1. BÖLÜM
2.3. İŞVEREN MARKASI İLE İLİŞKİLİ KAVRAMLAR
2.3.2. İşveren Marka İmajı
No distúrbio das associações Bleuler encontra em funcionamento os mecanismos descritos por Freud nas formações do inconsciente (como os sonhos): o deslocamento e a condensação. No entanto, a especificidade da esquizofrenia é que na fala do sujeito estes mecanismos encontram- se “a céu aberto”, como disse Lacan, ou seja, não são cifras a serem decifradas, como na neurose. Não há cifra, o mecanismo encontra-se exposto. O curso do pensamento é interrompido, ocorrendo um descarrilamento da ideação do sujeito, daí a fala se apresentar de forma bizarra:
Das pinhoridades das inhadas das operações de escoptar. Das pinhoridades das conviver das instituintes das reconciliações das ezentificiais das operações das indiretas das lâmpadas das maravilhosas. Das reticenciais das irretangular das reconciliadas das recomendações das irretangular das irretaguarda das reticenciais das operações das escoptar das pinhoridades dos ezentificiais dos tratamentos. Das reticenciais das lâmpadas das maravilhosas das terras. Das reticenciais das germinárias das pinhoridades das lâmpadas das maravilhosas das terras. Das reticenciais das pinhoridades das irretaguarda das terras. Das ezemtificiais das germinárias da fumaça das germinárias das cavidades (SOUZA, 1991, p. 23).
Este descarrilamento pode ser agenciado, por exemplo, pela assonância de sons: “Kopf – Tropf; Frosch – rost – rostig; sauber – Tauber; geschlagen – betrogen – betroffen – becklagen34”
(BLEULER, 1911/ 2005, p.71). Neusa Souza observa que, sobre esse funcionamento, Schreber dissera que os pássaros miraculados não entendem o sentido das palavras que dizem, mas “dispõem, em contrapartida, de uma suscetibilidade natural para a consonância dos sons” (SCHREBER, 1903/2010). Bleuler observa, nesse contexto, a formação de palavras através do mecanismo de condensação – os neologismos:
Um catatônico associou a “vela” “vapor à vela” composto por duas associações que se tinham imposto, “barco a vapor” e “barco a vela”. A condensação participa de forma eminente na formação de ideias delirantes e de símbolos e é também a causa de uma legião de neologismos: “trauram” por “traurig” e “grausam”, “schwankelhaft”, composto por fragmentos de três palavras “wankelmütig”, “schwankend”, “nicht standhaft” (BLEULER, 1911/ 2005, p.73).
34
Cabeça – gota; rã – ferrugem – ferrugento; limpo – surdo; batido – enganado – tocado – deplorar.
Outro exemplo nos é oferecido por Neusa Souza: “Fisaragada, dona do mundo, mais que mãe da gente” (SOUZA, 1991, p. 42). Em uma entrevista realizada por Lacan, Gerard, esquizofrênico, apresenta vários dos neologismos que cria: Venúrio [Vénure], que reúne Vênus [Vénus] e Mercúrio [Mercure]; assastinação [assastination], que reúne o ato (na partícula nation), o assassino [assassin] e os assistentes [assistants], agentes do assassinato; quebrourado [l'écraseté], junção do quebrado [l'écrasé] e do estourado [l'éclaté] (CZERMAK, 2004). Nesta outra passagem encontramos as operações de deslocamento nas associações de uma mulher:
O médico tinha admoestado uma hebefrênica capaz de trabalhar e de se deslocar bem fora do asilo, porque ela não tinha o quarto arrumado, e ouviu como resposta: “Não quero dinheiro italiano”. À pergunta: “que quer dizer?”, ela respondeu: “Sou35, é mesmo dinheiro italiano ou francês; eu não sou Suberli
(nome de uma empregada que não podia ser levada em conta a propósito do conceito “pôr em ordem”, quanto a Madame Suter, ela morreu”. Ao ouvir esta admoestação, a doente tinha pensado consciente ou inconscientemente no termo habitual em caso semelhante entre as pessoas pouco cultas, mas que o médico não tinha usado, “Sauordnung”36, que se pronuncia za-ou ou zou; assim,
as palavras – e os conceitos – Sou, Suberli e Suter são parcialmente determinados enquanto a forma negativa da frase exprime que a doente não deseja ser considerada desordenada (Riklin)” (BLEULER, p. 1911/ 2005, p.72).
Assim como um significante pode modificar o curso das associações na fala, um acontecimento, a emergência de um objeto, pode modificar o curso do pensamento. Daí a distração ou dispersão tão marcantes. Se o curso do pensamento pode sofrer interferência com facilidade, devido à falta da representação-meta, os efeitos vão desde a fala ininterrupta, contínua, em que o sujeito parece atirar em várias direções, até a suspensão do pensamento, uma espécie de bloqueio que Bleuler denominava barragens, onde o pensamento desaparece, foge. A fala contínua foi descrita por muitos autores sob a insígnia do “fluxo contínuo de ideias” ou da verborragia e a suspensão do pensamento como fuga de ideias.
Se o distúrbio das associações é uma das apresentações do que Clérambault chamou de automatismo mental é porque o pensamento e a fala se autonomizam. Isso fala e isso pensa, a despeito do sujeito:
A paciente chama os ecos e comentários de suas intuições, pois são fenômenos
35“Sou: moeda de pouco valor. (N. Do T.)” (BLEULER, p. 1911/ 2005, p.72). 36
Sauordnung significa grande desarrumação. (N. Do T.)” (BLEULER, p. 1911/ 2005, p.72).
que auguram, antecipam ou retomam o que foi pensado. 'A intuição é o fato de pensar algo antes'. […] 'Às vezes podem ser também palavras ao meu respeito sem saber, as pessoas, é muito vago, talvez uma crítica'. Pode ser também o 'sentimento de submeter-se, de fazer coisas que não gostaria de fazer, de dizer coisas que não gostaria de dizer'. […] 'Eu não consigo dizer de onde vem a voz'. Em resumo, ela diz coisas e ao mesmo tempo é uma voz, onde reencontramos, assim, essa oscilação tão frequente na psicose, entre o assumir a palavra e a sua exterioridade. Tudo o que relatamos tem um aspecto sempre breve, pontual, errático. É um esboço de automatismo mental (CZERMAK, 2004, p. 103).
Saussure retoma a afirmação mais comum sobre o signo linguístico para questioná-la: o signo não é o que liga um nome a uma coisa. É, em primeiro lugar, um fragmento de cadeia sonora. Esse fragmento ou significante não quer dizer nada, só adquirindo valor de signo, ou sentido, depois, a partir da cadeia significante. O signo, portanto, é o que une o significante ao significado, no contexto de um conjunto de signos:
Tomemos um cavalo; será por si só um elemento do jogo? Certamente que não, pois, na sua materialidade pura, fora da sua casa e das outras condições do jogo, não representa nada para o jogador e não se torna elemento real e concreto senão enquanto revestido de seu valor e fazendo corpo com ele. Suponhamos que, no decorrer de uma partida, essa peça venha a ser seja destruída ou extraviada. Pode-se substituí-la por outra equivalente? Decerto: não somente um cavalo, mas uma figura desprovida de qualquer parecença com ele será declarada idêntica, contanto que se lhe atribua o mesmo valor37.
Segundo a proposição geral de Saussure, o signo é sempre signo de uma ausência e remete a um outro signo. O sentido é extraído a partir de uma escolha feita em função de uma rede de signos. Na relação do psicótico com a linguagem, o signo é “profundamente desnaturado” (LECLAIRE, 1991, p. 98), dissociando-se nos seus elementos constitutivos: significante e significado. O signo pode funcionar amputado de sua função de significante ou de seu valor de significado. Uma palavra reduzida a seu valor de significante pode ser vista no exemplo dado por Leclaire:
Veio um dia à consulta com uma capa nova e nos disse que doravante chamaria esta vestimenta de beaujolais38. [...] comentou: depois de ter comprado com a
esposa essa capa, ela lhe disse, confirmando a escolha que haviam feito, que a capa era joli (bonita). Ficou satisfeito mas imediatamente foi invadido por uma dúvida: se a roupa era bonita (joli) e sua mulher o notava, porque ela não notava, de passagem, que também ele, Pierre, era atraente, e foi assaltado pela idéia de que a palavra “joli” aplicada à capa evocava, na verdade, um amigo de
37 SAUSSURE, F. (2006). Curso de linguística geral. São Paulo: Cultrix, p. 128. 38
Beaujolais comumente se refere a uma região vinícula da França.
juventude de sua mulher, um daqueles de quem se mostrava tão ciumento: “Jo”. Dali em diante a capa não podia mais ser joli (bonita); no máximo ela podia ser, como ele queria ser aos olhos da esposa, “beau” (bela, elegante); quanto a “Jo”, acidentalmente evocado na história, ele só podia, por comparação, ser “laid” (feio). O conjunto, eu sou “beau” e Jo é “laid” associado à idéia de que sua roupa agrada à esposa, dá à capa o nome de “beaujolais” (LECLAIRE, 1991, p. 99).
Nesse exemplo os significantes agenciam uma espécie de cascata onde não há freio ou barra para a avalanche de associações. Ocorre uma proliferação de significados, justamente porque não há estabilidade na amarração significante/significado. Na esquizofrenia, os significados não chegam a estabelecer uma associação estável com um fragmento de cadeia sonora ou significante. O efeito é que qualquer palavra, qualquer sonho, torna-se “significante de um conceito sem nome” (LECLAIRE, 1991, p. 103).