situação, o pai ou algum outro membro da família ou algum outro interesse da mãe pode desempenhar uma função muito específica: a de anular a unidade mãe-criança, criando um espaço ou uma lacuna essencial entre elas. No caso da mãe não dedicar atenção alguma ao pai ou a outro membro da família, não conferindo a ele importância alguma, o relacionamento mãe-criança nunca poderá se tornar triangular. Ou ainda, quando o pai ou outro membro da família é indiferente, permitindo tacitamente que a unidade continue ininterrupta, um terceiro termo nunca poderá ser introduzido (FINK, 1988, p. 79).28
28 No caso de pais solteiros, um amante (passado ou presente) ou mesmo um amigo ou parente pode, às vezes,
assumir o papel de pai, significando aquela parte do desejo de um dos pais que vai além da criança. É certamente concebível que um dos parceiros de um casal homossexual possa preencher esse papel também, um dos parceiros adotando o papel de provedor, o outro intervindo na relação criança-mãe como terceiro termo. Nos casais heterossexuais encontram-se homens agindo como mães e mulheres agindo como a lei, mas fica claro que as normas
Lacan, abordando a mãe, enfatiza sua função no que diz respeito ao desejo:
O papel da mãe é o desejo da mãe. É capital. O desejo da mãe não é algo que se possa suportar assim, que lhes seja indiferente. Carreia sempre estragos. Um grande crocodilo em cuja boca vocês estão – a mãe é isso. Não se sabe o que lhe pode dar na telha, de estalo fechar sua bocarra. O desejo da mãe é isso. (…) Então, tentei explicar que havia algo de tranquilizador. Digo-lhes coisas simples, estou improvisando, devo dizer. Há um rolo, de pedra, é claro, que lá está em potência, no nível da bocarra, e isso retém, isso emperra. É o que se chama falo. É o rolo que os põe a salvo se, de repente, aquilo se fecha (LACAN, 1970/1992, p. 105).
Se o desejo da mãe é pelo pai, a função paterna protege com a nomeação do desejo do Outro materno: “a linguagem protege a criança de uma situação dual potencialmente perigosa” (FINK, 1988, p.80). O nome é um tipo extraordinário de significante, um significante primordial. Mas de significante primordial haverá a travessia em direção a um significante “plenamente desenvolvido” (FINK, 1988, p.80), que se inclui no movimento dialético dos significantes e passa a reunir uma série de significantes. A linguagem torna possível a substituição posta em funcionamento pela metáfora paterna. Quando um segundo significante é instalado (o Nome-do- pai) o desejo é retroativamente simbolizado, ou seja, assume um lugar na cadeia como S1:
Aqui, o S2 é, portanto, um significante que representa um papel muito preciso: ele simboliza o desejo do Outro materno, transformando-o em significantes. Ao fazê-lo, cria uma fratura na unidade Outro materno – criança e permite à criança um espaço onde pode respirar mais tranquilamente, um espaço próprio. É através da linguagem que uma criança pode tentar mediar o desejo do Outro, mantendo-o à distância... (FINK, 1988, p. 81). 29
A separação leva à expulsão do sujeito do campo do Outro, o que também se expressa na ameaça de castração freudiana. Não operando o Nome-do-pai, a criança não opera a passagem de uma posição de equivaler à demanda materna para uma posição de produção de saber sobre o desejo do Outro. O que se herda do Complexo de Édipo, uma posição do lado da mulher ou do lado homem, não se realiza, ou seja, o sujeito fica atrelado à dimensão imaginária sem dialética, sem um certo regulamento simbólico. A dimensão imaginária, no que se refere ao sentido, é
sociais não estimulam atualmente a eficácia de tais reversões em substituir o Nome-do-pai ou a função paterna (FINK, 1988, p. 222- nota 10).
29 Ao se instalar o S2, o S1 é determinado retroativamente, o S/ é precipitado e o desejo do Outro assume um novo
papel: aquele do objeto a (FINK, 1988, p. 82).
hipertrofiada sem a instalação de um operador negativo, que produza distância entre o sujeito e o Outro. Não há a extração de um objeto que tem como consequência uma impossibilidade de saber entre o sujeito e o Outro. Na psicose, o Outro é invasivo e o sujeito é objeto do Outro.
A relação do sujeito com a linguagem na psicose, portanto, é especificada sobretudo pela ausência de inscrição deste significante primordial, gerado com a operação da metáfora paterna. Se o desejo do Outro pode se fazer apresentar sob um significante, é este mesmo significante que faz baliza, que serve como o centro de um mapa a partir do qual se medem todas as distâncias:
[…] a constituição de um sujeito vai ser inaugurada por uma escrita, marca da antecipação deste sujeito, ligada ao seu traço – unário – de reconhecimento. Há um primeiro tempo que, recalcado, funda o inconsciente. O segundo tempo, da letra que barra e apaga a marca, é justamente a inscrição do Nome do Pai, que permite o acesso ao terceiro tempo: a dedução de que havia aí um sujeito, a interpretação é sua antecipação fundante. Ainda é preciso que este significante do Nome do Pai seja validado, na particular versão que o sujeito vai lhe dar ao final da trajetória edípica – sua metáfora paterna. Esta vai lhe permitir constituir, ao pô-la à prova, o quarto nó, com que ele vai enodar de